SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 5 de abril de 2014

ERRO EM PESQUISA


ZERO HORA 05 de abril de 2014 | N° 17754


HELOISA ARUTH STURM


Não são tantos, são muitos

Ipea revê dados e afirma que 26%, e não 65% dos entrevistados, concordam que mulheres com pouca roupa merecem ser atacadas



Depois de gerar repercussão nacional e provocar uma onda de debates e mobilizações em várias partes do país, o estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que abordava a violência sexual contra a mulher continha um erro justamente no dado que mais chamou a atenção da opinião pública. Ontem, o Instituto divulgou uma errata, afirmando que o percentual de brasileiros que concordam com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” não é de 65%, mas sim de 26% – uma porção ainda bastante alta.

Segundo os responsáveis pelo estudo que mediu a tolerância dos brasileiros à violência contra a mulher, o erro foi causado por uma troca entre os gráficos relativos a duas afirmações. Os 65%, na verdade, correspondem ao percentual de entrevistados que concorda com a frase segundo a qual “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”.

Quando os dados da pesquisa foram divulgados na semana passada, os próprios autores demonstraram surpresa com o alto índice de brasileiros que se mostravam propensos a culpar a vítima pelo estupro. O resultado rapidamente ganhou as redes sociais e gerou uma onda de manifestações para protestar contra a culpabilização da mulher, por meio do movimento #NãoMereçoSerEstuprada.

Em nota divulgada ontem, o Ipea pediu desculpas pelo equívoco e corrigiu uma segunda falha onde os resultados entre duas outras questões também foram invertidos: o percentual de brasileiros que concordam com a afirmação de que “o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros” passou de 81,9% para 78,7%, e o dos que concordam que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, passou de 78,7% para 81,9%.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea (um órgão do governo federal), Rafael Guerreiro Osório, pediu exoneração do cargo assim que os erros foram detectados.

– As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres – afirmaram os autores do estudo.

Organizadora de protesto diz que percentual deve ser zero

Nana Queiroz, jornalista organizadora do protesto que mobilizou as redes sociais, ganhou repercussão internacional e chamou a atenção das autoridades brasileiras para o tema da violência sexual contra a mulher, afirmou que a luta agora é para que o percentual de brasileiros que ainda se mostram tolerantes ao estupro chegue a zero. Em declarações à imprensa, afirmou:

– Isso deve nos deixar aliviadas, mas jamais acomodadas, pois 26% ainda culpam a vítima. Continuaremos na luta para transformar esse número em 0%. Há erros que vêm para o bem.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Será erro mesmo, ou uma forma de tentar maquiar informações vergonhosas para a imagem do Brasil?


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