SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 31 de janeiro de 2015

BALAS PERDIDAS?

REVISTA ISTO É N° Edição: 2357 | 30.Jan.15


Depois da bem-sucedida implantação das UPPs, a violência volta a assustar o Rio de Janeiro, com a volta do crime organizado nas áreas onde o Estado não está presente

Rogério Daflon




Não bastasse o aumento da criminalidade, e consequente insegurança, o primeiro mês do ano chega ao fim com uma estatística apavorante no Rio de Janeiro de uma vítima de bala perdida por dia. Até a sexta-feira 30, a região metropolitana contabilizou 31 pessoas atingidas – cinco delas morreram. O termo bala perdida foi criado pela imprensa carioca e adotado pela estatística oficial em 2007, a partir de um pedido do atual secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Não à toa. O ano de 2007 se mantém com o pior índice, com 279 pessoas baleadas e 21 mortas. Em 2009, após a implementação da política das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), o número de mortos foi quase três vezes menor, à semelhança do que ocorreu com outros crimes. Mas o aumento das balas perdidas em 2015, somado ao volume maior de crimes violentos e ações policias desastradas, põe em xeque a própria UPP, um projeto de sucesso na fase de implantação, e expõe a crise por que passa a segurança pública no Estado. O segundo passo das UPPs, que seria ocupar os morros com o Estado – escolas, espaços culturais, postos de saúde –, não veio e a criminalidade está se reorganizando. “A situação é delicada, porque melhorar os procedimentos da polícia comunitária é muito difícil numa situação tensa”, diz a antropóloga Alba Zaluar, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos.


INSEGURANÇA
Acima, os pais do estudante Alex Schomaker, Andrei e Mausy
- morto num assalto aos 23 anos - durante sua formatura póstuma
na segunda-feira 26. Abaixo, cariocas se protegem de tiroteio



Para Alba, a grande quantidade de balas perdidas tem relação direta com o recrudescimento dos confrontos armados entre traficantes e policiais, em áreas com UPPs como a Favela da Rocinha, na zona sul, e o Complexo do Alemão, na zona norte, e em outras partes da metrópole sem ocupação. Em entrevista à IstoÉ, o secretário José Mariano Beltrame disse que, numa crise aguda como essa, a pressão toda recai sobre a polícia, mas há outras ações a serem feitas. Dois anos após a primeira e bem-sucedida UPP do Morro Santa Marta, na zona sul, a chamada UPP social, administrada pela Prefeitura do Rio, anunciou que faria um trabalho com os jovens, a fim de evitar que eles fossem novamente cooptados pelo tráfico de drogas. “Se você perguntar para a UPP Social e até para o governo federal, eles vão dizer que fizeram um trabalho nesse sentido, mas nada que tivesse surtido o efeito desejado”, diz Beltrame. Segundo o secretário, governo do Estado e prefeitura não tiveram celeridade para implementar serviços públicos nas áreas ocupadas. “Falta velocidade dos outros setores do poder público no Rio. Quando se leva segurança para essas áreas, é para se garantir o ir e vir também do caminhão do lixo, do médico da família, da assistente social”, diz o secretário.


"Falta velocidade dos outros setores do poder público no Rio"
José Mariano Beltrame, secretário de Segurança

Os pais do estudante Alex Schomaker, assassinado aos 23 anos com quatro tiros no dia 8 de janeiro, numa tentativa de assalto em Botafogo, na zona sul do Rio, consideram que o Estado está ausente. “O Estado matou meu filho. O lugar onde ele foi morto está sempre mal iluminado, sem poda de árvores, e isso tem sido reivindicado há muito tempo. A UPP criou uma falsa ilusão de segurança no Rio”, disse a mãe, Mausy Schomaker. O casal foi à formatura do filho na segunda-feira 26, que se formaria em ciências biológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fizeram questão de sentar nas fileiras reservadas aos formandos, pegar o certificado de conclusão de curso de Alex e ler uma carta para ele. A cerimônia, no Instituto de Biologia, se transformou em uma homenagem ao jovem, com um painel de fotos dele ao fundo. Num dos momentos mais emocionantes, todos cantaram e disseram: “Eu sou Alex”. A cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, diz que a indignação com a violência mostra que a indiferença da sociedade está diminuindo.

Na visão do cientista político João Trajano, do Laboratório de Análise de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o problema é que, nas UPPs, a lógica da política se sobrepõe à dos profissionais de segurança pública. “Em 2015, teremos 40 UPPs no Rio. Elas têm sido feitas de maneira intempestiva”, diz Trajano, ressaltando a hipótese de as UPPs promoverem a migração de bandidos para outras áreas da capital e da região metropolitana.




Fotos: Alexandre Cassiano/Ag. O Globo; Vítor Silva/Futura Press

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O PACÍFICO BRASIL E SEUS MILHARES DE MORTOS




Por Bene Barbosa*


O Brasil é novamente o país com mais cidades no ranking das 50 mais violentas do mundo, de acordo com recente levantamento da organização não governamental mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. Delas, 19 são brasileiras, sendo nove capitais da Região Nordeste do país. Essa foi a quinta edição do ranking que considerou apenas cidades com mais de 300 mil habitantes e levantou dados disponibilizados pelos governos.

