SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 1 de agosto de 2015

EXECUÇÃO DE ADOLESCENTE GERA REVOLTA DE MORADORES DE BAIRRO EM POA

 

ZERO HORA 01 de agosto de 2015 | N° 18244


EDUARDO ROSA


HOMICÍDIO EM PORTO ALEGRE. Assassinato de adolescente gera revolta de moradores na Cruzeiro.

MORTA A TIROS, Ingrid Hellen Santos, 15 anos, trabalhava em associação beneficente contra a violência na zona sul da Capital. Ataque na noite de quinta-feira deixou outros quatro feridos

Com o trabalho em uma associação beneficente, Ingrid Hellen Santos buscava afastar crianças e adolescentes da violência que impõe medo na Vila Cruzeiro, zona sul de Porto Alegre – a mesma violência pela qual foi morta com um tiro na cabeça, aos 15 anos, na noite de quinta-feira.

Moradora da região desde que nasceu, Ingrid aguardava o ônibus em parada da Avenida Tronco, junto da prima de 13 anos com quem iria ao shopping, quando dois homens passaram em uma moto, atirando. A garota ainda teria tentado correr, mas acabou sendo baleada no Beco dos Coqueiros, assim como outros dois jovens que foram encaminhados para atendimento médico. Uma adolescente e uma criança também foram atingidas de raspão.

O crime é apurado pela 6ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.

– A motivação ainda não está clara, mas sabemos que o local é conhecido pelo tráfico. Recebemos algumas informações sobre suspeitos, mas não vamos divulgar para não atrapalhar as investigações – explica a delegada Elisa Souza.

O tiro que acertou Ingrid interrompeu seu sonho de fazer faculdade de Direito e se tornar advogada, conta a tia Patrícia Araújo:

– Ela era linda, tinha planos.

A adolescente trabalhava no Centro Esportivo, Cultural e Assistencial Vila do Campinho com crianças menores de 10 anos. Tio de Ingrid, Ubirajara Junior ressalta que ela entrou na entidade como educanda, depois passou a auxiliar o projeto.

– Devido ao conhecimento, à disposição e à alegria, ela foi efetivada como oficineira. Ela cuidava de outras crianças na recreação e fazia artesanato – afirma o tio.

A menina cursava o primeiro ano do Ensino Médio no Colégio Estadual General Álvaro Alves da Silva Braga. Residia com a mãe e duas irmãs mais novas – por parte de pai, tinha três irmãos menores.

DESPEDIDA MARCADA POR TRISTEZA E PROTESTOS

O velório da estudante, no Cemitério São Miguel e Almas, na tarde de ontem, foi precedido de manifestação que reuniu familiares e amigos. A caminhada, com faixas e cartazes demonstrando indignação, partiu da Vila Cruzeiro.

O líder comunitário Marco Aurélio dos Santos Pereira, integrante da Associação dos Moradores da Vila Tronco (Amavtron), não poupou críticas à segurança pública.

– Teve um período em que a gente tinha os Territórios de Paz (programa do governo do Estado), uma polícia que fazia prevenção. Tinha a aproximação da polícia, que aparecia mais – salienta.

Durante a madrugada, outro protesto já havia sido feito por moradores da região, que montaram barricadas em ruas e incendiaram pedações de madeira e pneus. A Brigada Militar foi ao local e utilizou bombas de efeito moral – conforme a corporação, um caminhão dos bombeiros foi apedrejado.

A morte de Ingrid integra estatística alarmante. Reportagem especial publicada em 13 de julho por Diário Gaúcho e Zero Hora mostrou que, em média, uma criança ou adolescente é assassinado a cada três dias na Região Metropolitana. Nos primeiros cinco meses do ano, foram 50 vítimas. No bairro Santa Tereza, além de Ingrid, outros dois adolescentes foram mortos desde domingo.

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