SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 21 de junho de 2014

MORTES EM ASSALTOS ALERTAM PARA O RISCO DA REAÇÃO

DIÁRIO GAÚCHO 21/06/2014 | 06h01


Letícia Costa


Como prevenir assaltos


- Na rua: evite caminhar sozinho em lugares desertos e sem iluminação e procure não sair com joias ou objetos que possam chamar a atenção do assaltante. Carregue sempre a bolsa voltada para frente e, ao retornar para casa, observe se há alguma movimentação suspeita nas proximidades.

- No carro: mantenha os vidros fechados quando sair à noite ou parar em algum sinal. Não estacione em lugares desertos ou com pouca iluminação, prefira estacionamentos vigiados. Nunca deixe documentos, talões de cheque, cartões de crédito, dentro do carro. Mesmo que seja uma parada rápida, sempre feche o veículo ao estacionar.

- Em bancos e caixas eletrônicos: quando precisar de ajuda, dirija-se somente ao funcionário do banco. Em caso de saque, procure estar sempre acompanhado e coloque o dinheiro em vários bolsos. Evite abrir carteiras ou bolsas na frente de todo mundo e certifique-se de que não está sendo seguido ao entrar na agência.

Como agir se for assaltado

- Mantenha-se calmo e fale mansamente: cabe à vítima amenizar a tensão da ação. Quanto mais calma estiver, mais terá condições de controlar a situação. O ladrão sempre está mais nervoso que a própria vítima, porque sabe que pode ser preso e até mesmo morrer. Ele tem medo de uma reação da vítima, de outra pessoa ou da chegada da polícia.

- Obedeça as ordens do ladrão e encurte o tempo do crime: quando se atende as ordens do criminoso, automaticamente se encurta o tempo do crime. Se começar a negociar a carteira, o computador por causa dos dados que tem dentro, prolonga-se o período em companhia do ladrão.

- Peça autorização para realizar qualquer movimento: se vai destravar o cinto, pegar a carteira, mexer na bolsa, por exemplo, pode dar a entender que está reagindo. Procure mostrar as mãos e comunicar ao ladrão o que vai fazer.

- Carregue mais dinheiro e menos cartões. Em um assalto, os criminosos querem dinheiro. Se você tiver apenas cartões de crédito tem grande chances de ser vítima de um sequestro-relâmpago. Se você tiver mais dinheiro e menos cartão, a tendência é que ele libere a vítima rapidamente.

Fontes: Carlos Alberto Portolan, consultor em segurança, e Jorge Lordello, especialista em segurança pública e privada


ENTREVISTA: Jorge Lordello, especialista em segurança pública e privada

Formado em Direito e delegado no Estado de São Paulo por mais de duas décadas, Jorge Lordello, também conhecido como "Dr. Segurança", publica em livros e ensina em palestras como se prevenir de assaltos e a importância de não reagir.

Em diferentes oportunidades, as pessoas tomam conhecimento de que não devem reagir a assaltos. Por que mesmo assim a atitude ocorre?
Para você convencer alguém a mudar um hábito, tem que trazer estatística e mais informação do que dizer simplesmente "não reaja". Lancei meu primeiro livro em 1999, chamado Como conviver com a violência, três anos antes desse livro, fiz uma pesquisa criminal intensa para entender a cabeça de vítimas e de marginais. Um dos meus focos foi a reação. Se você pegar os números de assaltos ocorridos, registrados ou não, e verificar o percentual de morte, vai ver que ele é muito pequeno, em torno de 0,08%. Ou seja, uma ínfima parcela das pessoas assaltadas são mortas. Isso mostra que o assaltante não quer matar, ele quer o bem material de alguém.

E por que acaba matando?

Há algumas questões que influenciam esse resultado. Primeiro, a vítima reage. Ou seja, 90% das pessoas que reagirem ao assalto à mão armada acabam levando um tiro, se vai morrer ou não é uma questão de destino ou sorte. O primeiro erro é da pessoa que quer reagir ao assaltante armado ou desarmado, porque às vezes é o comparsa que está dando cobertura que está armado. Segundo, são as vítimas que tentam fugir do crime. Por exemplo, o motociclista ou o motorista do carro que acelera para fugir do assalto, ou o pedestre que quer correr. Nesses casos, há uma tendência de o marginal fazer um disparo contra a vítima. Terceira questão: a vítima que realiza um movimento brusco e dá uma impressão ao marginal de que está reagindo. São posturas das vítimas que consideramos inadequadas durante um assalto. Há ainda, na pequena parcela de casos de morte, aquele marginal que não tem habilidade com arma de fogo e, sem intenção, faz o disparo da arma de fogo ou se sentem irritados com a vítima e acabam matando-a, que a menor das porcentagens.

A reação ao ser assaltado seria um instinto da pessoa de proteger o patrimônio e ou as pessoas?

Tem muita gente que está com o carro ou moto financiado, sem seguro, e que na hora do assalto pensa no patrimônio e não na vida. Ela só vê o dinheiro, não vê a integridade física. Tem também quem vê o parente sendo assaltado e quer defendê-lo. Só que a pessoa não entende que está colocando em risco muito maior os parentes e a própria vida.

Os latrocínios no Estado

- Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP-RS), o Estado registrou 26 latrocínios no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado, foram 40 casos — seis deles envolvendo a morte em série de taxistas na Capital e na Fronteira Oeste.

- Em 2014, o Rio Grande do Sul viveu a maior onda de roubos com morte para fevereiro, desde 1999. Foram pelo menos 15 casos noticiados, mas a SSP-RS contabilizou 12 deles.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Semanas atrás, assisti uma reportagem num canal de TV em que se entrevistava menores assaltantes de arma em punho e fumando maconha. Em dado momento afirmaram com todas as letras que havia dois tipos de vítimas: os ostentadores e os azarados. Os ostentadores eram aqueles que "ostentavam" valores, e destes eles só roubavam. O outro tipo era o dos azarados, aqueles que reagiam ao assalto, e estes eles matavam sem piedade, pois não dava nada. Acontece que desarmaram o povo de armas, de justiça, de leis, de política, de polícia preventiva e de representantes nos parlamentos. Como os Poderes governantes capitularam para o crime, o povo foi abandonado. Só uma forte mobilização popular poderá promover no Brasil uma cultura política que enxergue a finalidade pública do Estado, dos Poderes, da justiça e das leis, trocando os parlamentares fichas-sujas, bonzinhos, omissos, ausentes, que se lixam para o povo e condescendentes por parlamentares comprometidos com a finalidade pública do poder representativo, intransigentes com os corruptos. duros contra o crime e capazes de sistematizar, agilizar, fortalecer, aproximar e tornar coativa a justiça criminal. Não existe outra via.  

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