SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

domingo, 6 de abril de 2014

LOCUTOR É AMEAÇADO COM FACA POR NEGAR PEDIDO DE MÚSICA

ZERO HORA 05/04/2014 | 23h09

Locutor de rádio sofre tentativa de homicídio durante apresentação de programa no interior gaúcho. Descontente por ter seu pedido de música negado, ouvinte ameaçou de morte locutor e funcionária dentro do estúdio da emissora



Wathir é comunicador da rádio há mais de 20 anosFoto: Arquivo Pessoal / Divulgação


A cena tinha tudo para pertencer a um filme de violência escrachada, mas foi ocorrer no estúdio da rádio 104.1 FM, da pequena cidade de Giruá, no noroeste do Estado, na tarde da última sexta-feira.

Enquanto ancorava, ao vivo, o programa "Rola Bandas", o locutor Jair Wathir foi ameaçado de morte por um ouvinte identificado como Rogério Brondani, mais conhecido como Xico, que teve seu pedido de música recusado dez minutos antes de entrar com uma faca no estúdio.

De acordo com a ocorrência registrada pela Brigada Militar, o homem, armado com uma adaga, uma faca de duplo corte, considerada uma espécie de espada de menor comprimento, desembarcou de um táxi e partiu em disparada para dentro da emissora, que fica no bairro Mucha.

Indignado com a negativa do seu pedido pela música "Corpo Esgualepado", da banda gauchesca Xirú Missioneiro, o ouvinte invadiu o estúdio e avançou para cima do comunicador, que, distraído, dava continuidade ao programa vespertino.

— Ele estava visivelmente alterado, por um momento achei que ele fosse me matar —lembra Wathir, por telefone, com a voz baixa e embargada.

Encostando a faca nas costas do radialista, Brondani também ameaçou outra funcionária da rádio, que acabou entrando no estúdio após ouvir algumas batidas estrondosas nos equipamentos do estúdio.

Em vão, Wathir tentou explicar que a canção não se enquadrava no estilo de música do programa, que toca somente melodias de bandinhas alemãs. Mas o locutor não conseguiu acalmar o ouvinte.

Algumas pessoas que estavam sintonizadas na rádio, e que não compreenderam o que ocorria no ar, entraram em contato com a polícia, que estacionou a viatura tarde demais. Depois de ameaçá-los novamente, o ouvinte embarcou de volta no mesmo táxi, que estava esperando por ele a uma quadra, segundo relato de Wathir.

Conforme o locutor, que trabalha há 21 anos na rádio, Brondani é um ouvinte assíduo e é dono de um pequeno bar no município de cerca de 17 mil habitantes. Não raro ele é visto perambulando bêbado pelas ruas do município.

— Nunca vi nada parecido com isso. O Jair é um locutor muito famoso e querido por aqui, nunca sofreu nenhuma ameaça — explica Fernandes.

De acordo com Fernandes, a 104.1 FM, uma das três emissoras da cidade, é a mais ouvida, com cerca de 80% da audiência.

A BM registrou a ocorrência e entregou o caso à Polícia Civil, que ainda não localizou Brondani.



"O que me salvou foi ter deixado o microfone aberto", diz locutor ameaçado de morte dentro do estúdio. Abatido, locutor diz que não irá abandonar profissão, mas teme pela falta de segurança no estúdio

Jair Wathir demorou para atender ao telefonema de Zero Hora. Recluso em sua casa, em Giruá, ainda recuperando-se do episódio em que foi ameaçado de morte dentro do estúdio da rádio 104.1 FM, o locutor respondeu à ligação justificando-se:

— Não atendi às ligações porque não conhecia o número. Depois do que aconteceu... Sabe, não é?

Pudera. Na última sexta-feira, Wathir vivenciou uma situação até então inédita em sua vida. Revoltado por ter seu pedido de música rechaçado pelo comunicador, o ouvinte da emissora Rogério Brondani invadiu o estúdio da emissora para encostar uma adaga (faca de dois lados, uma espécie de espada curta) nas costas de Wathir, que apresentava seu tradicional programa "Rola Bandas", especializado em bandinhas folclóricas.

Wathir não cogita abandonar a profissão, tampouco ficará afastado temporariamente dos microfones. Mas tem uma preocupação: a falta de segurança no local onde trabalha.

Zero Hora – Como o ouvinte foi parar dentro do estúdio com uma faca?

Jair Wathir – Ele tinha ligado para o estúdio e pedido por uma música gauchesca, nada a ver com o estilo de músico do programa que apresento, que é focado em bandinhas de ritmos tradicionais. Desliguei o telefone e mandei um abraço para ele no ar. Logo depois, ele ligou de novo, dizendo que, se eu não colocasse a música, iria até a emissora e me mataria. Dez minutos depois ele estava atrás de mim, com uma adaga na mão.

ZH – Você já conhecia o ouvinte que entrou no estúdio?

Wathir – Sim, já tive contato com ele. Não era próximo, mas conversei com ele algumas vezes. Ele é conhecido por ser dono de um barzinho que vende cachaça. De vez em quando, ele anda bêbado por aí.

ZH – Ele estava alterado ou tinha um comportamento normal?

Wathir – Olha, ele estava visivelmente alterado. Chegou lá e voou para cima de mim, nem deu tempo de reagir. O que me salvou foi ter deixado o microfone aberto. Os ouvintes escutaram quase tudo o que aconteceu e não demoraram para ligar para polícia. Pena que, quando a viatura chegou, o rapaz já tinha fugido.

ZH – Chegou a pensar que ele te mataria?

Wathir – Sim, temi que ele fosse me cortar com aquela faca. Ainda mais depois das coisas que ele falou. Me indignou também o fato de ele ter chegado com um taxisto que o esperou uma quadra depois do estúdio.

ZH – Pretende parar de trabalhar depois desse episódio inusitado?

Wathir – Não vou negar que estou muito assustado. Mas vou dar um tempo, um ou dois dias, e retorno para rádio. Gosto muito do que faço, e faço há mais de 20 anos. Só espero que a polícia encontre esse rapaz.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - No Brasil surreal e caudilho, resolver conflitos na base da violência, cometar atos de vandalismo, pichar patrimônio alheio e público, atacar com armas e facas, agredir uma pessoa, roubar, enganar, assaltar, tirar uma vida, executar desafetos parece simples, normal, banal....As leis são brandas e a justiça leniente, ambas sem forças e sem apoio político e social para reagir. Assim caminha nosso país no salvem-se quem puder. 
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