SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

domingo, 31 de agosto de 2014

MORREM EM TIROTEIO CINCO SUSPEITOS DE ATAQUE A BANCO


Após ataque a banco, cinco suspeitos morrem em tiroteio em Santa Catarina. Armas roubadas da 2ª DP de Florianópolis no fim de semana passado foram recuperadas com suspeitos

ZERO HORA, DIARIO CATARINENSE Atualizada em 31/08/2014 | 16h07



Sete armas e uma porção de dinamite foram apreendidas com o grupoFoto: Divulgação / Divulgação


Cinco suspeitos de arrombamento a um caixa eletrônico em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, foram mortos durante troca de tiros com policiais na madrugada deste domingo. Duas das três armas roubadas da 2ª DP de Florianópolis no fim de semana passado foram recuperadas na ação.

De acordo com testemunhas, a explosão ocorreu pouco após às 3h da manhã. Seis homens chegaram em uma embarcação na região da praia de Ganchos do Meio, explodiram o caixa eletrônico e foram surpreendidos por onze agentes da Divisão de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), que investigava os suspeitos e monitorava a situação.

Agência danificada por explosivos e tiros. Foto: Divulgação

Durante o confronto, cinco suspeitos foram mortos e o sexto foi preso por coautoria, enquanto conduzia a embarcação, e encaminhado à delegacia. Sete armas e uma porção de dinamite foram apreendidas com o grupo.

O prefeito de Governador Celso Ramos, Juliano Duarte Campos, parabenizou a ação policial através do Facebook. Embora o prefeito cite também a Polícia Militar, apenas a Deic participou da ação.




* Diário Catarinense

NÃO VALE A PENA



O ESTADO DE S.PAULO, 30 Agosto 2014 | 16h 00
Mônica Manir


Entrevista. Marina Dias
Enquanto a população carcerária cresce, o direito de defesa encolhe, criando um circuito de violência que leva até à barbárie da decapitação

Saldo. Rebelião em Cascavel deixou cinco detentos mortos - dois deles decapitados


Marina Dias é reincidente. Uma vez, e mais outra, esboça um círculo na mesa com o indicador. Quer mostrar como vivemos numa roda viva de insegurança, que começa na esfera da violência, passa pelo encarceramento desmedido, atravessa o crime organizado e volta à violência, então mais crua e assustadora, como as decapitações de presos na rebelião de Cascavel, no Paraná.

Nossa conversa tem foro privilegiado: o 21º andar do Edifício Itália, segundo maior prédio de São Paulo, onde fica o escritório da família. Ver a cidade de cima não faz com que Marina se isole da metrópole. Ela critica o alheamento, o não importar-se com o outro, o “que se matem na cadeia”. Filha de José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça do governo FHC e hoje coordenador da Comissão da Verdade, é advogada criminal como o pai. Por três anos foi presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e nesta entrevista explica, de imediato, por que o instituto se uniu à Heco Produções para fazer um documentário sobre o sistema de Justiça Criminal.

Sem Pena, selecionado para o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e com exibição prevista para 2 de outubro, quer mostrar como funciona o círculo vicioso desenhado na mesa. Rodado em cinco presídios de São Paulo e três do Rio Grande do Sul, o filme intercala depoimentos de encarcerados e especialistas. Pretende explicar, por exemplo, por que a população prisional brasileira é a que mais cresce no mundo. E por que, na contramão desse processo, o direito de defesa está tão em baixa. “As pessoas o veem como aliado da impunidade”, diz. “Elas não compreendem que, na verdade, é a garantia do cidadão contra o poder opressor do Estado.”


No que 'Sem Pena' difere de outros filmes que tratam do sistema prisional brasileiro?

Achamos que faltava um olhar panorâmico, um olhar que não focasse apenas no sistema prisional. Por isso o documentário aborda o sistema de Justiça Criminal: o Poder Judiciário, a defensoria pública, a atuação do Ministério Público e o próprio sistema prisional brasileiro, cuja população aumentou 508% nos últimos 23 anos - e com uma política claramente seletiva. São jovens de 18 a 25 anos, a maioria negros e pobres. Estamos, enfim, prendendo ‘seletivamente’ e muito, e nem por isso nos sentimos mais seguros. A discussão do filme é esta: para onde estamos indo?



E para onde estaríamos?

Estamos num círculo vicioso, que começa pela ausência do Estado. Costumo dizer que o Estado se faz ausente no cotidiano dessas pessoas a vida inteira. Mas, na hora de prender, é implacável. Joga na prisão e larga. Veja o número assombroso de pessoas que estão presas, mas podiam responder ao processo em liberdade, já que existe um princípio constitucional da presunção da inocência. A prisão provisória deve ser excepcional. Hoje, no entanto, 37% da população prisional é de presos provisórios. Além disso, muitos poderiam progredir de regime, mas não conseguem a análise dos seus benefícios porque o processo demora. Vão ter os benefícios reconhecidos depois que praticamente cumpriram toda a pena em regime fechado. E você tem um sistema prisional falido em termos de estrutura, com superlotação, falta de trabalho, falta de educação, em lugares propícios a doenças, com comida de péssima qualidade. É degradante.



Tudo isso favorece o crime organizado?

Sim, ele ocupa esse espaço. Seus direitos não estão sendo garantidos? Vamos fazer o seguinte: você se associa aqui e a gente paga advogado, cuida de você e de sua família. De fato, quando o jovem sai, continua tendo uma estrutura e até consegue um status. Mas, se não estava envolvido com uma malha criminosa, agora está. Quem vai dar emprego a ele? É uma situação sem saída, que invariavelmente leva o jovem de novo à prisão. Fica esse círculo vicioso de cadeia-rua-cadeia-rua, que é dramático.



Cogita-se que as decapitações em Cascavel seriam um sinal de disputa de poder entre facções criminosas. Por esse motivo teriam repercutido relativamente pouco?

Dentro desse cenário de insegurança, a população pede a prisão, mas sabe que essas pessoas um dia vão sair de lá. Então, se estão se matando lá dentro, que bom. Mas por que estão se matando lá dentro? Por que a situação chegou a esse nível? A decapitação é muito brutal, é tirar o rosto daquela pessoa, um gesto simbólico de assustar a sociedade. A mensagem é ‘somos animais, somos capazes de arrancar a cabeça de alguém e vamos sair daqui e detonar’.



Um dos motivos dessa rebelião em Cascavel também seriam os maus-tratos.

Eles reclamavam da violência institucional. Vivemos num país que tortura, e muito. Em 2011 fiz parte do conselho da comunidade, previsto na lei de execução penal. É composto por pessoas da sociedade civil e busca fiscalizar o sistema prisional fazendo visitas. Foi quando comecei a entrar nos presídios e conheci como funciona o RO, o regime de observação. Assim que o preso entra na cadeia, ele fica pelo menos cinco dias trancado numa cela escura, normalmente com vários outros. No Centro de Detenção Provisório de Pinheiros, por exemplo, o RO é um corredor com duas celas, uma do lado da outra, sem luz, que cheiram muito mal. Na hora em que você entra ali, vem um bafo quente. Os caras pegavam percevejo e me mostravam: ‘Olha aqui, doutora’.



Para que serve isso?

Para deixar a pessoa em choque, arrasada, desesperada, logo no começo. À medida que ela vai ficando lá dentro, sem direitos reconhecidos, quer arrancar cabeças. No Brasil, a pessoa é presa e só vai encontrar o juiz dali a cinco, seis meses. Em quase todos os demais países da América Latina, existe a audiência de custódia: a apresentação do preso em 24 horas ao juiz. Aqui isso não está previsto. Há um projeto de lei do senador Antonio Carlos Valadares, que a gente espera seja aprovado pelo Senado.



O que o juiz faz nessa audiência?

Analisa se o flagrante foi legal, se há necessidade de prisão preventiva, se a pessoa pode ou não receber medidas cautelares alternativas à prisão. Mas o papel do juiz em todo o sistema tem sido o grande nó. O Judiciário precisa estar atento às garantias institucionais individuais, observar a forma como a polícia tem atuado e não considerar válidas certas atuações. No entanto, em vez de garantir direitos, está chancelando uma série de arbitrariedades. O juiz não é um braço da segurança pública.



Que arbitrariedades são essas?

Algo que acontece muito na periferia é a entrada franqueada, os policiais entrarem na casa da pessoa sem mandado. Há sempre a justificativa ‘existia a suspeita de que um crime acontecia lá’. Mas o tráfico, por exemplo, é um clássico tipo de crime no qual o policial não precisa entrar naquele momento. Há condições de pedir um mandado antes. Nas prisões em flagrante, 8% são feitas em domicílio. Destes 8%, 90% foram entrada franqueada. Está na Constituição que o domicílio é inviolável.



Há registro de quantas vezes a polícia não encontra nada?

Não temos esse dado. É o pé na porta na frente dos filhos. No documentário, uma desembargadora aborda o tema: ‘Se entrarem aqui no prédio onde moro vão fazer certamente uma boa apreensão de drogas; só que ninguém entra aqui’. Mais que favorecer a polícia, o Judiciário está deixando o Executivo num papel confortável.



Como assim?

O Executivo seria obrigado a capacitar melhor a polícia para investigação, por exemplo. No Brasil não existe uma polícia que investiga. Existe polícia repressiva, herança da ditadura, tanto que grande parte dos processos começa com prisões em flagrante. O próprio trafico de drogas... Quem está sendo preso? É o grande traficante? Não. É o usuário que está com um pouco mais de droga, ou o pequeno traficante.



É a favor da criminalização das drogas?

Não acho que criminalizar resolva. Aliás, existe uma tentação da sociedade de achar que o direito penal resolve todos os problemas. Você criminaliza, mas não enfrenta. Joga embaixo do tapete.



Que sociedade é a nossa, que se apega tanto ao direito penal?

É uma sociedade imediatista, que não olha para o todo, não percebe a importância de uma Justiça eficaz. Só se dá importância às garantias individuais quando se é processado ou se tem alguém próximo nessa situação. Também é uma sociedade intolerante com as diferenças. As pessoas acham que precisam se fechar cada vez mais nos seus condomínios, se proteger nos seus blindados e jogar as pessoas que trazem insegurança no sistema prisional. Não se interage. Nesse sentido, acho muito simbólica a Virada Cultural. ‘Ah, teve muita violência, não sei quantos arrastões...’ Não se bota nunca a periferia para conviver com a classe alta. Quando se faz isso, quer que tudo dê certo? É um encontro para viver a cidade, compartilhar o centro. Moro e trabalho por aqui, sei que tem muita violência, mas venho cedo a pé e vou embora à noite. Se algum dia sentir medo, será motivo de muita tristeza pra mim. Só uma postura de pertencimento pode fazer com que as coisas melhorem.




