SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

DUAS EXECUÇÕES, REVOLTA E MEDO



ZERO HORA 09 de dezembro de 2015 | N° 18380


EDUARDO TORRES*


ADOLESCENTE DE 14 ANOS e jovem foram assassinados por homens encapuzados na Capital. Para moradores, menino não era alvo


Área dominada pelo tráfico de drogas e disputada por facções, a Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, viveu ontem mais uma manhã tensa após o assassinato de duas pessoas, entre elas um adolescente de 14 anos que, conforme moradores e a Brigada Militar, não teria envolvimento com o crime. Alisson Couto dos Santos foi executado dentro de casa perto das 6h30min por cinco homens com roupas pretas e encapuzadas. Praticamente em frente à casa da família, o restante dos criminosos executou, com tiros pelas costas, Jones Filipe Cabral dos Santos, o Alemão Jonas, 26 anos, que estaria perambulando no Beco do Lula. Conforme a polícia, ele estava na casa do adolescente e tentou fugir dos atiradores, mas foi atingido.

Preocupada com a violência e insegurança dos últimos dias na Vila Pedreira, Liliane Couto, 36 anos, mãe de Alisson – devido à suposta invasão da região por traficantes da Vila Cantão – pediu ao filho para que dormisse no quarto dela, junto com a irmã, de nove anos.

– Meu medo sempre foi uma bala perdida, porque o Alisson dormia na sala, bem na frente da casa – conta a mãe.

Pois ele novamente dormiu na sala e, no início da manhã, foi surpreendido pelo bando que arrombou a porta de madeira. Aos gritos de que eram policiais, ainda mandaram o adolescente ligar a luz antes de o executarem com tiros na cabeça em frente à mãe e à irmã.

– Gritava que era o meu filho e um deles me pegou pelo braço dizendo para ficar quieta porque eram da polícia. Mas aí, mataram meu menino. Nunca se envolveu com nada de errado. Era inocente. Vivia da casa para o colégio e para o futebol – desabafa Liliane.

Conforme a delegada Elisa Souza, que investiga o caso pela 6ª DHPP, Alisson não tinha antecedentes criminais, mas ela vê indícios que a escolha da casa pelos criminosos não foi aleatória.

– Ao que tudo indica, o adolescente era o alvo dos matadores. A motivação ainda é investigada, mas já sabemos que os executores eram ligados ao tráfico de drogas e vinham da Vila Cantão – diz a delegada.

O grupo de bandidos fugiu a pé da vila e, em seguida, a Vila Cruzeiro voltou a viver uma manhã de medo. Os moradores seguiram até a Rua Ursa Maior, que dá acesso à Vila Pedreira, para protestar contra a morte do menino.

Em meio à confusão, um ônibus da linha T3 foi atacado por dois assaltantes, que teriam ameaçado incendiar o veículo. O roubo não teria relação com o protesto dos moradores. Em seguida, os dois suspeitos foram presos, mas as linhas que cruzam a região da Cruzeiro deixaram de circular durante quase toda a manhã.

*Colaborou Maurício Tonetto





Morto três anos depois do primo


No domingo, a comunidade da Vila Pedreira recordou os três anos da perda de outro menino de 14 anos morto também a tiros e por criminosos que se anunciavam como policiais. Adriano Santos dos Santos, o Pelezinho, foi executado na entrada do Beco do Lula. Pelezinho era primo do Alisson. Até o momento, a polícia não encontrou elementos que liguem os dois crimes.

– Infelizmente, nesse lugar, essa é a sina de qualquer um. Preferia perder a minha vida do que perder mais um neto – desabafa a avó dos dois meninos, Maria Madalena Couto, 60 anos.

Alisson estava no sexto ano do Ensino Fundamental e frequentava projetos sociais no turno inverso ao da escola.



Alemão chegou a tentar fugir


Outra vítima de ontem era Alemão Jonas. Conhecido por quase todos os moradores da Vila Pedreira, segundo os familiares, ele era usuário de drogas, mas não teria envolvimento com o tráfico.

– Era um rapaz que não fazia mal para os outros. Ajudava os vizinhos com compras e no que precisassem – conta a cunhada, Tamires Munhoz, 28 anos.

Com antecedentes por furto, roubo e receptação, conforme a polícia, Jones havia saído da cadeia havia poucos dias. E viveria de favores. Segundo os investigadores, eventualmente ganhava comida e permanecia na casa da família do Alisson. No momento do crime, estava ali. A polícia não confirma se havia dormido no local, ou se era, de fato, o alvo do bando.





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