SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

LUANA NÃO ESTÁ ESPERNEANDO

O SUL Porto Alegre, Terça-feira, 30 de Setembro de 2014.



WANDERLEY SOARES


Ex-aluna do curso de escrivã reafirma ter sofrido bullying na Academia da Polícia Civil


Sobre o seu desligamento do curso de escrivã da Academia de Polícia Civil, tema abordado aqui da minha torre no domingo, recebi de Luana Michels, filha do secretário da Segurança Pública do RS, Airton Michels, e-mail que transcrevo em sua íntegra: "Gostaria de lhe esclarecer que não estou ?esperneando'. A expressão latina ?jus esperniandi' significa reclamar, quando não há mais nada a fazer. Não é o meu caso, pois ainda tenho possibilidade de interposição de recursos, administrativo e judicial. O que causa estranheza, é que o procedimento de desligamento da Acadepol é sigiloso e, ainda, não havia sequer sido publicado no DOE [Diário Oficial do Estado], quando lançada na mídia a notícia sobre a exclusão da ?filha do secretário de Segurança Pública', inclusive, informando sobre outros 26 desligamentos, igualmente sigilosos. Daí, é possível concluir que a notícia partiu da própria Instituição Sindicante, não de mim. Se me manifestei na rádio e na TV, é porque fui chamada a me defender após noticiado meu desligamento. E o que disse e reafirmo é que sofri bullying e assédio moral, enquanto aluna, e que, se há perseguição política, deve ser apurada. Não afirmei que há"

Feita a transcrição da mensagem e sem escapulir do tema, até em atenção especial à provocação da mensagem de Luana, como de costume, faço meu pedido: sigam-me


Conselho


Independente dos desdobramentos que possa ter nos campos administrativo e jurídico este episódio, aponto que o comportamento de Luana como aluna da Academia da Polícia Civil, bem como seus antecedentes, até mesmo como advogada, passaram pelo crivo do CSP (Conselho Superior de Polícia) onde foram analisados sem qualquer tipo de pressão. Concluída a análise, a decisão pelo desligamento de Luana teve votação unânime naquele Conselho.


Latrocínio


A polícia investiga o assassinato de servidora do Tribunal de Justiça morta na frente de seu filho de 10 anos durante assalto na Zona Norte de Porto Alegre. O crime ocorreu na quinta-feira passada quando Arlete Lilge, 49 anos, chegava em casa a pé, na avenida Brasil quase esquina com a Pernambuco. Ela morreu na sexta-feira no Hospital Cristo Redentor. Arlete Lilge teve a bolsa roubada por um casal e foi esfaqueada.


Polícia Comunitária


O governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança Pública, implantará a Polícia Comunitária em Alvorada. O ato que marca o início do programa na cidade será realizado hoje, às 10h30min, na Praça Principal (avenida Presidente Getúlio Vargas, 2266). O governador em exercício, desembargador José Aquino Flôres de Camargo, e o titular da pasta da Segurança, Airton Michels, participam do ato. Essa iniciativa bem que poderia se estender até Serafina Correa, Nordeste do Estado, onde bandidos se deram ao luxo de assaltar o posto da Brigada Militar no início da madrugada de domingo

ROTINA DE ASSALTOS EM BAIRRO DE POA

ZH 29/09/2014 | 15h35


Assaltantes levam R$135 mil de comerciantes do Bairro Medianeira em seis semanas. Na manhã desta segunda-feira, roubaram R$35 mil de um empresário que estava a caminho do banco para fazer um depósito



Por volta das 9h50min desta segunda-feira, o dono de um supermercado da Travessa Viamão, no bairro Medianeira, em Porto Alegre, estava a caminho do banco para depositar R$ 35 mil quando foi abordado por uma dupla de assaltantes que levaram o dinheiro e títulos bancários. A quantia é a menor da série de assaltos que a 2ª Delegacia de Polícia Civil investiga na região: em 15 de setembro, foram levados R$ 60 mil do Super Três, e no dia 18 de agosto, R$ 40 mil do Mercado Maccari.


A vítima do assalto desta segunda-feira conta que estava na Rua Antônio Divan, dirigindo a caminho do banco, quando o carro da frente parou e dois homens desceram do veículo e o abordaram. Após o assalto, os títulos que estavam junto com o dinheiro foram jogados em frente ao mercado.

– É um pessoal que tem assaltado bastante na região. É sempre na segunda-feira e é quase semanalmente, sei de pelo menos 10 casos. É sempre a mesma dupla, com o mesmo jeito de agir – conta o empresário, que pediu para não ser identificado.

O delegado da 2ª DP, Cesar Carrion, disse que a polícia tem conhecimento de três casos. Eles estão sendo investigados.

– São supermercados próximos e eles abordam sempre da mesma maneira. Parece que os assaltantes têm informações privilegiadas, porque é sempre a caminho do depósito de quantias muito grandes – explica Carrion.

O delegado ainda informou que não há suspeitos, mas que a polícia trabalha para reunir provas e chegar aos assaltantes. *Zero Hora

MIL HOMICÍDIOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE POA

DIÁRIO GAÚCHO 30/09/2014 | 07h26


Trágico recorde: Região Metropolitana chega aos mil homicídios. Marca chegou quase dois meses antes dos anos anteriores



Foto: Omar Freitas / Agencia RBS



EDUARDO TORRES



Este é o mais violento dos últimos quatro anos na Região Metropolitana. No domingo, mais um dado corroborou a essa triste constatação. Desde o começo de 2014, conforme o levantamento do Diário Gaúcho, mil pessoas já foram assassinadas na região. Desde que o levantamento foi iniciado, em 2011, jamais a marca havia sido atingida antes de novembro. Em relação ao mesmo período de 2013, houve um aumento de 18,4% nos assassinatos neste mesmo período do ano.

As autoridades atribuem a maior parte dos crimes a confrontos do tráfico. Porém, há um "efeito colateral" nessa estatística. Pelo menos um terço das vítimas, não tinham antecedentes criminais. O DG conta histórias de antigos moradores que viram a comunidade ser tomada pelo crime e, tentando contrariar essa rotina, acabaram mortos.

Morto por fazer o que é certo

Voltar a morar no Bairro Passo das Pedras, na Zona Norte da Capital, era como reencontrar a infância para o policial militar aposentado Luis Carlos Gregório. Aos 58 anos, em julho ele saiu de Guaíba e foi morar sozinho em uma casa no fundo de um terreno da Avenida 10 de Maio. Um mês depois, apareceu morto e enterrado no Parque Chico Mendes, Bairro Mario Quintana. O inquérito ainda é apurado pela polícia, sem suspeitos, mas a motivação é conhecida: Luis Carlos foi morto como represália de traficantes.

É isso que ainda deixa perplexa a cozinheira de 31 anos, filha do policial aposentado, que prefere não ser identificada.

- Como pode alguém ser morto porque, de algum jeito, cumpriu o seu dever de cidadão? - questiona.

Cerca de uma semana antes de ser morto, Luis Carlos não teve dúvida sobre o que fazer quando encontrou uma mochila carregada de drogas e armas jogada no pátio da sua casa. Entregou tudo no posto mais próximo do 20º BPM. Era o que o dever de quem foi policial militar ativo até 1995 - quando foi aposentado por um problema médico na perna - mandaria fazer. Segundo a filha, no entanto, ninguém na polícia teria alertado ao PM aposentado sobre o risco que corria com tal atitude naquele bairro.

- Acho que ele foi pego desprevenido, porque era um cara brincalhão, que sempre se deu bem com tudo que era vizinho - acredita a cozinheira.

O corpo de Luis Carlos foi encontrado no dia 11 de agosto, uma segunda-feira após o Dia dos Pais. Na véspera, a filha ainda tentou ligar para o celular do pai para homenageá-lo, mas ele não atendeu. Não se preocupou, já que uns dias antes o pai havia inclusive dormido na casa dela. Ela não sabia que na quinta-feira, dia 7, uma tia do policial aposentado que morava próximo a ele havia registrado o seu desaparecimento. Segundo a apuração da 3ª DHPP, criminosos teriam invadido a casa do policial aposentado e o arrancado de lá.

Foi só quando os policiais ligaram que a filha teve noção sobre até que ponto a violência dos traficantes locais poderia chegar. O pai havia sido encontrado morto com três tiros na cabeça antes de ter o corpo enterrado.

Segundo ela, desde que voltou ao Passo das Pedras, Luis Carlos estava lidando com um terreno estranho. Bem diferente daquele que viveu quando criança.

- Ele vivia dizendo que não era mais a mesma coisa, que agora estava cheio de marginal nas ruas. Mas a gente nunca imagina que alguma coisa de ruim vai acontecer. Ele estava até construindo uma casinha nova no terreno - diz a filha.

Conforme o levantamento do Diário Gaúcho, desde o começo do ano pelo menos seis pessoas foram mortas no bairro. Em apenas um caso as disputas entre criminosos, ou a relação com o tráfico, não era o pano de fundo do crime.


Canoas controlada, Vale do Sinos em explosão

No universo das 10 cidades mais violentas da Região Metropolitana, de acordo com o levantamento de assassinatos do Diário Gaúcho, apenas Canoas contraria a tendência de alta nos homicídios este ano. Na cidade, 84 pessoas foram mortas desde o começo de 2014, um índice 7,6% inferior ao que era registrado no mesmo período do ano passado. Para o delegado Marco Guns, este é o primeiro passo, de estabilização dos crimes, do trabalho feito pela Delegacia de Homicídios da cidade.

Desde o começo do ano, a especializada tem feito ações conjuntas de combate ao tráfico e aos homicídios. E isso já rendeu pelo menos três grandes apreensões de drogas.Por outro lado, no Vale do Sinos está a maior explosão dos assassinatos no ano. São Leopoldo e Sapiranga registram mais do que o dobro de homicídios que era observado no final de setembro do ano passado. E, em Novo Hamburgo, a alta é de 20%. Enquanto em São Leopoldo há conflito abertos pelo domínio de pontos de tráfico antes dominados pela facção dos Manos, em Sapiranga o que acontece, de acordo com o delegado Ernesto Clasen, é um respingo disso.

- A questão das drogas, inevitavelmente, chegou ao nosso município. Boa parte dos crimes estão diretamente ligados às dinâmicas das quadrilhas que atuam em Novo Hamburgo e São Leopoldo - acredita.