Marina Dias é advogada criminal e ex-presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa


IDOSA DE 77 ANOS REAGE E MATA ASSALTANTE


DIÁRIO GAÚCHO, 31/08/2014 | 09h53


Idosa de 77 anos reage a assalto em padaria e mata jovem em São Lourenço do Sul. Caso ocorreu por volta das 21h30min no bairro Navegantes

Bruna Scirea




Uma tentativa de assalto terminou com morte e chocou moradores de São Lourenço do Sul, no sul do Estado, na noite deste sábado. Ao ser ameaçada por um criminoso que pretendia levar o dinheiro do caixa de seu estabelecimento, uma idosa de 77 anos sacou uma arma e o matou.

O caso ocorreu por volta das 21h30min, no bairro Navegantes. O criminoso invadiu a Padaria da Vovó, anunciou o assalto e foi surpreendido pela reação da idosa, que sacou um revólver calibre .38.

De acordo com a delegada de Canguçu, Paula Garcia, que responde interinamente pela delegacia de São Lourenço do Sul, dois tiros foram disparados enquanto o jovem tentava se aproximar do caixa do estabelecimento. Uma bala atingiu o pescoço de Jhonatan Silveira Ferreira, 24 anos, e outra raspou no braço. O rapaz, que também estava armado, morreu no local. A informação inicial era de que ele havia ingresso no local com um comparsa, mas a Polícia Civil não confirma.


Conforme a delegada, Jhonatan não tinha antecedentes, mas, segundo informações preliminares da investigação, ele seria usuário de drogas e já teria tentado assaltar a padaria outras vezes.

A idosa entrou em estado de choque e teve de ser encaminhada para o pronto-socorro do hospital Santa Casa de Misericórdia, no município, onde passou a noite. Conforme a polícia, ela tem problemas cardíacos e teve de ser medicada. Ela voltou para casa na manhã deste domingo.

A proprietária da padaria, figura conhecida na pequena cidade, vinha sofrendo seguidas tentativas de assalto. Conforme a Polícia Civil, em uma das vezes, criminosos já teriam inclusive tentado afogá-la em um vaso sanitário. A BM do município também informou que a mulher se queixava de que estavam tentando lhe passar dinheiro falso nas compras.

* Zero Hora

ASSALTANTE MORRE AO ATACAR PM À PAISANA



DIÁRIO GAÚCHO 29/08/2014 | 23h28

PM à paisana reage a roubo e mata assaltante em Porto Alegre. Dupla abordou o policial para roubar sua motocicleta



Um policial militar reagiu a uma tentativa de roubo e matou um assaltante na noite desta sexta-feira, no bairro Partenon, em Porto Alegre. Conforme a Brigada Militar, dois homens que estavam em uma motocicleta abordaram o PM por volta das 20h, na Avenida Bento Gonçalves.

Um deles teria apontado uma arma para o policial, que estava à paisana, e anunciado o assalto. Segundo a polícia, eles ordenaram que o PM entregasse sua motocicleta.

O policial reagiu, e atirou no homem que estava armado. De acordo com a BM, ele não resistiu ao ferimento e morreu no local. O outro assaltante conseguiu fugir.



ZH 01 de setembro de 2014 | N° 17909

BRUNA SCIREA

CRIME NA PADARIA. Mulher de 77 anos reage a assalto e mata jovem em São Lourenço

PROPRIETÁRIA USOU REVÓLVER calibre .38 para disparar dois tiros contra o criminoso de 24 anos, que pretendia levar o dinheiro do caixa do estabelecimento, por volta das 21h30min de sábado



Uma tentativa de assalto terminou com morte em São Lourenço do Sul, no sul do Estado na noite de sábado. Ao ser ameaçada por um criminoso que pretendia levar o dinheiro do caixa de seu estabelecimento, Renilda Devantier, de 77 anos, sacou uma arma e o matou.

O caso ocorreu por volta das 21h30min, no bairro Navegantes. O criminoso invadiu a Padaria da Vovó, anunciou o assalto e foi surpreendido pela reação da idosa, que sacou um revólver calibre .38.

De acordo com a delegada de Canguçu, Paula Garcia, que responde interinamente pela delegacia de São Lourenço, dois tiros foram disparados enquanto o jovem tentava se aproximar do caixa do estabelecimento. Uma bala atingiu o pescoço de Jonathan Silveira Ferreira, 24 anos, e outra raspou o braço. O rapaz, que também estava armado, morreu no local.

Conforme a delegada, Jonathan não tinha antecedentes, mas, segundo informações preliminares da investigação, seria usuário de drogas. Depois de atirar, Renilda entrou em estado de choque e teve de ser encaminhada para o Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia, no município, onde passou a noite. Conforme a polícia, ela tem problemas cardíacos e teve de ser medicada. Ela voltou para casa na manhã de domingo.

Figura conhecida na pequena cidade, a proprietária da padaria vinha sofrendo seguidas tentativas de assalto, segundo relatos de vizinhos. Em uma das vezes, criminosos teriam inclusive tentado afogá-la em um vaso sanitário.

Na manhã de ontem, agentes do Instituto-Geral de Perícias estiveram no local. Um inquérito será instaurado para investigar o caso. A polícia também investiga a procedência da arma.

Caso a polícia confirme que a idosa atuou sob legítima defesa, Renilda poderá ficar isenta de punições, salvo em caso de ter havido algum excesso.

O caso lembra um outro episódio ocorrido em Caxias do Sul, em 2012, quando uma idosa de 87 anos matou um homem que invadiu o seu apartamento.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MÁQUINA DE DOUTRINAÇÃO EM DEFESA DO RELATIVISMO MORAL E DA BANDIDAGEM



REVISTA VEJA, 28/08/2014 às 12:19 


COLUNA RODRIGO CONSTANTINO


Isso NÃO é um coitado em busca de comida!

Jantar em família é algo de que não abro mão. É neste momento que podemos conversar melhor com os filhos, e eles aprendem também sobre postura diante dos outros, limites de comportamento e a dialogar (escutar além de falar). Nesta quarta o clima foi quente, mas a lição, creio, fundamental. Minha filha adolescente chegou com um discurso em prol do relativismo moral, alegando que não sabe o que faria se fosse pobre, e que talvez seja compreensível esses marginais roubarem por desespero.

Senti, imediatamente, que não era ela falando, mas alguma professora de esquerda. Líquido e certo. Ela confessou que tinha escutado isso da professora naquele dia. A doutrinação começa cedo, cada vez mais cedo, e mesmo em escolas particulares e tradicionais. Todo cuidado é pouco. Iniciei, portanto, o processo de desintoxicação para torná-la mais imune a essa tentativa abjeta de lavagem cerebral.

Primeiro, expliquei que “furto famélico”, de que ela falava, era coisa muito rara atualmente. Ninguém mais rouba na penúria só para comer, por fome, ainda mais em país em “pleno emprego” e com esmolas estatais para todo lado. Os galalaus roubam por vários outros motivos, não por desespero causado pela falta de comida.

Em segundo lugar, perguntei se ela achava que realmente seria capaz de apontar uma arma para a cabeça de um inocente, pelo motivo que fosse. Conhecendo os valores absorvidos por ela e sua empatia para com o próximo, já sabia a resposta. Após rápida reflexão, ela teve de admitir que não se imaginava fazendo nada disso, mesmo em desespero.

Passei, então, a explicar que há basicamente dois grupos de pessoas: os que têm valores e dignidade, e os que não têm. E não é a conta bancária que os separa! Mostrei como seu discurso era, inclusive, ofensivo para com nossa empregada, que dá um duro danado para se manter com honestidade e dignidade. Lembrei que a maioria dos moradores de favelas é gente trabalhadora, apesar do entorno, e que muitos bandidos são de classe média, alguns até graduados.

A narrativa de vitimização da bandidagem não é algo novo. Desde os anos 1960 que isso começou a ganhar força. Teve até um livro famoso que falava do “crime da punição”, ou seja, o crime verdadeiro era prender o bandido! A tentativa de retirar a responsabilidade individual por seus atos vem de longa data, com a adesão maciça de muitos sociólogos, psicólogos, antropólogos, enfim, a turma das “humanas”. O criminoso, dizem, é uma marionete da biologia, visto como um objeto em vez de sujeito, ou uma esponja do ambiente, incapaz de decidir por conta própria, de escolher seu curso de ação.

Por acaso estava lendo ontem o livro Not With a Bang But a Whimper, do psiquiatra britânico Theodore Dalrymple, que fala justamente disso. Ele viu a Inglaterra deixar de ser um país relativamente pacífico e com uma polícia admirada para se transformar no país com os piores indicadores de criminalidade do Ocidente desenvolvido. Por trás disso está o relativismo moral e o clima de impunidade produzidos pelas elites intelectuais.

A relação entre crime e pobreza não é direta, tampouco causal – linha de raciocínio “progressista” que é bastante ofensiva aos pobres honestos, em maioria numérica. O crime é uma escolha. O Zeitgeist contribui com as más escolhas, ao eximir o bandido de responsabilidade, ou ao relativizar o que é certo ou errado. O ranço marxista joga mais lenha na fogueira, ao atacar o “sistema” e tratar o criminoso quase como um rebelde legítimo que busca “justiça social”. O roubo, por essa ótica bizarra, passa a ser uma espécie de “política redistributiva”.



Dalrymple trabalhou em prisões e tratou de milhares de criminosos. Conheceu de perto o estrago que tal mentalidade causa nessas pessoas, e como serve de pretexto e álibi para seus atos criminosos. “Não tenho como evitar”, “não consigo me controlar”, “eu apenas roubei, nada mais”, “quem nunca errou?”, e por aí vai. Mas ele mostrava para esses marginais que não eram vítimas, e sim agressores, e que nas prisões sabiam se controlar, sob a ameaça de punições. O comportamento depende do mecanismo de incentivos, assim como dos valores morais.

