SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SEQUESTRO DE JOVENS NA GUERRA DO TRÁFICO

DIÁRIO GAÚCHO 13/11/2014 | 08h04

Eduardo Torres


Sequestro de jovens é novo elemento em disputa do tráfico na Zona Norte de Porto Alegre
Os amigos Luciano, 19 anos, e Leonardo, 16 anos, foram raptados há duas semanas por homens armados na Cohab Rubem Berta. Polícia suspeita que tenham sido levados por um dos grupos em conflito no Bairro Mario Quintana



Confrontos do tráfico já fizeram dez vítimas em um mês no Mario Quintana Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS


Em meio à convulsão provocada pela guerra do tráfico no Bairro Mario Quintana, duas famílias moradoras da Cohab Rubem Berta estão prestes a completar duas semanas de uma angústia silenciosa. Desde o final da tarde do sábado, dia 1º de novembro, os amigos Leonardo de Almeida Lopes, 16 anos, e Luciano Ramos, 19 anos, estão desaparecidos. Ninguém na região imagina o paradeiro deles.

Naquele dia, os dois teriam sido atacados por pelo menos oito homens em três carros, na Rua Professor Osvaldo Thiesen. Empurrados para dentro de um dos veículos, eles não foram mais vistos na região.


Leonardo Lopes



Luciano Ramos

O caso é considerado pela polícia mais um capítulo dos conflitos entre traficantes que apavoram as vilas Safira, Timbaúva e Cohab Rubem Berta. A dona de casa Cristina de Almeida Lopes, 40 anos, mãe do Leonardo – o quarto dos seus oito filhos – não imagina o que pode ter acontecido ao adolescente, mas não perde a fé.

– Meu coração me diz que ele ainda está vivo, mas é desesperador viver assim, sem ter uma informação, uma pista, nada – desabafa.

Situação semelhante vive Maria Luci dos Santos Ramos, 51 anos, mãe do Luciano. Assim como Leonardo, ele também não tem antecedentes criminais.

– Eu vivo abaixo de calmantes, já não durmo e não consigo trabalhar só tentando imaginar porque o meu filho mereceria isso? Ele nunca esteve metido em nada dessas coisas ruins – lamenta.

Por volta das 18h30min daquele sábado, os dois guris haviam acabado de jogar futebol e descansavam sentados em frente a uma padaria próxima ao campinho. Uma viatura da Brigada Militar chegou ao local e fez uma abordagem. Sem ter encontrado nada, os PMs foram embora. Pouco tempo depois, surgiram os três carros suspeitos, com homens armados de pistolas.
Teriam anunciado que eram policiais e levariam os amigos para uma averiguação na Delegacia de Pronto Atendimento. Então, se iniciou o calvário das mães.

– Percorremos um monte de delegacias, e nada. Não entraram em nenhum lugar – conta Cristina.



Investigação avança em sigilo

Mesmo sem o anúncio de qualquer resgate concreto - ou até mesmo a garantia da vida dos dois jovens -, a 18ª DP trabalha com a hipótese de um sequestro orquestrado por uma das quadrilhas em confronto na região. Próximo ao campinho de futebol, local do sequestro, existiria um ponto de venda de drogas. De acordo com a delegada Rosane de Oliveira, o caso é tratado com absoluta prioridade.

– Temos investido todo o nosso tempo para encontrar esses meninos. Ao que tudo indica, eles não tinham nenhuma relação direta com os criminosos em conflito e podem ter sido pegos por engano ou a esmo – explica.

Pelo menos um dos veículos usados pelos criminosos teria sido identificado por testemunhas. Segundo a delegada, a apuração já estaria em estágio avançado, mas ela evita revelar detalhes que possam prejudicar as investigações.
As famílias não receberam qualquer contato dos sequestradores.

– Já nos ligaram muitas vezes, mas é sempre alguma informação que não se confirma – diz a mãe do Leonardo.

Em um mês, pelo menos dez pessoas foram assassinadas no bairro. A metade não tinha relação com as quadrilhas em confronto.
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