SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

MEDICO ESTUPRADOR CHAMA VÍTIMAS DE DOENTES MENTAIS

TV GLOBO, FANTÁSTICO Edição do dia 12/10/2014


‘Elas são doentes mentais’, diz Roger Abdelmassih sobre vítimas . Fantástico revela conversas do ex-médico, condenado por crimes sexuais contra pacientes. Nos telefonemas, ele se referia com desprezo às vítimas.




Fantástico revela conversas secretas do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a mais de 200 anos de cadeia pelo estupro de pacientes. Quando ele estava foragido no Paraguai, ele ligava para amigos no Brasil. Nos telefonemas, gravados com autorização da Justiça, ele se referia com desprezo às vítimas, e fazia piada com a recompensa oferecida pela captura dele.

“Viver desse jeito é uma coisa muito complicada. Medo permanente”, dizia Roger Abdelmassih durante uma ligação telefônica.

A voz é de Roger Abdelmassih, ex-médico condenado a 278 anos de cadeia por 48 crimes sexuais cometidos contra 37 de suas pacientes.

“Quando você tem muito dinheiro, você tem medo”, disse o ex-médico.

As conversas telefônicas foram gravadas quando Roger ainda estava foragido e ajudaram na sua localização. Ele foi preso em 19 de agosto deste ano na capital do Paraguai, Assunção. São mais de sete horas de gravações autorizadas pela Justiça entre os meses de junho e agosto deste ano. Durante esse tempo, Roger trocou de telefone várias vezes. O ex-médico tinha medo de voltar para a cadeia. “Essa é uma situação que me aflige. Eu ando muito preocupado e não só com isso, com tudo”.

Segundo a investigação, Roger montou um esquema criminoso para receber dinheiro e se proteger no Paraguai. “Uma estrutura montada por pessoas ligadas pessoalmente ao Roger, familiares amigos. E também uma estrutura por pessoas técnicas, preparadas para forjar documentos, dentre outras circunstâncias, para remessas de recursos, para ele continuar foragido”, afirma o promotor de Justiça Luiz Henrique Dal Poz.

Como o Fantástico revelou em agosto, uma das pessoas que ajudavam Roger, segundo o Ministério Público, era Ruy Marco Antônio, ex-dono de um dos principais hospitais de São Paulo. As gravações revelam que os dois eram muito próximos

Ruy Marco Antônio: Alô.
Roger Abdelmassih: Olá!
Ruy Marco Antônio: Ei, turco!

Roger fala do dinheiro que Ruy teria mandado para ele. Diz que quer pagar a dívida e pede que o amigo continue ajudando por mais um tempo.

Roger Abdelmassih: Eu iria chegar para você e falar assim: ‘Pô, Ruy, te pago mas continue me ajudando mais um ano, tal’. Eu te pago uma parte e a outra parte, se eu tiver adiantamento, eu te pago logo, assim, tipo, março, abril. Me sobra em 2015, pelo valor que eu vou receber, em torno de 900, quiçá 1 milhão. Você me desculpe, mas isso, nos tempos antigos, era brincadeira.
Ruy Marco Antônio: Lógico.
Roger Abdelmassih: Era brincadeira. Eu preciso, pelo amor de Deus, de alguém me ajudar a fazer alguma coisa para eu ganhar dinheiro. Eu sei ganhar dinheiro, mas eu não posso ganhar dinheiro aqui.

Ruy pede a confirmação de que o dinheiro está sendo usado apenas por Roger e sua mulher, Larissa.

Ruy Marco Antônio: Você está focando só em vocês aí, né? Você não está distribuindo não, né?
Roger Abdelmassih: Não, não, não.

O amigo também aconselha que Roger continue escondido. “Caramujo não sai no sol. Caramujo fica na sombrinha”.

Na conversa entre Ruy Marco Antonio e Roger Abdelmassih, o ex-médico comenta as acusações de estupro. Os dois ofendem as vítimas de abuso.

Roger Abdelmassih: Essa história toda que aconteceu aí foi um absurdo.
Ruy Marco Antônio: Isso é plantado por aquelas filhas da puta daquele grupo.
Roger Abdelmassih: Elas são doentes mentais. É louca mesmo.