Há, ainda, aspectos mais prosaicos, como os altos gastos públicos e a tentativa de reduzi-los justamente nas esferas mais necessárias, como as prisões. Ocorre, então, um relaxamento das penas, e muitos bandidos são soltos antes do prazo estipulado. Dalrymple conta casos chocantes, e não são isolados. Marginais que espancaram gente inocente gratuitamente, destruindo suas vidas e de suas famílias, com sequelas eternas, e que foram soltos em poucos meses. Que mensagem isso transmite para os jovens, sabendo-se, ainda por cima, que um curto tempo na prisão é visto até como um “rito de passagem” e motivo de orgulho para muitos deles?

São muitos interesses por trás desse sistema fracassado, porém. O aparato envolvido nisso é gigantesco. A quantidade de “especialistas em criminologia” não para de crescer. Não parece coincidência o enorme crescimento dessas profissões em paralelo à explosão da criminalidade. Será apenas um efeito, ou seria parte da causa?

O fato é que nenhum desses especialistas ganha créditos sugerindo que a punição severa é parte fundamental de uma sociedade civilizada. Tal discurso é visto com asco pelos “ungidos” de esquerda, que demonstram toda a sua compaixão e bondade ao “compreender” os motivos dos criminosos, e ainda acusar os Estados Unidos, com sua grande população carcerária, de o “Gulag das Américas”, como se não houvesse distinção entre a União Soviética e os Estados Unidos. Alguns, como fez Francisco Bosco ontem, colocam tudo na conta do racismo das elites.

Quando Dalrymple era moleque, roubou um chocolate de uma loja e contou para o irmão mais velho. Era uma tentativa de mostrar “bravura” e conquistar o respeito do irmão. Em uma briga, dedurou algum malfeito do irmão, que, por sua vez, entregou seu crime aos pais. Sua mãe o levou à loja e o obrigou a pedir desculpas ao dono e pagar pelo roubo. Um tanto humilhante. Alguns podem, nos estranhos tempos modernos, considerar tal ato um exagero. Afinal, era “apenas” um chocolate e ele, “apenas” uma criança. Nada mais falso!

É esse tipo de educação que faz tanta falta. Impor limites, demarcar claramente o certo e o errado, com clareza moral. Pegar o que não lhe pertence é roubo, e ponto final. Deve ser punido, visto como inaceitável, e isso não tem nada a ver com a situação financeira das pessoas. Podemos considerar um atenuante o fato de um miserável faminto furtar comida de algum mercado, mas não é disso que se trata a explosão da criminalidade, e tentar pintar o quadro como se fosse é fruto de profunda ignorância ou extrema má-fé.

Marmanjos que roubam e às vezes matam por um par de tênis ou um celular, em busca de poder, de destaque em sua comunidade, não podem jamais ser vistos como vítimas ou coitadinhos desesperados. São bandidos, marginais que optaram pelo caminho errado, e merecem ser punidos por isso, pois a impunidade é o maior convite à reincidência no crime. Espero que minha filha tenha absorvido bem a lição. Sua professora vai ter dificuldade em doutriná-la com o manual relativista dos “progressistas”. Para cima de mim, não!

Rodrigo Constantino


PRESENTE MORTAL

ZH 29 de agosto de 2014 | N° 17906


Homem morre após comer um bombom

CAIXA DE CHOCOLATE chegou pelos Correios para uma mulher, mas seu irmão comeu e ofereceu a amigos. Polícia suspeita de envenenamento



Um homem morreu após comer bombons de uma caixa enviada pelos Correios em Viadutos, no norte do Estado. Outros dois homens também comeram chocolates da mesma caixa e passaram mal. A polícia suspeita que os alimentos tenham sido envenenados.

Por volta das 14h de ontem, conforme a Brigada Militar de Viadutos, o mecânico Fabrício Gregori Passarini, 19 anos, deixou o trabalho e foi até a agência dos Correios do município para buscar uma encomenda endereçada a sua irmã, que trabalha como empregada doméstica em Erechim, a 30 quilômetros.

De volta à oficina mecânica onde trabalha, no centro da cidade, resolveu abrir o pacote, embalado para presente. Quando viu que era uma caixa de bombons, ele comeu dois dos chocolates e os ofereceu para o colega Álvaro Antônio Duarte, 42 anos, eletricista automotivo, e para um cliente da mecânica, Josimar Dettio, 28 anos. Eles comeram um bombom cada.

AO MENOS UM DOS DOCES TINHA GOSTO RUIM

Pouco tempo depois, os três começaram a passar mal. Duarte foi socorrido por uma ambulância da prefeitura e seria encaminhado a um hospital de Erechim, mas morreu durante o deslocamento, por volta das 15h. Segundo a BM, Duarte teria sofrido mais de uma parada cardía- ca na ambulância.

Passarini foi levado à Fundação Hospital Santa Terezinha, em Erechim, onde segue internado em estado grave, na UTI. Já Dettio foi atendido no hospital de Viadutos, onde segue em observação.

– O bombom que eu comi tinha gosto de chocolate, era um bombom normal. Mas o Álvaro comentou que o que ele comeu tinha gosto ruim – comentou Dettio, que disse estar se sentindo bem.

A caixa com os outros chocolates, de uma marca fabricada por uma multinacional, foi apreendida e encaminhada à Polícia Civil, que investigará o caso. De acordo com a BM, a encomenda foi postada em uma agência dos Correios de Erechim, com o nome de um morador de Passo Fundo como remetente.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

CRIMINALIDADE E CLIENTELISMO



Criminalidade e clientelismo nas eleições
Eleitores de renda mais baixa são controlados pelo tráfico ou milícia, enquanto políticos demagogos compram votos com presentes e serviços que o Estado pode prestar

O GLOBO EDITORIAL
27/08/2014 0:00




A campanha eleitoral no Rio de Janeiro tem sido farta em exemplos deploráveis de como a criminalidade e o clientelismo atuam para condicionar o voto de grande parcela da população, aquela de renda mais baixa e condições de vida em geral insatisfatórias. Por meio do assistencialismo, comunidades são comandadas por quadrilhas, de traficantes ou de milicianos, assim como políticos compram votos em troca de vários tipos de benesses, e muito provavelmente negociam o acesso a esses "currais" com a criminalidade. Clientelismo e banditismo costumam andar juntos.

A Secretaria de Segurança entregou à Justiça Eleitoral relatório sobre 41 áreas do território fluminense em que o tráfico (25) e a milícia (16) dificultam a campanha. Mesmo em regiões com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como Rocinha e Alemão, outro sinal de que a nova política de segurança ainda não se firmou nessas comunidades. O assistencialismo tem longa tradição no Grande Rio e no resto do estado. Ele é praticado geralmente por meio de “centros sociais” em que políticos substituem o Estado na prestação de vários serviços: médicos, odontológicos, educacionais, entre outros. Por óbvio, não interessa a estes políticos demagógicos que o SUS e a escola pública venham a melhorar de qualidade. Eles vivem da falência do Estado.

Nas últimas campanhas, a Justiça Eleitoral tem criado forças-tarefa, inclusive com a participação de policiais, para reprimir esses centros. Mas, passam as eleições, e eles reabrem as portas.

Caso emblemático, revelado pelo GLOBO no domingo, é o complexo de entidades de prestação de assistência social mantido por Anthony Garotinho (PR) em Campos, cuja prefeita é a mulher, Rosinha, ambos ex-governadores, e Anthony, mais uma vez, candidato ao Palácio Guanabara. Pois o casal de políticos distribui no Norte Fluminense e no Rio enxovais para recém-nascidos. Clientelismo clássico. A Justiça lacrou, segunda, uma dessas instituições, em Campos.

O clientelismo é multipartidário. No Rio, cartazes dos irmãos Rafael e Leonardo Picciani, candidatos a deputado estadual e à reeleição a deputado federal, pelo PMDB, ornamentam o Conjunto Pedregulho, não por acaso reformado pelo governo peemedebista do estado. E não há também qualquer coincidência no fato de a Secretaria de Habitação, responsável pelas obras, ter sido dirigida pelos dois. São filhos de Jorge Picciani, também candidato, homem forte no peemedebismo fluminense, ligado a Sérgio Cabral e a Pezão, vice de Cabral e que tenta ficar no Palácio Guanabara.

O mesmo acontece no âmbito da prefeitura, com Pedro Paulo, muito próximo a Eduardo Paes, e candidato à reeleição para a Câmara federal, também pelo PMDB. Material de propaganda seu pode ser visto no subúrbio em áreas que passarão por obras municipais.

É assim que a banda do clientelismo toca. Não há alternativa, a não ser trabalhar pela melhoria na qualidade da representação política.



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CRESCE VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS

TV GLOBO, JORNAL HOJE Edição do dia 26/08/2014


Denúncias de violência contra idosos crescem nos últimos três anos. Violência financeira representou a terceira maior causa das denúncias. Na maioria dos casos, um parente se apropria do dinheiro da vítima.

Carla Modena. São Paulo, SP





Os aposentados e pensionistas da Previdência Social começaram a receber nesta semana a primeira parcela do 13º salário. Serão quase R$ 14 bilhões a mais nos bolsos de 27 milhões de segurados.

Junto com o dinheiro vem uma preocupação, pois é cada vez maior o numero de denúncias de violência financeira contra os idosos. Na maioria dos casos, um parente se apropria do dinheiro da vítima.

Viúva, sem filhos, a advogada e procuradora aposentada Irene Vandoni, de 98 anos, viu sumir de suas contas mais de R$ 500 milhões. Ela diz que a sobrinha levou o dinheiro. “Como ela é sobrinha, talvez esteja precisando de dinheiro. Mas precisa tirar tanto dinheiro assim?”, questiona.

Na Bahia, o aposentado Guilherme Jacon, de 83 anos, conta que foi mantido preso pela filha mais nova durante cinco meses. Ela tirou fotos do pai sedado, dizendo que ele era doente e conseguiu interditá-lo. Um dia ele conseguiu fugir. "Eu fugi. Peguei um táxi e fui na delegacia dos idosos".

Não param de crescer, nos últimos três anos, as denúncias de todos os tipos de violência contra idosos. Foram de pouco mais de oito mil em 2011 para mais de 23 mil em 2012 e quase 40 mil em 2013, e a violência financeira representou a terceira maior causa dessas denúncias, perdeu apenas para negligência e violência psicológica.