Os números são alarmantes, nenhum outro país teve tantas cidades incluídas na listagem. Depois do Brasil, o segundo colocado foi o México, com dez, quantitativo que quase corresponde, apenas, aos municípios nordestinos brasileiros constantes do rol.

A pior performance no país foi a da capital paraibana, João Pessoa, com um índice de homicídios de 79,41 por 100 mil habitantes, seguida de muito perto por Maceió, com 72,91 por 100 mil.

A Organização das Nações Unidas estabelece como aceitável o índice máximo de 10 homicídios por 100 mil habitantes. A partir daí, a violência é considerada epidêmica. É o triste caso de muitas cidades do Brasil.

A compreensão das causas da criminalidade é complexa. Porém, na análise do fenômeno regional, alguns fatores surgem claros como contributivos para a instauração do quadro atual.

O que se evidencia, além da expansão das atividades relacionadas ao tráfico de drogas, que se instalaram no país de forma rápida e com pouca resistência, é a utilização de uma estratégia equivocada no combate à violência.

O governo federal considerava – ou dizia considerar - o desarmamento civil como a solução para altos índices de homicídio. Após onze anos da Lei 10.826/2003, mais conhecida como Estatuto do Desarmamento, e mais de meio milhão de armas de fogo retiradas de circulação por meio de campanhas de entrega voluntária, quando são analisados os efeitos da política desarmamentista na circulação de armas de fogo no Brasil e no número de homicídios, a conclusão da ineficiência se reforça.

Nenhuma outra região do país teve tanto investimento em campanhas de desarmamento como o Nordeste. E os dados do Ministério da Justiça indicam que, no recolhimento de armas, ali se conseguiu uma ótima adesão. Nas primeiras edições da campanha, Sergipe e Alagoas foram os estados com maior número de armas entregues, mas isso, como mais uma vez se mostra, não produziu nenhum efeito no número de homicídios. As capitais dos dois estados continuam entre as 50 cidades mundialmente mais violentas. Importante também frisar que o nordeste é, de acordo com dados da Polícia Federal, a região com o menor número de armas legais.

Enquanto se investe em retirar de circulação armas dos cidadãos de bem – as únicas atingidas por campanhas de desarmamento -, e impedir que os brasileiros permaneçam com suas armas regularizadas que, opressos por uma legislação burocrática e morosa, são empurrados para a irregularidade somente por querer exercer um direito constitucional, o tráfico se expande pelo país. Uma organização criminosa extremamente “profissional” sendo combatida de forma surpreendentemente amadora.

É certo que os criminosos não adquirem armas de fogo em lojas legais de armas, tendo fácil acesso a armamentos através do desenfreado contrabando que assola o país. E, a cada estudo a situação brasileira parece piorar. É necessário adotar medidas urgentes e efetivas para evitar mais mortes.

Interessante lembrar que o México, o segundo país com mais cidades violentas do mundo, a restrição à posse legal de armas também é fortíssima sendo que há apenas uma loja de arma legal no país todo e a mesma é controlada diretamente pelos militares.

Enquanto isso, nos EUA, os americanos com seu alardeado belicismo, com suas guerras, com suas penas de morte, com suas prisões perpétuas e com mais de 10 milhões de armas entrando no mercado legalmente e abastecendo o mercado civil anualmente veem ano após ano, ver cair todos os índices de criminalidades, que já são baixíssimos.

É exatamente isso que mostram os números divulgados, no último dia 26, pelo FBI em seu relatório semestral sobre crimes violentos e contra a propriedade. Os crimes violentos, entre eles homicídios e estupros, tiveram uma queda de 4,6% no primeiro semestre de 2014 em comparação ao mesmo período de 2013. Já os crimes contra o patrimônio tiveram uma queda mais expressiva ainda de 7,5%. Pobres coitados americanos com suas mais de 300 milhões de armas nas mãos da população. Bom é o desarmado e pacífico Brasil...



*Bene Barbosa é bacharel em direito, especialista em Segurança Pública e Presidente da ONG Movimento Viva Brasil.



ENVIADO POR...
Mariana Nascimento

NÃO VAMOS NOS CONFUNDIR



JORNAL DO COMÉRCIO 30/01/2015



Paula Ioris




A entrevista (Jornal da Lei, edição de 27/01/2015 do Jornal do Comércio) do professor de Direito de uma universidade paulista é surpreendente. De que País esse jovem está falando? Essa entrevista preocupa, pois vai contra o que a nossa nação precisa fazer em termos de segurança pública, não podemos deixar nos confundir. Ele afirma que as ações dos governos tem sido “incremento de leis, construção de presídios, compra de viaturas, armamentos e contratados policiais”. Fala também da necessidade de reduzir a desigualdade social.


Ele está se referindo ao estado de São Paulo, onde os dados mostram que o investimento na repressão reduziu os índices de criminalidade. São Paulo está muito melhor que o Rio Grande do Sul. Na capital gaúcha, segundo o último Mapa da Violência, são 32,2 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Já na capital paulista, são 10,4. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera aceitável até 10 por 100 mil. São Paulo investiu no “feijão com arroz”: crescem os investimentos em tecnologia, no aumento do efetivo, em valorização policial e na compra de equipamentos.

