SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 30 de junho de 2015

COMO AGE O MOTORISTA PREFERIDO DO CRIME

REVISTA VEJA  30/06/2015



Por: Leslie Leitão, do Rio de Janeiro
   
Como age o motorista preferido do crime. Imagens obtidas por VEJA registram ação do 'piloto' mais requisitado nos roubos de carga do Rio de Janeiro


16De luvas e boné, Jean Piloto se exibe nas redes sociais com os trajes utilizados durante os assaltos (Foto: Facebook/Reprodução)




As quadrilhas que fazem da região da Pavuna, bairro do Rio de Janeiro às margens da rodovia Presidente Dutra, o ponto do planeta onde mais se roubam cargas já produzem figuras de destaque entre os bandidos que as integram. Uma das mais conhecidas no momento é Jean Raynee da Silva Andrade, o Jean Piloto, famoso, como o nome indica, pela habilidade com que conduz os veículos roubados em alta velocidade, fazendo manobras arriscadas. No vídeo de um assalto ocorrido no último dia 12, a que VEJA teve acesso, os investigadores da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) seguiram minuto a minuto um ataque protagonizado por ele.

O vídeo mostra duas vans que saíram do galpão da transportadora levando uma carga de cigarros avaliada em mais de 200 000 reais e foram abordadas pela quadrilha poucos metros adiante, exatamente às 7h44. Criminosos em pelo menos dois carros, armados com fuzis e pistolas, cercaram os veículos e levaram os motoristas. Jean assumiu o controle de uma das vans. Todo vestido de preto, boné na cabeça, foi flagrado por uma das câmeras antes de conseguir esconder o rosto com um capuz. Em menos de cinco minutos, dirigindo em alta velocidade e escoltado por outro carro onde criminosos armados se debruçam para fora das janelas, Jean Piloto leva a van roubada para a Favela da Quitanda, no vizinho bairro de Costa Barros.

Lá, ela é esvaziada rapidamente por um grupo de pelo menos doze criminosos, enquanto um homem, de radiotransmissor na mão, coordena o saque. "Estamos identificando cada um dos envolvidos. Já sabemos que o Jean Piloto virou o queridinho do Playboy exatamente por essa habilidade ao volante", diz o delegado Marcelo Martins, referindo-se a Celso Pinheiro Pimenta, chefão do tráfico apontado também como o principal líder das quadrilhas de roubo de cargas. Nesse assalto, inclusive, Martins foi ameaçado por Jean Piloto. Dirigindo-se a um dos motoristas da rendidos, deu o recado: "Avisa ao delegado que eu vou matá-lo".

O motorista tem uma ativa página nas redes sociais, onde conta vantagem, faz ameaças e reclama das "perseguições". "Cada vez mais cheio de ódio dessa justiça. Essa justiça do Brasil é uma m... mesmo. Agora quer dizer que uma mãe que tem um filho bandido...ela paga pelos problemas do filho...". Refere-se aí à prisão de Cátia da Silva Andrade no início do mês passado, durante uma operação da mesma Delegacia de Cargas, ao ser flagrada guardando em casa um fuzil calibre 5.56 do filho. Também há um vídeo do criminoso pilotando uma moto a mais de 130 quilômetros por hora, no trânsito intenso da Linha Amarela. Em outro post, ironiza: "Se a felicidade existe alguém me fala aonde ela está que eu vou lá rouba (sic)". Em fevereiro passado, ele chegou a ser capturado por policiais a paisana que exigiram 150 000 reais por sua libertação. O caso chegou a ser registrado na Divisão Antissequestro (DAS). O resgate foi pago e Jean Piloto acabou libertado para continuar roubando cargas.
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