SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 8 de março de 2014

UM BAIRRO CONFLAGRADO PELA VIOLÊNCIA


ZERO HORA 08 de março de 2014 | N° 17726


EDUARDO TORRES


NOVE MORTES EM 28 DIAS. Após onda de assassinatos, Rincão da Madalena, em Gravataí, foi alvo de operação policial ontem, quando oito foram presos


Em um único bairro de Gravataí, na Região Metropolitana, o assassinato de nove pessoas em 28 dias assustou moradores e acendeu o alerta às polícias Civil e Militar. Ontem, a fim de dar uma resposta à comunidade do Rincão da Madalena, foi desencadeada uma operação para conter a onda de mortes na região. Oito homens foram presos, drogas e armas apreendidas.

O amanhecer com viaturas da Polícia Civil e da Brigada Militar circulando pelo bairro parece ter devolvido a sensação de mais tranquilidade aos moradores.

– É muito bom ver a polícia aqui, porque ultimamente não estamos nem saindo para a rua. A gente dorme apavorado, as crianças não querem mais ir para a aula. Viver presa em casa não é vida – desabafou uma moradora de 42 anos.

Nas conversas entre moradores, que saíam aos portões de suas casas para espiar a ação policial, além da violência já cotidiana de tiroteios e mortes dos últimos dias, todos lembravam da adolescente Andriele Albrecht de Vargas, 14 anos, que até o feriado de Carnaval, era vista pelas ruas do bairro. Na noite de quarta, ela se tornou a nona vítima da guerra do tráfico.

– Como pode uma menina nova assim morrer desse jeito? Onde está a Justiça? – lamentou uma moradora do local que não quis ser identificada.

– Violência sempre teve aqui, mas nunca como está agora. Eles parecem que não têm mais medo de nada – complementou uma mulher.

A operação de ontem foi a continuidade de uma ofensiva policial no mesmo bairro, em setembro passado. Naquela ocasião, os líderes de uma das quadrilhas do Rincão foram presos. Eles agiam na parte alta do Rincão. Outros traficantes tentam ocupar o lugar deles.

– Pessoas que não eram líderes até então viram a oportunidade de ganhar espaço. E fazem isso com o uso de muita violência, matando usuários, rivais, testemunhas – diz o delegado Anderson Spier, da 1ª DP de Gravataí.

Violência dificulta até para conseguir emprego, diz mãe

A violência que toma conta do bairro ainda é motivo de preocupação para os moradores que têm dificuldade até em conseguir emprego.

– Semana passada, meu filho fez uma entrevista de emprego. Estava indo tudo bem, até perguntarem onde ele mora. Quando disse que era no Rincão, fecharam a cara e ele perdeu a oportunidade – lamenta a mulher, que vive há 15 anos no bairro.




Insegurança afastou as crianças da escola


– Mãe, olha aquilo ali.

– É, filha, são os policiais. Eles estão trabalhando.

– Eu também quero ser policial, mãe.

O dialogo reflete o problema enfrentado por pais e professores da Escola Municipal Santa Madalena. Segundo a diretora da instituição, Patrícia Pereira, dos 270 estudantes do primeiro ao quinto ano, nem metade tem frequentado os bancos escolares.

Ontem, no turno da manhã, que conta com mais de cem alunos matriculados, havia cerca de 40. Uma das turmas do primeiro ano (crianças de seis anos) deve ser extinta pela falta de estudantes. Apenas três frequentam as aulas.

– Alguns pais estão com receio de mandar os alunos para a escola, e outros abandonaram o Rincão. Infelizmente, essa realidade acaba chegando às salas de aula – diz.

Na próxima semana, a diretora deve se reunir com a Secretaria Municipal de Educação para conversar sobre o assunto.

– Nosso esforço é para tornar este lugar especial para os pequenos, isolado dessa violência – argumenta.

Com a morte da Andriele, já são três ex-alunos do Santa Madalena executados. E todos ali lembram dela de maneira positiva.

A suspeita da polícia é de que o tráfico de drogas, sobretudo crack, movimente pelo menos R$ 30 mil semanais no Rincão da Madalena. De acordo com os investigadores da 1ª DP de Gravataí, os confrontos entre grupos que agem em Gravataí e em Alvorada têm sido acirrados no último mês.


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