SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A CRUELDADE CONTRA BERNARDO


ZERO HORA 16 de abril de 2014 | N° 17765



CARLOS WAGNER E HUMBERTO TREZZI*


Ao desfazer o mistério que cercava o desaparecimento de um menino de 11 anos em Três Passos, a polícia deparou com um crime chocante. A criança, apontam as investigações, foi dopada e morta.

E as suspeitas recaem sobre a madrasta e uma amiga dela, em crime supostamente encoberto pelo pai.

O Rio Grande do Sul está diante de um crime que vai entrar para a história das barbáries. Uma investigação desencadeada por três equipes da Polícia Civil comprovou não só aquilo que se temia – está morto o menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desaparecido havia 10 dias em Três Passos – como também concluiu que o assassinato foi premeditado em família. As apurações apontam que o homicídio teria sido planejado e executado pela madrasta da criança, a enfermeira Graciele Ugolini, com ajuda de uma amiga, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, ambas presas por ordem da Justiça. O pai do menino, o médico-cirurgião Leandro Boldrini, também está preso, suspeito de ocultar informações sobre o crime e pistas que comprometeriam sua mulher, Graciele. O casal e a amiga estão com prisão temporária decretada pela Justiça por um prazo de 30 dias.

O corpo de Bernardo foi encontrado segunda-feira em Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde o menino vivia. Estava numa cova de um metro de profundidade. Conforme depoimento de Edelvânia, o menino foi dopado com barbitúricos e assassinado com uma injeção letal de um produto que ela não soube precisar, preparada pela madrasta do garoto, que é enfermeira. Detalhe terrível: teriam levado junto na viagem fatídica a filha de um ano e três meses que Graciele tem com Leandro Boldrini, pai do menino.

Edelvânia e Graciele viajaram de carro dia 4, uma sexta-feira – dia em que Bernardo morreu, segundo o atestado de óbito –, de Três Passos a Frederico Westphalen, com a desculpa de comprar uma TV para o garoto. Ao chegar à casa da assistente social, misturaram pílulas dopantes no suco do menino, que adormeceu. Ele teria sido então assassinado com uma injeção, descreveu Edelvânia, a única a colaborar com a Polícia Civil. Foi ela quem indicou o lugar onde enterraram o menino. Ela desconversa sobre como conseguiram força suficiente para abrir a cova e sobre o que as levou a cometer o crime.

E qual teria sido a motivação para essa barbárie? A Polícia Civil ainda tenta descobrir. Alguns policiais avaliam que possa ser ciúme doentio por parte da madrasta em relação a Bernardo, filho do primeiro casamento do médico. Outra hipótese investigada é financeira. A ex-mulher de Boldrini, a também enfermeira Odilaine Uglione Boldrini – que teria se matado em 2010, ao término de tumultuado relacionamento com o marido –, seria beneficiária de um acordo para receber R$ 1,5 milhão pelo fim do casamento, além de pensão mensal de R$ 10 mil. Quem diz isso é Marlon Taborda, advogado da família dela. Ele afirma que o menino Bernardo seria beneficiário desse acordo quando chegasse à idade adulta. Os policiais checam essa possibilidade. O pai e a madrasta da vítima ainda não foram ouvidos após serem presos. Até o anoitecer de ontem, os nomes dos advogados do casal e da amiga eram desconhecidos.

Madrasta multada ao levar a criança

Bernardo sumiu no dia 4. Ele tinha assistido a aulas das 8h às 11h45min no Colégio Ipiranga, em Três Passos, onde estudava.

– Na saída, fez uma careta para mim – recorda a colega dele da 6ª série, Maria Eduarda Oliveira Kuntzel, 11 anos.

O menino foi visto novamente às 13h01min, quando a madrasta Graciele foi multada por excesso de velocidade, em Tenente Portela, a caminho de Frederico.

– Naquela hora, ela estava com Bernardo dentro do carro. Não notei nada diferente – diz a ZH o sargento da Brigada Militar Carlos Vanderlei da Veiga, autor da multa.

