SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

MORTE DE CRIANÇA NA GUERRA DO TRÁFICO FAZ FAMÍLIA DEIXAR PORTO ALEGRE



ZERO HORA 20 de abril de 2015 | N° 18138

EDUARDO TORRES

GUERRA DO TRÁFICO. Família de criança morta por bala perdida deixa Porto Alegre. PAI, MÃE E OS QUATRO FILHOS foram para casa de parentes em Santa Maria depois do tiroteio que resultou na morte da filha, de sete anos, enquanto dormia. Disparo teria partido de traficantes



As portas e janelas da casa 287 do Acesso A, no Condomínio Campos do Cristal, no bairro Vila Nova, na zona sul da Capital, amanheceram trancadas ontem. Pai, mãe e os quatro filhos deixaram para trás, ao menos por algum tempo, a dor que a marca na parede do segundo andar do sobradinho no loteamento popular não deixa esquecer. Foram para a casa da parentes, em Santa Maria.

Trata-se da família da pequena Laura Machado, sete anos, morta por um tiro de fuzil enquanto dormia, na madrugada da última sexta. O disparo teria partido da arma de traficantes em confronto na rua, em frente à casa, por volta de 1h. O projétil, considerado uma bala perdida, perfurou a janela metálica do quarto onde as crianças dormiam, pegou de raspão o irmão de 11 anos e foi se alojar na cabeça da menina. Um tiro que destruiu o sonho da Laura de se tornar uma modelo, como brincava ao posar para fotos em família.

Mais do que isso, o tiro serviu para calar toda uma comunidade. Ontem pela manhã, não se viam crianças brincando no Acesso A. Poucos eram os moradores circulando pelas ruas, mesmo dois dias depois do tiroteio.

– Todo mundo está nesse clima de expectativa. A gente sabe que, a qualquer momento, eles podem voltar aqui e atirar de novo, porque não mataram ninguém entre eles. Ainda podem vir terminar o que começaram – desabafa uma moradora.

A mulher conta que pelo menos duas famílias conhecidas já saíram dali. Ela diz que não tem para onde ir.

– Já não durmo desde aquela noite. Qualquer barulho fico apavorada. Olha o que aconteceu. Qualquer hora pode ser com a minha família – conta outra moradora.

Antes do tiroteio da madrugada de sexta, pelo menos outros dois confrontos já haviam ocorrido, no começo da semana passada.

O comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Antônio Carlos Maciel Júnior, assegura que o policiamento foi reforçado na região, principalmente durante as madrugadas.

– Também estamos com uma atenção especial do serviço de inteligência para identificar quem está realmente envolvido nesses confrontos do tráfico nessa localidade – diz o oficial.

O batalhão conta com um posto fixo no bairro Vila Nova, a menos de dois quilômetros do condomínio onde Laura foi morta. Por isso, segundo o comandante, qualquer alarme tem resposta imediata.


Em busca da identificação dos grupos


No final de semana, a polícia trabalhou para mapear o confronto que resultou na morte da Laura. Conforme o delegado Adriano Melgaço, da 4ª Delegacia de Homicídios, ainda é cedo para identificar qual grupo invadiu a vila. E de qual lado partiu o tiro de fuzil 5.56.

– Podemos adiantar que já estamos com um trajeto dos atiradores bem definido. Estamos fechando o cerco para chegar aos suspeitos – afirma.

Segundo testemunhas, até 30 pessoas podem ter participado do tiroteio. Sexta à noite, um Onix prata, com sinais de clonagem, foi achado no bairro Cristal. Dentro, havia um carregador de pistola 9mm – calibre de boa parte das mais de cem cápsulas encontradas no local do tiroteio – e uma touca ninja. Foi o terceiro veículo supostamente usado pelos criminosos recuperado pela polícia. Horas depois do crime, a BM havia encontrado um Siena e um Etios abandonados na Vila Nova.



EM DISPUTA
-Uma das hipóteses apuradas pela polícia é de um conflito entre duas facções criminosas que disputam o controle da região.
-De um lado, os pontos de tráfico do Campos do Cristal podem ser considerados o último reduto dos Bala na Cara na região da Vila Nova, na Capital.
-De outro, a quadrilha conhecida como a dos V7, do bairro Santa Tereza, com aliados em vilas ao redor do loteamento popular.
-Criado na década passada para abrigar as famílias retiradas do bairro Cristal para a construção do BarraShoppingSul, o condomínio popular já foi erguido em meio a territórios disputados por traficantes.
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