SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

VIVER COM MEDO



ZERO HORA 08 de setembro de 2015 | N° 18288


FÊCRIS VASCONCELLOS*



Eu nunca fui roubada. E olha que eu cresci no Sarandi e já morei na Independência, no Centro e na Cidade Baixa – bairros de alto índice de criminalidade. Mas todo mundo que eu conheço já o foi. Uma amiga foi assaltada na Carlos Gomes e o namorado dela teve o carro arrombado e presenciou um tiroteio na João Telles, rua em que mora, na semana passada. Minha dinda foi roubada na esquina de casa no último final de semana, um amigo perdeu o quinto celular para um ladrão há dois meses, outro foi obrigado a deitar de costas para o chão no meio da 24 de Outubro no ano passado e minha mãe teve uma arma apontada para a cabeça em 2008. A situação já está ruim há muito tempo, mas agora tenho andado com mais medo.

Nunca me roubaram o celular, mas me roubaram a tranquilidade. Não me tiraram a carteira, mas me tiraram o direito de andar ouvindo música, distraída, olhando as árvores. Hoje, saio de casa já alerta, sem fones, olhando para os lados o tempo inteiro, pescoço duro de tensão, passos rápidos e braço agarrado na bolsa. São sete minutos a pé até o trabalho no meio da manhã. Quatrocentos e vinte segundos que poderiam ser o início perfeito para um dia ativo, mas viram um aperto diário no peito. Na volta, já no final do dia, a sensação é pior: especialmente se já escureceu, as quatro quadras de caminhada são ainda mais tensas e há dias em que prefiro pagar um táxi que me carregue em segurança até a porta de casa, mesmo que ainda não sejam oito da noite.

Viver com medo é muito triste, mas não nos é estranho. Já nos acostumamos com esse sentimento e isso é o que o faz ainda mais dolorido. Morei também em lugares tranquilos, sem violência. Em Londres, pegava ônibus de madrugada e, mesmo quando passei um ano e pouco em São Paulo, o caminho pela Avenida Paulista até a Rua Augusta para beber com os amigos era feito com muito mais tranquilidade – mesmo à noite. Quando voltei a Porto Alegre, há cerca de quatro anos, voltei também a ter medo. E já me acostumei, exceto nas últimas semanas.

Não dá mais para conviver com isso. Ao mesmo tempo, eu me recuso a pensar que não é mais possível viver na minha cidade. Eu gosto de Porto Alegre, não quero deixá-la nas mãos de quem não merece. A pergunta é: o que eu, cidadã, posso fazer para ajudar a resolver o problema da violência? O que os meus governos estadual e municipal estão fazendo para isso?





Jornalista, editora de entretenimento de ZH Digital
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