SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 10 de maio de 2014

CASO KUNZLER, NOVE INDICIADOS


ZH 10 de maio de 2014 | N° 17792


CASO KUNZLER CONCLUSÃO DE INQUÉRITO


Polícia indicia nove pessoas pela morte de publicitário

INVESTIGAÇÃO APONTA QUADRILHA especializada em roubo na saída de banco. Jaerson Martins de Oliveira, que foi preso e solto depois de apresentar álibi, teve a prisão preventiva requisitada

Nove pessoas foram indiciadas no inquérito da Polícia Civil sobre a morte do publicitário Lairson José Kunzler, 68 anos, ocorrida em 24 de fevereiro: oito por coautoria e formação de quadrilha e uma por favorecimento ao crime. Será pedida a prisão preventiva dos envolvidos. Após sacar R$ 44,2 mil, Kunzler foi rendido e morto na entrada do condomínio onde morava por um assaltante de capacete.

A delegada Áurea Hoeppel, titular da 6ª Delegacia de Polícia da Capital, confirmou o indiciamento de Jaerson Martins de Oliveira, conhecido como Baro (confira a relação completa no quadro ao lado). A prisão preventiva de Jaerson já havia sido solicitada em março. Porém, após o suspeito apresentar como álibi imagens das câmeras da loja onde trabalhava (que comprovariam que ele não estaria no local do crime), o suspeito acabou tendo a prisão revogada pela Justiça. Com a perícia no vídeo, a delegada afirma que a gravação não corresponde à data do latrocínio:

– A perícia garante que o álibi apresentado não se sustenta porque qualquer pessoa pode fazer aquelas imagens, uma vez que as câmeras não registram data e hora.

A Polícia Civil localizou na casa de Jaerson um par de tênis semelhante ao utilizado pelo atirador que matou Kunzler. Pelo laudo pericial, trata-se do calçado usado pelo autor dos disparos.

Também foi localizado com um dos indiciados, Cleiton Luciano Santos Rodrigues, um capacete que seria o mesmo utilizado pelo homem que matou o publicitário (que aparece nas gravações das câmeras do condomínio onde Kunzler morava). Um laudo provisório já apontou que se trata do mesmo objeto, com idêntico detalhe de um pedaço quebrado. A perícia final ainda é aguardada pela polícia.

MAIS DE CEM HORAS DE GRAVAÇÕES TELEFÔNICAS


Ontem, a delegada foi até o Presídio Central de Porto Alegre, onde dois dos suspeitos – Ronaldo Cirne Coelho e Rogério Laurentino – disseram que iriam informar o nome do atirador. No entanto, eles não forneceram a identificação. Ronaldo teria afirmado que se trata de um jovem de 18 anos, mas disse que só revelaria em juízo.

Os indiciamentos foram baseados em mais de cem horas de gravações telefônicas, que comprovariam o envolvimento dos oito suspeitos na quadrilha. Segundo a delegada, o grupo seria responsável por duas ou três “saidinhas de banco” – como os criminosos denominam os assaltos a pessoas que acabaram de sacar dinheiro em agências – por dia em Porto Alegre. Os indiciados foram apontados, ainda, como responsáveis em outros três inquéritos pelo mesmo tipo de crime na Capital.



QUEM FOI RESPONSABILIZADO - Os indiciados por coautoria no assalto com morte são: Jaerson Martins de Oliveira, Rogério Laurentino, Cleiton Luciano Santos Rodrigues, Ronaldo Cirne Coelho, Diogo Mattos dos Santos, Cilon Corrêa de Oliveira, Guilherme Cirne Coelho e Daniel dos Reis Maior. Jason Anderson Presso, dono da loja de suplementos alimentares onde Jaerson trabalhava, também foi indiciado por favorecimento ao crime, em razão de que teria dificultado a divulgação das imagens das câmeras de monitoramento do estabelecimento.

CONTRAPONTOS 

O QUE DIZ O ADVOGADO DE JAERSON MARTINS DE OLIVEIRA, MARCELO ROCHA CABRAL- Não tive acesso ao inquérito ainda. Aguardo para ver o resultado da perícia sobre o vídeo em que comprovava que ele estava trabalhando. Estava seguro da veracidade das filmagens.

O QUE DIZ A ADVOGADA DE ROGÉRIO LAURENTINO, MARISTELA CELESTE DE ARAÚJO - Zero Hora tentou contato por telefone e não obteve retorno.

O QUE DIZ O ADVOGADO DE JASON ANDERSON PRESSO, LEONEL KEUMECKE - Ainda não tive acesso à investigação, soube pelos jornais que o Jason seria indiciado, mas não sei por qual delito. É com muita surpresa que ele recebe a notícia, porque sempre colaborou com as investigações.

O QUE DIZ A ADVOGADA DO RONALDO CIRNE COELHO, LARISSA FRANCINE GONZALEZ - Aguarda o acesso ao inquérito para se pronunciar.

ZERO HORA não localizou os defensores de Cleiton Luciano Santos Rodrigues, Diogo Mattos dos Santos, Cilon Corrêa de Oliveira, Guilherme Cirne Coelho e Daniel dos Reis Maior.


SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI


O que existe contra os indiciados

O inquérito sobre a morte do publicitário Lairson Kunzler já soma mais de 750 páginas e grande parte é composta de transcrição de diálogos da quadrilha especializada em assaltos na saída de bancos. É com base nesses diálogos, sobretudo, que a delegada Áurea Hoeppel pede agora a prisão preventiva de oito dos nove indiciados no caso.

Todos são apontados como autores de latrocínio (roubo com morte), mesmo que não se saiba quem apertou o gatilho da pistola usada no crime. Isso porque, no entender da polícia, tiveram alguma participação na morte de Kunzler – seja tripulando veículos, planejando o roubo ou usando armas.

E o que evidenciam essas conversas? Fragmentos delas, segundo a delegada, mostram planejamento de assaltos, repartição de dinheiro e, com relação à morte do publicitário, uma cobrança. Num diálogo entre dois presos, eles comentam reportagem de Zero Hora sobre Rogério Laurentino.

– Será que o Véio vai entregar o guri que apertou?

Para quem não entendeu: Véio é Laurentino, pelos cabelos brancos. Apertou, na gíria, é atirar para matar. Os policiais sabem que a referência é a Laurentino porque a reportagem o mencionava.

Afora isso, existem outros diálogos relacionados ao crime.

A polícia conta também com indícios, como tênis e capacete apreendidos com suspeitos de participação no latrocínio – e que a perícia diz serem compatíveis com os gravadoso crime. Para uma reduzida equipe policial de uma delegacia de bairro (só seis agentes ao todo), o inquérito é bem nutrido. Resta ver o que diz agora o Ministério Público.
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