SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 27 de setembro de 2014

CAMPO DE BATALHA URBANO



ZH 27 de setembro de 2014 | N° 17935


MAURICIO TONETTO E CARLOS WAGNER


ATAQUE A CARRO-FORTE


Mais de cem tiros foram trocados entre bandidos e funcionários da Prosegur que impediram a tentativa de roubo ao dinheiro que abasteceria caixas eletrônicos no estacionamento do Zaffari do bairro Bom Fim, na Capital. No confronto, na manhã de ontem, um vigilante ficou ferido.

O estacionamento do supermercado Zaffari do Bom Fim, um dos bairros mais tradicionais da Capital, transformou-se em campo de batalha ontem após troca de mais de cem tiros entre assaltantes e vigilantes. Por volta das 8h45min, três homens encapuzados e armados com pistolas (carregadas com pentes de balas) e fuzis atiraram em funcionários da Prosegur, que desembarcaram de um carro-forte para abastecer os caixas eletrônicos do estabelecimento.

Segundo a Polícia Civil, a reação surpreendeu a quadrilha, que não conseguiu levar o dinheiro e fugiu minutos depois em um Focus prata, estacionado no local com mais dois comparsas. Eles deixaram o veículo na Rua Tomaz Flores e partiram em outro automóvel em direção à rodoviária. Um segurança foi ferido no joelho e no pé e não corre risco de vida. A mulher dele disse a ZH que Jeferson Conrad, 28 anos, ficou em choque e se escondeu para não morrer. Para o delegado Abílio Pereira, da 10ª Delegacia de Polícia, o ataque partiu de um grupo especializado, que estudou o movimento do Zaffari e da região:

– Com certeza se trata de uma quadrilha organizada, que parte para um assalto desses com a intenção de matar quem estiver pela frente. Graças ao trabalho dos vigilantes, não houve mortes e eles não conseguiram levar a quantia.

Algumas pessoas que chegavam para fazer compras no supermercado e sacar dinheiro nos caixas ficaram desesperadas em meio ao fogo cruzado. O aposentado Carlos Brasil, 75 anos, procurava a lotérica para apostar na Mega-Sena:

– Era tiro para tudo quanto é lado, e me joguei num canto. Foi uma gritaria, latas caindo e vidros sendo estourados.

Imagens das câmeras de monitoramento do supermercado flagraram o tiroteio e foram enviadas ontem para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Uma câmera instalada na Rua Tomaz Flores gravou a fisionomia de pelo menos um assaltante. O titular da Delegacia de Roubos do Deic, Joel Wagner, ainda não identificou o bando:

– Escolheram o momento em que a segurança estaria vulnerável, que é quando os vigilantes saem do carro-forte carregando dinheiro. Só posso concluir que estamos tratando com bandidos que sabem o que estão fazendo.

No piso do estacionamento do Zaffari, projéteis de fuzis e estilhaços de vidro davam a dimensão do confronto.

– Eles foram extremamente violentos. Entraram para matar – disse o tenente Leandro Flores, do 9º BPM.





ZH 27 de setembro de 2014 | N° 17935


SUA SEGURANÇA - HUMBERTO TREZZI

Lugar errado para a reação



Os vigilantes que reagiram aos quadrilheiros no assalto ao carro-forte no bairro Bom Fim agiram heroicamente? Sim, sob um ponto de vista. Eram três a se defender contra quase meia dúzia de bandidos e não tiveram medo de enfrentar o perigo. Salvaram o dinheiro que seria levado pelos criminosos. O problema é o lugar escolhido para a pequena batalha. O guerreiro mais capaz é aquele que escolhe o campo de luta. Confrontos, ensinam as academias policiais, devem ser travados em lugar despovoado e sempre em superioridade numérica. É claro que nem sempre se pode escolher. Mas, no caso específico, talvez fosse possível evitar o tiroteio. Afinal, o Bom Fim é um bairro de elevada densidade populacional de Porto Alegre. E se uma bala perdida atingisse um transeunte? Segundo a Polícia Civil, foram feitos mais de cem disparos por bandidos e vigilantes. Em julho de 2007, a universitária Cristiana Cupini, 22 anos, foi morta na troca de tiros entre vigilantes e bandidos que assaltavam um blindado de pagamento bancário na Avenida Assis Brasil. Outras seis pessoas ficaram feridas. Reagir em uma metrópole é diferente de travar combate em uma estrada descampada. Alguém lembra: faz parte do treino dos vigilantes reagir. Faz, mas uma das diferenças entre homens e cães de guarda é saber parar, no momento da reação. Menos mal que não houve tragédia.

Não se trata de crítica ao fato de vigilantes se defenderem. O problema é a intensa fuzilaria em um local fechado, frequentado por milhares de pessoas, em horário comercial. Talvez seja o caso de estudar horários alternativos para entrega de dinheiro por carros-fortes.

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