Segundo ele, pelo menos 12 dos 18 homicídios registrados na cidade este ano já estão solucionados.

Discutiu com traficantes e pagou com a vida

Nem os mais de 40 anos como morador da região conhecida como Buraco Quente, na Vila Cruzeiro, Bairro Santa Tereza, foram suficientes para poupar a vida do aposentado José Derci Rodrigues, 66 anos, da violência dos traficantes que recentemente dividiram a região em territórios dominados por eles. Inconformado com o domínio imposto pelos bandidos, no começo de agosto o aposentado se desentendeu com um dos chefões da vila. E pagou com a vida.

No dia 13 de agosto, a casa onde ele criava duas netas, na Rua Dona Zaida, foi invadida e José Derci foi executado a tiros. Os bandidos, cientes do silêncio da vizinhança, saíram caminhando dali. O motivo da discussão do idoso com a quadrilha ainda é investigado pela polícia. E pelo menos um suspeito de ser mandante do crime já está preso.

Ainda assim, nem mesmo os familiares do aposentado se arriscam a falar sobre o caso. É que os soldados da quadrilha, em guerra com os Bala de Goma, continuam circulando e impondo o terror entre as ruas Dona Zaida, Rio Branco e São Cristiano.

Uma das primeiras famílias a chegar na região, ainda nos anos 1970, José Derci e os irmãos são reféns dessa geografia forçada pelas armas e drogas. Quem mora em uma rua, não pode circular por outra, sob pena de ser encarada como "dedo-duro".

- Já fazia bastante tempo que eu não via ele, porque eu não posso ir lá na Dona Zaida. Cada vez que escuto uma sirene ou uma correria para aquele lado, ainda me apavoro, mas vamos fazer o que? O melhor é ficar quieto - conta uma familiar do aposentado, que prefere não ser identificada.

Mesmo depois da morte do idoso, os traficantes continuaram fazendo questão de mostrar quem manda no local. A casa onde José Derci foi morto já foi invadida por eles duas vezes. Nos dois casos, a Brigada Militar conseguiu expulsá-los. Mas quem vai ter coragem de morar ali depois disso?

Ao contrário, enquanto a polícia contabiliza pelo menos 11 mortes relacionadas ao tráfico em apenas um ano nos arredores do Buraco Quente, quase diariamente são vistos os caminhões de mudança saindo dali com moradores em absoluto silêncio.



DIÁRIO GAÚCHO

A OFENSIVA DO CRIME

 
 
ZH 30 de setembro de 2014 | N° 17938

EDITORIAIS


Criminosos que atacam populações indefesas, incendiando ônibus e desafiando policiais, precisam ser enfrentados com rapidez e rigor.

Os atentados registrados nos últimos dias colocam novamente o Estado de Santa Catarina em alerta. Depois dos fatos ocorridos em 2012 e em 2013, quando facções criminosas comandadas de dentro dos presídios orquestraram os crimes e levaram insegurança à população, a nova onda de ataques exige uma reação à altura por parte dos organismos de segurança. A rápida mobilização estatal, que reuniu a cúpula da segurança pública na sala de situação da Polícia Militar logo após os primeiros casos, é um indicativo importante de que o Estado está ciente da necessidade de uma ação enérgica, efetiva e absolutamente permanente para estancar de imediato qualquer ofensiva intimidatória do crime organizado.

Investigações preliminares, amparadas pelo trabalho dos setores de inteligência, apontam para ataques a mando da facção do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), que estaria novamente em ação por vingança a mortes de criminosos em confrontos com a polícia. Também não está descartado que os episódios estejam relacionados com uma guerra de forças entre integrantes do PGC e do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, pelo controle de negócios ilícitos, inclusive o tráfico de drogas em Santa Catarina. Mais um motivo para que sejam enfrentadas questões como superlotação de presídios. E, ao mesmo tempo, para que o aparato estatal reforce não só a força-tarefa atual, mas tenha instrumentos cada vez mais eficientes, como os ligados a serviços de inteligência, para afastar a possibilidade de repetição das ocorrências. Afinal, os delinquentes agem contando com a omissão e a falta de ações preventivas por parte do poder público.

Assim como costuma ocorrer em outros pontos do país, hoje o alvo são os catarinenses, mas esse tipo de ação encontra caminho fácil para se transferir para outros Estados. Por isso, de imediato, é importante identificar as origens e as razões dos atentados, para que haja condições de puni-los de imediato. Mas é preciso acima de tudo que episódios desse tipo impliquem uma ofensiva de impacto equivalente à dos criminosos por parte das autoridades, até essas facções serem realmente desmanteladas.

Criminosos que atacam populações indefesas, incendiando ônibus e desafiando policiais, precisam ser enfrentados com rapidez e rigor. Nessa guerra, quem precisa vencer são a sociedade e as instituições destinadas a defendê-la.

NOVOS ATAQUES CONTRA ÔNIBUS E POLÍCIA EM SANTA CATARINA

ZERO HORA Atualizada em 30/09/2014 | 11h48


Novos ataques são registrados a ônibus e bases da polícia em Santa Catarina. Manhã começou com tiros a base da PM e veículo incendiado em Florianópolis

por Mariana Della Justina e Guto Kuerten




Bombeiros combatem as chamas de ônibus no bairro Tapera, em Florianópolis Foto: Guto Kuerten / Agência RBS
Novos ataques foram registrados em Santa Catarina nesta terça-feira. Depois de uma casa de um policial ser alvejada no início da madrugada no Sul de SC, ônibus foram incendiados em Tijucas e uma base da Polícia Militar foi atacada no Campeche, em Florianópolis. Por volta das 7h20min, um outro ônibus foi incendiado na Tapera, também na capital catarinense. Os bombeiros atendem a ocorrência e a fumaça pode ser vista à distância.

::: Disparos contra casa de PM em Chapecó tem relação com ataques
::: Mulheres atropeladas em Florianópolis continuam no hospital
::: Sindicato orienta trabalhadores a não circularem após as 18h30min


Fumaça do ônibus da Tapera podia ser vista do Aeroporto Hercílio Luz
Foto: Twitter @Arcanjo_01 / Reprodução

As informações iniciais apontam que dois homens em uma moto CG preta foram responsáveis por colocar fogo no veículo. O cobrador estava sozinho preparando o coletivo para sair quando percebeu a ação de dois homens. Por desconfiar da situação, quebrou um vidro do ônibus e saiu para se proteger. Além dos bombeiros, o helicóptero Águia 2, da PM, também atua na ocorrência.



No Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina, 14 disparos de arma de fogo de 9 milímetros atingiram uma base da PM por volta das 6h20min desta terça-feira. Apenas um policial estava no local e ele não ficou ferido, pois se protegeu em uma parede. Duas guarnições estão em busca de suspeitos, que estavam em uma motocicleta Biz preta. Eles pararam para disparar no local e um dos tiros chegou a atingir a sala do capitão da base.


Catorze tiros atingiram base da PM no Campeche, em Florianópolis
Foto: Guto Kuerten, Agência RBS

Em Tijucas, na Grande Florianópolis, cinco ônibus foram incendiados em um pátio escolar por volta das 3h. O caso ainda está sendo investigado pela polícia, e ainda não se sabe se há relação do caso com os atentados.



Movimento era tranquilo no Ticen por volta das 6h desta terça-feira
Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

Ônibus voltaram a circular por volta das 6h na Grande Florianópolis

Os ônibus utilizados para transporte coletivo em Florianópolis voltaram a circular por volta das 6h desta terça-feira. A maioria dos veículos deixou as garagens em comboios até os terminais de integração. Como a circulação começou um pouco mais tarde, devem ocorrer atrasos dos horários das linhas da capital catarinense, principalmente nas que saem dos bairros. A fiscalização do Ticen informa que os horários devem ser restabelecidos por volta das 10h.

Por medidas de segurança, nenhuma linha do transporte coletivo urbano na Grande Florianópolis funcionou durante a madrugada. Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana da Capital, os veículos deixaram de sair dos terminais à meia-noite.


Agente penitenciário aposentado é morto a tiros em Criciúma, Sul de SC. Vítima levou três tiros, sendo um na cabeça e dois nas costas


Agente foi morto na frente de casa, no Bairro Santa Augusta. Foto: Caio Marcelo / Agencia RBS


Um agente penitenciário aposentado foi morto na noite desta segunda-feira em Criciúma, Sul de Santa Catarina. A vítima é Luís Carlos Dallagnol e foi morta com três tiros por volta das 22h, sendo um na cabeça e dois nas costas, conforme informações da Polícia Civil local.

De acordo com o secretário da Justiça e Cidadania, Sady Beck Júnior, ainda não se sabe se a morte está relacionada aos atentados, pois Dalagnol atualmente não estava na ativa.

Dalagnol trabalhou no Presídio de Santa Augusta, tinha 37 anos de serviço no sistema prisional e estava aposentado havia dois anos. O agente foi morto na frente de casa, no Bairro Santa Augusta.

Ele estaria fechando o portão quando levou os tiros. Segundo o delegado Vitor Bianco Júnior, da Divisão de Investigações Criminais (DIC), a filha estava dentro de casa e escutou os disparos. Ao sair, ela encontrou o corpo do pai morto.

O delegado não descarta que o crime esteja ligado aos atentados e vai investigar essa suspeita.


FURTO DE RODAS SE MULTIPLICAM EM POA

ZH 29/09/2014 | 22h46


Em bairros centrais da Capital, crime se tornou mais frequente nas últimas semanas

por Bruna Vargas



Na Rua Felipe Camarão, ladrões levaram menos de cinco minutos para furtar as quatro rodas do carro Foto: Felipe Daroit / Rádio Gaúcha


Uma cena desconcertante surpreendeu pelo menos três donos de carros em bairros centrais de Porto Alegre nas duas últimas semanas: encontrar seu veículo no local onde foi estacionado, mas sem as rodas, parece ter se tornado quadro frequente na Capital.

No dia 19 de setembro, dois ladrões levaram menos de cinco minutos para tirar as quatro rodas de um carro na Rua Felipe Camarão, no bairro Bom Fim. A ação rápida foi gravada pelas câmeras de segurança de uma loja próxima ao local do furto. O dono do carro, Maurício Dorneles, foi avisado do crime pela Brigada Militar.

