SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 8 de abril de 2014

BANDO EXPLODE COFRE E FERE POLICIAIS MILITARES



ZERO HORA 08 de abril de 2014 | N° 17757

JÚLIA OTERO


ATAQUE A BANCO


Quatro assaltantes armados com fuzis estão foragidos após atirar contra policiais em Barros Cassal, ontem, no Vale do Rio Pardo



Quatro assaltantes armados com fuzis arrombaram uma agência do Banco do Brasil em Barros Cassal, no Vale do Rio Pardo, e explodiram dois cofres, conseguindo fugir com dinheiro de um deles. Na ação criminosa, na madrugada de ontem, um homem foi feito refém e dois PMs ficaram feridos. A Polícia Civil desconfia de que os ladrões façam parte de uma quadrilha apontada por uma série de roubos parecidos em 2012.

Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o bando foi desarticulado em fevereiro do ano passado, quando houve um ataque malsucedido a uma agência bancária de Arroio dos Ratos. Na ocasião, quatro bandidos foram mortos. O restante foi preso em outras ações. Alguns já estão de volta às ruas.

– Pelo tipo de técnica aplicada com os explosivos e o forte armamento, temos a hipótese de que remanescentes dessa quadrilha estejam no crime de novo, talvez com novos integrantes, talvez uma nova quadrilha – afirma o delegado responsável pelo caso, Joel Wagner.

Antes da perícia, acreditava-se que poderia ser um grupo amador que vem tentando desde metade do ano passado usar explosivos para roubar bancos na região de Lajeado. Todas as tentativas foram sem sucesso até o momento. Mas o uso de reféns, violência contra policiais e técnicas elaboradas empregadas ontem descartaram a hipótese.

O refém da quadrilha de ontem (leia ao lado), um homem de 47 anos e morador da cidade de 11 mil habitantes, conta que foi acordado com a primeira explosão. Passava da 1h quando a vítima foi verificar o que era o barulho. Os bandidos, que estavam em um Gol vermelho, mandaram que ele deitasse no chão, junto com outro curioso.

– Só mandavam a gente ficar quieto. Eu dizia para o meu vizinho: “Fica tranquilo, não olha para eles” – conta a vítima, que prefere não ser identificada.

Outro estrondo rugiu, e os bandidos tiveram acesso ao primeiro cofre. Foram para o segundo com uma terceira explosão, mas uma viatura da polícia chegou:

– A gente foi recebido a bala de fuzil, não tinha o que fazer – lembra o sargento Rildo Sebastião Barbosa.

A viatura nem chegou a estacionar, e os disparos com armas de uso exclusivo das Forças Armadas começaram. Para se proteger, levantaram os reféns do chão e os usaram como escudos humanos. A viatura da Brigada Militar ficou destruída, e o mais novo da dupla de policiais, Anderson Luis Tanikado Miguel, 25 anos, levou um tiro na coxa direita, que mais tarde seria motivo de cirurgia. Pouco depois, o sargento também foi atingido no peito.

– Tentamos ficar ali, mas eles estavam muito mais equipados do que nós. Tivemos de nos abrigar e chamar reforço – afirma Miguel.

Os bandidos fugiram no Gol. Quando os outros quatro policiais militares que estavam de folga chegaram, não havia mais o que fazer.



Suspeito detido e liberado



Quase 12 horas depois, moradores informam à BM que um carro estava fazendo zigue-zague entre os veículos em um local distante 60 quilômetros do roubo. Após uma perseguição, o homem foi parado em Candelária. Mas, apesar de ter ficha criminal extensa e com várias passagens por crimes semelhantes ao cometido ontem, a BM não encontrou qualquer indício que o ligasse ao crime.

– Encontramos apenas, além dos documentos dele, a carteira de habilitação de outra pessoa que também tem registro pelo mesmo tipo de crime. Ele foi ouvido e liberado porque não havia provas concretas que justificassem uma prisão em flagrante – afirma o comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Valmir José dos Reis.


ENTREVISTA 

RILDO BARBOSA SARGENTO DA BRIGADA MILITAR

“A gente foi recebido à bala de fuzil”



Zero Hora – Como foi quando vocês chegaram ao local?

Sargento Rildo Sebastião Barbosa – A gente foi recebido à bala de fuzil, não tinha o que fazer. Pelo estampido, dava para notar que era fuzil. Acertaram na viatura e em nós. Primeiro, no guri (o soldado Anderson Luis Tanikado Miguel, 25 anos), e, depois, em mim.

ZH – E aí vocês recuaram?

Barbosa – Sim, fomos buscar reforço. Naquela hora, só tinha nós. No interior, se trabalha em dois e nem sempre dá tempo de chamar reforço. Até mobilizar o pessoal, não é fácil. Tem de ir com o que dá. Senti que estava ferido, mas não pensei. A adrenalina era mais alta. Foi a primeira vez em 27 anos de serviço que fui atingido.


ENTREVISTA 

ANDERSON MIGUEL SOLDADO DA BM

“Estavam dinamitando o banco”


Zero Hora – O senhor que recebeu a denúncia pelo 190?

Soldado Anderson Luis Tanikado Miguel – Sim. Disseram que estavam estourando o caixa e dinamitando o banco, daí a gente já foi preparado. Disseram que tinha homem armado, mas não sabiam informar qual arma. A gente chegou e foi recebido à bala. Eles estavam no meio da rua, esperando, já estavam de olho em qualquer movimentação.

ZH – E aí, neste momento, o senhor foi atingido?

Miguel – Sim, começaram a atirar na viatura. Tentamos ficar ali, mas eles estavam muito mais equipados que nós. Tivemos de nos abrigar e chamar reforço.



"Só mandavam a gente ficar quieto", conta homem que serviu de escudo humano em ataque a banco em Barros Cassal. A testemunha, que prefere não se identificar, diz que ficou tranqüilo durante a ação


Explosão destruiu a agência do Banco do Brasil de Barros CassalFoto: Brigada Militar / Divulgação

Zero Hora entrevistou um homem de 47 anos que serviu de escudo humano durante o ataque a um banco em Barros Cassal nesta segunda-feira. O crime deixou dois brigadianos feridos. Já o autônomo, que prefere não se identificar, não se machucou e diz que apesar dos momentos de tensão, se sentiu tranqüilo porque tem fé. Confira trechos da entrevista:

Zero Hora — O senhor é o homem que serviu de escudo humano durante o ataque?

Homem de 47 anos — Sim. Escutei um barulho e fui espiar o que estava acontecendo, quando cheguei na esquina me abordaram. Disseram para eu deitar no chão. Não esbocei nenhuma reação, fiquei tranqüilo porque tenho muita fé.
ZH — O senhor estava sozinho?

Homem — Não, tinha outro rapaz, outro vizinho. Eu moro na mesma quadra do banco e pensei que fosse uma explosão na casa de gás próxima e fui ver para chamar ajuda, mas os bandidos me pararam e disseram para deitar no chão. Quando a polícia se aproximou, fizeram eu me levantar e dispararam contra a viatura.

ZH — Eles falaram alguma coisa para o senhor?

Homem — Só mandavam a gente ficar quieto. Durou uns 10, 15 minutos. Eles ficaram a maior parte do tempo lá dentro. Não falaram muito. Eu dizia para o meu vizinho: "fica tranquilo, não olha para eles". Então não vi o que eles fizeram.


Viatura ficou marcada por tiros
Foto: Brigada Militar, Divulgação 
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