SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 22 de abril de 2014

ADOLESCENTE ACABA MORTO POR ENGANO



ZERO HORA 22 de abril de 2014 | N° 17771


LUÍSA MARTINS


NO LUGAR ERRADO. Garoto foi baleado em um ponto de encontro de skatistas em Pelotas


Em uma oficina improvisada dentro do quarto, Marlon Belo Pereira montou o próprio skate para arriscar algumas manobras perto de casa – hábito que cultivava havia pelo menos um ano. Mas no sábado, ao se aventurar na calçada do Altar da Pátria, ponto de encontro da gurizada skatista de Pelotas, no sul do Estado, o jovem de 14 anos acabou morto. Por engano.

Entre o aviso de que iria com um amigo até a Avenida Bento Gonçalves e o telefonema fatídico que anunciava o pior, passaram-se cerca de 25 minutos, segundo os cálculos de Rita Belo, mãe do garoto. Inconformada por ter perdido o mais chegado dos quatro filhos, está organizando para o próximo domingo uma passeata para clamar por justiça.

Por volta das 21h30min, Marlon foi baleado no tórax por um rapaz com o qual, segundo o delegado Félix Rafanhim, da Delegacia de Homicídios de Pelotas, não tinha qualquer relação. O alvo verdadeiro seria Rodrigo Duarte, 24 anos, que levou um tiro no pescoço, mas sobreviveu. Marlon não teve a mesma sorte: chegou a ser socorrido pelo Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), mas morreu na ambulância a caminho do hospital.

– Estava no lugar errado na hora errada. Não tinha nada a ver com a situação – diz o delegado.

Segundo a ocorrência registrada pela Brigada Militar, são dois os suspeitos do crime. Um rapaz de 17 anos teria chegado ao Altar da Pátria acompanhado de um amigo – e ambos ameaçavam Duarte. Não se sabe qual dos dois estava com o revólver. A polícia ainda não os localizou.

– Ouvir o rapaz que sobreviveu é o nosso ponto de partida para descobrir as circunstâncias do crime – afirma Rafanhim.

Hoje seria um dia de teste com o Grupo Tholl

Zero Hora ouviu familiares e amigos do menino, que estudava no sexto ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Nossa Senhora das Graças. Embora não confirmado pela polícia, o relato é de que Marlon teria saído correndo após ouvir o tiro. Ao chegar à esquina, caiu no chão.

O infeliz desfecho da noite de sábado interrompeu o sonho que Marlon tinha de ser artista de circo. Assim como o skate, os malabares eram sua paixão. Integrante do Circo do Sesi havia dois anos, tinha agendado para hoje um teste com o Grupo Tholl, famosa trupe circense de Pelotas.

Em depoimentos postados por parentes e colegas nas redes sociais, a alegria de Marlon foi destacada como seu principal atributo. Sua madrinha, Vanessa Ereias, escreveu que, apesar das dificuldades financeiras pelas quais a família passava, ele estava sempre de bom humor. Clisman Duarte, companheiro de escola, publicou mensagem de luto, afirmando que o garoto não deixava ninguém ficar triste.

No sábado retrasado, o guri posou para a câmera do celular do primo, dando as coordenadas ao fotógrafo:

– Vou apontar meu skate para a câmera. Eu odeio revólver: minha arma é meu skate – disse, ao protagonizar a imagem que ilustra esta reportagem.

Essa mesma fotografia deve estampar as camisetas que vão ser distribuídas no domingo que vem para familiares e amigos. Pessoas próximas de Marlon programam sair em passeata na Avenida Bento Gonçalves e pedir por mais justiça e segurança.



ENTREVISTA

“Ele não sabe o que fez com o coração de uma mãe”



Zero Hora – Marlon costumava frequentar o Altar da Pátria, ponto de encontro de jovens skatistas?

Rita Belo – Não. Ele tinha muitos amigos, mas a pista preferida era a calçada do vizinho. Não era frequentador de lugares muito tumultuados e raramente saía do nosso campo de visão. Aquele dia, após jantarmos juntos, estava aqui na frente quando um amigo passou e o convidou para ir até a Avenida Bento Gonçalves. Uns 25 minutos depois, me ligaram para avisar que o Marlon tinha sido baleado.

ZH – Como era a relação dele com o esporte?

Rita – Ele andava de skate havia um ano, quando ganhou a tábua de um amigo. Ele já tinha umas rodinhas em casa e, no próprio quarto, montou o skate. Ele dizia que aquilo era a arma dele. Nunca dei arma de brinquedo ao meu filho. Ele tinha horror a qualquer tipo de revólver. Costumava dizer que, com o skate, ele podia qualquer coisa. Quando ele posou para aquela foto e disse isso ao primo, acho que de alguma forma ele estava se despedindo.

ZH – E no ambiente familiar, como ele era?

Rita – Tenho quatro filhos. Marlon era o mais próximo. Seguidamente dizia que nunca iria me abandonar, especialmente depois que me separei do pai dele. Quando estive doente, ano passado, ele mentiu que a escola estava de greve e ficava em casa para me cuidar. Acabou rodando de ano, mas porque era muito amoroso. Não consigo explicar a dor que sinto. Agora quero justiça. Quero olhar no olho do atirador e dizer que ele não sabe o que fez com o coração de uma mãe.

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