Já na semana passada foi o economista Filipe Grisa quem flagrou dois ladrões tirando os pneus de seu carro na Lobo da Costa, na Cidade Baixa, na noite de quarta-feira. Ele tinha estacionado por pouco mais de uma hora próximo à Rua General Lima e Silva para ir à casa da namorada. O susto dos bandidos com a chegada do dono do carro salvou dois pneus.

Filipe teve as rodas do carro furtadas na Rua Lobo da Costa
Foto: Filipe Grisa, arquivo pessoal

— Eram dois homens. Quando eles me viram, saíram correndo e entraram em um Celta preto. Os pneus que sobraram já estavam soltos, só faltava puxar — lembra.

Já a publicitária Renata Denz não teve tanta... Sorte? Ela deparou com seu Chevrolet Agile sem nenhuma das rodas na quinta-feira. Tinha deixado o carro na Rua Quintino Bocaiúva, no bairro Moinhos de Vento, para encontrar uma amiga.

Renata encontrou o carro sem as quatro rodas na Rua Quintino Bocaiúva
Foto: Elisa Celia, arquivo pessoal

— Sempre coloco (o carro) em estacionamento, mas naquele dia vi a vaga ali, a rua movimentada e pensei: "dei sorte". Deixei o carro por volta das 20h40min, e quando voltei, pelas 22h20min, reparei que ele estava muito baixo. Tinha um tijolinho e um macaco do lado — conta.

Apesar da aparente multiplicação dos casos em pouco tempo, delegados de duas das três regiões onde ocorreram os furtos recentemente não consideram que há um aumento desse tipo de ocorrência na Capital. Eles destacam que esse tipo de crime sempre existiu, e sua frequência é variável.

Já para Abílio Pereira, responsável pela 10ª Delegacia de Polícia (DP), que cobre os bairros Bom Fim, Santana e Rio Branco, a sensação é de que os casos estão mais frequentes nos últimos 90 dias:

— Só neste fim de semana, tivemos mais quatro ocorrências. Nesta região, a demanda com certeza é a droga. Na maioria dos casos são usuários de drogas, ladrões avulsos, que furtam e vendem por qualquer meia dúzia. Hoje (segunda), pegamos um completamente chapado tentando furtar um pneu perto da delegacia — relata Pereira.

O delegado admite, contudo, que também há quadrilhas que praticam esse tipo de ação. Titular da Delegacia de Furto e Roubo de Veículos de Porto Alegre, Juliano Ferreira conta que uma delas está sendo investigada há cerca de cinco meses, mas não seria a responsável pelos casos relatados nesta reportagem.

— Isso aí (o furto de rodas) é uma febre. Não são casos isolados, infelizmente. A sensação que nós temos é de que há um grande número de ocorrências. Quando se verifica que há uma quadrilha atuando, nós investigamos. Há uma que estamos acompanhando, que atua em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Mas, a princípio, não tem relação (com os casos).


Não há estatísticas específicas para o furto de rodas de veículos na Polícia Civil. A ação entra em uma categoria maior: "furto em veículo", que pode incluir quaisquer objetos do carro, desde uma bolsa, passando pelo rádio até as rodas (menos o step, também discriminado em uma categoria específica). Segundo os dados divulgados pela polícia, os furtos em veículos diminuíram no primeiro semestre de 2014 em relação a 2013: de 2.925, caíram para 2.876 os casos em Porto Alegre.

COM ARMA E EXPLOSIVOS FALSOS, HOMEM FAZ REFÉM E ESVAZIA HOTEL



ZH 30 de setembro de 2014 | N° 17938


GUILHERME MAZUI | Brasília



TUMULTO EM BRASÍLIA. Com arma e explosivos falsos, homem faz refém e esvazia hotel. Durou sete horas a ação do sequestrador que manteve um funcionário do Saint Peter sob a mira de um revólver e ameaçou explodir local. Entre as exigências, a extradição de Cesare Battisti


Um sequestro obrigou a Polícia Civil a esvaziar um hotel da área central de Brasília, durante parte do dia de ontem. Foram sete horas de tensão até que Jac Souza dos Santos se entregou à polícia, por volta das 16h, e libertou o refém José Ailton, 49 anos, sem ferimentos.

Às 9h, o sequestrador fez refém um mensageiro do Saint Peter Hotel, anunciou o ataque terrorista e ameaçou explodir o local. Ele obrigou Ailton a usar um colete que supostamente continha dinamite. No decorrer das negociações, os policiais chegaram a informar que o material seria suficiente para destruir parte do prédio. À tarde, porém, a polícia revelou que a arma era de brinquedo e os cilindros amarrados à cintura do refém não continham material explosivo.

Segundo o comandante do Esquadrão de Bombas da Polícia Militar do Distrito Federal, capitão Lúcio Flávio Teixeira Júnior, tratava-se de canos de PVC recheados com uma mistura de massa epoxi, serragem e terra.

Conforme o delegado Paulo Henrique Almeida, diretor de comunicação da Polícia Civil do Distrito Federal, o sequestrador em nenhum momento pediu dinheiro. Exigia a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa e a extradição do italiano Cesare Battisti, além da reforma da política. Após o fim do sequestro, Santos entregou um CD com áudio, pediu desculpas e disse que o gigante – no caso, o Brasil – precisa acordar.

Durante a negociação, com a presença de especialista em bombas, o Saint Peter foi evacuado, teve o sinal de TV cortado e atiradores de elite foram posicionados em prédios próximos. Por volta das 16h, o sequestrador apareceu na sacada do quarto ao lado do refém, que não utilizava mais o colete e, em seguida, foi levado à 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte.

Conforme o delegado Almeida, Santos foi preso em flagrante e autuado por sequestro agravado, com pena de até oito anos:

– O agravante é pela pressão moral que a vítima sofreu, porque ela achava que seria alvejada ou explodida a qualquer momento.

ADVOGADO DIZ QUE SANTOS QUERIA CHAMAR ATENÇÃO

Santos deverá ser levado hoje para o Departamento de Polícia Especializada e, depois, será encaminhado até o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.

O sequestrador tem 30 anos, foi candidato a vereador pelo PP na cidade de Combinado, interior de Tocantins, onde também exerceu o cargo de secretário de Agricultura da cidade. Santos tem uma fazenda avaliada em R$ 600 mil. Alaides Alves, tia do sequestrador, disse que o sobrinho discordava da política no Brasil e, em janeiro, havia informado a família que “eles teriam uma surpresa”:

– Ele queria consertar a política.

Segundo o advogado do sequestrador, Carlos André do Nascimento, Santos teria acordado disposto a fazer algo que chamasse atenção, mas não pensava em ferir ninguém:

– Ele disse que está insatisfeito com a política, que está incomodado com os candidatos ficha suja. Já acordou disposto a fazer algo que chamasse atenção.

Segundo o advogado, Santos teria abordado, primeiro, uma camareira, porém a libertou e escolheu outra vítima, o mensageiro Ailton, que teria condições de suportar a pressão do episódio.

A defesa também informou que, conforme relatos de familiares, Santos sofre de algum transtorno e já teria tentado suicídio. A defesa aguarda laudos para justificar que Santos não responderia por seus atos.


CRONOLOGIA
-Em janeiro, Jac Souza dos Santos afirmou para familiares que ele teria “uma surpresa” em breve.
-No último dia 19, ele gravou um CD com mensagens nas quais pedia desculpas pelos transtornos que iria causar e lembrou que era hora do “gigante acordar”.
-Na última sexta, 26, Santos escreveu três cartas de despedida, nas quais falava que a “tempestade” iria passar. Espalhou as cópias pela casa de parentes no Tocantins.
-No sábado, Santos seguiu de carro até Brasília. Hospedou-se no Saint Peter por volta das 6h de ontem.
-Com uma arma de brinquedo, ele fez refém um funcionário. Os dois seguiram para o 13º andar. A Polícia Civil foi avisada por volta das 9h.
-O mensageiro foi algemado e recebeu um colete, que estaria carregado com explosivos. Mais tarde, a polícia informou que se tratava de canos de PVC.
-O Saint Peter foi evacuado, assim como um prédio dos Correios, em frente. A polícia isolou uma área de cem metros no entorno do hotel.
-Três negociadores passaram o dia em tratativas com Santos, que transitava entre os quartos 1.308 e 1.309. De tempos em tempos, ele ia até a sacada com a arma apontada para o refém.
-Cerca de 150 agentes participaram da operação, a maior parte da Polícia Civil. Polícia Federal, Abin, Ministério da Justiça e Polícia Militar também auxiliaram. Atiradores de elite chegaram a ser posicionados.
-Por volta das 16h15min, Santos liberou o refém e se entregou.
O HOTEL
-O Saint Peter Hotel é um colosso formado por 424 apartamentos, encravado na área central de Brasília. Com localização nobre, fica no meio do setor hoteleiro, a cerca de 10 minutos da Praça dos Três Poderes. Por fora, é um paredão retangular com varandas voltadas para a Esplanada.
-O quatro estrelas pertenceu ao ex- deputado mineiro Sérgio Naya, cassado e preso após o desabamento do Palace 2, em 1998, no Rio. Naya morreu em 2009.
-No ano passado, o hotel ganhou mídia por oferecer emprego ao ex- ministro José Dirceu (PT-SP), condenado no processo do mensalão.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SERVIDORA DO TJ É MORTA NA FRENTE DO FILHO DURANTE ASSALTO


CLIC RBS, CASO DE POLÍCIA 29 de setembro de 2014 


CID MARTINS



Polícia investiga morte de servidora do TJ na frente do filho durante assalto em Porto Alegre

A 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre está investigando o assassinato de uma servidora do Tribunal de Justiça (TJ) na frente do filho de dez anos durante assalto na zona norte da cidade. O fato ocorreu na quinta-feira da semana passada quando Arlete Lilge, 49 anos, chegava em casa a pé na avenida Brasil quase esquina com a Pernambuco. Ela faleceu um dia depois, na sexta-feira à noite, no hospital Cristo Redentor.

Assalto

Arlete, que estava com uma bolsa, caminhava com o filho pela calçada e era seguida por um casal. A mulher teria repassado algum objeto para o homem e este se aproximou das vítimas, dando um golpe de faca na altura de uma das costelas da servidora. Logo depois ele pediu a bolsa e ela teria levantado o braço para entregar, no entanto, o criminoso desferiu mais dois golpes e fugiu. A bolsa foi levada. O próprio filho acudiu a mãe e pediu socorro para demais moradores do prédio, já que eles estavam em frente à residência.