Roger ainda debocha da recompensa oferecida por informações de seu paradeiro. “Ainda bem que não deram R$ 50 mil. Deram R$ 10 mil. Eu estou valendo tão pouco, pô. Pensei que fosse por 50”, brincou o ex-médico.

Nos últimos três dias, o Fantástico procurou o advogado de Ruy Marco Antonio. Neste domingo, por telefone, ele disse que o seu cliente não vai se manifestar.

Também no grupo que ajudava Roger no Paraguai, está uma irmã dele. Em uma ligação, os dois conversam sobre denúncias anônimas que teriam sido feitas à polícia de São Paulo. “Tiveram 30 denúncias, 15 eram só contra mim. Quinze é um pouco demais para o meu gosto”, disse.

Eles citam um suposto contato dentro da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. “O nosso amigo aqui da Segurança, será que ele não tem condição de ver? Alguma ideia, alguma coisa concreta aonde são essas denúncias?”

Roger quer saber se existe algo de concreto contra ele. “Se existe alguma situação de bola na trave ou chute por perto, Deus me livre”.

A Corregedoria da Polícia Civil afirmou, em nota, que investiga a suposta participação de policiais na rede de proteção a Roger Abdelmassih.

Fantástico: Essas pessoas que ajudaram financeiramente, de alguma forma, o Roger Abdelmassih no Paraguai, elas podem ser responsabilizadas?
Luiz Henrique Dal Poz, promotor de Justiça: Todas poderão ser responsabilizadas no favorecimento pessoal, exceto a esposa, irmã, irmão, filho. Os demais, sim. Além dos demais crimes que envolveram essa estrutura criminosa, no caso lavagem de dinheiro, falsidade documental, falsidade ideológica, a própria organização criminosa, dentre outras.

A defesa de Roger Abdelmassih não quis comentar as gravações.

Além da ajuda financeira, Roger também recebia conforto emocional. Uma vez por semana, conversava longamente com o médico sobre o futuro e seus sentimentos. “Razão de viver: a minha mulher e meus dois filhos”, dizia o ex-médico.

Nas ligações, repetidas vezes revela, que se fosse encontrado pela polícia, cometeria suicídio. “Se acontecer uma detecção da situação, não tem saída. É aí tchau. É pum, acabou. Eu estou cansado. Juro por Deus que eu estou cansado”, dizia o ex-médico.

Roger reclama dos cinco filhos adultos. “Não tive uma alma para me defender, uma alma. Eu criei cinco desgraçadamente, criei cinco. Nenhum saiu com a bandeira efetiva e todos viveram às minhas custas, debaixo de mim”.

Em uma das ligações, Roger Abdelmassih admite que teve relações sexuais com pacientes. Fala que era procurado por elas. “Passava mulher para trás constantemente. Provavelmente achava que estava tudo disponível. A mulher jogava o milho e eu ia comer, e aí eu levei o ferro. Você sabe que mulher é um bicho desgraçado mesmo”.

Em nenhum momento das mais de sete horas de gravações, o ex-médico confessa ter cometido abuso sexual. Ele se diz injustiçado. “Eu sinto que eu fui dentro da vida dos homens, não de Deus, eu sinto muita dor e muita injustiça para com a minha pessoa. Toda essa história negativa contra minha pessoa e essas vagabundas aparecendo na televisão, dizendo que eu fazia isso, fazia aquilo”.

Fantástica: Como vocês se sentem quando vocês escutam essa gravação, ele falando desse jeito de vocês?
Vanuza Leite Lopes, líder da Associação de Vítimas de Roger Abdelmassih: Revoltadas. É muito difícil, porque nós fomos expostas, né? Vai ser um estigma pelo resto da vida. Eu estou indignada de ouvir ele falar essas coisas depois de tudo que eu passei.

Roger Abdelmassih está há 53 dias preso. “Eu tenho que entender que Deus quis quebrar o prepotente. Eu acho que Deus fez assim e assim será porque é coisa de Deus. Eu estou liquidado!”, disse o ex-médico em uma ligação telefônica.
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