SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

QUADRILHA ROUBAVA CARROS E TORTURAVA VÍTIMAS COM CHOQUE ELÉTRICO

DIÁRIO GAÚCHO 07/11/2014 | 06h51

Mauricio Tonetto


Quadrilhas que torturavam vítimas com choque elétrico em roubos de veículos são presas no RS. Ao todo, 70 homens e três mulheres estão envolvidos em 15 grupos que integravam uma rede responsável por um extenso comércio ilegal




Ao todo, a Justiça expediu 144 mandados, entre prisões preventivas e temporárias e busca e apreensão Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS



Após cinco meses de investigações, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul desarticulou, na manhã desta sexta-feira, quadrilhas de ladrões de veículos que torturavam as vítimas com choques elétricos e mantinham um cemitério de carros em São Leopoldo, bairro Morro do Paula, no Vale do Sinos.


Ao todo, 70 homens e três mulheres estão envolvidos em 15 grupos diferentes que integravam uma rede responsável por extenso comércio ilegal em Porto Alegre, cidades da Região Metropolitana e em outros municípios do Interior.

— São criminosos que efetuavam roubos à mão armada, aterrorizando os proprietários. Alguns são extremamente violentos e torturam as vítimas com choques elétricos. Eles têm histórico de troca de tiros com policiais — relata o delegado Mario Souza, que comandou a Operação Predador.



Na garagem da casa de um suspeito detido no bairro São Miguel, em São Leopoldo, havia mais de 20 macacos hidráulicos. O cemitério de veículos, na mesma cidade, é uma vala de oito metros de profundidade. No local, os policiais encontraram carcaças incendiados.

De acordo com o delegado, quando os bandidos não tinham sucesso no roubo — matavam ou feriam as vítimas —, os veículos eram descartados no cemitério clandestino em São Leopoldo:



— Os grupos são interligados de alguma forma. O foco hoje é o ladrão de rua, aquele que rouba à mão armada. Atrás dele, na espera, tem os receptadores e os que fazem extorsão e clonagem.

Ao todo, a Justiça expediu 144 mandados, entre prisões preventivas e temporárias e busca e apreensão. Em cinco meses, foram identificados mais de 300 carros roubados pelos bandos. De janeiro a setembro de 2014, já são 10.144 roubos de veículos registrados, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Os agentes cumpriram as ordens em São Leopoldo, Novo Hamburgo, Portão, Sapucaia do Sul, Esteio, Triunfo, Vacaria, Montenegro e na Capital. No decorrer das investigações, 52 suspeitos foram presos. Novas ofensivas devem ocorrer ao longo da próxima semana.

Ao longo da investigação, foram 52 presos | Ronaldo Bernardi / Agências RBS

"Prêmios" de até R$ 30 mil


Mario Souza explica que os bandidos preferem atacar em São Leopoldo e desmanchar em Novo Hamburgo, ou roubar em Porto Alegre para entregar as peças em Canoas. Em algumas ocasiões, os veículos são trocados por drogas. Eles mudam as cidades para confundir a polícia.

Um carro pode custar de R$ 5 mil a R$ 15 mil, e uma extorsão de R$ 1 mil a R$ 30 mil. Antes chamados de "puxadores", esses assaltantes são considerados agora mais violentos porque diversificaram o roubo à mão armada, "onde pode acontecer o que é o pior, o assassinato", ressalta Souza.

— Todo mundo tem algum conhecido vítima disso. Infelizmente, preocupa muito. Estamos tentando reduzir os índices e segregar do convívio esses indivíduos. Juntamente com homicídio, é o crime que mais inquieta — salienta Guilherme Wondracek, chefe de Polícia.
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