SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 7 de junho de 2014

ACHEI QUE IA MORRER, NUNCA OUVI TANTO TIRO.

DIÁRIO GAÚCHO 06/06/2014 | 20h14

Vanessa Kannenberg

"Achei que ia morrer, nunca ouvi tanto tiro", conta delegado. Com 27 anos de experiência na polícia, Luciano Menezes destaca fato incomum de a polícia ter se antecipado e evitado assalto a carro-forte


Assaltantes levavam explosivos no porta-malas do carroFoto: Vanessa Kannenberg/Agência RBS


Aliviados, mas ainda assustados. Assim estavam os 10 policiais, entre eles dois delegados e oito agentes, que participaram da linha de frente no confronto contra quatro assaltantes que tentaram assaltar um carro-forte na manhã desta sexta-feira. Três deles morreram e o último, ferido, foi detido.

— Nunca presenciei nada parecido na minha vida. Achei que eu ia morrer. Era zum, zum, zum de fuzil pra tudo quanto é lado. Tinha muita neblina, não dava pra ver nada. Só dava pra ouvir os tiros. Foi cena de guerra — conta o delegado Luciano Menezes, titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Santa Cruz do Sul e policial há 27 anos.

Menezes era um 10 que participaram diretamente do tiroteio. Monitorando a quadrilha há mais de um mês, os policiais se prepararam para um possível ataque na última segunda-feira, mas acreditam que foi frustrado porque nenhum carro-forte subiu a serra do Vale do Rio Pardo.

Nesta sexta-feira, quinto dia útil do mês, o assalto era mais provável. Prevendo que a quadrilha ia agir, uma força-tarefa, que acabou envolvendo cerca de 50 policiais, foi montada e eles ficaram de campana nas margens da ERS-400 desde as 3h. Por volta das 11h30min, o caminhão desceu a rodovia no sentido Passa Sete – Candelária e toda ação se desenrolou, culminando em tiroteio e três mortes.

Passado o susto, Menezes comemora que nenhum dos policiais ficou ferido e, mais ainda, que nenhuma pessoa passava por ali no momento. E exalta o sistema de inteligência da Polícia Civil.

— É muito raro a polícia conseguir evitar um assalto, normalmente age só depois que tudo já ocorreu. O que aconteceu hoje é o suprassumo pra qualquer policial — afirma o delegado.

Além dos policiais, uma mulher é apontada quase como heroína do combate bem sucedido. Sem ter nome ou idade revelados, ela era a motorista do carro-forte que foi atingido pelo caminhão e a responsável por conseguir se desvencilhar do veículo com agilidade de pensamento e um zigue-zague bem executado.

— Nem sei dizer o que passou na minha cabeça. O carro-forte ainda andou uns metros pra trás e consegui fugir, subindo a serra em primeira — resume.

A expectativa dos policiais, agora, é ter um fôlego desse tipo de assalto, já que acreditam que pelo menos um líder atuante foi executado.

Veja em quais ataques a carros-forte, desde 2012, a quadrilha desarticulada nesta sexta-feira é suspeita de envolvimento:

— Em setembro de 2012 - Joivinlle, SC— Em outubro de 2012 - Caxias do Sul— Novembro de 2013 - Nova Petrópolis— Em março de 2014 - Santa Cruz do Sul


O dia em que os ladrões sempre levaram a pior em Candelária. Nesta sexta-feira, 6 de junho de 2014, três suspeitos foram mortos ao tentar assaltar um carro-forte. Em 2005 e em 2012, nesta mesma data, criminosos sofreram outros golpes no mesmo município


Se fosse pesquisar na história policial de Candelária ou se fosse supersticiosa, a suposta quadrilha comandada por Teco não teria escolhido esta sexta-feira para atacar um carro-forte na ERS-400. Além desta manhã, quando três dos quatro suspeitos foram mortos a tiros, em pelos menos outros dois dias 6 de junho, criminosos se deram mal no município do Vale do Rio Pardo.

Em 6 de junho de 2005, dois assaltantes de carro-forte foram baleados e mortos pelos agentes que faziam a segurança do veículo. O local? Candelária. Na ocasião, nove suspeitos armados e encapuzados fecharam duas pontes da rodovia , que liga o município a Santa Cruz do Sul (RSC-287) para tentar assaltar dois carros-fortes. Durante a ação, fizeram reféns, entre eles um casal com um bebê de duas semanas de idade. Dois assaltantes acabaram morrendo no tiroteio com os oito vigilantes.

O ataque teria sido comandado por José Carlos dos Santos, o Seco, que na época, era o foragido nº 1 do Estado, e que supostamente teria aprendido a técnica de assaltar carros-forte com Carlos Ivan Fischer, o Teco, que foi morto nesta sexta pela polícia. Atualmente, Seco está na Pasc, condenado a mais de 200 anos de prisão.

Há dois anos, em 6 de junho de 2012, a polícia encontrou 412 quilos de cocaína, crack e óxi em um sítio na localidade Linha Curitiba, no interior de Candelária. A droga estava enterrada em covas no meio da lavoura e foi considerada a maior apreensão de cocaína feita pela Polícia Civil até aquele momento. A droga localizada seria parte de umesquema internacional de tráfico. A cocaína pura seria importada da Bolívia, sendo transportada de caminhão até o Rio Grande do Sul. No sítio parte dela era transformada, em um laboratório, em crack. Dali também funcionava um centro de distribuição de cocaína. Na Linha Curitiba a droga era entregue a pequenos traficantes, que abasteciam os vales do Rio Pardo e do Taquari.



"Morte de assaltantes faz parte da guerra", diz Polícia Civil. Chefe de investigações da Delegacia de Roubos, Rafael Scott Marinho, diz que a operação foi 100% exitosa porque nenhum "homem de bem" ficou ferido



Foto: Vanessa Kannenberg / Agência RBS


Na mira de uma das mais perigosas e atuantes quadrilhas de assalto a carro-forte, a Polícia Civil conseguiu impedir o assalto na manhã desta sexta-feira.

Mesmo com três assaltantes mortos e apenas um ferido, que foi preso, a operação foi considerada 100% exitosa pelo chefe de investigações da Delegacia de Roubos do Deic, Rafael Scott Marinho.

— Consideramos um sucesso quando nenhuma pessoa de bem, ou seja, quem não tem nada a ver com isso ou policiais, não se ferem, e foi o caso de hoje — avalia Marinho.

Segundo o chefe de investigações, a polícia já monitorava a quadrilha e tinha informações de que agiriam na região há mais de um mês. Cerca de 20 policiais participaram da operação nesta sexta-feira.

— Foram eles que provocaram o confronto e eles que não conseguiram se proteger — salienta Marinho.





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