O jovem professor entrevistado afirma ainda que o sistema prisional aumenta o crime, muito se ouve falar que os presídios são “universidade do crime” e ele até sugere deixar “o furtador solto” que a consequência para a sociedade seria menor. É verdade que o sistema prisional está falido, porque há muito não se investe de forma organizada. O sistema prisional precisa evoluir, e não deixar o criminoso solto. Nossa visão é de que cada município deva ter o seu presídio, presídios menores, e nesses locais ficarem infratores de baixa periculosidade com programas de reintegração social. Aos presídios de segurança máxima, serem triados os criminosos de alta periculosidade e o crime organizado.

É perfeita a sugestão, do professor, em relação a uma Política Nacional de Segurança Pública. Mas frente ao governo atual, estamos longe de ver isso acontecer, teremos que em curto prazo atuar como Estado, pois é urgente para o resgate de nossa dignidade. Esperamos que o governador José Ivo Sartori (PMDB) siga o exemplo de São Paulo e não se confunda com redução das despesas igual a aumento da criminalidade.

Da ONG Brasil Sem Grades/Núcleo da Serra gaúcha


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Disse muito a autora Paula. Não confundir uma questão de justiça criminal inserida numa supremacia de interesse público com gestão político-partidária  com finalidade eleitoreira e falaciosa. A segurança pública é um direito do cidadão e da população em geral que, no estado democrático de direito, obrigatoriamente envolve ações, processos e decisões judiciais, administrativa, legislativa e de execução penal, num sistema sincronizado, integrado, ágil, coativo e de mútuo comprometimento. Citar a desigualdade social como fator de crime é falacioso, já que há  bandidos muito bem instruídos e protegidos por imunidades, amplos prazos e variados recursos. Ocorre que o Brasil é vítima de leis permissivas, de uma justiça leniente e de governantes que negligenciam a execução penal, favorecidos justamente pela fuga de obrigações de quem faz as leis e de quem as aplica.

Em relação á questão prisional, concordo plenamente com o que disse a Paula de que cada cidade deveria ter o seu presídio do nível mínimo de segurança, um centro técnico prisional capaz de abrigar apenados que realmente queiram se reeducar, se reintegrar e se ressocializar, livres do mando das facções, próximo aos seus familiares e com oportunidades dadas pela comunidade local, tendo o devido controle,  monitoramento e assistência de um órgão especializado do Judiciário.

A falência do atual sistema prisional retrata a ineficiência da justiça criminal brasileira, sem sistema, sem independência técnica, permissiva e leniente; fomentando a segregação das forças policiais e prisionais; promovendo a separação dos poderes do Estado uno e indivisível; alimentando egos corporativos que contamina e partidariza as instituições; e fomentando omissão, cegueira, desvios de finalidade, jogo de empurra e fuga de obrigações no poder-dever de agir dos poderes em relação à políticas penitenciárias, execução, fiscalização, normatização, supervisão, denuncia e aplicação efetiva e dura da lei de execuções penais.

Só não concordo com uma "Política Nacional de Segurança Pública", por manter a nefasta gestão político-partidária em questões técnicas de justiça criminal. A minha sugestão é a criação do SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL, independente, desburocratizado, ágil, coativo e envolvendo os três Poderes e suas instituições com deveres e obrigações pertinentes à garantia do direito à justiça e segurança pública, amparado em leis severas, focado na finalidade pública e observando de forma obrigatória e permanente a supremacia do interesse público. A gestão político-partidária, as leis permissivas, a leniência da justiça e a segregação da forças policiais e prisionais são causas de ineficiência, inoperância, divergências, desvios de finalidade, impunidade, insegurança e descrédito da justiça.

SOCORRO AÉREO. GOVERNO SARTORI RECUA, MAS TROCA EQUIPE


ZERO HORA 30 de janeiro de 2015 | N° 18058

CLEIDI PEREIRA


Estado recua e mantém serviço


UM DIA DEPOIS de anunciar o fim do atendimento aeromédico, secretário agora diz que vai manter o trabalho, trocando toda a equipe


O governo do Estado voltou atrás na decisão de acabar com o serviço de atendimento aeromédico, que há dois anos vem sendo realizado por meio de um termo de cooperação entre Samu e Brigada Militar. Em entrevista a ZH na quarta-feira, o secretário de Saúde, João Gabbardo, disse que a atividade era “totalmente dispensável” e que o atendimento poderia ser feito por via “terrestre com uma eficiência melhor”.

Ontem, após o assunto repercurtir negativamente, Gabbardo afirmou que havia sido mal interpretado e que estaria se referindo à equipe de 15 profissionais – médicos e enfermeiros do Samu – contratados pela prefeitura de Imbé, no Litoral Norte, com verba repassada pelo Estado. Segundo o secretário, o termo de cooperação com o Samu será renovado, mas o grupo deverá ser substituído por profissionais vinculados ao Estado e, ao contrário de hoje, sem dedicação integral ao serviço aeromédico.

