SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

DESARTICULADA QUADRILHA ESPECIALIZADA EM FURTO DE CAMINHÕES

ZERO HORA 20/01/2015 | 09h12


Quadrilha especializada em furto de caminhões é desarticulada. Polícia Civil cumpre, desde o início da manhã desta terça-feira, 37 mandados de busca e apreensão e 18 mandados de prisão temporária

por Bruna Scirea




Mandados de busca e apreensão e de prisão temporária são cumpridos na manhã desta terça-feira pela Polícia Civil Foto: Fernando Gomes / Agência RBS

A Polícia Civil cumpre, desde o início da manhã desta terça-feira, 37 mandados de busca e apreensão e 18 de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em uma série de furtos, roubos e extorsões de caminhões na Região Metropolitana. Denominada de Operação Tonelada, a ação policial é deflagrada por mais de 150 agentes em 16 municípios gaúchos, e também em Santa Catarina e no Paraná — Estados para onde parte dos veículos eram levados.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Thiago Lacerda, se trata da maior quadrilha de furto de caminhões no Rio Grande do Sul, e o grupo estaria envolvido em cerca de 70% destes crimes ocorridos no Estado. A estimativa é que o grupo seja responsável por um prejuízo entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões para transportadoras e empresas de logística no Rio Grande do Sul.

Conforme as investigações — que duraram oito meses —, a partir da encomenda de receptores, criminosos furtavam caminhões no modelo pedido, desativavam os sistemas de GPS e levavam os veículos para sítios da Região Metropolitana. Um ou dois dias depois, os caminhões eram repassados para receptadores do Estado, que os levavam para Santa Catarina.


Os veículos eram desmanchados em sítios e, depois, levados em caminhões baús, ou eram transportados pela BR-101 rumo a Santa Catarina. Ainda faziam parte do esquema os chamados "plaqueiros", que produziam placas clonadas a partir do desvio de chapas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) por valores entre R$ 200 e R$ 400 por placa.

No Rio Grande do Sul, o principal receptador é Irondi Borges de Almeida, conhecido como "Cabelo", que mantinha ligação com outros dois principais receptadores de Santa Catarina: Rone Peterson de Abreu de Moura, que opera uma oficina de fachada em Tijucas, e Valdomiro Cardoso Pereira, conhecido por "Valma", com base em Sombrio. Os criminosos também mantinham contato com paranaenses, que adquiriam peças receptadas em Santa Catarina. Os presos estão sendo encaminhados para a Central de Polícia de Canoas.

Em uma das mais de 30 mil ligações telefônicas interceptadas pela polícia, foi flagrada a negociação de um caminhão por R$ 35 mil — sendo que o valor de mercado ultrapassa R$ 200 mil. A investigação da Operação Tonelada, comandada pela Delegacia de Furto e Roubo de Veículos do Departamento de Polícia Metropolitana, começou após uma série de furtos ocorridos na Região Metropolitana — principalmente na área do Porto Seco, na Capital, e em Canoas. Após os crimes, os veículos não eram mais localizados.




Quem era quem na organização criminosa:

Puxadores: Criminosos que efetuam furtos dos veículos, normalmente encomendados por receptadores. Após o crime, eles ocultam em outras cidades da Região Metropolitana o caminhão, além de utilizarem bloqueadores de GPS, e até desativá-los. Em alguns casos, os veículos são utilizados para extorsão, em valores que variam entre R$ 10 mil e R$ 30 mil.

Receptadores: Responsáveis por encomendar os modelos de caminhões a serem furtados, mediante pagamento de uma quantia para os puxadores. Os criminosos levam os veículos para sítios na Região Metropolitana e no interior do Estado — como nas cidades de Taquari e Pavilhões, onde os caminhões ficam ocultados. Morador de Sapucaia do Sul, o principal receptador no Rio Grande do Sul tinha ligação com outros dois receptadores de Santa Catarina, que opera em uma oficina de fachada na cidade de Tijucas, e outro que mantém sua base em Sombrio Durante as investigações, outros receptadores também foram identificados.

Atravessadores: Os atravessadores eram responsáveis por transportar o caminhão e entregá-lo para receptadores de Santa Catarina. No trajeto, um veículo seguia viagem à frente para verificar a fiscalização na rodovia. Eles chegam a monitorar as atividades dos postos da Polícia Rodoviária Federal. Os deslocamentos normalmente são feitos na madrugada. O ponto de encontro era em um posto de combustíveis em Palhoça.

Plaqueiros: Responsáveis pela produção das placas clonadas, utilizando, na maioria das vezes, desvios de chapas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de empresas autorizadas. Os "plaqueiros" recebem em torno de R$ 200 a 400 por placa clonada. A clonagem tem diferentes níveis: somente a substituição de placas ou a produção de documentação falsificada e adulteração dos sinais identificadores.

Como funciona a organização criminosa:

— Receptadores de Santa Catarina entram em contato com receptadores do Rio Grande do Sul para encomendar caminhões de diferentes modelos.

— Receptador gaúcho encomenda os veículos com os puxadores.

— Puxadores executam os furtos encomendados e desativam os sistemas de GPS (por vezes, agem de forma autônoma, oferecendo veículos aos receptadores ou realizando extorsões).

— Receptador do Rio Grande do Sul oculta o veículo e finaliza a negociação com outros receptadores do Estado ou de Santa Catarina, que encomendou o caminhão.

— Atravessador recebe pagamento para levar o veículo de um Estado para outro. Para isso, monitoram postos da Polícia Rodoviária Federal.

— Na cidade de Tijucas (SC), está o principal receptador do Estado catarinense. Ele possui uma oficina de fachada para desmanche dos caminhões. Outro receptador de SC possui base em Sombrio (SC). — A organização criminosa mantém contato com paranaenses, onde foram adquiridas peças receptadas em SC.
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