SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 23 de junho de 2015

DICAS DE QUEM NÃO TEM COMO EVITAR DE SAIR À NOITE

DIÁRIO GAÚCHO 22/06/2015 | 22h26

Renato Dornelles


Dicas de quem não tem como evitar de sair à noite, como o chefe de polícia. Trabalhadores contam como fazem para reduzir os riscos de sofrer um assalto no período noturno




Paradas de ônibus escuras aumentam os riscos Foto: Luiz Armando Vaz / Agencia RBS



Mais uma autoridade da área de segurança pública se envolveu em polêmica por causa de declarações. Desta vez é o chefe da Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ontem, desabafou:

– Do jeito que vai, nós vamos em breve... efetivamente não sair mais de casa. Evito sair de casa à noite e parar na rua.

Wondracek referia-se à segurança pública e à sensação de insegurança de estacionar veículos na rua à noite. Falava sobre o retrabalho policial com a prisão dos mesmos criminosos que acabam sendo soltos e confirmou que evita sair à noite, especialmente quando acompanhado da família. Segundo ele, esta é uma realidade não apenas de Porto Alegre, mas de todo o país, devido aos assaltos.

No começo deste mês, o comandante do 9º BPM, o tenente-coronel Francisco Vieira, ao ser alertado por jornalistas de que havia assaltantes rondando o evento Serenata Iluminada, na Redenção, disse que "eles podem chamar o Batman".

O Diário Gaúcho foi às ruas da Capital para saber como se vira quem gostaria de seguir o exemplo do chefe de polícia, mas, por razões profissionais, não pode evitar de sair de casa à noite. E, muito menos, chamar o Batman.


"Imagina para os cidadãos comuns"

– Se está difícil para ele, imagina para os cidadãos comuns e para os outros trabalhadores – comentou o taxista Nelson Luis Medina, 66 anos de idade e 28 de profissão.

Nelson afirma que já perdeu a conta de quantas vezes já tentaram assaltá-lo.

– Teve uma vez que tive de sair em ziguezague, pois o assaltante começou a atirar, depois que eu neguei a corrida. Eu já estava encerrando o turno e também vi que ele estava armado – contou.

Apesar dos riscos e de já estar aposentado, Nelson, por uma necessidade financeira, segue trabalhando à noite, até as 5h, três vezes por semana, no ponto da Estação Rodoviária.

– No trabalho, estou sempre atento ao tipo de passageiro. Fora do trabalho, na rua, evito andar em muitos lugares. Por ali, por exemplo, eu jamais andaria a pé. Teve um dia que vi dois serem baleados ali – disse, apontando para a Rua Voluntários da Pátria e para as paradas de ônibus sob o Viaduto Conceição.


"Aqui é cruel"


A apreensão de Nelson é compartilhada pelo cobrador Luiz Felipe dos Reis, 32 anos. Ele trabalha em um guichê para a venda de passagens de ônibus metropolitanos sob o camelódromo. Seu expediente encerra-se às 20h30min.

– Aqui é cruel. Já vi passageiros serem assaltados. As três empresas que atendem nesses pontos já fizeram abaixo-assinado, já solicitaram mais policiamento, mas continua perigoso. O jeito é evitar de ficar parado em locais isolados ou onde não tem outras pessoas – aconselha.


Abel Matias Soares, 54 anos, que trabalha até a meia-noite em uma das bancas de lanches da Prainha do Gasômetro tem suas receitas para enfrentar a insegurança na noite, uma vez que precisa caminhar cerca de 3km até o ponto de ônibus para Eldorado do Sul, onde mora.

– Tomo bastante cuidado. Dá medo. Tem que evitar as ruas pouco iluminadas – recomenda.


"Tem que estar sempre atenta"

Lugares pouco iluminados também são motivos de receio para Jaqueline Dias Lopes, 32 anos, que trabalha em um restaurante até o início da madrugada. Ele depende de ônibus para voltar para casa, e a parada mais próxima fica junto ao Parque da Redenção.

– Não dá para se descuidar nunca. Na noite, tem que estar sempre atenta – diz.

Sua colega Miriam Teodoro, 44 anos, tem carro, mas compartilha o receio de andar à noite.


– Quando volto para casa, só dou uma olhadinha para ver se não vem carro nos cruzamentos e passo o sinal vermelho mesmo. Prefiro pagar multa do que perder a vida – conta.
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