– Vai haver cobertura e gente suficiente para fazer o trabalho. Isso não vai se refletir em prejuízo para a população – argumentou.

Anteontem, Gabbardo havia dito que o acordo não seria renovado e que o atendimento voltaria a ser feito como no passado: pela BM (sem o suporte de médicos e enfermeiros) e, se necessário, por empresas privadas. O secretário reiterou que é incerto o futuro das duas aeronaves adquiridas na gestão passada, ao custo de R$ 26 milhões (70% do valor já foi pago), e que deverão ser entregues em fevereiro.

Ex-coordenador estadual do Samu e chefe da equipe, Maicon Vargas lamenta a decisão, embora ainda não tenha sido informado oficialmente. De acordo com ele, o Estado investiu na capacitação do grupo, e trocá-lo por profissionais sem preparo específico para o atendimento aeromédico seria “temerário”.

Vargas conta que os médicos e enfermeiros estão trabalhando sem receber há quatro meses, devido ao atraso no repasse do Estado para as prefeituras da verba destinada ao custeio do Samu. Ele ressalta que os profissionais “foram escolhidos a dedo” pela vasta experiência e que nenhum possui vínculo político:

– É triste ver um serviço que está se alavancando, um trabalho feito com esforço ser desmanchado por questão que só pode ser pessoal. Não é justo com a gente e muito menos com a população. Uma vida não tem preço. Se tivesse sido feito apenas um atendimento em dois anos, ainda assim teria valido a pena.

Conforme Vargas, foram feitos 140 atendimentos em 12 meses, como o resgate dos praticantes de rapel em Maquiné e das vítimas do acidente com ônibus da Unesul em Glorinha. A secretaria considera apenas 24 no último ano. A pasta leva em conta só dados registrados pela central de regulação do Samu, mas seriam mais de uma as origens dos chamados.



“É retrocesso”, afirma capitão

LARA ELY

Na véspera de receber uma homenagem no Litoral pela atuação no resgate em Maquiné, enfermeiros e médicos que compõem a equipe de resgate aéreo ficaram sabendo pela imprensa que seus serviços serão dispensados. A revolta tomou conta do grupo que quatro dias antes atuou no resgate das vítimas do ataque de abelhas.

A reestruturação pretendida pelo governo, segundo o capitão Felipe de Oliveira, do Batalhão de Operação Aérea, significaria a terceirização do serviço hoje viabilizado por convênio entre Samu e prefeitura de Imbé. Contratar profissionais para salvamento em áreas de risco, de acordo com ele, é um retrocesso. Para Oliveira, isso tiraria a velocidade de atendimento adquirida nos últimos dois anos. Sem enfermeiros e médicos, diz ele, as chances de sobrevivência dos resgatados diminuiriam.






quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

NÚMERO DE HOMICÍDIOS NO RS EM 2014 É MAIOR DESDE 2002

ZERO HORA ONLINE 29/01/2015 | 13h58

por Bruna Scirea

 

Conforme a Secretaria de Segurança Pública, houve um aumento de 22% no número de casos no último ano em relação a 2013


Secretaria de Segurança Pública contabilizou 2.346 assassinatos em 2014 Foto: Eduardo Alex Soares / Arquivo pessoal

O Rio Grande do Sul registrou, em 2014, o maior número de homicídios dos últimos 13 anos — desde que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado começou a cadastrar as ocorrências, em 2002. Foram 2.346 assassinatos, uma média de seis por dia. O número corresponde a um aumento de 22,5% em relação a 2013, quando foram contabilizados 1.914 casos.

Em relação ao ano em que houve o menor número de homicídios no Estado — 2004, quando foram registrados 1.317 casos —, o aumento em 2014 foi de 43%. É a primeira vez que os homicídios passam de 2 mil casos por ano no Rio Grande do Sul.





Os dados divulgados pela SSP nesta quinta-feira revelam também o aumento de 12% no número de furtos e roubos de veículos no Estado em relação a 2013. Em 2014, foram 3.271 casos — o que significa dizer que, a cada hora, em média, três veículos foram levados por ladrões. Esta é a maior soma dos últimos oito anos — em relação aos 12 anos anteriores, o dados só não é maior do que o de 2006, quando foram contabilizados 33.841 furtos e roubos de veículos.

Outro dado alarmante se refere ao aumento de quase 100% em ocorrências de sequestro no último ano. Em 2014, foram contabilizados 34 casos — em 2013, haviam sido 18. Por outro lado, em comparação com o ano anterior, houve redução no número de latrocínios (quando se mata para roubar): foram 119 casos em 2014, contra 129 em 2013.




Mais de 90% das vítimas de homicídios tinha passagem pela polícia, diz DHPP


De acordo com o delegado Paulo Rogério Grillo, que comanda o Departamento Estadual de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), os crimes de homicídio são prioridades da Polícia Civil. O crescente número tem chamado a atenção do policial, principalmente no que diz respeito ao perfil das vítimas. Segundo ele, em mais de 90% dos casos, as vítimas já tinham passagem pela polícia por roubo, tráfico ou porte de arma.