Os casos de abuso financeiro foram de pouco mais de quatro mil em 2011 para mais de nove mil em 2012 e quase 17 mil em 2013. No ano passado, a retenção de salários e bens, representou a grande maioria das denúncias. Quase metade das vítimas tem mais de 76 anos e a maioria é mulher. Os estados que registraram a maioria de queixas foram São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Apropriar-se ou desviar bens proventos, pensão ou qualquer rendimento é crime, previsto no Estatuto do Idoso com punição de reclusão e multa.

A promotora de justiça Cláudia Maria Beré diz que raramente é o próprio idoso quem reclama. Mas o mais difícil é quando o idoso está lúcido e sabe que está sendo explorado. “É uma pessoa lúcida, mas que não está conseguindo resistir à pressão da família. O Ministério Público, às vezes, determina que bloqueie a aposentadoria”.

Quem souber de algum tipo de violência contra o idoso, seja um parente, um vizinho, pode denunciar pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Não é preciso se identificar. 

Acesse o Estatuto do Idoso...

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm

SITE COLABORATIVO PARA ROUBOS

TV GLOBO, JORNAL HOJE Edição do dia 26/08/2014


Site colaborativo apresenta locais onde internautas foram roubados. Página identifica pontos onde há roubos e furtos em todo o Brasil. Internauta dá detalhes de como aconteceu o crime e indica o local.





Ajudar o cidadão a se defender da ação de assaltantes em mais de 500 cidades de todo o Brasil. Essa é a função da página na internet ‘Onde Fui Roubado’ (Consulte o mapa da sua cidade aqui). Para auxiliar os brasileiros a identificar pontos onde há roubos e furtos, três estudantes baianos criaram o site, que funciona como um boletim de ocorrência virtual. O internauta dá detalhes de como aconteceu o crime e indica o local.

Segundo o site, que já tem 567 cidades brasileiras cadastradas, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro são as capitais onde há mais roubos. Em sete cidades, o telefone celular é o objeto mais roubado. No Rio, corresponde a 73%.

O internauta que quiser dar sua colaboração pode ficar tranquilo: a denúncia é totalmente anônima. Para registrar o roubo é preciso preencher um formulário com informações sobre o acontecido como local, data, horário, objetos que foram levados e seu sexo.

De acordo com os responsáveis pelo site, ajudar a mapear o perfil dos crimes é uma ação que pode trazer uma série de benefícios, inclusive chamar atenção das autoridades responsáveis pela segurança a usar as informações no trabalho de combate e prevenção.


http://www.ondefuiroubado.com.br/

ONDA DE HOMICÍDIOS

DIÁRIO GAÚCHO 28/08/2014 | 07h02


Cristiane Bazilio


SAPUCAIA DO SUL.  Em 24 horas, entre domingo e segunda, quatro pessoas morreram de forma violenta. Na região, são 26 assassinatos neste ano



Rua Beira Campos, na Vila Vargas, em Sapucaia, onde dois homens morreram alvejados por um grupo armado na noite de segunda-feiraFoto: Cristiane Bazilio / Agência RBS



Horrorizados. É assim que moradores da Vila Vargas, em Sapucaia do Sul, dizem estar se sentindo com a onda de violência que se impôs na região. Não é para menos. Em 24 horas, entre domingo e segunda, quatro pessoas morreram de forma violenta: três executadas e uma vítima de latrocínio (roubo com morte). Nos dias que antecederam os assassinatos, outras duas tentativas haviam sido registradas pela polícia no bairro. Crimes que, segundo a população, têm crescido a passos largos e acontecido sob os olhos de uma vizinhança que vive amedrontada e calada diante do pavor. A 2ª DP, que atende à região, contabiliza 26 assassinatos no ano.

Um dos casos que mais chocou os moradores da Vila Vargas nos últimos dias aconteceu por volta das 20h de segunda, na Rua Beira Campos. Quatro homens armados e a pé se aproximaram de um grupo que estava reunido em frente a uma casa e dispararam pelo menos 30 tiros, deixando dois mortos. 

Conforme investigadores da 2ª DP de Sapucaia, o alvo era Jonathan Silva dos Santos, 22 anos, morto com 11 tiros nas costas. Um amigo dele também acabou morto no conflito: Luis Carlos Rodrigues Ferreira, 42 anos, pai de dois jovens que estavam no grupo alvejado _ um deles, inclusive, foi atingido, mas sobreviveu. Nenhuma das vítimas tinha antecedentes criminais. A polícia, no entanto, investiga a possibilidade de que este crime, assim como outros, esteja relacionado ao tráfico de drogas.

Clima de medo


No dia seguinte ao tiroteio, o cenário na Rua Beira Campos era de medo e desolação. Com os olhos marejados e visivelmente emocionada, uma senhora de 63 anos narrava o bangue-bangue que presenciou. 

- Foi a coisa mais triste e desesperadora que já vi na minha vida. Moro no bairro há 23 anos e nunca presenciei nada parecido. Era tiro que não acabava mais. Coisa que a gente só vê em filme. E aqueles corpos caídos no chão. Uma cena indescritível. Que horror, meu Deus, que horror... - lamentava. 

Por telefone, uma vizinha que pediu para não ser identificada relatou os momentos de pavor.

- Era um barulho alto, constante e parecia estar tão perto... Por questão de minutos, eu e meu marido não ficamos no meio do fogo, porque recém tínhamos chegado me casa. Tivemos que nos esconder para não tomar bala perdida. Estou em choque - contou. 

Segundo a polícia, duas pistolas, calibres .380 e 7.65, e dois revólveres calibre 38 foram utilizados na ação. As marcas de giz feitas no asfalto pela perícia indicavam os locais onde foram encontrados cartuchos usados no ataque. 

De dentro de casa, uma mulher gritava para um suposto parente:

- Estou saindo! Não deixa as crianças saírem no portão de jeito nenhum! - bradava ela, refletindo o clima de insegurança que reinava no bairro.

Tráfico pode ter desencadeado conflito

A largada para as 24 horas sangrentas na Vila Vargas aconteceu às 20h30min de domingo, na Rua Maria Delfina. David da Silva Pereira, 25 anos, foi morto com quatro tiros _ na cabeça, nas costas, no coração e em uma das nádegas. Conforme a polícia, ele cumpria pena pelo assassinato de um traficante, em setembro de 2013, e há um mês havia migrado para o regime semiaberto. Sua morte pode ter sido um acerto de contas. 

- A Vila Vargas é o maior bairro de Sapucaia, onde existem grupos rivais de traficantes. Não descartamos nenhuma possibilidade, mas a guerra do tráfico é uma forte linha de investigação - aponta o inspetor da 2ª DP, José Carlos Schultz. 

A violência na região não está ligada apenas ao tráfico. Cerca de oito horas depois da morte de David, outro homem morria no bairro, desta vez, vítima de assalto. Jairo Troquato, 46 anos, foi baleado na Rua Igrejinha, ao reagir à investida de um assaltante que tentou lhe roubar a moto.

Até guri de nove anos foi vítima de disparo

Na noite de terça, mais uma tentativa de assalto acabou em tiros em Sapucaia. Desta vez, no Centro da cidade. Um trio foi baleado _ a vítima mais nova, de apenas nove anos, foi atingido em uma das pernas, assim como um rapaz de 18 anos. A terceira vítima, de 20 anos, recebeu um disparo no ombro direito. Levados pela Brigada ao hospital local, ambos permaneciam em observação até a tarde de ontem e não corriam risco de morrer.

Em depoimento à Brigada, as vítimas contaram que caminhavam pela Rua Ipiranga rumo a uma quadra de futebol quando um Corsa azul estacionou. Um rapaz branco, aparentando 22 anos, desceu com arma em punho e anunciou o assalto. A vítima de 20 anos teria colocado a mão no bolso para pegar o celular e entregá-lo, e o movimento teria assustado o assaltante, que fez vários disparos e fugiu a pé - ao ver a cena, o Corsa partiu em disparada.

- Nenhuma das vítimas tinha antecedentes criminais. Em princípio, trabalhamos com hipótese de tentativa de roubo - informou a titular da 1ª DP local, Marina Goltz.

A polícia, ontem, tentava obter imagens das câmeras de segurança de um estabelecimento nas proximidades para elucidar o crime.

Quarteto apontado por vários crimes

Investigadores da 2ª DP garantem que já identificaram o quarteto responsável pelas mortes de Jonathan Silva dos Santos e Luis Carlos Rodrigues. Um dos atiradores seria o mesmo que matou David da Silva Pereira, domingo. Outro suspeito teria tentado executar um homem dentro de um bar, na quinta-feira. Entre o bando, estaria ainda um homem envolvido em pelo menos outros seis casos.
- Dois deles já estão com mandado de prisão decretados por outros caso. O terceiro está foragido, e o quarto suspeito ainda não conseguimos enquadrar. Ainda não localizamos nenhum deles - afirma Schultz.

Lei do silêncio contribui para impunidade

Em silêncio. É como preferem se manter aqueles que sabem quem são os criminosos, mas temem por possíveis represálias. No começo da semana, e-mails, ligações e contatos através do whatsapp chegaram à Redação do Diário Gaúcho denunciando a onda de crimes em Sapucaia. Moradores que pediram para não ser identificados relataram a rotina de caos. 

- A lei do silêncio impera. As pessoas sabem quem são, mas não falam por medo. Denunciam nos meios de comunicação, pedem ajuda, mas não vêm até nós para colaborar com o que sabem. Dificulta muito o trabalho da polícia e aumenta a sensação de impunidade - aponta Schultz. 

O investigador destaca que as denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 3453-3138.

Escalada da violência na região da Vila Vargas

Baleados

21/8 - Um homem de 32 anos sofreu uma tentativa de assassinato por volta das 23h, em um bar nas esquinas das ruas Santa Luzia e Assis Brasil. Levou quatro tiros nas costas e foi hospitalizado.

22/8 - Um homem de 23 anos sofreu uma tentativa de homicídio na Lomba Palmeira, em circunstâncias ainda investigadas pela polícia. Foi hospitalizado.

Mortes

24/8 - David da Silva Pereira foi morto com quatro tiros na Rua Maria Delfina. Era detento do semiaberto e cumpria pena pelo assassinato de um traficante, em 2013. 