Arlete foi socorrida e encaminhada para o hospital pelo Samu. Mas um dia depois, na sexta-feira à noite, não resistiu aos ferimentos e morreu. Os golpes atingiram o coração e o pulmão. O velório foi neste domingo, com a presença do presidente do TJ/RS, desembargador José Aquino Flôres de Camargo. A 4ª DP informou que a investigação está avançada e que já tem suspeitos do latrocínio, matar para roubar.

Arlete Lilge foi assassinada na zona norte com golpes de faca por causa de uma bolsa / Foto: Reprodução Facebook

Nova residência

Arlete morou praticamente toda a vida em Canoas, mas no último mês, devido ao trânsito e à proximidade da escola dos filhos, estava residindo em um apartamento na zona norte da capital. Ela, que era natural de São Lourenço do Sul e trabalhava no Departamento de Biblioteca e Jurisprudência do TJ, deixou marido e dois filhos, o de dez anos que estava junto com ela no momento do crime, e outro de 14 anos. A irmã dela, que mora no Maranhão, estava em Porto Alegre para passarem juntas os aniversários de ambas. O de Arlete no dia 2 de setembro e o da irmã amanhã, terça-feira (30).

A DENÚNCIA DE LUANA

O SUL Porto Alegre, Domingo, 28 de Setembro de 2014.




O direito de espernear não deixa de ser uma das delícias da democracia


O desligamento da aluna Luana Michels da Acadepol (Academia da Polícia Civil do RS), onde frequentava o curso de escrivã, poderia ser parte da rotina daquele órgão, até porque outros 26 alunos também foram desligados por diferentes motivos. Todos os não resignados com a decisão tinham e têm o direito de buscar na Justiça a revogação do ato da direção da Academia. No entanto, Luana, antes de apelar para o remédio jurídico, ao ser abordada pela mídia, disse ter "certeza absoluta" de estar sendo vítima de perseguição política cujo objetivo é o de atingir seu pai, Airton Michels, Secretário da Segurança do RS. Tal afirmação se reveste da maior gravidade, pois envolveria um complô interno na Polícia Civil contra o titular da pasta da Segurança, que é promotor de Justiça, exatamente na área de formação de novos policiais. Sobre o inusitado momento peço: sigam-me.


Poeira


Pelo exposto, o desligamento de Luana mereceria apenas um registro simples na mídia somente pelo fato de ser ela filha de secretário de Estado. Nada mais do que isso. No entanto, ela mesma - Luana - gerou um fato político ao apontar que o alvo maior da perseguição seria seu pai, que é o chefe de toda a segurança pública do Estado. Isso não é pouca coisa. Essa afirmação, se idônea, deveria - certamente não vai acontecer - gerar, no mínimo, uma sindicância da Corregedoria da Polícia Civil junto à Acadepol ou até algum procedimento do Ministério Público. No entanto, se vale um pouco da poeira das estradas que percorri até chegar à minha torre, Luana ficará com o direito de espernear


Bala na cara


Considerado um dos líderes da chamada quadrilha Bala na cara, Luís Fernando da Silva Soares Júnior foi solto, sexta-feira, pela Justiça, por falta de provas. Ele estava detido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas desde 30 de julho, quando foi abordado pela Polícia Federal tendo em seu poder 20 kg de pasta-base de cocaína. Conforme a Brigada Militar, Júnior também é acusado de estar por trás de pelo menos seis crimes de homicídio.


Assassinatos


Duas pessoas foram mortas a tiros, na noite de sexta-feira, em Sapucaia do Sul. Um adolescente de 15 anos morreu ao ser alvejado quando saía da escola na rua Jorge Assun. Antes, no final da tarde, outro homem foi morto no bairro Cantão.

GRANDE FLORIANÓPOLIS DE NOVO REFÉM DO TERROR

ZERO HORA  29/09/2014


Grande Florianópolis sofre novos ataques na noite deste domingo. Ônibus incendiado em Florianópolis, micro-ônibus é alvo de coquetel molotov em Tijucas e base da PM no bairro Aririú, em Palhoça, é alvejada de balas



Ônibus da empresa Insular foi incendiado no bairro Saco dos Limões, na noite de domingo Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS


Três novos ataques foram registrados pela Polícia Militar neste domingo na Grande Florianópolis. Um ônibus da Insular foi incendiado no Saco dos Limões, na Capital, às 23h10. Algumas horas antes, dois homens jogaram um coquetel molotov dentro de um micro-ônibus em Tijucas. A base da PM no bairro Aririú, em Palhoça, também foi atacada e foi alvo de pelo menos três tiros. Já são 10 ocorrências de atentados na Grande Florianópolis desde sexta-feira. A PM ainda não confirmou se todos os casos estão relacionados.


Mais um ônibus foi incendiado na Grande Florianópolis neste domingo. O veículo incendiado estava na rua Jerônimo José Dias, bairro Saco dos Limões, próximo ao túnel. Segundo moradores, o veículo era da empresa Insular e estava indo em direção ao Centro, quando foi atacado às 23h10. Uma passageira, além do motorista e do cobrador, estavam no ônibus no momento do atentado. Os bandidos roubaram os três antes de atearem fogo.

Oito bombeiros do Batalhão do Centro de Florianópolis, com o auxílio de um caminhão, combateram as chamas. O fogo foi logo controlado após sua chegada, por volta das 23h30min. De acordo com eles, nenhuma das pessoas que estava no veículo se feriu.

Um micro-ônibus que estava estacionado na rua Alagoas, no bairro Universitário de Tijucas também foi alvo de bandidos neste domingo. A ocorrência foi às 21h30. Os Bombeiros do município informaram que moradores do bairro conseguiram controlar o princípio de incêndio. As duas pessoas fugiram em uma moto, que foi abandonada em uma avenida próxima, e depois seguiram de carro. A PM chegou a perseguir o carro, mas não conseguiu interceptar os fugitivos. No local do incêndio ficaram alguns pertences, como mochilas e materiais usados na ação.


O outro ataque foi na base da PM no bairro Aririú, em Palhoça, que foi alvo de três tiros por volta das 21h46 deste domingo. De acordo com a polícia, os autores dos disparos fugiram do local. Nenhum oficial estava de plantão no momento do atentado. Moradores ouviram os tiros e avisaram a polícia. Durante os atentados de 2012, a mesma base sofreu um ataque semelhante.

Polícia está em alerta

Após os ataques dos últimos dias, a PM redobrou a atenção para as ocorrências e intensificou as barreiras. O policiamento nas garagens do transporte coletivo também foi reforçado e os ônibus da noite terão acompanhamento da polícia. A PM também orienta que os postos não vendam combustível em garrafas ou outros tipos de vasilhames.

Cronologia dos crimes

Sexta-feira (26):

- 23h - Um ônibus da empresa Jotur foi incendiado na rua Germano Sprícigo, no bairro Caminho Novo, em Palhoça. Cerca de 20 passageiros estavam no veículo. Os criminosos mandaram que todos descessem e com um galão de gasolina colocaram fogo no ônibus. De acordo com a polícia, os criminosos disseram ao passageiros que o ataque foi feito pelo Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

- 23h - Dois homens assaltaram um coletivo na avenida Santa Catarina, bairro Bela Vista, em São José. Os assaltantes levaram todo o dinheiro do caixa. Em seguida, tentaram atear fogo no veículo da empresa Biguaçu, linha Bela Vista, mas a própria população apagou o incêndio.

Domingo (28):

- 1h - Dois homens em uma motocicleta atiraram um coquetel molotov na bomba de combustível do Posto Cambirela, em Palhoça. O fogo foi apagado por um vigilante.

- 2h40min - A casa de um policial militar, no bairro Serraria, em São José, foi atingida por três disparos. Dois tiros atingiram a janela de um quarto e um quebrou outra janela. Os disparos teriam sido efetuados por dois homens de moto que conseguiram fugir.

- 2h45min - A guarita do depósito da Polícia Civil foi atingida por três disparos no bairro Areias, em São José. Segundo uma testemunha, os tiros foram dados por dois homens, que fugiram de moto.

- 3h15min - Dois homens atiraram quatro vezes contra a casa de um PM no bairro Serraria, em São José. O carro do agente foi atingido por três tiros. Ele estava em horário de serviço na hora do atentado.

- 7h15min - Um ônibus pegou fogo na avenida das Margaridas, bairro Serraria, em São José. Não houve feridos. De acordo com a Polícia Militar, 10 homens seriam responsáveis pelo ataque.

- 21h30min - Bandidos tentam atear fogo em micro-ônibus que estava estacionado na rua Alagoas, em Tijucas. Moradores da região controlaram o princípio de incêndio.

- 21h46 - Base da PM no bairro Aririú, em Palhoça, é alvo de disparos. Criminosos fugiram do local. Ninguém ficou ferido.

- 23h10 - Ônibus da empresa Insular é incendiado no Saco dos Limões, em Florianópolis.


VIOLÊNCIA DOS BANDIDOS CONTRA POLICIAIS E JUÍZES CHEGOU A RORAIMA

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 28/09/2014


PF faz operação contra quadrilha de SP que agora age no Norte do país. Como aconteceu em SP, violência dos bandidos contra policiais e juízes chegou a Roraima. Chegada da facção aumentou tráfico de drogas e roubos.






A Polícia Federal fez uma operação contra a quadrilha que age dentro e fora dos presídios paulistas. E o que chama a atenção é que os criminosos presos estavam bem longe de São Paulo. Essa quadrilha, que rouba, mata, ameaça juízes e policiais, tenta agora agir também no Norte do Brasil.

Ladrões, traficantes, assassinos. Todos presos. O que não impede que, de dentro da cadeia, um criminoso mande matar policiais.

Gongo: O negócio vai ficar tenebroso na cidade para os policiais, entendeu?
Comparsa: Está de boa. Eu quero mesmo é brincar.

Quem manda matar é Anderson Mafra, 29 anos. Apelido: Gongo. Condenado a 20 anos por tráfico de drogas, ele está preso em uma cadeia de Boa Vista, a capital de Roraima. “É para passar fogo mesmo, derrubar. Menos 10, 20. Quem tiver na rua, de esquina aí”, diz.

Gongo fala igual aos chefes da quadrilha que age dentro e fora dos presídios paulistas. Segundo as investigações, a facção criminosa de São Paulo abriu uma filial no Norte do país.

