SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

MORADORES DE DOIS BAIRROS USAM FAIXAS PARA ALERTAR SOBRE INSEGURANÇA

ZERO HORA 09/04/2015 | 07h03

por Renato Dorneles


Moradores de dois bairros usam faixas para alertar sobre riscos na região. Número de assaltos assusta no Jardim Ypu, na Zona Leste, e na Cidade Baixa, na região central



Alertas têm dividido opiniões Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


Faixas expostas em praças e canteiros públicos, condomínios e janelas do Jardim Ypu, na Zona Leste da Capital, fazem um alerta que divide os moradores: "Cuidado. Bairro com alto risco de Assalto. Fique atento ao andar pela rua".

O texto, assinado por um grupo identificado como Movimento dos Moradores, clama por mais segurança no local. De outra parte, na comunidade, há quem reclame, alegando que o alerta não afasta o risco e, ainda por cima, desvaloriza os imóveis.

Pelas ruas do Jardim Ypu na manhã de ontem, havia pelo menos cinco faixas: no canteiro central da Avenida Germano Schmarczek, na cancha de esportes da Praça Germinal Michele, nas cercas de dois condomínios e na janela de uma residência. O movimento é apoiado por uma moradora que pediu para não ser identificada, cujos familiares sentiram na pela os problemas da falta de segurança.

– O Bairro é muito bom de morar. Eu e minha família estamos aqui há 32 anos, meus filhos nasceram e cresceram por aqui. Só que, infelizmente, jovens daqui mesmo foram para o lado ruim, se envolveram com drogas e então buscam recursos através de roubo para suprir o vício – afirma.

Ela conta que a família sofreu dois assaltos em um intervalo de poucos dias, no bairro, no mês passado. No primeiro, ladrões armados que chegaram em um carro importado calçaram ela e o marido, obrigando-os a entregar a EcoSport em que estavam. Dias depois, a caminhonete foi recuperada.

Há dois domingos, porém, ladrões entraram no pátio da casa da família e, por poucom, uma tragédia não foi consumada.

– Acho que a arma de um deles não funcionou ou não tinha balas, porque ele tentou atirar na minha filha. Ela acabou levando uma coronhada na cabeça, e o meu marido, na boca. Fugiram levando a EcoSport – contou, acrescentando que a caminhonete ainda não foi encontrada.

Outro morador, que também pediu para não ser identificado, conta que houve várias invasões de apartamentos por ladrões, o que obrigou proprietários a recorrer a grades e a cercas de arame farpado.

– Nós estamos aqui entregures às traças. Não temos policiamento suficiente. Está muito complicado.
Ambos moradores que falaram com a reportagem disseram que, entre os assaltantes mais frequentes, há um casal que age com o uso de uma moto.


Mas nem todos concordam com o uso das faixas pelo movimento. Para a autônoma Vera Nunes, 51 anos, a criminalidade no bairro não é diferente da que vem assustando outros bairros.

– Sou contrária. Isso está sujando a imagem do bairro E o que está acontecendo aqui, já ocorre há bastante tempo em lugares como o Menino Deus e a Cidade Baixa – alega.

A afimacação de Vera é reforçada por uma faixa colocada em um poste da Rua Lima e Silva, na Cidade Baixa, que faz um alerta semelhante: "Fique atento. Assaltos na Cidade Baixa. Assaltos com faca todos os dias. Manhã entre 7h e 7h30min, tarde entre as 15h e as 16h. Marginal está surpreendendo pessoas na rua, próximo a lixeiras. Fique atento".


O major Arnaldo Hoffmann, que responde pelo comando do 20º BPM, com atuação no Bairro Jardim Ypu, afirma que o batalhão tem recebido mais queixas do que o normal, nos últimos dias.

– No bairro, costumávamos ter um roubo de veículo por mês. No mês passado, ocorreram quatro. Houve prisões, mas entendemos a preocupação dos moradores e, mesmo sabendo que há bairros com índices de violência bem maiores, estamos reforçando o policiamento e procurando dar uma resposta maior – disse.


Na polícia Civil, o titular da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre (DPRPA), delegado Cléber Ferreira, concorda com o movimento dos moradores.

– É uma maneira de protestar e fazer com que os órgãos de segurança pública ajam de forma mais efetiva na região. Nós orientamos os delegados das DPs da região no sentido de descobrir o autor ou os autores dos assaltos e tirá-los de circulação.
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