SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CHEFE DE POLÍCIA CRITICA O PRENDE E SOLTA DE CRIMINOSOS

ZERO HORA 22/06/2015 - 09h53min

"Evito sair de casa à noite", diz chefe de Polícia sobre roubo de veículos. Guilherme Wondracek falou sobre insegurança e criticou o prende e solta de criminosos

Por: Humberto Trezzi



Em entrevista, chefe da Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek, disse que evita sair de casa à noite Foto: Manuela Brandolff,Especial,Palácio Piratini / Divulgação

Mais uma autoridade da área de segurança pública se envolveu em polêmica por causa de declarações. Desta vez é o chefe da Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek. Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, na segunda-feira, ele desabafou:

– Do jeito que vai, nós vamos em breve... efetivamente não sair mais de casa. Eu evito sair de casa à noite e parar na rua – relatou o chefe de Polícia ao se referir a sensação de insegurança ao estacionar os veículos à noite na rua.


Wondracek falava sobre o retrabalho policial com a prisão dos mesmos criminosos que acabam sendo soltos e confirmou que evita sair de casa à noite, especialmente quando acompanhado da família. Segundo ele, esta é uma realidade não apenas de Porto Alegre, mas de todo o país, devido aos assaltos.

A observação do delegado veio após a 20ª prisão do líder de uma das maiores quadrilhas de roubos de veículos do Rio Grande do Sul, Jocemar Takeuchi Navarro, o Japonês. Ele foi capturado no fim de semana em Sapucaia do Sul. Wondracek se disse frustrado pelo fato de o quadrilheiro ter sido preso e solto tantas vezes e comentou que isso gera sensação de impunidade aos bandidos, em todo o Brasil.

– Para os agentes, a pergunta é a mesma: quando ele (Japonês) vai ser solto mais uma vez? Nas escutas telefônicas aparecem os presos falando, sempre um chavão: 'Não dá nada, se der, dá bem pouquinho' – destacou Wondracek.

O chefe de Polícia acredita que, desta vez, o bandido vai ficar preso por mais tempo, pelo fato de ter sido prisão preventiva e contar crimes mais graves, como extorsão.

Ouça a entrevista completa:

A declaração de Wondracek resultou em controvérsia entre ouvintes da rádio e leitores de Zero Hora, já que surge semanas após outra frase polêmica de uma autoridade da segurança pública. Foi em 6 de junho que o tenente-coronel Francisco Vieira, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (área central de Porto Alegre), ironizou o pedido de ajuda por parte de pessoas que frequentavam uma festa noturna no Parque da Redenção, a Serenata Iluminada.

– Quem frequenta esse tipo de evento não quer BM perto. Agora aguentem! Que chamem o Batman! Ou o super-homem – declarou Vieira, em um grupo de WhatsApp.

A frase foi encarada como deboche pelos frequentadores e bombardeada nas redes sociais.

Um dos maiores conhecedores do tema no Rio Grande do Sul, o consultor em segurança privada e patrimonial Gustavo Caleffi, não estranha as declarações de Wondracek e diz que a sinceridade do delegado é melhor que propagar "uma falsa sensação de segurança". O especialista considera que o policial falou de uma realidade que atinge a todos, inclusive os que circulam armados por força da profissão, como Caleffi.

– Eu também evito sair à noite e tenho toda uma estratégia para circular, estacionar. De dia ou de noite, porque não existe mais hora segura. E se engana quem pensa que a maioria dos roubos de carro acontece na madrugada. São só 7%. O maior percentual, quase metade, ocorre das 18h às 24h, quando a população está saindo do trabalho ou chegando em casa – comenta Caleffi.



SINCERIDADE QUE ESPANTA. Chefe de Polícia disse que evita sair de casa à noite em função da insegurança

Por: Humberto Trezzi
ZERO HORA 22/06/2015 - 12h51min



O único pecado do delegado Guilherme Wondracek talvez seja o da sinceridade. Talvez, porque o cidadão fica a pensar: "se o Chefe de Polícia, que comanda 5 mil policiais, tem medo, o que resta para mim?"

Wondracek sabe do que fala. Ele foi assaltado em 2001 e teve o carro levado pelo bandido. O delegado não trazia a arma junto ao corpo, por sorte.

– Se tu estiver armado, vou te matar – avisou o ladrão.

O policial entregou o carro e garantiu a própria vida. Escaldado, Wondracek agora cuida tudo, principalmente se está com a família. Sabe que bandidos andam sempre em dois ou mais, reagir é quase suicídio.

– Mais fácil ir atrás depois – resume o delegado.

Mas, na realidade, Wondracek não falava de um temor pessoal, e sim de uma situação que aflige brasileiros em geral, os que andam armados ou não. É a de que os criminosos, em bando, podem surpreender a qualquer hora e qualquer lugar. Principalmente pela facilidade com que retornam às ruas após serem presos – um misto de leis brandas e preocupação de muitos magistrados em não enviar o criminoso para uma masmorra superlotada.

O problema, penso eu, é que o juiz, na hora de assinar a sentença deve se preocupar, sim, com o direito do delinquente, mas prioritariamente com as vítimas dele. E nem sempre isso acontece.

Já o caso do tenente-coronel Vieira, o que mandou "chamar o Batman", é mais delicado. Precisava debochar dos frequentadores da festa na Redenção? Como oficial, ele sabe que a BM deve vigiar tudo – é dever do policial zelar inclusive pelos cidadãos que não simpatizam com a polícia. Para servir e proteger, avisa o lema jurado na hora da formatura.

Mas polêmicas assim sempre vão surgir enquanto os cortes orçamentários mirarem a segurança pública. Cortar gasolina de viaturas, antes dos cargos de confiança, é ou não uma opção que dá margem para controvérsia?


ZERO HORA 20/06/2015 - 18h54min
Preso homem apontado como líder da maior quadrilha de roubo de veículos do RS. Conhecido como Japonês, suspeito soma mais de nove anos de condenações, segundo a polícia


Por: Eduardo Cardozo



Foto: Divulgação / Polícia Civil

Apontado pela Polícia Civil como o líder da maior quadrilha de roubo de veículos do Rio Grande do Sul, Jocemar Takeuchi Navarro, 35 anos, foi preso na tarde deste sábado, em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, quando chegava para uma cerimônia de casamento. As informações são da Rádio Gaúcha.

De acordo com o delegado Rodrigo Zucco, da delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de São Leopoldo, Jocemar Navarro, conhecido como Japonês, agia havia cerca de oito anos no furto e roubo de veículos. Japonês tinha contra si um mandado de prisão preventiva em Novo Hamburgo, em razão do roubo de uma caminhonete avaliada em R$ 240 mil.

Segundo Zucco, Japonês atuava em toda a Região Metropolitana e já tem nove anos de condenação por roubo de veículos. Essa foi a vigésima vez que Japonês foi preso. Uma delas foi em janeiro, quando uma quadrilha de roubo de carros de luxo em Porto Alegre foi desarticulada na chamada Operação Uruguai.

Japonês foi encaminhado ao Presídio Estadual de Montenegro.
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