SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

EU JÁ APAGUEI UNS CINCO, A SENHORA NÃO SE MEXE


ZERO HORA 18 de junho de 2014 | N° 17832

ENTREVISTA
“Diziam para eu não gritar”

IVETE SIMON. Mulher do senador Pedro Simon


Depois de passar pelo maior susto de sua vida, Ivete Simon, 53 anos, conversou com ZH e contou os detalhes do sequestro.

Como tudo aconteceu?

Cheguei tarde de Gramado, onde tinha passado o fim de semana. Como hoje (ontem) era aniversário do Pedrinho, meu filho, e eu queria fazer um almoço especial, decidi passar no supermercado. Coisa de mãe, sabe? Quando cheguei em casa, deixei o carro na entrada da garagem. Tive um pressentimento, mas não percebi nada de anormal. Fui pegar as compras no banco de trás, e a minha menina de 10 anos saiu do carro. No momento em que ela se virou para pegar uma sacola, eu já estava sendo calçada por dois homens. Eles tinham um revólver e me jogaram no banco de trás do carro.

E a sua filha?

Ela fugiu, entrou no prédio e bateu a porta. Um deles perguntou quem era, mas eu desconversei. Depois ele queria saber se o carro tinha rastreador. Eu menti e disse que não tinha. Também disse que o carro não era meu.

Conseguiu manter a calma?

Sim, na base da oração. Sou crente, serva do senhor. Comecei a orar o salmo 91. Sabe o que um deles falou? “Ora o salmo 23.” É aquele que diz que o senhor é meu pastor e que nada me faltará. Eles diziam para eu não gritar nem fazer sinais. Fiquei deitada o tempo todo, com a cabeça baixa. Rodaram muito tempo atrás de uma agência bancária, só que todas estavam fechadas.

Sabiam quem era a senhora?

Não.

Houve alguma menção ao senador Pedro Simon?

Em nenhum momento. Quando o bandido me pediu o cartão, eu dei o meu, não o do Simon.

O senador estava em casa?

Sim. Ele tinha acabado de voltar da missa. Coitado, quando o Pedrinho deu a notícia, ele só pôs a mão no coração. Com 84 anos, ele disse: “Não posso mais sofrer essas emoções.” O Pedrinho se assustou e começou a pedir calma. Disse que eu ia voltar e que a polícia já estava avisada.

Os bandidos a ameaçaram?

O tempo todo. Um deles dizia: “Já apaguei uns cinco, a senhora não se mexe.”

Houve algum tipo de agressão física?

Não. Mas na hora que me jogaram no banco de trás, meu braço ficou roxo.

O que aconteceu depois?

Eles pararam numa vila. Continuei deitada no banco, enquanto limparam o carro. Apareceu um monte de gente. Pegaram as minhas bolsas, as compras, os celulares. Eu tinha comprado cinco maminhas para o churrasco do Pedrinho. Um deles chegou a dizer que o rango estava garantido. Depois me deixaram presa no carro, pegaram uma moto e foram sacar dinheiro. Conseguiram tirar R$ 1 mil.

Eles voltaram à vila?

Sim. Ouvi o barulho da moto e pensei: ou eles conseguiram dinheiro ou vão me matar. Eles me pediram para sair do carro e sentar no banco da frente. Eu tremia muito. Um deles mandou seguir, sem olhar para trás. Só sei que pisei no acelerador e voei. Passei no meio de pedras, de um lago. Entrei num matagal e fui pedindo informações. Num boteco, vi um senhorzinho sentado, e ele me disse como sair de lá. Não mudei de marcha. Passei direto por pardal, passei tudo o que tinha pela frente. Eu só queria sair de lá. Fiquei tão mal que comecei a vomitar. Quando cheguei na Avenida Protásio Alves, entrei num quiosque e pedi socorro.

A polícia chegou logo?

Em 10 minutos. Eles já estavam atrás (dos assaltantes), e a delegada foi fantástica. Eu estava paralisada, grudada na direção. Foi ela quem me tirou de lá.

Como foi seu reencontro com o senador, depois que tudo terminou?

A gente entrou em casa à 1h30min (de ontem) e só se abraçava e chorava.
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