SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

NÃO REAGIU E FOI MORTO A TIROS



ZERO HORA 19 de agosto de 2015 | N° 18266


EDUARDO TORRES


VIOLÊNCIA NA REGIÃO METROPOLITANA

ESTUDANTE FAZIA o trajeto Porto Alegre-Viamão em ônibus. Jonas tinha deficiência auditiva e pode não ter percebido que estava sendo assaltado


O ônibus da linha Fiúza seguia cheio em direção a Viamão, pela zona leste de Porto Alegre, por volta das 22h de segunda-feira, quando quatro homens – pelo menos um deles armado – anunciaram o assalto. O estudante Jonas Schmitt de Labernarde, 21 anos, era um dos passageiros. Estava com o seu notebook, que usava para seguir estudando no caminho entre o curso Técnico de Informática e a casa, na Vila Esmeralda, em Viamão, todas as noites. Jonas tinha apenas 40% da audição e provavelmente não percebeu o que acontecia ao seu redor até ser alvejado por dois tiros fatais.

– O meu filho nunca reagiria a um assalto, principalmente se soubesse que eram quatro assaltantes. Acho que ele se assustou quando tentaram puxar as coisas dele. Só pode ter sido isso – acredita o pai, Jairo Antônio de Labernarde, 41 anos.

Pelo menos uma testemunha confirma que o estudante não reagiu. Ao ser abordado, teria levantado e segurado o objeto – provavelmente um celular – que um dos bandidos tentava lhe arrancar. Foi quando um dos criminosos teria dito ao comparsa: “Queima esse!”.

Os bandidos embarcaram no coletivo no bairro Partenon e, mais tarde, anunciaram o assalto. Fizeram a limpa nas carteiras e celulares dos passageiros antes de desembarcarem na Vila Tamanca. Ali, um Uno os esperava. O motorista ainda seguiu até o batalhão da Brigada Militar em Viamão com Jonas já sem vida. Foi dessa forma que o pedreiro Jairo de Labernarde viu pela última vez o filho.

– Não consigo entender como foram capazes de fazer isso. Era um guri que só fazia o bem, vivia da casa para os estudos e para o trabalho. Sempre nos ajudou e nunca fez mal a ninguém – desabafa.

Mais velho de dois filhos, Jonas havia iniciado a faculdade de Administração e atualmente fazia um curso Técnico de Informática. Trabalhava em uma empresa de recuperação de crédito no centro da Capital. Seu maior sonho era conseguir fazer concurso público.

– Ele ganhava pouco e o que ganhava, ajudava a família. Nossa família está despedaçada – disse o pai.

O caso é apurado pela 15ª DP, que irá analisar as imagens da câmera de segurança do ônibus para tentar identificar os criminosos.


Família tentava novo aparelho auditivo


Entre lágrimas, o pedreiro Jairo de Labernarde ainda carregava na manhã de ontem a papelada do que poderia melhorar a audição do filho. Eles batalhavam por um novo equipamento auditivo pelo SUS.

– Ele tinha aquele aparelho desde os 16 anos e já não estava funcionando direito. Ele me pedia para falar olhando para ele, que ele conseguia ler os meus lábios – conta o pai.

A dificuldade auditiva foi percebida quando Jonas tinha seis anos, com a constatação de que tinha 40% da audição. E nada disso foi obstáculo ao menino.

– Isso prejudicava o ensino dele, mas era um guri persistente. Ele nunca parou de estudar por isso. Se esforçava ainda mais e tenho certeza que conseguiria tudo o que sonhava – afirma Jairo.

Jonas chegou a ser cobrador da empresa Viamão, profissão que abandonou quando ingressou na faculdade. Um dos motivos: o medo dos assaltos. Ele havia sofrido três roubos.

– Todos nós tínhamos medo do que ele nos contava. Quando precisou de tempo para fazer a faculdade, deixou de ser cobrador e foi um alívio para nós. E agora isso foi acontecer justamente em um ônibus – lamenta o pai.
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