“De 2013 para cá, se iniciou com dois membros. Hoje a gente tem identificado, em conjunto com a Polícia Federal, 95 membros batizados, com matrícula da facção criminosa”, afirma o promotor de Justiça Marco Antônio Azeredo.

A Polícia Federal diz que o sequestrador Ozélio de Oliveira, o Sumô, é o responsável pela organização da quadrilha em Roraima.

“O Ozélio, a ideia era doutrinar, espalhar a doutrina dessa organização criminosa no estado e recrutar pessoas para a organização criminosa”, explica o delegado da Polícia Federal Agostinho Cascardo Júnior.

Ozélio, o Sumô, está preso em Piraquara, no Paraná, condenado a mais de 200 anos por vários crimes. Um deles é o sequestro de Wellington Camargo, irmão de Zezé di Camargo e Luciano, em 1998.

Em um telefonema, Sumô fala com presos de Boa Vista sobre a importância de Roraima na expansão dos negócios ilegais. “Venezuela, Suriname, Guiana Inglesa e Francesa fazem divisa com Roraima. É um estado favorável mesmo para esses países vizinhos, a gente estar interagindo, entendeu, meus irmãos”, diz ele em uma escuta telefônica.

Segundo os promotores, com a chegada da facção criminosa a Roraima, aumentaram o tráfico de drogas e os roubos. O que chamou atenção da polícia é que muitos assaltos aconteciam bem próximos de uma agência bancária. Como os investigadores interceptaram os telefonemas da quadrilha, eles descobriram que um funcionário do banco avisava os criminosos quando algum cliente sacava o dinheiro e saia da agência.

O funcionário foi identificado e preso: é Fabrício Ribeiro. Em uma conversa, ele avisa o comparsa e uma mulher é assaltada na sequência.

Fabrício: Fica ai. Está saindo aí.
Comparsa: Ela?
Fabrício: É.

Em depoimento, o funcionário do banco confessou os crimes. Assim como aconteceu em São Paulo, a violência dos bandidos contra policiais e juízes também chegou a Roraima. Durante as investigações, a Polícia Federal e o Ministério Público descobriram que a organização criminosa pretendia matar uma juíza que trabalha no Fórum de Boa Vista. O motivo da ameaça? A transferência de um preso para o RDD, um sistema mais rígido de prisão.

“Eu não digo que eu seja rigorosa, mas eu tenho que cumprir o que a lei penal estabelece”, afirma a juíza da Vara de Execuções Penais Graciete Sotto Mayor Ribeiro.

Segundo as investigações, o preso que conspirou contra a juíza Graciete Sotto Mayor Ribeiro é Anderson Mafra, o Gongo, o mesmo que o Fantástico mostrou mandando matar policiais, no início da reportagem. A ameaça apareceu em uma conversa entre Gongo e a mulher dele. A mulher queria pedir à juíza que o marido não fosse para o sistema rígido de prisão.

Mulher: Eu vou para a juíza agora. Está ouvindo?
Gongo: Não vá com essa mulher, não. Que eu estou irado com essa mulher. Não vá com essa mulher não que eu estou a fim de matar ela.

Mês passado, a polícia encontrou dentro de uma cadeia de Roraima um ‘salve geral’. Na mensagem, os chefes da quadrilha dizem que ‘o comando não deixará de graça a injustiça feita com os irmãos’ e que ‘sangue se paga com sangue’. Também há uma lista com os nomes de sete pessoas juradas de morte. Uma delas é a juíza Graciete. “Eu não vou mudar o procedimento, nada. Eu não tenho que mudar minha decisão de acordo com fulano ou com Beltrano”, completa a juíza.

Em 2003, em Presidente Prudente, interior de São Paulo, o juiz corregedor dos presídios Antônio José Machado Dias foi executado pouco depois de sair do Fórum. Um dos condenados por esse crime é Marcos Herbas Camacho, o Marcola, o chefe da quadrilha.

Em Boa Vista, a Polícia Federal e os promotores que combatem o crime organizado fizeram recentemente uma operação contra a quadrilha que atua dentro das penitenciárias. Ao todo, 17 pessoas foram presas.

As cadeias passaram por uma revista e os presos tiveram que escrever frases em um papel. Algo simples, mas muito importante. “O objetivo é comparar esse material gráfico com os documentos apreendidos para saber quem foi o autor das ameaças”, afirma o delegado da Polícia Federal Agostinho Cascardo Júnior.

“A gente tem tudo para cortar o mal pela raiz, eu tenho que continuar fazendo o meu trabalho da melhor forma possível”, diz Graciete Sotto Mayor Ribeiro.

domingo, 28 de setembro de 2014

ATAQUE A CARRO-FORTE ROMPE TRÉGUA DE QUATRO ANOS EM POA




DIÁRIO GAÚCHO, 27/09/2014 | 05h53

José Luís Costa

Ataque a carro-forte no Bom Fim rompe trégua de quatro anos em Porto Alegre. Curiosamente, um dos últimos casos foi no estacionamento do supermercado Zaffari da Avenida Getúlio Vargas



Havia pelo menos quatro anos não ocorria ataque a vigilantes de carro-forte em área urbana e com intensa circulação de pessoas, em Porto Alegre. Curiosamente, um dos últimos casos foi no estacionamento do supermercado Zaffari da Avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, em circunstâncias semelhantes ao ocorrido na sexta, inclusive deixando um segurança ferido sem gravidade.

Na manhã de 7 de junho de 2010, quatro bandidos encapuzados e armados com pistolas esperaram os vigilantes da empresa Nordeste chegarem para abastecer caixas eletrônicos e roubaram um malote. Houve troca de tiros, gritaria e confusão entre clientes do supermercado. A quadrilha fugiu em um Astra, abandonado logo em seguida, na Rua Gonçalves Dias.


Câmeras identificaram bandidos que atacaram carro-forte na sexta

O carro era roubado e tinha placas falsas. Dentro do veículo, sujo de sangue, foram deixados um balde de miguelitos (pregos retorcidos usados para furar pneus), toucas ninja e um radiocomunicador.


Câmeras identificaram com nitidez pelo menos um dos bandidos que atacaram carro-forte na sexta


"Assaltantes foram surpreendidos por ação dos vigias"

Coincidência ou não, no final da tarde daquele 7 de junho na ERS-115, 10 homens em dois carros interceptaram a tiros um carro-forte da Brinks, matando o segurança Giovani da Fontoura Fagundes, 34 anos. O bando foi perseguido por policiais militares e fugiu sem roubar nada. Agentes da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões ainda não sabem qual quadrilha invadiu o Zaffari na manhã de sexta-feira, mas acham pouco provável que sejam os mesmos bandidos que atuam nas estradas.

Inicialmente, a estratégia para identificar os ladrões são análises de imagens de câmeras de segurança e comparações de impressões digitais deixadas pelos bandidos no estacionamento do supermercado e no carro abandonado pelo bando, na Rua Tomaz Flores.


Em 2014, o último ataque no Estado havia ocorrido em 6 de junho, na ERS-400, no limite entre Candelária e Passa Sete, no Vale do Rio Pardo. Os bandidos chegaram a tirar da estrada um blindado da Proforte. Mas, em tiroteio com policiais civis, um assaltante foi preso e outros três mortos, entre eles Carlos Ivan Fischer, o Teco, 47 anos, um dos ladrões mais conhecidos da polícia gaúcha.






















sábado, 27 de setembro de 2014

O CARRO FORTE E O CIDADÃO COMUM

O SUL Porto Alegre, Sábado, 27 de Setembro de 2014.


WANDERLEY SOARES


Um dos mais tradicionais bairros de Porto Alegre viveu uma manhã de primavera com fogo cruzado


Mais de cem tiros foram disparados durante tentativa de roubo do dinheiro carregado por um carro-forte que abasteceria caixas eletrônicos no supermercado Zaffari da rua Fernandes Vieira, no bairro Bom Fim, na Capital, na manhã de ontem. Um vigilante da empresa Prosegur foi atingido por dois disparos, mas passa bem. Os criminosos, pelo menos seis homens que usavam toucas-ninja, começaram a atirar no momento da chegada do carro-forte ao estacionamento do supermercado. Lojas foram destruídas, mas os bandidos fugiram sem levar o dinheiro


O delegado Abílio Andreoli Pereira, com uma bagagem de 36 anos no exercício dos mais diversos postos na linha de frente da Polícia Civil, afirmou que nunca "viu coisa igual". Aqui de minha torre, lembro que Abílio, num de seus enfrentamentos com a bandidagem foi baleado, ainda jovem, e quase perdeu uma das mãos. Mesmo assim, o veterano policial foi surpreendido com o episódio ocorrido num dos bairros mais tradicionais de Porto Alegre


Os assaltantes, armados com fuzis e pistolas, ao realizarem um ataque desta dimensão, tinham, pelo menos, a certeza de que não encontrariam, naquele momento, a ronda do policiamento ostensivo na área. Não há dúvida de que houve planejamento para isso. Eles foram repelidos pelos vigilantes da Prosegur que faziam a guarnição do carro-forte. Tal ação bandida projeta o tipo de segurança que o cidadão comum tem ao transitar pelas ruas da Capital


Central


O governo do Estado dará continuidade na próxima segunda-feira à retirada dos detentos do Presídio Central. A decisão foi tomada em reunião realizada ontem, no Palácio Piratini, do governador em exercício, desembargador José Aquino Flôres de Camargo, e o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, com juízes da Vara de Execuções Penais

LUGAR ERRADO PARA A REAÇÃO


ZH 27 de setembro de 2014 | N° 17935


SUA SEGURANÇA - HUMBERTO TREZZI




Os vigilantes que reagiram aos quadrilheiros no assalto ao carro-forte no bairro Bom Fim agiram heroicamente? Sim, sob um ponto de vista. Eram três a se defender contra quase meia dúzia de bandidos e não tiveram medo de enfrentar o perigo. Salvaram o dinheiro que seria levado pelos criminosos.

O problema é o lugar escolhido para a pequena batalha. O guerreiro mais capaz é aquele que escolhe o campo de luta. Confrontos, ensinam as academias policiais, devem ser travados em lugar despovoado e sempre em superioridade numérica. É claro que nem sempre se pode escolher. Mas, no caso específico, talvez fosse possível evitar o tiroteio. Afinal, o Bom Fim é um bairro de elevada densidade populacional de Porto Alegre. E se uma bala perdida atingisse um transeunte? Segundo a Polícia Civil, foram feitos mais de cem disparos por bandidos e vigilantes.

