SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

COMO UM COMUM DOS MORTAIS



ZERO HORA 05 de outubro de 2015 | N° 18315



SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi




O prefeito José Fortunati sofreu na carne aquilo de que reclama em discursos: a sensação de insegurança que permeia Porto Alegre nos últimos tempos. Foi por volta das 19 horas, com praça cheia, que o tiroteio aconteceu. Poderiam ter morrido pessoas, mas ninguém se feriu. A sorte às vezes ajuda.

Tampouco vai aqui crítica ao fato: faz parte da missão dos policiais perseguir ladrões de carro, como era o caso. E faz parte do trabalho dos agentes da lei trocar tiros com os criminosos, quando esses fazem o mesmo.

Aconteceu de a autoridade máxima da cidade estar presente, testemunhar e ter de fugir, se abrigando em um centro comunitário. Fortunati vivenciou momentos cotidianos para os mortais comuns – e isso que ele tem escolta, algo de que quase nenhum de nós dispõe.

A questão é que para moradores de Porto Alegre disparos em via pública se tornaram rotina. Ainda mais em regiões como a Vila Ipiranga, palco desse fato. Ela é um dos seis bairros de Porto Alegre onde mais se roubam e furtam carros, conforme estatísticas do final de 2013. Foram 255 veículos levados por ladrões naquele ano (não foram divulgados dados recentes). Forte em assaltos, a região também tinha patrões do tráfico tradicionais, como os Bugmaer, todos assassinados recentemente: os irmãos Darci e César (este, emboscado no Hospital Cristo Redentor) e o primo deles, Marco Aurélio.

Todos mexiam com carros roubados, além de cocaína.

As guerras são do submundo, mas a comunidade sofre. E como.






Prefeito conta como fugiu de tiroteio

MAURICIO TONETTO


NA QUARTA-FEIRA, FORTUNATI se preparava para inaugurar a iluminação de uma praça, quando policiais e bandidos trocaram tiros. Para se proteger, ele buscou abrigo em um centro comunitário

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, viu de perto a violência que ele próprio clama que seja combatida com a presença da Força Nacional de Segurança. Na última quarta-feira, às 19h10min, ele se preparava para inaugurar a nova iluminação de uma praça na Vila Ipiranga, Zona Norte, quando criminosos e policiais trocaram tiros a poucos metros de onde estava. Enquanto dezenas de pessoas se jogavam no chão, Fortunati foi levado às pressas para o interior de um centro comunitário.

A Zero Hora, o prefeito relatou que, minutos antes do ato, viu um carro passar a mais de 100 km/h e percebeu que se tratava de uma perseguição. Em seguida, os suspeitos foram encurralados na rua onde ele aguardava a solenidade e atiraram contra uma viatura da Polícia Civil, que revidou. Fortunati foi levado por um grupo de moradores para dentro do Centro Comunitário Ipiranga e aguardou a prisão dos criminosos. Ninguém ficou ferido.

Depois, o prefeito saiu e pediu à população que continuasse com a inauguração da praça. Foi a primeira vez que ele passou por uma situação assim enquanto prefeito. Confira, a seguir, a entrevista concedida a ZH.



“Aquele estampido da pistola é assustador”


JOSÉ FORTUNATI. Prefeito de Porto Alegre

Como foi o tiroteio? O senhor teve de sair às pressas?

Cheguei na Praça da República, na Vila Ipiranga, para inaugurar a nova iluminação. Às 19h10min, desci do veículo para a rua que dá acesso à praça. Na rua perpendicular, passou um carro a mais de 100 km/h e eu ainda comentei “que baita sacanagem, a essa hora correndo assim”, mas logo entendi porque em seguida cruzou uma caminhonete da Polícia Civil atrás do carro. Estava na calçada, entrei na praça, que é cercada, e, quando atravessei a cerca e estava me aproximando do prédio da associação dos moradores, o automóvel deu a volta na quadra e acabou entrando na nossa rua. Ele não se deu conta que ela estava trancada. A caminhonete da Polícia Civil veio atrás e um dos bandidos começou a atirar contra a polícia, que reagiu. O que aconteceu? As pessoas se jogaram no chão. Como eu estava próximo da sede da associação, entrei e aguardei que terminasse o tiroteio e os bandidos fossem presos. Saí normalmente, olhei, mas não me aproximei muito por uma questão de segurança. Vi que os dois estavam devidamente algemados. Chamei os moradores, disse que estava calmo e fizemos o ato de entrega da iluminação.

O senhor temeu por sua vida?

Não temi pela minha vida. Temi pela vida de quem estava lá fora. O que eu quero destacar: é isso que queremos, polícia atuando, e não o contrário. O pessoal reclama muito de furtos de veículos na Vila Jardim e de que não há policiamento. Quando tem, vamos elogiar. Eles (policiais) atiraram para o alto, são preparados para isso, mas (isso) assustou. Aquele estampido da pistola é danado, é assustador.

Foi a primeira vez que passou por uma situação dessas?


Como prefeito, foi a primeira vez que isso aconteceu.

Vai rever sua segurança?


Tenho a minha segurança normal. Eles fazem curso de preparação com a Brigada Militar e já fizeram com a Polícia Federal. É uma equipe bem preparada e está dentro do contexto. Também não dá para entrar num processo exagerado. O Papa (João Paulo II) não foi atingido aquela vez? Quantos presidentes dos Estados Unidos não foram baleados? Então, tem de tomar cautela e sou favorável a ela, sem exagerar.

É curioso que o incidente tenha ocorrido em meio aos pedidos que o senhor fez para que a Força Nacional atue em Porto Alegre.


Pois é. Conversei com o governador José Ivo Sartori e com as entidades de servidores da segurança pública e o pessoal não quer a Força Nacional. Eu disse que, para mim, é emblemática a presença da Força porque mostra um choque de segurança, mas também disse que, se eles tiverem outras propostas para mostrar um choque de segurança, elas são bem-vindas. É isso que estamos precisando no momento.









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