A infração foi importante para elucidar o caso, já que até então Graciele e o marido negavam saber onde estava o menino nesse dia – a versão é de que ele teria ido passar o final de semana na casa de um amigo em Três Passos. Ouvida pela Polícia, Graciele tampouco informou ter viajado na companhia da amiga Edelvânia.

Outra prova foi obtida por meio de uma câmera em um salão de beleza situado ao lado da residência de Edelvânia, em Frederico Westphalen. As imagens mostrariam as duas mulheres saindo da casa com o garoto, naquela sexta-feira, e voltando sem ele, afirma um policial ouvido por ZH.

No Facebook, Boldrini e Graciele aparecem como um casal feliz – partilham o mesmo perfil. Mas as coisas eram diferentes em casa, confidenciam amigos a ZH. Viviam discutindo, e o motivo do desentendimento era a presença de Bernardo, fruto do casamento anterior do médico.

Bernardo era um aluno mediano. Gostava de conversa, lembram os colegas.

– Mas era um piá meigo – acrescenta a psicóloga da escola, Denise Helena Escher.

Até 2010, ele era mais um dos garotos que corriam pelas ruas da cidade. No início daquele ano, sua mãe, Odilaine, morreu no consultório do marido. Naquele dia, Bernardo se tornou um símbolo do sofrimento familiar em Três Passos.

E foi pelo menino meigo, que se recusava a falar sobre a morte da mãe, que a população chorou. Primeiro, de raiva, na noite de segunda-feira, quando dezenas de pessoas lotaram as ruas do município do noroeste do Estado. Protestavam contra o pai e a madrasta de Bernardo, trancafiados no Presídio Municipal de Três Passos. Os três acabaram transferidos para prisões, em locais mantidos sob sigilo pelas autoridades. Na terça-feira, o choro se misturou a orações, canções e pedidos de justiça. A cidade amanheceu ontem de luto. Fotos do garoto e faixas pretas misturavam-se à decoração de Páscoa espalhada pela cidade.

O menino que se dizia abandonado

O corpo do menino que adorava fazer caretas para as colegas foi velado no Ginásio do Colégio Ipiranga. Em caixão fechado (o corpo foi encontrado em decomposição), recebeu homenagens. Aos poucos, as ruas da cidade foram ficando vazias. As pessoas rumavam para o velório. Moradores que jamais tinham visto o menino choravam. As palavras indignadas se misturavam a momentos de lembranças sobre a vítima. Pessoas que não tinham relações com Bernardo, como o aposentado Domingos Veigne, 70 anos, se derramaram em lágrimas.

– Como é possível um pai fazer uma coisa assim para um filho? – questionava.

Depois do meio-dia, dezenas de pessoas se aglomeravam no ginásio. O padre Rudinei da Rosa falou durante culto ecumênico.

– A morte de Bernardo não é obra de Deus – sintetizou, chorando.

Jovens cantaram canções e hinos religiosos que falavam de amor, paz e justiça. Com rosas brancas nas mãos, os policiais civis que trabalharam no caso estiveram no velório, com familiares. A delegada Carolina Bamberg Machado, que investiga o homicídio, estava acompanhada dos filhos e não escondeu a emoção. O mesmo aconteceu com o capitão Paulo Roberto Nascimento, do 7º Batalhão de Polícia Militar. Com receio de que se repetisse a manifestação da noite de segunda-feira, o capitão reforçou a segurança da cidade com homens de três Pelotões de Operações Especiais (POE).

No meio da tarde, o corpo do menino foi levado para Santa Maria, onde será sepultado hoje no mesmo jazigo da mãe. Saiu de Três Passos escoltado por patrulhas da BM com sirenes ligadas. No caminho, dezenas de pessoas bateram palmas e rezaram em voz alta. Na memória, a lembrança de um menino carente pelo amor do pai. No início do ano, ele registrou no Centro de Defesa da Criança e do Adolescente uma queixa contra o pai, alegando falta de afeto. O caso foi parar na Vara da Infância e da Juventude, onde virou um processo que tramita em segredo de Justiça. O juiz responsável, Fernando Vieira dos Santos, intimou a família.