Em julho de 2007, a universitária Cristiana Cupini, 22 anos, foi morta na troca de tiros entre vigilantes e bandidos que assaltavam um blindado de pagamento bancário na Avenida Assis Brasil. Outras seis pessoas ficaram feridas. Reagir em uma metrópole é diferente de travar combate em uma estrada descampada. Alguém lembra: faz parte do treino dos vigilantes reagir. Faz, mas uma das diferenças entre homens e cães de guarda é saber parar, no momento da reação. Menos mal que não houve tragédia.

Não se trata de crítica ao fato de vigilantes se defenderem. O problema é a intensa fuzilaria em um local fechado, frequentado por milhares de pessoas, em horário comercial. Talvez seja o caso de estudar horários alternativos para entrega de dinheiro por carros-fortes.

CAMPO DE BATALHA URBANO



ZH 27 de setembro de 2014 | N° 17935


MAURICIO TONETTO E CARLOS WAGNER


ATAQUE A CARRO-FORTE


Mais de cem tiros foram trocados entre bandidos e funcionários da Prosegur que impediram a tentativa de roubo ao dinheiro que abasteceria caixas eletrônicos no estacionamento do Zaffari do bairro Bom Fim, na Capital. No confronto, na manhã de ontem, um vigilante ficou ferido.

O estacionamento do supermercado Zaffari do Bom Fim, um dos bairros mais tradicionais da Capital, transformou-se em campo de batalha ontem após troca de mais de cem tiros entre assaltantes e vigilantes. Por volta das 8h45min, três homens encapuzados e armados com pistolas (carregadas com pentes de balas) e fuzis atiraram em funcionários da Prosegur, que desembarcaram de um carro-forte para abastecer os caixas eletrônicos do estabelecimento.

Segundo a Polícia Civil, a reação surpreendeu a quadrilha, que não conseguiu levar o dinheiro e fugiu minutos depois em um Focus prata, estacionado no local com mais dois comparsas. Eles deixaram o veículo na Rua Tomaz Flores e partiram em outro automóvel em direção à rodoviária. Um segurança foi ferido no joelho e no pé e não corre risco de vida. A mulher dele disse a ZH que Jeferson Conrad, 28 anos, ficou em choque e se escondeu para não morrer. Para o delegado Abílio Pereira, da 10ª Delegacia de Polícia, o ataque partiu de um grupo especializado, que estudou o movimento do Zaffari e da região:

– Com certeza se trata de uma quadrilha organizada, que parte para um assalto desses com a intenção de matar quem estiver pela frente. Graças ao trabalho dos vigilantes, não houve mortes e eles não conseguiram levar a quantia.

Algumas pessoas que chegavam para fazer compras no supermercado e sacar dinheiro nos caixas ficaram desesperadas em meio ao fogo cruzado. O aposentado Carlos Brasil, 75 anos, procurava a lotérica para apostar na Mega-Sena:

– Era tiro para tudo quanto é lado, e me joguei num canto. Foi uma gritaria, latas caindo e vidros sendo estourados.

Imagens das câmeras de monitoramento do supermercado flagraram o tiroteio e foram enviadas ontem para o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Uma câmera instalada na Rua Tomaz Flores gravou a fisionomia de pelo menos um assaltante. O titular da Delegacia de Roubos do Deic, Joel Wagner, ainda não identificou o bando:

– Escolheram o momento em que a segurança estaria vulnerável, que é quando os vigilantes saem do carro-forte carregando dinheiro. Só posso concluir que estamos tratando com bandidos que sabem o que estão fazendo.

No piso do estacionamento do Zaffari, projéteis de fuzis e estilhaços de vidro davam a dimensão do confronto.

– Eles foram extremamente violentos. Entraram para matar – disse o tenente Leandro Flores, do 9º BPM.





ZH 27 de setembro de 2014 | N° 17935


SUA SEGURANÇA - HUMBERTO TREZZI

Lugar errado para a reação



Os vigilantes que reagiram aos quadrilheiros no assalto ao carro-forte no bairro Bom Fim agiram heroicamente? Sim, sob um ponto de vista. Eram três a se defender contra quase meia dúzia de bandidos e não tiveram medo de enfrentar o perigo. Salvaram o dinheiro que seria levado pelos criminosos. O problema é o lugar escolhido para a pequena batalha. O guerreiro mais capaz é aquele que escolhe o campo de luta. Confrontos, ensinam as academias policiais, devem ser travados em lugar despovoado e sempre em superioridade numérica. É claro que nem sempre se pode escolher. Mas, no caso específico, talvez fosse possível evitar o tiroteio. Afinal, o Bom Fim é um bairro de elevada densidade populacional de Porto Alegre. E se uma bala perdida atingisse um transeunte? Segundo a Polícia Civil, foram feitos mais de cem disparos por bandidos e vigilantes. Em julho de 2007, a universitária Cristiana Cupini, 22 anos, foi morta na troca de tiros entre vigilantes e bandidos que assaltavam um blindado de pagamento bancário na Avenida Assis Brasil. Outras seis pessoas ficaram feridas. Reagir em uma metrópole é diferente de travar combate em uma estrada descampada. Alguém lembra: faz parte do treino dos vigilantes reagir. Faz, mas uma das diferenças entre homens e cães de guarda é saber parar, no momento da reação. Menos mal que não houve tragédia.

Não se trata de crítica ao fato de vigilantes se defenderem. O problema é a intensa fuzilaria em um local fechado, frequentado por milhares de pessoas, em horário comercial. Talvez seja o caso de estudar horários alternativos para entrega de dinheiro por carros-fortes.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

TIROTEIO CAUSA PÂNICO EM BAIRRO DE PORTO ALEGRE

CORREIO DO POVO 26/09/2014 12:57


Tiroteio causa pânico no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Criminosos balearam vigilante em tentativa de assalto a carro-forte




Criminosos balearam vigilante em tentativa de roubar malotes dentro de mercado
Crédito: André Ávila


O tiroteio que ocorreu na manhã desta sexta-feira no estacionamento do Zaffari causou pânico entre os frequentadores do supermercado e moradores do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Uma psicopedagoga de 30 anos, moradora da região, contou que estava em casa, com a família, quando ouviu barulho de tiro. "Parecia metralhadora", relatou. "Quando eu desci, eles já estavam retirando uma funcionário da Prosegur com a perna estancada", acrescentou.

O titular da Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegado Joel Wagner, confirmou, em coletiva, que foram dezenas de disparos. Wagner informou que quatro criminosos - armados com duas pistolas, dois fuzis e usando máscaras cirúrgicas - ingressaram no primeiro piso do estacionamento e atiraram contra três vigilantes da empresa Prosegur que transportavam malotes para abastecer quatro terminais bancários que ficam no segundo andar do prédio.

"Três vigilantes desceram, o motorista permaneceu no caminhão (carro-forte) e, quando eles ingressaram no estacionamento e ficaram de frente para a porta que dá acesso aos caixas eletrônicos, já foram recebidos a tiros", relatou o delegado. "Os vigilantes revidaram e inclusive recarregaram as armas", contou Wagner. "Como os bandidos viram que a situação estava fora de controle, decidiram abortar a missão", completou o delegado.

Joel Wagner informou que a polícia vai analisar imagens de câmeras de segurança do local e do entorno para tentar precisar quantas pessoas participaram efetivamente da ação e identificar os criminosos. A polícia também vai checar em hospitais se ocorreu a entrada de algum homem baleado, já que o tiroteio foi intenso e os criminosos podem ter se ferido.

Segundo a Polícia Civil, a troca de tiros ocorreu a uma distância de cerca de dez metros. Um vigilante foi atingido no joelho e no pé. Embora a informação inicial, da Brigada Militar, fosse de que a tentativa de assalto era a uma lotérica, localizada no segundo andar, o delegado afirmou que o objetivo do grupo era roubar o carro-forte.

Um assaltante ficou esperando num Focus, de cor prata, que foi roubado em Canoas este mês. O grupo - que fugiu pela contramão da rua Fernandes Vieira - abandonou o veículo na rua Tomaz Flores. Os criminosos teriam trocado o Focus por um Space Fox preto.

EM BUSCA DA COR LILÁS

O SUL. Porto Alegre, Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014.




Por enquanto, a segurança pública do RS permanece no vermelho


Leio em nossa mídia que somados os assassinatos registrados este ano em Caxias do Sul, Santa Maria, Pelotas e Rio Grande o total chega a 207 casos.


Em Santa Maria, 41 contra 40 em todo o ano passado; em Caxias do Sul, 66 até ontem. No entanto, no caso de Caxias houve queda, já que no período janeiro-setembro de 2013 foram 78 mortos. Em Pelotas foram registraram-se 59 homicídios até agora e em todo o ano passado chegaram a 63; em Rio Grande, a média é de um homicídio a cada três dias. Foram 41 assassinatos até agora, neste ano, contra 38 em todo o ano de 2013. Segundo as minhas leituras, estes números são procedentes dos próprios organismos policiais que, como se sabe, têm baixíssima margem de erro. Este é um rápido quadro do interior do Estado de onde, sem raridade, são retirados policiais para reforçaram o policiamento de Porto Alegre. Na Região Metropolitana, em relação aos homicídios, a Secretaria da Segurança Pública ainda não conseguiu a plenitude da cor lilás, que é uma das preferidas da política da segurança transversal


Rede do crime


A Polícia Civil prendeu dez pessoas, ontem, em operação contra roubo e furto de cargas na Região Metropolitana de Porto Alegre. De acordo com o delegado Luciano Peringer, as investigações começaram em fevereiro deste ano. O grupo agia como se fosse uma rede, distribuindo funções entre os integrantes. Uma parte efetuava o furto ou roubo das cargas e dos caminhões, outra extorquia os proprietários e a terceira negociava as cargas e as peças depois do desmanche dos veículos


Mortandade


A disputa entre quadrilhas de tráfico de drogas no Vale dos Sinos terminou, ontem, com três mortes no bairro Santa Marta, em São Leopoldo


Cadeirante


O dono de um minimercado foi morto em um assalto na noite de quarta-feira em Gravataí. Clóvis Aguiar, 48 anos, foi atingido com um tiro após dois bandidos assaltarem o seu estabelecimento. Aguiar era cadeirante


Mulheres delegadas


A chamada primeira edição da "Mostra de Inovações Práticas das Delegadas de Polícia Civil do Estado" sob a coordenação da delegada Anita Maria Klein da Silva, ocorrida ontem no auditório da Escola Superior da Magistratura, em Porto Alegre, teve a presença, entre outras personalidades, do presidente da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS) Wilson Muller Rodrigues e da vice-presidente da entidade, Nadine Anflor. Segundo Muller, "trata-se de uma elogiável iniciativa da Polícia Civil, pois o empoderamento das mulheres é uma saudável realidade em todas as atividades públicas e privadas". A Asdep colaborou na divulgação do evento.

