SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

ENVOLVIDA NA ORGANIZAÇÃO DO "JUNHO NEGRO"


Professora da Uerj é apontada como uma das envolvidas na organização do ‘Junho Negro’. Camila Jourdan teria participado da confecção de explosivos que seriam usados em protesto no encerramento da Copa

POR BRUNO AMORIM / ANTÔNIO WERNECK
O GLOBO 21/07/2014



RIO - Apontada pela polícia do Rio como peça-chave do grupo de ativistas que preparava ação de guerrilha, com uso de bombas, para marcar a final da Copa do Mundo, no Rio, a carioca Camila Jourdan, de 34 anos, é professora adjunta do Departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio (Uerj), onde coordena o Programa de Pós-Graduação em Filosofia. Ali, professores e funcionários respeitam sua competência e dedicação. Ela é vista na universidade como uma pessoa tranquila, que sempre explicitou suas posições políticas. Para os investigadores da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), porém, Camila Jourdan é uma das principais figuras do organograma da quadrilha que pretendia marcar violentamente o final do Mundial com o que chamaram de “Junho Negro”, em referência ao aniversários dos primeiros protestos, que aconteceram em 2013.



Camila está presa há dez dias. O relatório final do inquérito policial sobre atos de violência em manifestações mostra que ela, de acordo com conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça, participou da confecção de coquetéis molotov e ouriços, peças feitas com pedaços de vergalhões. No grupo liderado pela ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, a professora da Uerj estaria à frente da comissão de organização, responsável pela escolha dos trajetos das manifestações, contato com sindicatos e confecção dos explosivos.

A prisão da intelectual causa estranheza entre seus colegas. Professor de filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Guilherme Celestino considera absurdas as acusações. Os dois se conheceram durante o curso de graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Naquela época, Camila Jourdan já era envolvida com o movimento estudantil.

— Conheço Camila há muitos anos. É uma pessoa que admiro e de quem gosto muito. Ela é apaixona pela filosofia e, apesar de estudar lógica, é muito interessada por questões sociais. Acho que a questão da bomba e da gasolina foi um mal entendido. Não acredito que ela seja capaz de atos violentos. Ela é uma intelectual e uma pensadora. Eu considero um absurdo essa prisão. Ela está sendo presa por manifestar a opinião dela — afirmou Celestino.

Em uma das gravações feitas pela polícia, a professora se mostra indignada com a apreensão de material que seria usado em protesto de 28 de junho. “Foram três dias de trabalho jogados fora. Perdemos tudo, é isso?”, pergunta ao interlocutor. Na casa dela, a polícia encontrou gasolina e pedaços de pano usados como estopim de coquetéis molotov. Camila Jourdan foi presa no último dia 12, véspera da final da Copa do Mundo, acusada de formação de quadrilha e de organizar atos violentos durante protestos na cidade. De acordo com a polícia, Ela é uma das líderes da quadrilha. Mas seu advogado, Marino D'Icarahy, garante que o flagrante foi forjado.

Camila se graduou em filosofia na UFRJ em 2002, baseando seus estudos na obra do filósofo Ludwig Wittgenstein, um pensador da modernidade, filósofo da matemática e que contribuiu para a renovação da Lógica na década de 1920, sendo considerado um dos pais da filosofia analítica. Seu currículo revela uma aluna aplicada, que defendeu doutorado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, e foi aprovada sete anos após concluir sua graduação. A professora também foi bolsista na Universidade Federal do Paraná (entre 2009 e 2010). Trabalha principalmente nas áreas de filosofia da linguagem, teoria do conhecimento, lógica e filosofia contemporânea. Sempre tendo Wittgenstein como inspiração.

Diversas instituições, incluindo a PUC-Rio, a Uerj e a UFRJ, publicaram na semana passada notas de repúdio à prisão de Camila Jourdan. O reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, chegou a afirmar desconhecer o motivo da prisão de Camila e determinou que a Procuradoria da universidade acompanhe de perto o processo. Já o Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Uerj pediu que Camila fosse imediatamente posta em liberdade. No documento, a diretoria considera que a liberdade de expressão e manifestação fazem parte dos direitos humanos e políticos dos cidadãos, devendo ser respeitados e garantidos pelas autoridades em todas as situações.


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