– Nesse tipo de caso, onde não há violência, mas questões afetivas, tentamos preservar os laços familiares, ouvimos as partes e suspendemos o processo por 60 dias apostando na reconciliação. Infelizmente aconteceu o pior – lamenta o magistrado, que ontem chorou ao falar do menino.

*Colaboraram Carlos Rollsing, Fernanda da Costa e Mauricio Tonetto



“Desamor e indiferença”


Em janeiro, Bernardo relatou ao MP problemas em casa e chegou a pedir para morar com colegas


Dificuldades de relacionamento da família com Bernardo Uglione Boldrini haviam chegado ao conhecimento do Ministério Público (MP), pela primeira vez, em novembro passado e motivaram uma ação na Justiça em favor do menino. Em janeiro, Bernardo relatou ao MP detalhes da rotina em casa, queixou-se de indiferença e de desamor e apontou famílias de colegas com as quais poderia morar

Essas famílias foram abordadas pelo MP, mas se negaram a abrigar o menino temporariamente. O caso estava sob os cuidados da promotora da Infância e da Juventude Dinamárcia Maciel de Oliveira. Em janeiro, depois de ouvir Bernardo e pedir informações sobre ele e a família a órgãos da rede de proteção, ela ingressou com medida protetiva na Justiça. Um dos pedidos era de que a guarda provisória de Bernardo fosse concedida à avó materna, que vive em Santa Maria.

O juiz marcou audiência com a presença do pai e de Bernardo. Diante do juiz e da promotora, em fevereiro, Leandro Boldrini demonstrou calma, admitiu a ausência e pediu uma chance de reconstruir a relação.

– Como o Estatuto da Criança e do Adolescente diz que a prioridade é fortalecer o vínculo da criança com a família biológica e não havia informação sobre maus-tratos físicos, concordamos com a tentativa – explica ela.

Bernardo também aceitou: “ Vamos tentar”, disse. Foi marcado um prazo de 60 dias para nova avaliação. Desde então, nenhuma informação sobre problemas na relação surgiram.

– Na audiência, disse a Bernardo que podia nos procurar sempre que precisasse. Ele passava na frente do MP para ir para a escola – diz Dinamárcia.

A suposta “negligência afetiva” em relação a Bernardo havia chegado ao conhecimento do MP por meio de um assistente social. A promotora pediu informações a órgãos como o Conselho Tutelar e a escola e apurou quem poderia assumir a guarda. Foi localizada a avó materna que informou que, apesar de problemas de saúde, poderia receber Bernardo. Ela contrataria uma pessoa para ajudá-la. Nesse período de atuação do MP, agentes da rede de proteção tentaram contatos com o pai, que não deu retorno.

– Como a família precisava ser apoiada para reconstruir a relação, ingressamos com a ação para garantir os direitos fundamentais do Bernardo. Não havia o que desabonasse a conduta do pai, nem indício de que o menino corresse perigo – diz a promotora.

Ao conversar com Dinamárcia, Bernardo negou sofrer agressões físicas. Demonstrando ser um menino amoroso e afetivo, reclamou de falta de atenção e de amor por parte do pai. Em relação à madrasta, falou de implicância e troca de farpas.

– Reputo essa tragédia ao imprevisível. Usamos todas as ferramentas legais ao nosso alcance. Não somos onipotentes – desabafa a promotora.

ADRIANA IRION



ENTREVISTA

“Fui impedida de vê-lo”


Após a morte da única filha, Odilaine, a aposentada Jussara Uglione, 73 anos, passou quatro anos sem ver Bernardo.

ZH – Como a senhora se sente?

Jussara – Demorou, mas a polícia conseguiu achar o local e os verdadeiros assassinos. Não tenho dúvida de que foram eles. Eram as únicas pessoas que conviviam com o menino.

