SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

VIOLÊNCIA DOS BANDIDOS CONTRA POLICIAIS E JUÍZES CHEGOU A RORAIMA

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 28/09/2014


PF faz operação contra quadrilha de SP que agora age no Norte do país. Como aconteceu em SP, violência dos bandidos contra policiais e juízes chegou a Roraima. Chegada da facção aumentou tráfico de drogas e roubos.






A Polícia Federal fez uma operação contra a quadrilha que age dentro e fora dos presídios paulistas. E o que chama a atenção é que os criminosos presos estavam bem longe de São Paulo. Essa quadrilha, que rouba, mata, ameaça juízes e policiais, tenta agora agir também no Norte do Brasil.

Ladrões, traficantes, assassinos. Todos presos. O que não impede que, de dentro da cadeia, um criminoso mande matar policiais.

Gongo: O negócio vai ficar tenebroso na cidade para os policiais, entendeu?
Comparsa: Está de boa. Eu quero mesmo é brincar.

Quem manda matar é Anderson Mafra, 29 anos. Apelido: Gongo. Condenado a 20 anos por tráfico de drogas, ele está preso em uma cadeia de Boa Vista, a capital de Roraima. “É para passar fogo mesmo, derrubar. Menos 10, 20. Quem tiver na rua, de esquina aí”, diz.

Gongo fala igual aos chefes da quadrilha que age dentro e fora dos presídios paulistas. Segundo as investigações, a facção criminosa de São Paulo abriu uma filial no Norte do país.

“De 2013 para cá, se iniciou com dois membros. Hoje a gente tem identificado, em conjunto com a Polícia Federal, 95 membros batizados, com matrícula da facção criminosa”, afirma o promotor de Justiça Marco Antônio Azeredo.

A Polícia Federal diz que o sequestrador Ozélio de Oliveira, o Sumô, é o responsável pela organização da quadrilha em Roraima.

“O Ozélio, a ideia era doutrinar, espalhar a doutrina dessa organização criminosa no estado e recrutar pessoas para a organização criminosa”, explica o delegado da Polícia Federal Agostinho Cascardo Júnior.

Ozélio, o Sumô, está preso em Piraquara, no Paraná, condenado a mais de 200 anos por vários crimes. Um deles é o sequestro de Wellington Camargo, irmão de Zezé di Camargo e Luciano, em 1998.

Em um telefonema, Sumô fala com presos de Boa Vista sobre a importância de Roraima na expansão dos negócios ilegais. “Venezuela, Suriname, Guiana Inglesa e Francesa fazem divisa com Roraima. É um estado favorável mesmo para esses países vizinhos, a gente estar interagindo, entendeu, meus irmãos”, diz ele em uma escuta telefônica.

Segundo os promotores, com a chegada da facção criminosa a Roraima, aumentaram o tráfico de drogas e os roubos. O que chamou atenção da polícia é que muitos assaltos aconteciam bem próximos de uma agência bancária. Como os investigadores interceptaram os telefonemas da quadrilha, eles descobriram que um funcionário do banco avisava os criminosos quando algum cliente sacava o dinheiro e saia da agência.

O funcionário foi identificado e preso: é Fabrício Ribeiro. Em uma conversa, ele avisa o comparsa e uma mulher é assaltada na sequência.

Fabrício: Fica ai. Está saindo aí.
Comparsa: Ela?
Fabrício: É.

Em depoimento, o funcionário do banco confessou os crimes. Assim como aconteceu em São Paulo, a violência dos bandidos contra policiais e juízes também chegou a Roraima. Durante as investigações, a Polícia Federal e o Ministério Público descobriram que a organização criminosa pretendia matar uma juíza que trabalha no Fórum de Boa Vista. O motivo da ameaça? A transferência de um preso para o RDD, um sistema mais rígido de prisão.

“Eu não digo que eu seja rigorosa, mas eu tenho que cumprir o que a lei penal estabelece”, afirma a juíza da Vara de Execuções Penais Graciete Sotto Mayor Ribeiro.

Segundo as investigações, o preso que conspirou contra a juíza Graciete Sotto Mayor Ribeiro é Anderson Mafra, o Gongo, o mesmo que o Fantástico mostrou mandando matar policiais, no início da reportagem. A ameaça apareceu em uma conversa entre Gongo e a mulher dele. A mulher queria pedir à juíza que o marido não fosse para o sistema rígido de prisão.

Mulher: Eu vou para a juíza agora. Está ouvindo?
Gongo: Não vá com essa mulher, não. Que eu estou irado com essa mulher. Não vá com essa mulher não que eu estou a fim de matar ela.

Mês passado, a polícia encontrou dentro de uma cadeia de Roraima um ‘salve geral’. Na mensagem, os chefes da quadrilha dizem que ‘o comando não deixará de graça a injustiça feita com os irmãos’ e que ‘sangue se paga com sangue’. Também há uma lista com os nomes de sete pessoas juradas de morte. Uma delas é a juíza Graciete. “Eu não vou mudar o procedimento, nada. Eu não tenho que mudar minha decisão de acordo com fulano ou com Beltrano”, completa a juíza.

Em 2003, em Presidente Prudente, interior de São Paulo, o juiz corregedor dos presídios Antônio José Machado Dias foi executado pouco depois de sair do Fórum. Um dos condenados por esse crime é Marcos Herbas Camacho, o Marcola, o chefe da quadrilha.

Em Boa Vista, a Polícia Federal e os promotores que combatem o crime organizado fizeram recentemente uma operação contra a quadrilha que atua dentro das penitenciárias. Ao todo, 17 pessoas foram presas.

As cadeias passaram por uma revista e os presos tiveram que escrever frases em um papel. Algo simples, mas muito importante. “O objetivo é comparar esse material gráfico com os documentos apreendidos para saber quem foi o autor das ameaças”, afirma o delegado da Polícia Federal Agostinho Cascardo Júnior.

“A gente tem tudo para cortar o mal pela raiz, eu tenho que continuar fazendo o meu trabalho da melhor forma possível”, diz Graciete Sotto Mayor Ribeiro.
Postar um comentário