25/8 - Jairo Troquato, 46 anos, foi assassinado por volta das 6h, na Rua Igrejinha, ao reagir a um assalto. 

25/8 _ Por volta das 20h, Jonathan Silva dos Santos e Luis Carlos Rodrigues Ferreira morreram apos serem alvejados por um grupo de quatro homens armados na Rua Beira Campos.

A TEIA DA LEGISLAÇÃO


O SUL Porto Alegre, Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014.



WANDERLEY SOARES


Os escaninhos protetores dos recursos judiciais assustam mais os cidadãos de bem do que são temidos pelos quadrilheiros



O dono de uma revenda de veículos usados de Parobé foi morto com mais de dez tiros na noite de terça-feira, no Vale do Paranhana. Luciano Regis Dreher, 45 anos, estava dentro da loja quando foi baleado por dois homens que chegaram ao local de moto anunciando o assalto. Crimes como esse estão, a cada dia, mais integrados em nosso cotidiano não só pela impossibilidade da polícia judiciária resolver caso a caso como pelo fato de que os quadrilheiros profissionais têm a certeza de que, a não ser que sejam presos em flagrante, o que é de uma raridade plena, poderão escapar indefinidamente de uma condenação devido às teias de nossa legislação que a eles não assusta, mas é temida pelos cidadãos de bem. Quadrilheiros que são presos depois de prolongadas investigações permanecem poucas horas nas casas prisionais onde, por circunstâncias nunca esclarecidas, continuam suas atividades alimentados pelo Estado


Quadrilheiros (1)

Dois homens foram presos na noite de terça-feira em uma operação do Denarc (Departamento Estadual de Narcóticos), ambos acusados de abastecer de armamento quadrilhas do narcotráfico que agem na Região Metropolitana de Porto Alegre, incluindo Alvorada, Gravataí e Cachoeirinha, entre outras cidades, e também Florianópolis, em Santa Catarina. Nos últimos três meses, os bandidos cruzaram a fronteira com o Uruguai pelo menos 18 vezes. Eles foram recolhidos ao Presídio Central que, como se sabe, está sendo desativado


Quadrilheiros (2)


Doze pessoas foram presas, ontem, em Ciríaco, em uma operação conjunta de Polícia Civil e Brigada Militar. O bando assaltava propriedades rurais nos municípios de Santo Antônio de Palma, Casca, Marau, David Canabarro e Ciríaco, todos no Norte do Estado. Os presos foram levados ao presídio estadual de Guaporé


Pinheiro em férias


Recebi em minha torre mensagem do secretário-adjunto da Secretaria da Segurança Pública do RS, Juarez Pinheiro, que veiculo na íntegra com a satisfação de saber que ele continua firme naquela pasta. Escreveu Pinheiro: "Caro jornalista Wanderley Soares. Ao cumprimentá-lo, considerando que tenho uma vida política de mais de 30 anos da qual muito me orgulho, tendo passado, entre outros, pela direção do GHC [Grupo Hospitalar Conceição], ter sido vereador por oito anos, assessor federativo do Ministério da Justiça, coordenador jurídico do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome - MDS; e o fato de ter saído em sua prestigiada coluna do nosso querido jornal O Sul, que sugere que eu estaria saindo da Secretaria de Segurança Adjunta do Rio Grande do Sul, solicito que a matéria publicada no dia de hoje [ontem], 27/08/14, seja complementada com a razão do meu afastamento por 30 dias. É que, como todo trabalhador brasileiro, tenho direito a 30 (trinta) dias de férias. Meu afastamento publicado no Diário Oficial refere-se a esse tema. Parabenizo vossa senhoria por suas crônicas envolvendo o tema da segurança pública, bem como seus devaneios intelectuais publicados na coluna do jornal todos os domingos"

ASSASSINO DE MULHERES


ZH 28 de agosto de 2014 | N° 17905


CRIMES EM CAXIAS

Preso suspeito de assassinar duas mulheres




Um jovem de 23 anos foi preso ontem no Paraná suspeito de ter matado Rosangela Consoli dos Santos Alves, 45 anos, e Vanessa Gobetti Jiordani, 21. Os corpos das duas foram encontrados na Represa do Maestra, neste mês, em Caxias do Sul. O homem, cujo nome não foi divulgado, deve prestar depoimento hoje.

– Não há dúvida de que ele cometeu os assassinatos – diz o delegado Rodrigo Duarte.

Laudos da necropsia apontaram semelhanças nas agressões físicas sofridas pelas vítimas e sinais de violência sexual. Além disso, o modo de operação foi o mesmo nos dois crimes.

A polícia ainda investiga se o suspeito tem ligação com o possível assassinato de uma terceira mulher, cujo corpo achado em março na represa.

CASAL SUSPEITO DE PEDOFILIA



ZH 28 de agosto de 2014 | N° 17905


IGOR MÜLLER


Casal suspeito de pedofilia é preso. APÓS DENÚNCIAS, homem e mulher foram detidos na manhã de ontem, em Santa Maria




Após cinco meses de investigação, a Polícia Federal (PF) de Santa Maria prendeu preventivamente um casal suspeito de pedofilia na manhã de ontem.

Batizada de Operação Kame – o nome sintetiza a ação do homem que, tal qual o professor de artes marciais do desenho animado Dragon Ball Z –, passava-se por professor para se aproximar e conquistar a confiança das vítimas.

Segundo o delegado da Polícia Federal José Antônio Amaral, o suspeito ia até escolas para convidar meninos a participarem de aulas de artes marciais. Depois de conseguir formar uma turma, o suposto professor identificava os alunos mais suscetíveis.

– Todos os pedófilos agem de maneira semelhante. Eles normalmente escolhem pessoas que vivem em famílias desestruturadas, aproximam-se, demonstram os mesmos interesses e vão ganhando confiança – explica o delegado.

De acordo com as investigações, pelo menos seis crianças e adolescentes, com idades entre oito e 15 anos, teriam sido abusados pelo casal.


Familiares de duas vítimas fizeram denúncia


Conforme a Polícia, os menores eram levados à residência da dupla, onde os abusos seriam consumados, com atos de violência e constrangimento sexual.

– É possível que este número aumente, com a divulgação da prisão – ressalta Amaral.

Em março, dois familiares das crianças denunciaram o caso à Polícia Federal, que conseguiu reunir evidências suficientes para pedir a prisão preventiva do casal, com base no risco às vítimas e parentes e para evitar que novos crimes fossem cometidos.

Após serem ouvidos na PF, o homem, de 36 anos, foi encaminhado à Penitenciária Estadual, e a mulher, de 24 anos, ao Presídio Regional, em Santa Maria. Eles devem responder pelos crimes de estupro de vulnerável e armazenamento de material de pornografia infantil. Os nomes dos dois não foram informados. A PF investiga se também houve produção de material pornográfico. Participaram da operação 10 policiais federais com apoio da Brigada Militar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

QUADRILHA ROUBAVA CASAS NO NORTE GAÚCHO

CORREIO DO POVO 27/08/2014 10:22

Dico Reis / Rádio Guaíba


Desarticulada quadrilha que roubava casas no Norte gaúcho. Operação prendeu 12 pessoas em Ciríaco, Marau e Passo Fundo



Policiais civis de diversas cidades do Norte gaúcho prenderam, na manhã desta quarta-feira, 12 integrantes de uma quadrilha de roubos a residências. A operação conjunta se concentrou nas cidades de Marau, no interior de Passo Fundo e em Ciríaco, onde ficava a base do grupo.

De acordo com o titular da 6ª Delegacia de Polícia Regional, Paulo Ruschel, os criminosos agiam com violência e estavam sempre fortemente armados. Eles amarravam os moradores e, em seguida, roubavam tudo o que encontravam nas casas. Ainda foi apreendido objetos nos locais onde foram realizadas as buscas. O próximo passo é identificar os pertences para que sejam entregues aos proprietários.


Os mandados foram emitidos pela comarca de Ciríaco, onde foi registrado o maior número de casos. O delegado Ruschel acredita que a grande maioria dos integrantes dessa quadrilha tenha sido presa nesta manhã e espera que este tipo de crime seja reduzido no Norte do Estado.


AS TROCAS SILENCIOSAS

O SUL Porto Alegre, Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014.

 
WANDERLEY SOARES


Mudanças nas cúpulas de unidades da segurança pública são feitas sem qualquer satisfação para a sociedade, a não ser quando são parte de um projeto de marketing



Uma das desatenções dos governantes com a sociedade é a de fazer trocas de delegados distritais e de comandos de unidades da Brigada Militar como se isso fosse apenas do interesse interno do Piratini e/ou da pasta da Segurança Pública. Em verdade, titulares de delegacias e comandantes de batalhões da Brigada são pessoas que mantêm, ou pelo menos deveriam manter, contatos diretos e permanentes com lideranças das comunidades para as quais devem, sim, constantemente, satisfações, de seus projetos, até mesmo para a busca de crescente e sólida interação. Isso não acontece. As trocas são feitas quase que à socapa, surpreendendo, por vezes, até mesmo os próprios policiais removidos, a não ser quando há interesses pontuais marcados por estratégias de marketing. Enfim, a sociedade é apenas um detalhe. Sigam-me


1 BPM


O major Antônio Carlos Maciel Rodrigues Júnior, um dos sete oficiais superiores mais antigos em sua graduação, antes de completar um ano como subcomandante do 1 BPM, foi removido para uma atividade burocrática no Centro de Logística por decisão do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Fabio Duarte Fernandes. Está pronto para assumir o lugar de Maciel o major José Carlos Pacheco, que sairá do comando do chamado Território da Paz da Vila Cruzeiro


Tornozeleira


Um homem de 39 anos foi preso em Porto Alegre em atuação no tráfico de drogas e com o uso de tornozeleira eletrônica. Ele foi flagrado em casa, na vila Bom Jesus. A prisão, feita pelo Denarc (Departamento Estadual de Narcóticos), ocorreu após denúncia anônima


Crime e castigo


Uma operação da Brigada Militar no bairro Serraria, na Zona Sul de Porto Alegre, culminou com a morte de um bandido e a prisão de outro. Durante abordagem policial, a dupla chegou a fazer uma família refém, que foi logo liberada. Houve perseguição e troca de tiros. Willian Silva de Melo, 21 anos, foi baleado e morreu no Hospital de Pronto Socorro. Ele era acusado de cinco homicídios na região. Outro homem não teve o nome revelado


Vigilantes assaltados


Dois vigilantes tiveram as armas roubadas, no final da noite de segunda-feira, na Zona Norte de Porto Alegre. Eles cuidavam de uma área na avenida João Moreira Maciel, perto da Arena do Grêmio, quando foram abordados por três homens armados. Os vigilantes trabalham para a Superintendência de Portos e Hidrovias. Os bandidos chegaram em um Focus e levaram duas armas, dois coletes balísticos e munição. Ninguém se feriu


Surpresa


Saiu no Diário Oficial do Estado de ontem a dispensa da função gratificada de secretário adjunto da Secretaria da Segurança Pública do simpático Juarez Pinheiro, que, entre outras qualidades, é um orador arrebatador de plateias. Pinheiro, em uma de suas oratórias, em nome do governo, chegou a fixar data para a desativação do Presídio Central, que seria em sua gestão.