CONFRONTO ENTRE BANDIDOS E BM TERMINA EM MORTES E PRISÕES



ZH 26 de setembro de 2014 | N° 17934

EDUARDO TORRES


VIOLÊNCIA SÃO LEOPOLDO
. A disputa entre quadrilhas de tráfico de drogas no Vale do Sinos teve três mortes na madrugada de ontem, na Vila Santa Marta, em São Leopoldo.

Uma Kombi branca circulava com um grupo armado pelas ruas de chão batido da vila, pouco depois das 22h. A Brigada Militar (BM) já havia recebido informação de que integrantes de uma facção criminosa andavam pelo local à procura do grupo rival para vingar a morte de um comparsa, e chegara mais cedo à vila. Houve troca de tiros e cerco a um matagal.

– Era um “bonde”, como os criminosos chamam, com a missão de tomar o controle da região e vingar um homicídio – disse o capitão Luciano Veríssimo, do Comando de Policiamento Regional, do Vale do Sinos.

A situação se acalmou, mas, por volta das 4h, houve novo tiroteio entre policiais do Pelotão de Operações Especiais e criminosos. Dois suspeitos foram mortos e, outros dois, presos.

Desde a noite de quarta, quatro pessoas foram presas e três assassinadas. Foram apreendidas uma espingarda calibre 12, quatro pistolas e dois revólveres.

O conflito teria se iniciado na noite de quarta, quando a BM foi chamada até a vila para atender a um homicídio. Moisés Lottermann Barbosa, 27 anos, foi morto a tiros. Conhecido como MC Moisés, ele era atuante na comunidade e, de acordo com a polícia, não tinha antecedentes criminais. A Delegacia de Homicídios local não descarta, porém, o envolvimento de traficantes no assassinato. O crime, supõe a BM, teria provocado reação de criminosos que atuam no bairro Campina, vizinho à Vila Santa Marta, supostamente ligados à facção dos Manos. De lá, teria partido a Kombi branca com os homens armados.

– A ordem para invadir a vila partiu da cadeia. Nós agimos para evitar uma violência ainda maior – disse o capitão.

Segundo Veríssimo, os criminosos tinham “autorização” para uma chacina de traficantes locais. A polícia investiga se há relação direta entre a invasão e o assassinato anterior, de Barbosa.

NOITE DE TERROR
-Moisés Lottermann Barbosa, 27 anos, foi morto a tiros por volta das 22h de quarta-feira, na Rua Timbaúva. Ele seria rapper e não tinha antecedentes criminais.
-Pouco tempo depois, a Brigada Militar (BM) prendeu, na Rua Jacarandá, César Adão Nunes, 22 anos, com um revólver calibre 38. Com antecedentes por furto, ele foi apontado pelos policiais como suspeito do homicídio.
-Uma Kombi branca, ocupada por ao menos seis homens fortemente armados, foi interceptada pela BM na Rua dos Eucaliptos, entrada da vila. Dois foram presos com uma espingarda calibre 12 e duas pistolas 9mm. Outros quatro fugiram para o mato.
-Já eram 4h quando os PMs, depois de um cerco, encontraram o restante do grupo e houve novo confronto. Um menor de 15 anos, e Ederson Michael da Rosa Cardoso, 20 anos, morreram no tiroteio. Outros dois suspeitos foram presos com uma pistola .380 e um revólver calibre 38.

ERA TUDO FINGIMENTO



 


ZH 26 de setembro de 2014 | N° 17934

JOSÉ LUÍS COSTA


AO SER INTERCEPTADO em blitz na madrugada de 16 de setembro, homem saiu correndo do carro, gritando que estava sendo assaltado



Ele surgiu diante de policiais e câmera de TV como refém de um sequestro relâmpago salvo de bandidos em uma blitz, mas virou suspeito de ser comparsa dos bandidos.

Essa insólita história envolve um homem de 36 anos – o nome dele não foi divulgado – que tentou enganar as autoridades e pode ser indiciado como autor de seis crimes.

O “resgate do refém” ocorreu quando ele dirigia seu Tiida pela Avenida Goethe, em Porto Alegre, na madrugada de 16 de setembro e foi parado por agentes de trânsito que atuam na Operação Balada Segura. Assim que estacionou, o motorista saltou correndo do carro aos gritos de socorro, alegando que estava sendo assaltado.

De pistolas em punhos, policiais militares que atuam nas blitze imobilizaram três jovens de 14, 15 e 17 anos que estavam no veículo com um revólver de brinquedo. O trio aparentava estar drogado. E a vítima atormentada “por quatro horas em poder dos bandidos”.

Todos foram levados para o Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Na delegacia, a suposta vítima deu o primeiro sinal de que não era tão inocente assim. Sumiu da delegacia sem ser notada, impedindo que o flagrante fosse registrado. Os jovens acabaram sendo liberados.

FAMÍLIA JÁ TERIA TENTADO INTERDITAR O HOMEM

A partir daí, a farsa começou a ser desmontada. Em depoimentos, dias depois, o trio contou que conhecia o homem, morador de um bairro de classe média alta na zona norte de Porto Alegre, e que naquela noite se encontaram para consumir drogas. Foram várias vezes a vilas comprar cocaína e depois rodavam pela cidade, procurando uma vítima para assaltar, quando depararam com a blitz.

Procurado pela polícia, o homem não foi mais encontrado.

– Ele foi intimado, mas não apareceu para depor. Desligou o celular e sumiu do apartamento – afirma o delegado Raul Vier, da Delegacia da Criança e do Adolescente Infrator do Deca.

Conforme o delegado, o homem é uma espécie de playboy. Pertence a uma família de classe média alta, mora sozinho, não estuda e não trabalha e tem antecedentes policiais por posse e tráfico de drogas. Já foi internado em clínicas de reabilitação, e os parentes já teriam tentado interditá-lo judiciamente por ele não estar apto a gerir seus bens.

Os três adolescentes vão responder a procedimento infracional por associação criminosa. Um deles acabou apreendido dias depois por roubar um celular. O homem deverá ser indiciado por corrupção de menores, tráfico de drogas privilegiado (oferecer droga a conhecidos), falsa comunicação de crime, denunciação caluniosa (gerando abertura de inquérito policial desnecessário), desobediência e associação criminosa.

TRAFICANTE É EXECUTADO COM MAIS DE 40 TIROS

DIÁRIO GAÚCHO 25/09/2014 | 20h27

Traficante é executado em bar na Zona Norte de Porto Alegre. Junto com Darci Devertino Bugmaer, 46 anos, foi morto um rapaz de 28 anos. Peritos contabilizaram mais de 40 tiros no bar onde estavam as vítimas, no Bairro Jardim Itu Sabará



Grupo atirou mais de 40 vezes contra as vítimas Foto: Eduardo Torres / Diário Gaúcho


Eduardo Torres



Dois homens foram mortos a tiros no meio da tarde desta quinta-feira, no Bairro Jardim Itu Sabará, Zona Norte de Porto Alegre. Entre as vítimas está o homem apontado pela polícia como líder do tráfico na região.

Darci Devertino da Fé Bugmaer, 46 anos, bebia em um bar na esquina do Beco Adolfo Silva quando quatro homens desceram atirando de um carro escuro. Darci ainda foi levado ao Hospital Cristo Redentor, mas não resistiu aos ferimentos.

Em meio aos tiros, Jéferson Luz da Luz, 28 anos, que também estaria no bar, ainda tentou fugir e se esconder no pátio de uma casa, mas foi executado. Conforme a Brigada Militar, outras duas pessoas teriam sido baleadas, mas nenhum ferido chegou aos hospitais da Capital até o momento.

Testemunhas afirmam que eles usavam até mesmo uma metralhadora. Os peritos recolheram no local mais de 30 estojos de 9mm e outros 10 de .40. De acordo com a delegada Jeiselaure Souza, da 5ª DHPP, o crime é resultado de um confronto entre grupos rivais que tentam dominar o tráfico na região.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

INSEGURANÇA NA RODOVIA DO PARQUE

RELATO VIA FACEBOOK


Heloisa Spader - 15 de setembro às 08:01


RODOVIA DO PARQUE - SEXTA FEIRA


Sexta feira, 18:00, retornando de Porto Alegre, pelo lado direito da pista da 448, logo após a ponte estaiada, atiraram uma enorme pedra no para brisa. O que salvou de um mal maior, foi o espelho retrovisor, pois a mesma bateu justamente nele, que foi projetado para dentro da camionete, batendo no Vitor. Ligamos para a polícia rodoviária, 191, e ao relatarmos o problema, a mesma desligou o telefone. Sábado, liguei para a Polícia Rodoviária de São Leopoldo, falei com o Sr. Vanderlei, que confirmou os assaltos na rodovia, porém alegou falta de contingente e que, aquele trecho da mesma, pertence a Polícia de Porto Alegre. O que nos deixou muito assustados, foi que a algum tempo atrás, ao voltarmos pela mesma rodovia, perto das 20:00, nos deparamos com uma barricada, feita por madeiras e pneus. Passamos por cima, bem como nossos amigos, que vinham no carro de trás. A Polícia sabe!!!!!! Enfim, escrevo para avisar quem ainda não sentiu na pele. Esta rodovia é perigosa. Prestem atenção.


Heloisa Spader - 17 de setembro às 16:52 ·


RODOVIA DO PARQUE 448

Posso não ter ajudado, mas a Polícia Rodoviária Federal, ligou para mim, hoje, pessoal da Corregedoria, Estão fazendo sindicâncias para descobrir por qual motivo a ligação foi "interrompida" e se comprometeram a tentar resolver o problema. Logo em seguida recebi ligação do Diário Gaúcho. Então está valendo para algo. Um número enorme de pessoas tomaram conhecimento do perigo da rodovia, até o presente 850 compartilhamentos, autoridades e jornal. Resta esperar por soluções deste problema. A população, usuária desta rodovia, pacientemente aguardará solução.




