SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

SEIS MORTOS EM CHACINA



ZERO HORA 13 de abril de 2015 | N° 18131

ANDRÉ MAGS


VIOLÊNCIA EXECUÇÃO EM CIDREIRA

ACERTO DE CONTAS POR DÍVIDAS DO TRÁFICO DE DROGAS é apontado como motivo para o assassinato, que é o maior do gênero nos últimos 14 anos no Rio Grande do Sul e atingiu jovens que estavam em pousada no Litoral Norte


O marasmo de uma Cidreira fora de temporada foi quebrado no início da madrugada de ontem pela maior chacina no Rio Grande do Sul nos últimos 14 anos. Três homens invadiram o apartamento número 15 da pousada conhecida como Celomar, no bairro Nazaré, e mataram seis jovens. A causa do ataque seria um acerto de contas pelo não pagamento de dívidas do tráfico de drogas.

Cinco morreram na hora: Lucas Souza da Rocha, 17 anos, Fabiano Soares da Cunha, 15 anos, Lucas Rafael Rodrigues Duarte, 15 anos, Endriqui dos Santos Gaspar, 19 anos, e Adriel Silva de Souza de Moraes, 24 anos. Roberson Durão Leão, 26 anos, foi encaminhado a um hospital, mas não resistiu. Já David de Mello Carvalho, 23 anos, teria sido transferido em estado gravíssimo para um hospital da Capital – que não confirmou o registro.

Outro homem, identificado como Fernando, conseguiu escapar da chacina. Conforme a Brigada Militar (BM), ele viu o trio se aproximando da pousada e fugiu rapidamente. No final da tarde, chegou a ser visto circulando pelo ginásio onde ocorreria o velório.

A BM calcula que ocorreram de três a quatro disparos em cada jovem, a maior parte na cabeça. As armas utilizadas foram um revólver calibre 38, uma pistola 380 e uma 9mm. Outros hóspedes do estabelecimento ouviram sete tiros na madrugada de domingo. Depois, mais alguns disparos esparsos.

O cenário no quarto 15 no final da manhã de domingo ainda apresentava vestígios da matança. Havia sangue no chão e em móveis revirados e jogados para fora do aposento. A cerca que protegia o acesso aos quartos estava no chão. O administrador do imóvel, Celomar Cláudio Barbosa, 67 anos, afirmou nunca ter ocorrido nada do tipo no local:

– Nunca tinha visto isso. Vieram bater aqui na minha porta para dizer que tinha seis mortos.

No entanto, a BM já havia feito prisões na pousada. O endereço é conhecido como ponto de tráfico e uso de drogas, além de prostituição de mulheres viciadas.

– A gente já tinha passado lá duas vezes nos últimos dias para ver se o pessoal se acalmava, mas não adiantou – observou um PM.

O temor na cidade é de que as mortes continuem. A Brigada Militar entende que Fernando pode estar sendo caçado pelos traficantes, que teriam saí- do de Porto Alegre em direção ao Litoral Norte especialmente para eliminar seus devedores.

FACÇÃO BALA NA CARA SERIA A RESPONSÁVEL


Pelo menos desde 2013, a facção dos Bala na Cara tem tentado tomar o controle do tráfico em Cidreira. Um homem preso recentemente teria delatado os demais traficantes após ter sido espancado quase até a morte por dever dinheiro de drogas, desencadeando novas prisões – em dois dias, chegaram a ser presos 10 suspeitos, mas grande parte acabou sendo solta.

Em 1° de abril, Luis Fernando da Silva Soares Júnior, o Júnior Perneta, líder dos Bala na Cara, foi libertado após falha de comunicação entre a Justiça Federal e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Um processo a que Júnior responde na Justiça Federal não foi comunicado à Susepe, que acabou liberando-o ao receber um alvará de soltura expedido pela Justiça Estadual.






Velório sob proteção policial


RENATO DORNELESAs seis vítimas foram veladas ontem no ginásio da Escola Marcílio Dias. Às 18h de ontem, chegaram os dois primeiros corpos, de Endriqui e Lucas Rafael. O local estava cheio, e a Brigada Militar compareceu para fazer a segurança com cerca de 10 PMs, incluindo reforços. A guarnição havia sido requisitada pela prefeitura, temendo riscos aos participantes durante a cerimônia. Um boato circulava dizendo que havia quatro homens rondando a região, supostamente ligados aos assassinos.

Hoje não haverá aulas nas escolas dos adolescentes mortos, e a prefeitura poderá declarar luto na cidade.

Os familiares estavam inconsoláveis. Uma mulher passou mal e teve de ser retirada em uma maca para a ambulância do Samu que estava de prontidão. O irmão de Endriqui contou os últimos momentos do garoto:

– Ele estava tocando violão e disse que queria voltar para a igreja. Mas na noite seguinte avisou que iria para uma festinha. E foi.



Litoral entrou na rota do tráfico há sete anos


EDUARDO TORRES


A suspeita da polícia é de que a motivação para o crime tenha origem em uma ação da Brigada Militar, ocorrida há 10 dias. Naquela ocasião, drogas haviam sido apreendidas em um ponto de tráfico comandado pelos Bala na Cara em Cidreira. Os PMs tinham a informação de que o local servia como depósito da quadrilha, mas a quantidade apreendida foi considerada pequena.