O SUL DE 28/08/2014 - WANDERLEY SOARES...

Pinheiro em férias

Recebi em minha torre mensagem do secretário-adjunto da Secretaria da Segurança Pública do RS, Juarez Pinheiro, que veiculo na íntegra com a satisfação de saber que ele continua firme naquela pasta. Escreveu Pinheiro: "Caro jornalista Wanderley Soares. Ao cumprimentá-lo, considerando que tenho uma vida política de mais de 30 anos da qual muito me orgulho, tendo passado, entre outros, pela direção do GHC [Grupo Hospitalar Conceição], ter sido vereador por oito anos, assessor federativo do Ministério da Justiça, coordenador jurídico do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome - MDS; e o fato de ter saído em sua prestigiada coluna do nosso querido jornal O Sul, que sugere que eu estaria saindo da Secretaria de Segurança Adjunta do Rio Grande do Sul, solicito que a matéria publicada no dia de hoje [ontem], 27/08/14, seja complementada com a razão do meu afastamento por 30 dias. É que, como todo trabalhador brasileiro, tenho direito a 30 (trinta) dias de férias. Meu afastamento publicado no Diário Oficial refere-se a esse tema. Parabenizo vossa senhoria por suas crônicas envolvendo o tema da segurança pública, bem como seus devaneios intelectuais publicados na coluna do jornal todos os domingos"

VIOLÊNCIA, FILOSOFIA, MÍDIA,


ZH 27 de agosto de 2014 | N° 17904


FRANKLIN CUNHA*



Todas as cosmogonias contêm relatos dramáticos sobre a precocidade da violência e do crime. São os mitos que sempre nos contam histórias de assassinatos humanos. Mesmo os deuses, com suas força e capacidade descomunais, não se eximem de certas angústias e culpas. Na mitologia de todas as culturas, há sempre relatos de combates que buscam equilíbrio, justiça, tempos de paz e bonança nunca alcançados definitivamente. Esses sonhos coletivos da humanidade ilustram a agressividade inerente à vida social e que pode acabar com ela.

Para tentar manter a violência nos limites de marcos civilizatórios, filósofos antigos e modernos elaboraram ideias que chamaram de humanismo. Porém, no coração do humanismo, encontramos uma ambivalência, um oxímoro, explicitado na expressão “humanismo cristão”. Dito de maneira mais simples, no coração do humanismo encontramos o antigo desejo pelo amor ao conhecimento, às letras gregas e latinas, que, segundo Ernst Curtius, é um desejo só encontrado na antiguidade. O cristianismo, nos primeiros tempos do Renascimento, se embebeu das culturas gregas e romanas. No entanto, a moralidade e a ética social da Bíblia cristã não eram exatamente gregas nem latinas, pois o Deus da cristandade continuou sendo o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó e nunca foi os deuses de Aquiles, de Odisseu e de Enéas.

“Não tomar seu Santo Nome em vão” jamais seria invocado por um autor antigo da Grécia ou de Roma. Nas modernas sociedades que se vangloriam de adotar princípios ditos cristãos, seus discursos públicos podem perecer hipócritas, mas na verdade são sinceros quando adotam políticas de conquistas guerreiras e de intolerância para outras culturas e religiões.

Manifestar horror por ablações genitais, antigos costumes religiosos de culturas africanas e semitas e não se horrorizar e nem sequer protestar contra genocídios ilimitados e indiscriminados em quantidades exponenciais de seres humanos calcinados por bombas fosfóricas, é um enorme e letal oxímoro em relação ao discurso midiático piedoso- cristão com que somos bombardeados impiedosa e diuturnamente e sem quailquer possibilidade de evitá-los diante da existência de aparelhos de TV em 98% do lares do país.

*MÉDICO

PRIORIDADE À SEGURANÇA

ZERO HORA 27 de agosto de 2014 | N° 17904


EDITORIAL


O governo federal precisa assumir responsabilidades hoje restritas aos Estados, que não dispõem de recursos financeiros e tecnológicos para uma política mais efetiva de combate à violência.



Principal preocupação dos eleitores depois da saúde, a segurança pública vem merecendo destaque na campanha eleitoral, a ponto de os três principais candidatos à Presidência terem um ponto comum em seus programas: a defesa de maior responsabilidade do governo federal no combate à violência e ao tráfico de drogas. A convergência nas alternativas para enfrentar essa chaga nacional precisa levar a uma redução da sensação de insegurança e a uma maior valorização da vida dos cidadãos. A disseminação de ocorrências de assassinatos e de chacinas por diferentes Estados, que em sua maioria ficam impunes, e a recente rebelião numa penitenciária do Paraná, reiterando o colapso do sistema prisional, reafirmam o quanto a questão precisa ser atacada com atos concretos, não apenas com discursos eleitorais.

Ainda que, muitas vezes, pareça que a situação da segurança pública está fora de controle e que o país sempre foi refém da criminalidade, o fenômeno é relativamente recente. Duas décadas, porém, foram suficientes para a taxa de homicídios saltar do já elevado número de 20,2 por 100 mil habitantes para 29. Isso deixa evidente que as ações oficiais ficaram aquém das necessárias. Os brasileiros, impedidos de sair à rua sem medo, não podem aceitar como normal o fato de muitas áreas serem dominadas por narcotraficantes que, em operações frequentemente ordenadas de dentro dos presídios, controlam o direito de ir e vir dos cidadãos e banalizam crimes como o assalto à mão armada.

Nas proporções alcançadas hoje, os Estados não têm mais como arcar sozinhos com a atribuição constitucional de enfrentar o avanço da criminalidade. Uma das consequências dessa impossibilidade é o fato de o país não dispor sequer de estatísticas confiáveis em todas as unidades da federação, capazes de permitir mais eficiência e transparência no combate ao crime. Por isso, é promissor o debate entre os presidenciáveis sobre a necessidade de uma reformulação geral na política de segurança pública, o que vai exigir até mesmo mudança constitucional.

O governo federal precisa assumir responsabilidades hoje restritas aos Estados, que não dispõem de recursos financeiros e tecnológicos para uma política mais efetiva de combate à violência. O país precisa mesmo de uma ação ampla de ataque à criminalidade que perturba a vida dos cidadãos e compromete sua imagem internacional.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O Editorial dá a entender que o Governo Federal é exercido e responsabilidade apenas do Poder Executivo. É um resquício da ditadura onde o Presidente manda e todos obedecem, desprezando os papeis normativo e judiciais. Ocorre que a República do Brasil vive um Estado Democrático de Direito e o Governo Federal é representado pelos três Poderes da União - Executivo, Legislativo e Judiciário - uno e indivisíveis. Esta visão pontual e política tem sido o primeiro e maior obstáculo para a visão holística e políticas eficiente na garantia do direito da população à segurança pública. Sim. É preciso enxugar a Constituição brasileira através de uma nova assembleia constituinte exclusiva e eleita pelo povo para dar condições a elaboração de leis específicas entre elas a construção de um SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL, técnico, ágil ,independente e comprometido com a finalidade pública de prover e garantir segurança ao cidadão e coletividade, com justiça e leis coativas. Sem este sistema, o país vai continuar adotando gestão partidária e medidas políticas, eleitoreiras e midiáticas, desprezando a justiça e sem suporte nas leis. É preciso acabar a ideia de que os Poderes independentes são separados do Estado para propiciar o envolvimento de todos em gabinetes de gestão interpoderes, na União e nos Estados Federativos, extinguindo as secretarias de segurança que são elefantes brancos fazendo  gestão partidária ao invés de técnica que fomentam desvios de finalidade, conflitos institucionais, facciosismo político, animosidade no clima organizacional, discriminação nos pares, e ruídos nas ligações, processos e decisões judiciais.  

O Brasil precisa é de uma gestão interpoderes, sistêmica, técnica e judicial, como sugere o Editorial de Zero Hora de 2002 que, mesmo após 12 anos, não ecoou nos poderes e na sociedade organizada....


PISTOLAS DE GUERRA


Denarc prende suspeitos de tráfico de armas de uso restrito das Forças Armadas. Pistolas eram trazidas da fronteira com o Uruguai e destinadas à Região Metropolitana e a SC

ZERO HORA 27/08/2014 | 02h01


Quatro pistolas foram apreendidas na operaçãoFoto: Polícia Civil / Divulgação


Dois homens foram presos na noite desta terça-feira por tráfico de armas em uma operação da 3ª e 4ª delegacias de Investigações do Narcotráfico (DIN), do Denarc. Os homens seriam responsáveis por abastecer de armamento a região metropolitana de Porto Alegre, incluindo Alvorada, Gravataí e Cachoeirinha, entre outras cidades, e também Florianópolis, em Santa Catarina.

Os suspeitos foram presos na ponte do Guaíba, no limite entre Eldorado do Sul e Porto Alegre. Eles estavam em um Corsa e em um Tiida. Conforme o delegado Rafael Pereira, as armas estavam no Corsa. Nos últimos três meses, o carro teria cruzado a fronteira por pelo menos 18 vezes, segundo o delegado.

As armas apreendidas foram quatro pistolas, sendo três Glock (duas 9mm. e uma 380) e uma Cherokee 9 mm de origem israelense. As armas são de uso restrito e não podem ser adquiridas nem com porte de arma, conforme o delegado, sendo permitidas apenas para uso das Forças Armadas. Foram apreendidos ainda 11 carregadores com capacidade, alguns com capacidade para 30 tiros.

