SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 17 de março de 2014

PERSEGUIÇÃO, TIROS E MORTE

ZERO HORA 17 de março de 2014 | N° 17735

FELIPE MARTINI


ROUBO DE VEÍCULOS

PORTO ALEGRE - 
Tiroteio entre policiais militares e bandidos assusta moradores em três bairros


Uma perseguição policial que envolveu quatro carros e seis viaturas em três bairros da Capital deixou dezenas de moradores assustados, em meio a um tiroteio, na tarde de sábado. A ocorrência começou com uma tentativa de assalto na Rua Portugal, no bairro Higianópolis, e se estendeu por Mont’Serrat e Rio Branco, deixando um assaltante morto e outro preso.

As cenas de tensão se iniciaram por volta das 15h30min, quando dois criminosos roubaram uma caminhonete Cherokee no momento em que uma família chegava em casa.

– Estacionávamos na rua quando os assaltantes chegaram e pediram para entregarmos tudo – relatou o motorista de 18 anos, que avistou a polícia logo após o assalto.

Com a vítima no interior da viatura, a Brigada Militar (BM) iniciou a perseguição, alcançando a caminhonete roubada já no bairro Mont’Serrat, entre as ruas 24 de outubro e Anita Garibaldi. Na fuga, os assaltantes colidiram com um Hyundai i30 na Rua Silva Jardim, em frente à academia Body Tech, na esquina com a Rua Fabricio Pillar.

O acidente envolveu mais três veículos estacionados e deixou a motorista do i30 com ferimentos leves. A queda de um poste deixou 70 residências sem energia elétrica.

Após o choque, teve início o tiroteio. Os assaltantes fugiram até o estacionamento do Jardim Mini-shopping, na Rua Silva Jardim, onde renderam o proprietário de uma loja e roubaram um Hyundai HB20. A dupla continuou a fuga no segundo automóvel roubado. Eles entraram na Rua Quintino Bocaiúva e depararam com viaturas da BM, começando uma nova troca de tiros. Um dos assaltantes, identificado como Michael Ortiz, foi morto. O segundo, Marco Martins Costa, 31 anos, foi preso. Conforme a polícia, os dois tinham antecedentes criminais por envolvimento com roubo de veículos, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.


ENTREVISTA - POR LARA ELY

“Se os ladrões estão nas ruas, têm de saber que a polícia também está”

Entrevista com Ronaldo Bandeira, Sargento do 11º Batalhão da Brigada Militar



Policial militar há 26 anos e comandante da patrulha no momento em que a perseguição aos assaltantes foi deflagrada, o sargento Ronaldo Bandeira, 48 anos, conta que realizava uma ronda de rotina quando avistou um tumulto na Rua Portugal. Percebeu que havia gritos por socorro quando um cidadão se identificou como vítima de assalto.

Zero Hora – Como foram os primeiros momentos, o início da perseguição?

Ronaldo Bandeira – Coloquei a vítima para dentro da viatura e saímos para fazer o acompanhamento. Eles começaram a subir nas calçadas, a andar desgovernados. Quando chegaram na esquina da Silva Jardim com Fabrício Pillar, colocaram armas para fora e efetuaram disparos contra a viatura.

ZH – Foram muitos disparos?

Bandeira – Nesse momento, começamos a revidar. Daí, eles desceram a rua e foram encurralados pelas viaturas. O tiroteio estava bem acirrado, foram bem mais de 10 disparos. Eles carregavam a munição a todo momento. Saíram da galeria e foram até a Quintino Bocaiúva, onde roubaram um novo carro, e recomeçou o tiroteio. Um dos criminosos morreu, e o outro, largou a arma e fugiu em direção aos prédios. Acabou sendo alcançado por nós.

ZH – Como fica o reconhecimento do PM pela população em um caso como esse?

Bandeira – Tivemos que conter as pessoas para que não atacassem o assaltante preso. Queriam invadir a viatura e linchá-lo. Mas saímos de lá recebendo aplausos. A princípio, foi uma ação bem executada. Agora, nossas armas serão recolhidas para saber qual de nós alvejou o assaltante. Mas soube que até o governador mandou os parabéns pela ação.

ZH – Como o cidadão deve proceder diante de um tiroteio?

Bandeira – As pessoas que presenciam um fato desses não devem sair na rua correndo ou tirando foto de celular. Podem ser confundidas com policiais ou delinquentes e acabar levando a pior. O melhor a fazer é se jogar no chão, manter a calma e chamar o mínimo de atenção.

ZH – O que o senhor sente diante de um fato como esse?

Bandeira – Como pessoa, me entristece ver tanta gente roubando carro por causa de droga. Como PM, é chocante chegar nas ocorrências, mas alguém tem de fazer esse trabalho. Se os ladrões estão nas ruas, têm de saber que a polícia está também.

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