ROTINA RETOMADA APÓS BOATOS DE GUERRA DO TRÁFICO

DIÁRIO GAÚCHO 25/09/2014 | 08h44

Cristiane Bazilio

Rotina começa a ser retomada na Morada do Vale após boatos de guerra do tráfico. Rumores de um suposto confronto entre traficantes paralisou o bairro na terça-feira. Nesta quarta, o clima era mais tranquilo, mas o medo ainda assombrava moradores



Escola da região dispensou alunos durasnte dois dias. Aulas devem ser retomadas nesta quinta Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS




Na manhã seguinte a um dia de terror provocado por boatos de uma possível guerra entre traficantes na Morada do Vale 1, em Gravataí, a rotina dos moradores do bairro começou a ser retomada ontem. Pelo menos até a manhã desta quinta. Boa parte das escolas fechadas no dia anterior retomaram as aulas, embora algumas ainda tenham ficado sem alunos. O comércio operou em horário integral. Em algumas ruas, porém, ainda se via pouca gente. A polícia não registrou incidente grave nos últimos dois dias, porém, o temor de que um confronto ainda ocorra na região é evidente.

Um medo, contudo, bem inferior ao que assolou a população na terça-feira, quando o dia foi marcado por ruas vazias, crianças indo para casa em pleno horário de aula e escolas fechadas. Professoras – algumas chorando – entregaram alunos aos pais. Comerciantes baixaram as portas à tarde.

Na terça, uma postagem no facebook dava conta de que rivais do tráfico se enfrentariam nas ruas, com tiroteio e mortes. O falso alarme se espalhou rapidamente nas redes sociais, com compartilhamentos e comentários e até fotos de uma chacina atribuída ao suposto conflito, alimentando o clima de pavor. Em apenas uma página no facebook, foram cerca de 3 mil interações. A origem da boataria já tem suspeitos.

– A postagem partiu de um rapaz de 18 anos, sem antecedentes. Ele está sendo monitorado. Logo em seguida, uma mulher espalhou fotos falsas. Não passa de meia dúzia de irresponsáveis. O resto é repercussão – diz o comandante do 17ª BPM, tenente-coronel Vanderlei Mayer Padilha.

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As fotos dos corpos, segundo a polícia, não são recentes nem de casos em Gravataí.

Patrulhamento foi intensificado
Conforme o secretário de Segurança Pública, Flávio Lopes, a Guarda Municipal de Gravataí recebeu cerca de 200 telefonemas pedindo ajuda e informações sobre o ocorrido. Um efetivo de 20 homens foi deslocado para a região das Moradas do Vale 1, 2 e 3. Como os boatos não precisavam o local d o possível confronto, a polícia intensificou o patrulhamento em toda a região.

– Foram orientados a acalmar a população, repassando que era boato. Dissemos que não era para fechar comércio e que nada estava acontecendo, mas o pânico já estava instaurado. Hoje (ontem), mantivemos duas guarnições para que as pessoas retomassem a rotina – explica o secretário.

A Brigada recebeu cerca de 300 ligações pediu reforço a pelo menos três municípios. O comandante Vanderlei, porém, não confirma. Ele também não divulga o número de PMs envolvidos na operação e minimiza:

– As 300 ligações não representam o universo de 50 mil pessoas das Moradas.

A rotina escolar foi afetada. Segundo as secretarias Municipal e Estadual de Educação, são sete escolas na região. Em uma, mais de 1,3 mil alunos ficaram sem aulas.

– Mesmo que sejam boatos, não podemos arriscar. Estamos lidando com as vidas dos jovens – disse uma funcionária.


A previsão é de que, nesta quinta, nenhuma escola permaneça fechada.

Origem foi assassinato

O estopim para a série de boatos foi a morte de Maurício Panzenhagen Dorr,
24 anos, no domingo. Com passagens por tráfico de drogas e investigado por tráfico de armas, levou pelo menos 20 tiros, às 18h, na Avenida Anita Garibaldi, a principal da Morada do Vale 1. Em seguida, amigos dele espalharam que a morte não ficaria em vão.

– Sabemos que há tráfico na região, e a vítima vendia drogas. Estamos investigando – disse o chefe de investigação da 2ª DP, Carlos Augusto Silva.

Maurício foi morto quase em frente a uma escola que teve as portas fechadas e os alunos dispensados nos últimos dois dias. Entre moradores, a certeza é de que o tráfico impera.

– Dizem que o rapaz era ex-aluno da escola, morto por rivais, e que a gangue dele invadiria para pegar estudantes envolvidos. Aqui está tomado pelo tráfico. É terra sem lei – afirmou uma moradora.

A Brigada nega a existência de facções no local.

– Não há gangues em Gravataí nem confronto de grupos rivais – diz o tenente-coronel Vanderlei.


Entenda o caso

*14/9 – Tiago Roberto da Silva Barbosa, 28 anos, foi assassinado a tiros na frente do filho, de seis anos, no Bairro Rubem Berta, em Porto Alegre. Um parente dele, segundo a polícia, é aliado de Vini da Ladeira, traficante que domina a venda de drogas em Gravataí.

*21/9 – Maurício Panzenhagen Dorr, 24 anos, investigado por envolvimento no crime, foi assassinado com 20 tiros na Morada do Vale I. Maurício tinha antecedentes por tráfico de drogas e, segundo a polícia, era investigado também por tráfico de armas. Os suspeitos pelo seu assassinato, conforme a polícia, são matadores aliados de Vini da Ladeira.

*22/9 – Após o assassinato de Maurício, boatos davam como certa uma guerra entre amigos dele e comparsas de Vini da Ladeira. De moto, traficantes em pelo menos três motos passaram por comércios e avisaram que, na Morada do Vale I, no dia seguinte, ninguém deveria sair às ruas depois das 17h naquele dia, pois “a bala iria pegar”.

*23/9 – Espalhada em redes sociais, a boataria tomou fortes proporções. Escolas dispensaram alunos e boa parte do comércio fechou as portas mais cedo. A Brigada Militar local pediu apoio aos colegas de Cachoeirinha e do Batalhão de Operações Especiais, que ficaram de prontidão. Com a presença maciça de PMs, nenhum tumulto foi verificado.

*24/9 – A rotina começou a voltar ao normal na região. Pais de alunos de uma escola em Águas Claras, nas redondezas, pediram à direção para que tome medidas em prol da segurança dos alunos.

PROGRAMA DE GOVERNO PARA QUÊ?



ZH 25 de setembro de 2014 | N° 17933



IVAN MARQUES*



É notório o descaso quanto à publicação de planos de governo dos candidatos aos cargos públicos no Brasil. A cada eleição, o documento que deveria ser a fonte de propostas das candidaturas acaba relegado a um papel quase insignificante dentro das milionárias campanhas publicitárias. O eleitor precisa conhecer a diferença entre os candidatos baseado nas ideias que eles têm sobre educação, saúde, segurança, temas fundamentais para a construção de um país melhor. A menos de 15 dias da eleição, não há absolutamente nada que justifique essa ausência.

Em relação à segurança pública, essa omissão é ainda mais grave. Numa área em que o potencial da União tem sido pouco utilizado, conhecer a visão de cada candidato sobre ela é fundamental. Em um país em que homicídios vitimam anual- mente mais de 50 mil vidas, é inadmissível que o tema não seja prioridade da agenda política e, consequentemente, do programa de governo dos principais candidatos à Presidência.

Um grupo de especialistas, do qual o Instituto Sou da Paz faz parte, elaborou a Agenda Prioritária de Propostas para Segurança Pública, que oferece um conjunto de recomendações concretas para subsidiar a formulação dos programas de governo na área.

Entre as principais propostas, estão a criação do Plano Nacional de Redução de Homicídios, priorizando a investigação desses crimes, o controle de armas e munições, programas preventivos focados em grupos mais atingidos pela violência e a redução da letalidade policial.

Destaca-se também a reforma do modelo policial, com a criação de polícias de ciclo completo, que atuem na prevenção e investigação de forma integrada, com controle externo forte e autônomo. Propõe-se, ainda, a revisão da política penitenciária, prendendo quem comete os crimes mais graves e priorizando alternativas penais para crimes cometidos sem violência.

Assim, ao oferecer aos eleitores propostas sobre segurança pública, o candidato assume mais do que um compromisso político, assume um compromisso ético com a preservação da vida. Somente com uma política de segurança melhor estruturada, conseguiremos reverter este quadro preocupante de homicídios no Brasil.


*Diretor-executivo do Instituto Sou da Paz


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -  Referente à Agenda Prioritária de Propostas para Segurança Pública apresentando um "conjunto de recomendações concretas para subsidiar a formulação dos programas de governo na área", os especialistas do Instituto Sou da Paz foram pontuais e polialescos,  esquecendo o principal e razão da desarmonia, segregação, desvios de finalidade e impunidade dos criminosos: um sistema de justiça criminal capaz de integrar e impor obrigações ao poderes, instituições, órgãos e departamentos de justiça criminal, desburocratizar as ligações, promover decisões coerentes, agilizar os processos, e guiar as decisões e objetivos comuns para a finalidade pública, reconhecendo as atividades policiais e prisionais como essenciais à justiça.

Concordo com o Plano Nacional de Redução de Homicídios, com o ciclo completo para todas as forças policiais, e com a revisão da política penitenciária que imponha respeito aos direitos humanos e dos presos, oportunizando a quebra da criminalidade através do atendimento das prioridades e dos objetivos da reeducação, reintegração e ressocialização dos apenados, bem como o cumprimento efetivo das penas estabelecidas desde as pequenas infrações, contravenções e crimes de menor potencial ofensivo, como forma de prevenir e coibir os crimes maiores e mais hediondos, e de mostrar que o crime não compensa.

Para finalizar, sugiro ao Instituto da Paz orientar seus estudos para uma "Agenda Prioritária de Propostas para" o Direito à Justiça e Segurança Pública, englobando o sistema, a justiça criminal e as mazelas nos Poderes que impedem leis coativas e a construção de um sistema ágil e comprometido em garantir o direito da população à justiça e segurança. Neste sentido, assume importância o eleitor na escolha de políticos probos, sérios, duros contra o crime e comprometidos com a qualidade de vida da população brasileira.