— Em cada ida para a fronteira eles traziam, em média, cinco armas. Monitoramos que eles cruzavam a fronteira de três em três dias. Cada ida não durava menos de 24 horas — explica o delegado.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

DUPLA DE ADOLESCENTES ASSALTANTES



CORREIO DO POVO 26/08/2014 16:58

 José Ody / Correio do Povo


Dupla de adolescentes assalta padaria em Erechim. Um dos jovens foi encontrado pela polícia na sala de aula



Dois menores, de 14 e 15 anos, foram apreendidos pela Brigada Militar (BM) na manhã desta terça-feira após assaltarem uma padaria no bairro Estevam Carraro, em Erechim. A BM foi acionada entre 9h30min e 10h e encontrou um dos adolescentes nas proximidades na rua Guerino Rech, onde ocorreu o crime. Ele relatou aos policiais que seu comparsa teria ido para a escola após o roubo já que estuda no período da manhã. A guarnição se deslocou até o estabelecimento de ensino e encontrou o menino na sala de aula.

Na mochila do menino, os policiais militares localizaram o dinheiro que teria sido roubado na padaria e a faca usada para intimidar as vítimas. O menor confessou o crime e informou que jogou a touca ninja usada no assalto em uma mata próxima. O acessório também foi encontrado pelos policiais. A diretora da escola, em um primeiro momento, teria relatado aos PMs que deveria se tratar de um engano, pois o adolescente seria um aluno exemplar.

Enquanto era conduzido ao hospital para exame de corpo delito, o jovem apreendido teria contado aos policiais militares que realizou o assalto com a intenção de comprar uma motocicleta. O outro menor residente em um bairro da cidade teria contado que participou do roubo para acompanhar o colega. Ambos foram apresentados na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) um acompanhado da mãe e outro com o pai, onde foi lavrado o registro e após, sob tutela de seus responsáveis, os dois foram liberados. A mãe de um dos meninos não se conformava e chorava lamentando que acreditava que o filho estivesse apenas na escola, segundo a BM.


MATADOR DOS BALA NA CARA É MORTO EM TIROTEIO COM A BM

ZERO HORA 26/08/2014 | 11h28


Willian da Silva de Mello, o Nego Blade, trocou tiros com PMs na Vila dos Sargentos, Zona Sul de Porto Alegre. Um comparsa ficou ferido. Blade era investigado por pelo menos cinco homicídios

por Eduardo Torres



Três pistolas, crack e cocaína foram apreendidos com os traficantes.Foto: Eduardo Torres / Diário Gaúcho


Uma abordagem de policiais do Serviço de Inteligência, do Comando do Policiamento da Capital (CPC), do Pelotão de Operações Epeciais (POE) e da Patamo, do 1º BPM, em um suposto ponto de tráfico na Vila dos Sargentos, Bairro Serraria, na Zona Sul de Porto Alegre, acabou em tiroteio com a morte de Willian Silva de Mello, o Nego Blade, 21 anos, na manhã desta terça-feira. Outro homem, ainda não identificado, ficou ferido e encaminhado ao HPS.

Ao chegar na casa em um beco da Rua F, os PMs teriam sido recebidos a tiros. Ferido, o comparsa de Nego Blade logo se entregou. Mas o matador, armado com duas pistolas, embrenhou-se entre os casebres da vila, chegando a manter refém por pouco tempo um casal de moradores. Na Rua R, gravemente ferido, ele se entregou.

Nego Blade era apontado pela polícia como um dos principais matadores da facção dos Bala na Cara na região dominada pelo grupo, sendo apontado como autor de pelo menos cinco homicídios. A Brigada Militar apreendeu três pistolas _ 9mm, .40 e .380 _ e uma quantidade de drogas ainda não contabilizada na casa onde a dupla traficava.

POLICIAL É RENDIDO E VIATURA DO DENARC É ROUBADA


ZERO HORA 25/08/2014 | 23h55


Policial é rendido e viatura do Denarc é roubada na Capital. Peugeot 307 preto, utilizado como viatura discreta, foi recuperado cerca de duas horas depois em Canoas


Um policial civil foi atacado por pelo menos dois assaltantes armados na zona norte da Capital, por volta das 21h30min desta segunda-feira. O Peugeot 307preto em que ele estava, utilizado como viatura discreta pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), foi levado.

De acordo com o delegado Cleomar Marangoni, titular da 4ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico (DIN), o veículo foi roubado na rua Ricalde Marquês, no bairro Jardim São Pedro. Ainda não há confirmação sobre o destino da arma do policial.

— Ainda não sei como foi a ação, porque não falei com o policial. Mas ele estava a trabalho e, na hora da abordagem, sozinho. Não ficou ferido — disse Marangoni.

Cerca de duas horas depois, os policiais encontraram o Peugeot, abandonado, no bairro Estância Velha, em Canoas. Ainda não há suspeitos e ninguém foi preso.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

HACKERS: UM NOVO ARSENAL DE GOLPES

REVISTA ISTO É N° Edição: 2335 Atualizado em 25.Ago.14 - 15:49


Cada vez mais sofisticados, crimes virtuais usam engenharia social e aproveitam vulnerabilidades em smartphones e até em redes de ar-condicionado

Lucas Bessel


Conforme-se: em algum momento da vida, você, sua família ou sua empresa serão vítimas de uma tentativa de golpe aplicada por um hacker. E isso provavelmente acontecerá mais de uma vez. Num mundo conectado em que os computadores são apenas uma das muitas portas de entrada para criminosos virtuais, as táticas usadas para subtrair dados confidenciais, roubar dinheiro ou espionar concorrentes são cada vez mais elaboradas (confira quadro). Na semana passada, especialistas baseados nos Estados Unidos descobriram que hackers já conseguem interceptar conteúdos aparentemente inofensivos – como vídeos de gatos no YouTube – para infectá-los e, em seguida, repassá-los à dona de casa inocente, ganhando acesso a dados confidenciais. O Google, dono do serviço de vídeos mais famoso do mundo, e a Microsoft, que também está suscetível, já foram comunicados e trabalham para corrigir as vulnerabilidades.



Os golpistas também se aproveitam de informações que todos nós, voluntariamente, publicamos na rede. A partir de dados disponíveis no Facebook, no LinkedIn e em outros sites do tipo, os criminosos fazem a chamada “engenharia social” e criam esquemas cada vez mais personalizados – e, consequentemente, mais efetivos. “O hacker envia um e-mail com uma suposta ordem de pagamento para um alvo específico na empresa, liga para o telefone dele, finge ser um sujeito de alto escalão e ordena que essa pessoa baixe o anexo infectado”, exemplifica André Carraretto, estrategista em segurança da informação da Symantec no Brasil.


CONFIÁVEL?
Larry Page, do Google: mesmo serviços consagrados,
como o YouTube, não estão livres de brechas para ataques

As táticas de extorsão da vida real também têm sido replicadas no ambiente virtual. Em junho, o FBI e outras agências de segurança se uniram para acabar com um programa malicioso chamado CryptoLocker, que sequestrava dados sigilosos e cobrava um resgate, pago eletronicamente, para liberá-los. “A indústria do crime virtual evolui como qualquer outra e também aperfeiçoa seus métodos”, diz Marcelo Bezerra, gerente de engenharia de segurança da Cisco da América Latina.

Nas grandes empresas, o trabalho de segurança hoje é focado na identificação imediata de invasões – com sistemas complexos que monitoram dados em tempo real –, uma vez que é impossível se livrar de todas as ameaças. Para o usuário doméstico, as recomendações são bem conhecidas: só acessar conteúdo de fontes conhecidas, manter sistema operacional e antivírus atualizados e ter muito critério com as informações publicadas em redes sociais.



Foto: Jeff Chiu/ AP Photo



SEGREDOS PROIBIDOS

REVISTA ISTO É N° Edição: 2335 Atualizado em 25.Ago.14 - 15:47


Aplicativo criado para as pessoas fazerem confissões sob anonimato se torna rede de ataques virtuais e é proibido pela Justiça. Agora o desafio é identificar os caluniadores

Paula Rocha 


Um espaço para desabafar seus desejos e opiniões mais íntimos, sem julgamento. Essa é a proposta do aplicativo Secret, espécie de rede social que permite a qualquer pessoa compartilhar segredos sem se identificar. Criado com o objetivo de ser um mural de desabafos inocentes, com confissões sobre deslizes na dieta, por exemplo, o programa rapidamente se tornou um palco virtual para ataques pessoais e revelações indiscretas. Protegidos pelo anonimato, alguns usuários estão publicando fotos íntimas ou ofensas a outras pessoas, e o caso foi parar na Justiça. Na terça-feira 19, o Poder Judiciário do Espírito Santo determinou, em decisão liminar, a retirada do Secret das lojas de aplicativos do Google e da Apple no Brasil e do Cryptic, aplicativo similar, da loja brasileira da Microsoft. A determinação, que acolhe um pedido do Ministério Público daquele Estado, se baseia no Artigo 5º da Constituição brasileira, que prevê a liberdade de expressão, mas veta o anonimato. Na quinta-feira 21, já não era mais possível baixar o Secret na Apple Store, mas o programa continuava disponível na loja do Google. A ação da Justiça capixaba, que vale para todo o Brasil, estipula um prazo de até dez dias para que as empresas acatem a decisão. Caso contrário, será cobrada uma multa de R$ 20 mil por dia.


VÍTIMA
O paulistano Lucas Ribeiro teve fotos íntimas divulgadas sem seu conhecimento

Àqueles que se sentirem ofendidos ou prejudicados por alguma postagem, advogados afirmam que é possível descobrir a identidade do autor da mensagem. “Se realmente houver crime contra a honra, quem postou poderá ser identificado e terá de responder nas esferas civil e criminal”, diz Leandro Bissoli, especialista em direito digital. Apesar de ter chegado ao País em maio, o Secret só ganhou repercussão quando vítimas passaram a procurar a polícia para denunciar as calúnias publicadas na rede social. O DJ paulistano Lucas Ribeiro é uma delas. Ele teve uma foto íntima divulgada no Secret e só soube do caso porque um amigo o avisou. Na semana passada, casos como esse fizeram do Secret o principal alvo de reclamações na Delegacia de Repressão de Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro.