ZH – Tinha contato com o neto?

Jussara – Tentei várias vezes me aproximar dele, os meus advogados têm comprovantes de que fui impedida disso desde a morte da minha filha (em 2010). Fui impedida de vê-lo por quatro anos, me chamavam de velha doente, falavam que eu tinha problemas e que não teria condições de cuidá-lo. Tenho uma ótima situação financeira, o nome limpo. Temos 73 anos de firma (revenda de veículos Uglione, em Santa Maria), somos honrados e honestos.

ZH – Qual foi a última vez que a senhora viu o Bernardo?

Jussara – No mês retrasado, depois de muito tempo, ele veio passar as férias na casa da madrinha, e ela trouxe o Bernardo aqui em casa para que eu pudesse vê-lo. Fiquei quatro anos longe, ele passou coisas horríveis nesse tempo.

ZH – Sua filha se suicidou?

Jussara – Não acredito que ela tenha feito isso. Tenho suspeitas de que ela tenha sido assassinada.



Sorrisos na rua, brigas em casa


Para alguns, eles eram simpáticos e pacíficos. Para outros, na intimidade do lar, demonstravam agressividade e incômodo com a presença de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos.

A aparente vida dupla de Leandro Boldrini, 38 anos, e Graciele Ugolini, 32 anos, será investigada pela Polícia Civil. O casal foi preso por suspeita de participação no assassinato.

– Ela convivia conosco, era sorridente. Nunca teve um incidente na escola. Tenho filhas da mesma idade, e elas brincavam juntas. É chocante – diz a professora aposentada Elci Haas, 60 anos, de Santo Augusto, que acompanhou o crescimento de Graciele.

Mas para vizinhos e outras pessoas próximas ao casal, que pediram para não se identificar, a realidade era outra. Em casa, eles viviam discutindo, e o motivo do desentendimento era a presença de Bernardo, fruto do casamento anterior de Leandro. Em 2010, a então mulher dele, Odilaine Uglione Boldrini, cometeu suicídio.

Logo depois disso, Graciele “adotou” Bernardo e passeava com o menino por Três Passos. Quando assumiu o relacionamento com Leandro, ela teria mudado de postura. Na primeira comunhão da criança, por exemplo, nenhum dos dois estava presente.

Graciele estudou Enfermagem na Unijuí, trabalhou em Porto Alegre e em uma área indígena em Redentora, no noroeste do Estado. Tornou-se sócia dele na Clínica Cirúrgica Boldrini e sua companheira. Ambos têm uma filha de um ano e três meses.

– Ela é uma mulher calma, meu Deus do céu. O Leandro também é calmíssimo, trabalha demais e não tem tempo para nada. Pelas atitudes dela, acho que não está envolvida, mas também não sei o que uma pessoa tem no pensamento. Esse menino (Bernardo) era um netinho para mim, vinha sempre na minha casa, me dava demais com ele – diz Plinio Ugolini, pai de Graciele.

Após o suposto sumiço da criança, Boldrini chegou a procurar uma rádio de Porto Alegre para pedir ajuda nas buscas ao menino, mas não se refere a ele como “filho”. Menciona o nome completo, Bernardo Uglione Boldrini, e o chama de “esse menino” por quatro vezes em três minutos:

– Ele é um menino moreno, cabelo curtinho, de 1,5 metro de altura, peso de 34, 35 quilos. Ele desapareceu de Três Passos. Ele morava comigo, com a nossa família. A gente não tem pistas de onde pode estar esse menino. A informação que a gente tem é que ele saiu de casa para ir na casa do amiguinho, mas não chegou na casa do amiguinho. Eu fui na casa do colega, mas ele não estava lá.


Amiga de madrasta disse que a confortaria


Responsável por apontar à Polícia Civil o local em que estava enterrado o corpo de Bernardo, Edelvânia Wirganovicz é solteira e mora sozinha em um apartamento em Frederico Westphalen.