— Disso concluímos: esses homicídios estão acontecendo por desavenças entre criminosos. O problema é que a sociedade acaba ficando exposta também. O que podemos é tentar prevenir esses crimes elucidando os casos e, com isso, diminuindo a sensação de impunidade — afirma o Grillo.

De acordo com o sociólogo Rodrigo Azevedo, pós-doutor em Criminologia, o aumento nos crimes contra a vida no Rio Grande do Sul reflete uma tendência nacional. De acordo com o pesquisador, após uma década de estatísticas em queda em todo o país, os números vêm em curva ascendente desde 2012. Entre os motivos listados por Azevedo, estão o esgotamento das políticas de Segurança Pública, a morosidade da justiça criminal e o descontrole nos presídios — segundo ele, superlotados e dominados por facções criminais.

— O nosso modelo de policiamento e a desconexão entre o policiamento ostensivo e a investigação criminal não foram enfrentados, e não há até agora iniciativas importantes em relação a isso — avalia o sociólogo.

A este complexo contexto, Azevedo ainda acrescenta outro fator: a questão do controle de armas no Brasil. Conforme o pesquisador, após a legislação de 2003, a polícia atuou com foco no recolhimento de armas e nos crimes de porte ilegal no país — ações que deixaram de ser prioridade nos últimos anos, acredita.

— Diferentemente da manifestação do secretário Wantuir Jacini (Segurança Pública), que colocou a responsabilidade dos dados divulgados na figura do usuário de droga, acredito ser mais viável e efetiva uma política de controle de armamento, que tem sido deixada de lado nos últimos anos — afirma.

* Zero Hora

GUERRA DO TRÁFICO EXPLODE NO RS

ZERO HORA 29/01/2015 | 07h03


por Eduardo Torres

Guerra do Tráfico. Morte de traficante em Tramandaí desencadeou seis assassinatos em Porto Alegre. Desde o assassinato do traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, o Beco dos Cafunchos, no Bairro Agronomia, virou o epicentro da possível vingança dos seus aliados



Série de mortes decorrentes de uma guerra do tráfico no Beco dos Cafunchos, também conhecido como Vila dos Herdeiros, no Bairro Agronomia, em Porto Alegre Foto: Eduardo Torres / Diário Gaúcho

Mesmo em período de férias escolares, e com o calor do verão, não há crianças correndo pelas ruas do Beco dos Cafunchos — também conhecido como Vila dos Herdeiros —, no Bairro Agronomia, Zona Leste da Capital. A cada carro diferente, ou pessoa estranha nas ruas da comunidade, os olhares de desconfiança se multiplicam. Ali, todos temem pelo próximo tiroteio.


A comunidade com cerca de mil famílias vive, desde o começo do ano, refém de uma guerra que a maioria nem imagina o motivo. No intervalo de apenas um mês, seis pessoas foram assassinadas na localidade. A principal suspeita da polícia é de que a região virou o epicentro de um conflito de traficantes, que teve o ápice no assassinato de Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, 35 anos, em Tramandaí, no dia 4 de janeiro. Para vingar a morte de um dos principais patrões do tráfico da Região Metropolitana, criminosos teriam iniciado uma caçada ao traficante conhecido como Tereu, suspeito de ser o patrão do tráfico no Beco dos Cafunchos e mandante do assassinato.

Pelo menos três investidas violentas, com atiradores chegando em carros e atacando a entrada do ponto de tráfico, são investigadas pela polícia. Enquanto Tereu continua escondido, os efeitos colaterais são sentidos no dia-a-dia de toda a vizinhança, como na parede de um mercado logo na entrada da Rua João Antônio Lopes, onde a massa corrida tenta cobrir as marcas de tiros deixadas na parede. Quando não são visíveis, as marcas são psicológicas.

Até carnaval corre risco

Uma mulher de 73 anos, moradora de uma casa de madeira, recorre às paredes mais firmes. Esconde-se no banheiro quando os disparos começam. Ultimamente, isso não tem sido raro. A partir das 20h, o Beco dos Cafunchos fica ainda mais silencioso. Segundo moradores, só quem circula são os capangas do tráfico. Ao estilo dos traficantes cariocas quando acuados em morros, criminosos fortemente armados guarnecem as três possíveis entradas para a vila, às margens da Represa da Lomba do Sabão, no limite entre Porto Alegre e Viamão.

Quem paga o preço são os moradores. Até mesmo o tradicional carnaval de rua, que no ano passado reuniu em torno de duas mil pessoas na Rua João Antônio Lopes, está ameaçado. Os organizadores da escola de samba Império dos Herdeiros pensam em desistir do evento.

De acordo com o chefe de investigação da 1ª DHPP, Fernando Barreto, mesmo que o vínculo da maioria das vítimas dos homicídios com o tráfico já esteja claro para a polícia, nenhum dos casos evoluiu para se chegar à autoria. A Brigada garante que mantem policiamento reforçado na região.

— Estamos com operações constantes nessa localidade, com o apoio do BOE, inclusive apreendendo armas em poder desses criminosos. Nós não reconhecemos qualquer liderança no tráfico. Se for flagrado ou tiver mandado de prisão contra quem for, vamos prender — assegura o capitão Alexsander Duarte, que responde pelo comando do 19º BPM.

Táxi só da vila para fora

A rotina insegura já fez alguns desistentes. Na última semana, pelo menos três famílias teriam ido embora, deixando as casas para trás, na Estrada Antônio José Santana. Pudera, não fossem só os tiroteios, há as restrições provocadas por eles. Nos últimos dez dias, desde que os atiradores invadiram a vila usando um táxi, a entrada desses veículos foi proibida na localidade.

Traficante teria reforço carioca


Depois de ter sido citado pela polícia como o principal suspeito de ter ordenado a morte de Xandi, em Tramandaí, Tereu teria sumido do Beco dos Cafunchos. Na comunidade, os boatos dão conta de que ele teria viajado para o Rio de Janeiro. Quando voltou, dias depois, estaria acompanhado de pelo menos quatro cariocas, supostamente, encarregados de garantirem a segurança dele e da vila contra as investidas dos inimigos.

— São caras estranhos aqui, que caminham pelas ruas olhando todos de cima abaixo e controlando todos que entram na comunidade — confirma um morador.

A informação já chegou à polícia, mas não há qualquer confirmação.

— Potencial para isso nós sabemos que ele tem. É um dos principais patrões do tráfico na Zona Leste — diz o delegado Mario Souza, do Denarc.

Investigado pelo departamento, tereu nunca foi preso por tráfico. Agentes da 21ª DP, que atuam na área, também já agiram intensivamente no Beco dos Cafunchos.

— Não consigo entender de onde vem todo esse poder alardeado ao Tereu. Quando agimos ali, encontramos pequenos pontos de tráfico sem qualquer ostentação. E ele raramente se envolve diretamente na venda da droga — afirma o delegado Marcos Machado.

Criado na região, Tereu, há pelo menos sete anos, é apontado pela polícia como o líder da quadrilha que atua ali. A suspeita é de que a atual guerra não representa necessariamente uma tentativa de tomada dos pontos de tráfico. O objetivo principal, acreditam os investigadores, seria a demonstração de poder de lado a lado.




O estopim no baile funk

O estopim do conflito entre os dois bandos também expôs diversos inocentes, em novembro do ano passado, na Stuttgart Danceteria. Foram 16 pessoas feridos. Tiago Querubim Silveira, de acordo com os investigadores da 2ª DHPP, era ligado ao tráfico na Vila Cruzeiro e parceiro do Xandi e foi morto no tiroteio dentro da boate. Os suspeitos seriam aliados do Tereu.

— Desde então, nossa vida virou um inferno, porque todos sabiam que a vingança viria — comenta um morador dos Cafunchos.

Na semana anterior ao confronto, os dois patrões teriam se desentendido durante um show de funk na mesma casa noturna. Testemunhas afirmam que teriam trocado socos. Um jurou o outro de morte.

Conforme o delegado Paulo Perez, da DP de Tramandaí, esse elemento estaria entre os que colocam Tereu como o principal suspeito de ter ordenado o assassinato de Xandi. O delegado afirma, no entanto, que por enquanto não há elementos que comprovem isso. Ninguém foi indiciado.

Mortes na madrugada foram de graça


Na madrugada de ontem, a contagem de mortes no Beco dos Cafunchos foi aumentada com os assassinatos de José Elias da Silva Gomes, 51 anos, e Everton Jorge Paim Fittel, 37 anos. Um homem de 25 anos foi baleado e socorrido ao HPS. Outro homem conseguiu escapar sem ferimentos. De acordo com os investigadores da 1ª DHPP, no entanto, a suspeita é de que eles morreram de graça, sem nenhuma relação com os atuais conflitos na região. Os atiradores seriam da vila e, segundo o depoimento de um dos sobreviventes, teriam atacado o grupo na parada de ônibus da Avenida Bento Gonçalves, na entrada do beco.

— Teriam tentado roubar os tênis de um deles. Pode ter havido reação, então atiraram — afirma o chefe de investigação, Fernando Barreto.

Os criminosos fugiram em direção ao Beco dos Cafunchos, deixando para trás um Santana roubado.

TRIO COM ARMAS ILEGAIS É PRESO EM FRENTE A HOSPITAL



ZERO HORA 29/01/2015 | 04h46


Homens armados são presos em frente ao Hospital Cristo Redentor em Porto Alegre



Polícia vai investigar se homens planejavam executar um paciente baleado que está internado ou se eram amigos do ferido

Três homens foram presos e um jovem apreendido na noite desta quinta-feira, em frente ao Hospital Cristo Redentor, na zona norte de Porto Alegre. A prisão aconteceu por volta das 23h.

Segundo a Brigada Militar, um adolescente de 15 anos e um homem estavam armados com revólveres no local. Durante o flagrante — por porte ilegal de arma —, um carro também foi apreendido.

A BM suspeita que os indivíduos estariam planejando matar um paciente, um homem de 33 anos, que deu entrada no hospital após ter sido baleado no bairro Rubem Berta. A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil, que trabalha com a hipótese de que os presos seriam amigos do paciente baleado e estariam fazendo uma espécie de proteção na frente do hospital.

O adolescente não quis se manifestar durante depoimento ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Ele e o outro homem que também estava armado vão ficar detidos. Os outros dois indivíduos serão liberados após prestarem depoimento no Palácio da Polícia.

Em outubro de 2014, Cesar da Fé Bugmaer foi morto em um leito do Hospital Cristo Redentor. Depois do crime, o hospital mudou o horário de visitas e passou a exigir identificação dos visitantes por meio de um documento com foto.


 As informações são da Rádio Gaúcha.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Qual é a punição para o porte de arma ilegal? Estes bandidos devem ter sido soltos em seguida e tudo fica por isto mesmo.

ATENDIMENTO AEROMÉDICO DEVE ACABAR NO GOVERNO SARTORI


Atendimento aeromédico do governo estadual deve acabar Divulgação/Governo do RS
ZERO HORA 29 de janeiro de 2015 | N° 18057


GOVERNO SARTORI. Atendimento aeromédico deve acabar



Após investimento de quase R$ 26 milhões na compra de dois helicópteros, o serviço de atendimento aeromédico do Estado, implantado em 2012, deverá ser desativado pelo governo estadual.

Para o secretário da Saúde, João Gabbardo, o trabalho realizado por equipe de 15 médicos e enfermeiros, por meio de um termo de cooperação entre Brigada Militar e Samu, é “totalmente dispensável”.

Coordenador do serviço, Maicon Vargas classificou a decisão um retrocesso. Ressaltou que, nos últimos 12 meses, o grupo realizou 140 atendimentos, entre eles os resgates dos praticantes de rapel em Maquiné e das vítimas do acidente com ônibus da Unesul em Glorinha, ambos neste ano, e do incêndio na boate Kiss, em 2013.

– Enquanto todos os Estados investem neste tipo de serviço, o atual governo decide voltar atrás. É lamentável. A população vai ser prejudicada, pois é um serviço que pode ajudar a salvar muitas pessoas.

Gabbardo diz que foram feitos só 24 atendimentos no último ano. Segundo Vargas, a diferença entre os números ocorre porque a secretaria considera apenas os chamados via central estadual. Conforme Gabbardo, o governo vai tentar rever o investimento de R$ 26 milhões (70% deste valor já foi pago) feito em 2014 para a compra de duas aeronaves, mas a entrega de uma delas está prevista para a próxima semana.

– Vamos definir o que vai ser feito com os helicópteros. Não teríamos feito esse investimento, teríamos transferido esses recursos para a assistência e deveríamos menos para hospitais e prefeituras – disse Gabbardo.

Com a desativação do projeto, que tem custo mensal de R$ 156 mil, a demanda deverá ser atendida pela BM, como no passado, e por empresas privadas, que também atuam na coleta de órgãos para transplantes. Vargas, ex-coordenador estadual do Samu, diz que o custo da hora será cinco vezes maior com o serviço terceirizado.

cleidi.pereira@zerohora.com.brCLEIDI PEREIRA

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O DISCURSO DA SEGURANÇA

O SUL Porto Alegre, Terça-feira, 27 de Janeiro de 2015.



WANDERLEY SOARES


Caso o texto seja reescrito, o quadro psicológico poderá mudar



Tenho elevada admiração, já escrevi aqui, por coleguinhas que, daqui, daqui mesmo da beira do formoso Guaíba, indicam o melhor rumo que Barack Obama deve tomar para conduzir o seu país e suas guerrinhas pela Terra. Sobre de como devem agir os demais assessores de Obama no Planeta, para estes coleguinhas, não há estratégia complexa. É tudo uma barbada. Basta colocar os desonestos na cadeia e os honestos na carceragem e na proteção do rei. É claro, descobri isso há pouco tempo, nesses processos de conduzir o mundo há muitos bemóis e sustenidos, mas deixo isso para os conselheiros de Obama, pois como um humilde marquês, sempre a ouvir aos conselheiros de minha torre, prefiro meter o meu bedelho no que está diante do meu nariz, o que, para mim, já não é nada fácil. Em assim escrito e lido isto, sigam-me


O discurso


Diante do meu e dos narizes em geral está a viger o discurso sobre segurança pública do governador José Ivo Sartori que deve conduzir a nossa Terra, que é o Rio Grande, pelo espaço mínimo de quatro anos. Em cinco décadas, nunca ouvi discurso igual e, por isso, sendo uma nova tese, até chego a crer que possa dar certo, isso se não formos atacados por abelhas africanas. No discurso de Sartori, não se fala em aumento de efetivos em nenhum dos braços da pasta da Segurança e não se fala em integralizar as cotas de horas-extras. O policiamento nas ruas, de dia, é rarefeito e, à noite, praticamente inexistente. Fala-se em inteligência antes de se saber quantas câmeras de vigilância estão ativas e quantas goteiras existem no prédio onde operam os peritos gaúchos. A ordem é agir com inteligência, mais trabalho, menos gente e sem que haja custos. Pior: este discurso foi tornado público pelo próprio governo e, naturalmente, lido, ouvido e visto por toda a bandidagem. Nesta moldura, permito-me dizer que, se nada avançar na segurança pública, pelo menos que o discurso, apenas para dar uma desanuviada no clima psicológico, seja reescrito pelo Piratini. Um novo texto sobre o mesmo tema sempre parece conter uma nova mensagem.