O MÉDICO MONSTRO NA PRISÃO

REVISTA ISTO É N° Edição: 2335 Atualizado em 25.Ago.14 - 15:44


Como foi a captura de Roger Abdelmassih, o estuprador em série acusado de manipulação genética, que vivia luxuosamente com a mulher e os filhos no Paraguai após fugir do Brasil. Agora, as vítimas querem levar suas atrocidades ao conhecimento da ONU

Raul Montenegro


Aos 65 anos, Ricardo Galeano era um bem apessoado paraguaio nascido na cidade de Dr. Francia. Amistoso, costumava cumprimentar os vizinhos que moravam nos arredores de sua imponente residência – na rua Guido Spano, 1.976, no bairro de San Cristóbal, em Assunção – sempre que saía para caminhar ou passear com os filhos gêmeos, um menino e uma menina de 3 anos. Ele e a esposa, que contavam com os serviços de babá, empregada e chofer, frequentavam, nos finais de semana, o UvaTerra, um intimista e bem avaliado wine bar e restaurante na esquina da moradia do casal. Ricardo pagava R$ 11,3 mil pelo aluguel da mansão de dois andares no bairro de classe média alta, contribuía com R$ 500 mensais para o pagamento do salário do vigia, cuja guarita ficava em seu amplo jardim, e ostentava na garagem dois carros ano 2012: uma Mercedes E350, avaliada em R$ 135 mil, e um Kia Carnival, preço médio de R$ 110 mil. Costumava usá-los para levar os filhos à escola, a quatro quadras da casa onde morava.


COVARDIA
Preso na capital paraguaia, o estuprador condenado a 278 anos de prisão
disse ter fugido do Brasil por indicação da esposa, mãe de seus dois filhos gêmeos

Foi atrás dessa pacata rotina que o suposto paraguaio escondeu o seu passado macabro no Brasil. Ricardo Galeano era o disfarce do ex-médico Roger Abdelmassih, estuprador em série condenado a 278 anos de prisão em 2010 por violentar sexualmente 37 mulheres em sua badalada clínica de reprodução humana, em São Paulo. Foragido desde 2011, Abdelmassih escolheu o Paraguai para fugir da Justiça, exatamente como fez nos anos 60 outro médico notório pela crueldade, o nazista Josef Mengele (1911-1979), o Anjo da Morte, que manipulou geneticamente cerca de 1.500 gêmeos nos campos de concentrações alemães para criar a raça “pura”, ariana, pretendida por Adolf Hitler (leia na pág. 61). Mengele morreu no Brasil escapando de um julgamento pelos experimentos praticados por ele em seres humanos. Capturado na terça-feira 19 por policiais da Secretaria Nacional Anti Drogas do Paraguai, em conjunto com a Polícia Federal brasileira, quando buscava os filhos na escola, a versão brasileira do monstro de Auschwitz – Abdelmassih se autodenominava Deus na terra às pacientes que o procuravam para realizar o sonho de ser mãe e não tinha escrúpulos ao manipular material genetico – não deverá ter a mesma sorte.



A Justiça não se esgotou assim que o médico-monstro, cuja idade real é 70 anos, foi trancafiado, no dia seguinte à captura, no presídio paulista de Tremembé, onde ele já havia ficado detido quatro meses antes de conseguir um habeas corpus e ser solto em 2010. Sua prisão é apenas o começo de novas investigações que podem apontar para outros crimes e atrocidades. Na quarta-feira 20, cinco vítimas do estuprador do jaleco branco foram até o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde ele desembarcou vindo do Paraguai, para comemorar o seu retorno ao cumprimento da pena. As mulheres, que fazem parte de um grupo que contribuiu com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Polícia Federal com a captura de seu algoz, estão prestes a formalizar juridicamente a criação da Associação de Vítimas de Roger Abdelmassih. Elas pretendem, concluída essa etapa, condenar o ex-médico por crimes contra a humanidade na Organização das Nações Unidas (ONU). “O Roger provavelmente colocava em outras mulheres os embriões que nós produzimos e não eram utilizados na nossa fertilização. Comercializava esse material genético”, diz a artista plástica Silvia Franco, 43 anos, estuprada enquanto sedada por Abdelmassih em 1997. “Eu produzi 12 óvulos. Quatro foram fertilizados. E os outros onde foram parar? Ele usava a inteligência que tinha para o mal”, afirma a farmacêutica Nelma Luz, 50 anos. Ela deu à luz Guilherme, que nasceu com síndrome de Edward e faleceu com 86 dias de vida. O ex-médico, de acordo com ela, se recusou a realizar o PGD, exame feito em uma célula retirada do embrião que aponta a existência de doenças genéticas.



Abdelmassih terá, agora, de responder a outros 26 casos de estupro que constam em um inquérito na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher paulista. Com o processo à sua frente, a delegada responsável pelo caso, Celi Paulino Carlota, comemorou a captura. “Quero ouvi-lo, agora, antes de devolver o inquérito para o Fórum”, afirma. As histórias coletadas por ela, além de relatos de violência sexual, apontam para crimes supostamente praticados pelo ex-médico contra a Lei de Biossegurança, como a comercialização indevida de óvulos e a manipulação genética de embriões. A farmacêutica Nelma e outras três depoentes relataram ter sofrido problemas durante a gestação. “Por telefone, dois casais me disseram que, ao fazer o DNA, descobriram não ser pais dos filhos gerados com o auxílio da clínica”, diz a delegada, que vai mais longe. “Como o Roger estuprava pacientes, não é improvável que possam existir filhos dele por aí, apesar de não ter tido, até agora, nenhum relato disso.” Além da ação na ONU contra o médico-monstro, o grupo de vítimas pretende criar um banco de dados genético das ex-pacientes. Já estão, inclusive, em busca de um geneticista. “Não queremos tirar filhos de nenhuma família constituída, mas esse banco poderia ser útil caso eles queiram saber a origem deles. E também nosso material genético ajudaria caso alguém precise do nosso sangue”, diz a estilista Vanúzia Leite Lopes, 54 anos.



O grupo de vítimas foi decisivo na captura do ex-médico. Pela internet, as mulheres entraram em contato com moradores de Avaré e Jaboticabal, cidades no interior de São Paulo, onde, respectivamente, o criminoso possui uma fazenda e moram familiares de sua esposa, a ex-procuradora da República Larissa Sacco, 36 anos. Com essas pessoas, as vítimas conseguiram documentos como conversas de e-mail, boletos de transferência bancária e contas de telefone no nome de Abdelmassih, de parentes e empresas supostamente ligadas a ele. “Postamos mensagens em páginas do Facebook de qualquer um de Jaboticabal e Avaré, até salão de beleza e farmácia. Falávamos que ele era foragido e pedíamos que denunciassem. Aí começamos a receber ligações”, afirma a dona de casa Helena Leardini, que também faz parte do grupo. Ela e as amigas gastavam horas de seus dias verificando as informações que chegavam e as repassavam para uma equipe de investigadores da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, com quem conversavam várias vezes por semana.



As informações foram compartilhadas com o Ministério Público em maio deste ano. No mesmo mês, o órgão realizou uma operação na fazenda de Avaré e localizou documentos, fotos e números de telefones que apontaram que o estuprador estaria vivendo na capital paraguaia. O material encontrado indicou que pessoas próximas a Abdelmassih e sua mulher – familiares, amigos e funcionários – atuavam numa suposta rede de lavagem de dinheiro construída para financiar a família no Exterior. Monitorando os envolvidos por meio de grampos telefônicos e investigações in loco, as autoridades descobriram que o foragido estava em Assunção. A partir dessa fase, entrou em cena a Polícia Federal, que no país vizinho agiu em conjunto com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai para cravar a localização exata do foragido.



A polícia sabia que o criminoso colocaria seus filhos numa escola bilíngue e provavelmente escolheria uma das instituições mais caras da cidade, de acordo com o padrão de vida elevado com o qual estava acostumado em São Paulo. Com essa e outras informações em mãos, os investigadores percorreram as creches que se encaixavam no perfil com uma história de cobertura: um policial paraguaio disfarçado de cliente perguntava à direção se ela estava acostumada a cuidar de crianças gêmeas, e se a escola via problemas em educar estrangeiros. No local onde estudaram os filhos do estuprador, um funcionário mordeu a isca e revelou que lá havia alunos com essas características. Daí em diante, foi fácil constatar que o pai dos gêmeos e o médico procurado eram a mesma pessoa. A prisão foi efetuada uma semana depois, após ele deixar as crianças na escola.

Ao desembarcar algemado no Brasil, Abdelmassih revelou, em entrevista a uma rádio, detalhes da sua fuga. De acordo com ele, foi guiando em direção a Avaré que ele soube do pedido de prisão, decretado em 2011. Ela ocorreu porque o condenado tentou renovar o passaporte. “Eles (a Justiça e o Ministério Público) achavam que eu ia fugir. Mas eu não ia. Ia passear”, disse. Antes de ir para o Paraguai, o ex-médico decidiu seguir para Presidente Prudente, também no interior paulista, onde se refugiou no haras da irmã. Passou, ainda, por Jaboticabal antes de se dirigir para Assunção. A polícia acredita que o criminoso atravessou a fronteira entre Foz de Iguaçu e Ciudad del Este para chegar lá.


MARTÍRIO
O filho de Nelma nasceu com síndrome de Edward e morreu 86 dias depois.
Um exame, preterido por Abdelmassih, poderia ter detectado a doença genética

Abdelmassih também afirmou que morava há três anos e meio no país vizinho e que a ideia de fugir foi de Larissa. “Eu achava melhor me entregar. Minha mulher disse: ‘Não, vamos embora’.” A capital paraguaia foi escolhida pela proximidade, mas o destino final, relatou a policiais já depois da captura, era o Líbano ou a Itália. O plano não foi adiante porque faltaram recursos e ele não conseguiu a documentação necessária. A criminóloga e escritora Ilana Casoy explica que a falta de escrúpulos de Abdelmassih não ocorre apenas no âmbito sexual. “Ele não tem a linha divisória moral e sexual de escrúpulo. É um inescrupuloso que não vê problema onde todos veem.” Agora suas dezenas de vítimas terão a chance de assistir à justiça ser feita.

Fotos: AFP/Senad; Claudio Gatti/Ag. Istoé; Reprodução vídeo, Reprodução; Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai