SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

PEQUENOS ASSASSINATOS

 

ZERO HORA 01 de dezembro de 2014 | N° 18000


POR LÍCIA PERES*



Diariamente, temos notícias de fatos que atestam a exacerbação do individualismo em nossa sociedade. O atropelamento de pedestres, deixados para trás sem socorro, a falta de educação no trânsito, onde a transgressão – causa de grande número de acidentes – levou à adoção de multas pesadíssimas, até o comportamento das pessoas nas liquidações promocionais, em que a disputa pelos artigos beira a incivilidade, exigem uma reflexão sobre o que estamos nos tornando.

Recentemente, uma pessoa das minhas relações, moradora de Gravataí, que diariamente viaja para trabalhar no centro de Porto Alegre, contou-me da sua triste experiência. No ônibus, ela pisou de mau jeito e torceu o joelho. Instintivamente, começou a gritar de dor. O trajeto durou cerca de uma hora, sem que qualquer pessoa manifestasse interesse pelo acontecido. Quem estava falando ao celular assim continuou, os que apenas olhavam pela janela não desviaram o olhar. Era como se ela fosse muda e invisível, o que a fez angustiarse, pensando em como seria na descida, já descartando a possibilidade de qualquer auxílio ou mão estendida. A minha amiga vive modestamente e, mesmo assim, ajuda no trabalho comunitário de sua paróquia. Sofreu uma grande decepção com a indiferença, talvez até mais do que com o acidente. Afinal, entende que qualquer um está sujeito a se machucar. O que não consegue absorver, reitera, é a atitude dos presentes.

Lembrei-me do filme de Alan Arkin Pequenos Assassinatos, com Elliott Gould no papel principal, em que o protagonista, coberto de sangue, entra em um trem e o único movimento dos passageiros é de afastamento para protegerem a própria roupa. Trata-se de um clássico do início da década de 70, e quem viu não esquece, pois fala magistralmente sobre sentimentos.

Começa agora o período das mensagens de amor, paz e solidariedade.

Caso não sejam seguidas de atitudes, são apenas palavras, nada mais do que palavras.


*Socióloga
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