Há alguns dias já era apurada a possibilidade de que mais drogas estivessem escondidas no local e teriam sido posteriormente “roubadas” por alguns traficantes e repassadas para um dos alvos da chacina, Roberson Leão, conhecido como Quinho, e seu bando. Eles estariam vendendo crack, maconha e cocaína sem pagar nada à facção. Daí, teria vindo a “cobrança”, em forma de chacina.

Há dois anos, pelo menos um conhecido líder do tráfico no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre – berço dos Bala na Cara – teria se estabelecido no Litoral Norte e começado a expandir seu território. Conforme a Brigada Militar, o grupo tem hoje predomínio sobre os pontos de tráfico desde o bairro Agual, em Tramandaí, até Quintão.

Segundo o diretor do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Emerson Wendt, a expansão do tráfico para o Litoral é realidade há pelo menos sete anos. Aconteceram justamente na praia os principais sequestros de imóveis pertencentes a traficantes com origem na Região Metropolitana.

– É uma área cada vez mais habitada e, tradicionalmente, de trânsito. O tráfico se aproveita disso, não apenas para firmar territórios, mas para usar, por exemplo, rotas alternativas de chegada da droga à Região Metropolitana. Apreensões nessa área são cada vez mais constantes – admite o diretor.



ZERO HORA por André Mags, de Cidreira12/04/2015 | 19h32

Saiba quem são os seis jovens mortos em chacina na cidade de Cidreira. Eles tinham entre 15 e 26 anos e teriam sido assassinados por membro da facção dos Balas na Cara, em razão de dívida de tráfico



Foto: Montagem sobre fotos / Facebook

Saiba quem são os seis jovens que morreram na maior chacina em 14 anos no Rio Grande do Sul, na madrugada deste domingo, em Cidreira, no Litoral Norte do Estado. Eles tinham entre 15 e 26 anos e teriam sido assassinados por membro da facção dos Balas na Cara, em razão de dívida de tráfico.




Foto: Reprodução

Lucas Souza da Rocha, 17 anos

No final da noite de sábado, Lucas conversava via Facebook com uma prima que estava em Porto Alegre. Até que recebeu um telefonema. A ligação vinha do apartamento número 15 da pousada que fica quase ao lado da casa da família de Lucas em Cidreira. Segundo os familiares dele, Lucas havia sido chamado para levar um carregador de celular até a pousada. Deixou o Facebook aberto e não voltou mais. Lucas morava no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre, e tinha se mudado para Cidreira há cerca de um ano, possivelmente para fugir de “complicações” que tinha na Capital. Familiares admitem que ele usava drogas. Estudava na escola estadual Raul Pilla.


Foto: Reprodução

Adriel Silva de Souza de Moraes, 24 anos
Primo de Lucas Rocha, conhecido como Gordo. Era um dos homens que o administrador da pousada conhecia pelo nome.


Foto: Reprodução

Fabiano Soares da Cunha, 15 anos
Irmão de Fernando, que teria escapado ileso da chacina. Teria ido à pousada para encontrar o irmão antes de sair para uma festa na chamada Casa Amarela, próximo do local. Ele costumava jogar futebol com rapazes dos arredores, dos quais era amigo. Familiares negam que seja usuário de drogas, como afirmaram policiais. Ele estudava na escola municipal Marcílio Dias, e tinha bom desempenho, de acordo com uma professora.


Foto: Reprodução

Roberson Durão Leão, 26 anos
Conhecido como Quinho, era um dos procurados pelos matadores. Na cidade, moradores sabiam que ele era envolvido com drogas.


Foto: Reprodução

Endriqui dos Santos Gaspar, 19 anos
Filho de religiosos da Assembleia de Deus, teria se “desvirtuado” e caído nas drogas, conforme moradores de Cidreira que o conheciam. Fazia entre quatro e cinco meses que Endriqui havia deixado o trabalho, segundo um colega, porque “estava muito cansado”. Ele trabalhava com resina em uma empresa da região. Nas horas vagas, gostava de ouvir funk e era considerado um rapaz alegre e piadista.


Foto: Reprodução

Lucas Rafael Rodrigues Duarte, 15 anos
Há um ano e meio, Lucas Rafael tinha se mudado para Porto Alegre para morar com as três irmãs. Estudava e se dava bem com elas. Até que a mãe, que vivia em Cidreira com um irmão dele e o padrasto, sofreu um AVC. A pedidos da mãe, Lucas Rafael se mudou para Cidreira, com a missão de cuidar da mãe, já que o padrasto é alcoólatra, conforme as irmãs do jovem. Ele estudava à noite na escola municipal Marcílio Dias, onde tinha bom desempenho, segundo uma professora.

O único que não morreu, mas segue internado em estado grave:

David de Mello Carvalho, 23 anos

Tinha brigado com a mulher durante a noite, antes de se encaminhar à pousada. Tem amigos nas redondezas que garantem que ele não tinha envolvimento com drogas e trabalhava como servente em uma obra.


Postar um comentário