Sua mãe e um irmão seguem residindo no interior de Cristal do Sul, seu município de origem, em uma pequena propriedade na comunidade de Linha São Dimas.

Edelvânia assinou um contrato temporário de emprego como assistente social com a prefeitura de Cristal do Sul entre 18 de março de 2013 e 6 de março de 2014. Tão logo o acordo foi assinado, ela foi cedida ao Estado para trabalhar na 19ª Coordenadoria Regional de Saúde, em Frederico Westphalen.

Nas últimas semanas, o contrato de Edelvânia já havia expirado, mas ela seguia comparecendo esporadicamente à sede da coordenadoria para compensar horas não cumpridas. No decorrer do contrato, ela se ausentou em algumas ocasiões, alegando questões pessoais.

– Foi uma grande surpresa para nós. No convívio que tínhamos, era uma pessoa absolutamente normal – afirma Cirilo Fronza, chefe da 19ª coordenadoria.

Nos últimos dias, Edelvânia deixou escapar algumas frases a respeito da sua relação com Graciele Ugolini, madrasta de Bernardo. Em 8 de abril, ela foi destacada para levar um medicamento da coordenaria, em Frederico Westphalen, até Três Passos. Avisou à chefia que não retornaria com o motorista e explicou que voltaria de ônibus, após visitar uma “amiga que estava com o enteado desaparecido”.

– Ela disse que iria dar um conforto para a amiga. Foi assim que ficamos sabendo da amizade delas – conta Cirilo.

Na última sexta-feira, Edelvânia compareceu novamente ao local de trabalho. Ela contou que, antes de se deslocar à coordenaria, agentes da Polícia Civil haviam passado em seu apartamento. Buscavam informações sobre o paradeiro do menino. Na noite de segunda-feira, Edelvânia, Graciele e Leandro Boldrini foram presos.

Relação de Leandro e Graciele com Bernardo era tensa. Os dois não foram à primeira comunhão da criança

Kimberly morava em em Palmeira das Missões e visitava os pais, em Três Passos nos finais de semana



Polícia não vê elo entre mortes de menino e jovem


Além do assassinato de Bernardo Uglione Boldrini, Três Passos está chocada com a morte de Kimberly Rückert. Mas segundo as investigações da Polícia Civil até agora, os casos não teriam relação entre si.

As mortes, que abateram uma jovem de 22 anos e um menino de 11, com vínculos em Três Passos, seriam uma triste coincidência que recaiu sobre o município de cerca de 20 mil habitantes em um intervalo de pouco mais de 48 horas.

Carbonizado, o corpo de Kimberly foi encontrado dentro do carro da sua mãe na tarde de sábado em Palmeira das Missões, onde ela estudava, trabalhava e residia sozinha nos últimos quatro anos. Aos finais de semana, ela costumava visitar Três Passos, cidade em que viveu até os 18 anos e onde seguem morando o pai e a mãe. Bernardo estava desaparecido desde o dia 4. Na noite de segunda, seu corpo foi encontrado em Frederico Westphalen.

Em Três Passos, surgiram boatos sobre a possível relação entre os casos. Reforçaram a tese o fato de Kimberly ser estudante de Enfermagem e ter passagem por postos de saúde e hospitais da região como estagiária ou voluntária. Leandro Boldrini e Graciele Ugolini, pai e madrasta de Bernardo, também atuam na área da saúde da região: ele é médico e ela é enfermeira.

O pai de Kimberly afirma que a filha jamais trabalhou com um dos dois. Ela teria visto Boldrini apenas uma vez, quando o médico diagnosticou um problema de fígado em Kimberly, encaminhando-a a um especialista.

O delegado Adriano de Jesus Linhares, responsável pelo caso da jovem, não vê ligação entre os casos:

– É uma situação mais complexa. A vítima (Kimberly) tinha um histórico diferente. Os vínculos de amizade eram muito grandes. É difícil falar se a motivação é passional, ainda é cedo.

A polícia analisará imagens de câmeras dos trajetos que a jovem costuma fazer em busca de evidências.
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