Comissário preso


O comissário Nilson Aneli, com prisão preventiva decretada pela Justiça, foi recolhido ontem ao xadrez do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil. Nilson é acusado de ter trabalhado como segurança do traficante de drogas Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, bandido morto com um tiro de fuzil disparado por rivais, em Tramandai, no dia quatro deste mês. A execução de Xandi aconteceu durante um churrasco onde o comissário Aneli estava presente, segundo testemunhas. Durante 4 anos, Nilson trabalhou como chefe da segurança pessoal de Airton Michels, então secretário da Segurança Pública. Michels já declarou que foi traído pelo seu homem de confiança. A preventiva do comissário foi solicitada pela Corregedoria da Polícia Civil

domingo, 25 de janeiro de 2015

A BOMBA ATÔMICA BRASILEIRA



ZERO HORA 25 de janeiro de 2015 | N° 18053


MARCELO RECH*



É modesta e tímida a sugestão da presidente Dilma de dialogar com o Estado Islâmico para resolver a maior crise da atualidade. O Brasil deveria não só estabelecer relações diplomáticas com o califado como, inspirado no sucesso do imperialismo ianque, impor ao EI nosso mundialmente reconhecido padrão político e de gestão pública.

O primeiro passo será mostrar aos califáveis como conquistar palácios substituindo as armas por promessas de fazer chover no deserto e denúncias sobre a podridão dos adversários e antecessores. Uma vez no poder, distribuem-se caravanas de cargos a dezenas de tribos, seitas e correntes para assegurar os fiéis. Muitos novos sultões se refestelarão no bazar parlamentar onde se regateiam emendas, favores e apoios, arquivando assim aquelas pirações de dominar o mundo.

A etapa seguinte será resolver os problemas de segurança e a sanha dos fanáticos. Aí é que entra o estelar modelo judicial e penal brasileiro. Com prisões lotadas e leniência generalizada, só uns poucos cumprirão penas. No intervalo entre motins, os presos confraternizarão em churrascos, usarão drogas e farão selfies. Para fazer companhia aos guerrilheiros, despacharemos um avião cheinho de traficantes brasileiros. Eles têm muitas afinidades: usam armas pesadas, andam em “bondes”, celebram com tiros de fuzil para cima e executam impiedosamente seus desafetos. Para que outros não se machuquem, guerrilheiros e traficantes serão confinados em uma área remota onde poderão se dedicar ao esporte de se aniquilar mutuamente.

Solucionadas as questões mais básicas, chegará a hora de dar um jeito na economia. A primeira medida será transferir nosso modelo energético, que fará das trevas medievais do califado um evento real. Também exportaremos a fórmula brasileira de construção de refinarias, tão necessárias em uma região afogada em petróleo. Alguns ex-diretores da Petrobras e empreiteiros se reencontrariam por lá. Em um ano, se terá exaurido de tal forma o tesouro que não sobrará um dinar para comprar nem munição de segunda mão. Seria a paz pela exaustão econômica.

Com o EI prostrado, entrarão nossas tropas de ocupação: esquadrilhas de funk, frotas de axé e exércitos de pastores vendendo milagres sem necessidade de alguém se tornar mártir. A partir do festival que escolherá a musa do califado, a Mulher Tâmara, começará então um festerê de mil e uma noites sem hora para acabar. Crises do mundo, aí vai o brazilian way of life! Pre-pa-ra.



*JORNALISTA DO GRUPO RBS MARCELO.RECH@GRUPORBS.COM.BR

QUANTO VALE UMA VIDA HUMANA?

O GLOBO 25/01/2015 0:00 - OPINIÃO


A jornalista Dorrit Harazim Foto: O Globo
Dorrit Harazim


De uns tempos para cá, o valor do ser humano tem tido sua cotação inflacionada por um agente novo, o Estado Islâmico

Gostamos de pensar que a vida humana não tem preço. Que ela não pode ter valor quantificável nem ser comparada a nada, além dela mesma. E que a única justificativa para não impedirmos uma morte é quando esse ato impedir a perda de um número de vidas ainda maior. Foi o alemão Kant quem nos ensinou que seres humanos têm dignidade, não têm preço — até porque o que tem preço pode ser substituído por outra coisa, equivalente.

Também gostamos de pensar que todas as vidas humanas têm valor igual. Fora do âmbito da poesia e da filosofia, contudo, não é bem assim. A todo momento temos etiquetas de preço espetadas em nossas vidas por uma infinidade de agentes — de governos com políticas sociais a economistas forenses, de seguradoras a advogados da bioética, a lista é longa.

As cifras, é claro, também oscilam de acordo com os interesses e as circunstâncias — ora valemos mais, ora menos.

Tomem-se como exemplo algumas cotações feitas pelo governo dos Estados Unidos. Em média, as famílias das 2.280 vítimas do atentado do 11 de setembro de 2001 receberam uma indenização de US$ 2 milhões. Seis anos mais tarde, a indenização governamental concedida às famílias das 32 vítimas da fuzilaria na Universidade Virginia Tech foi de US$ 180 mil por cabeça. No caso das Torres Gêmeas, o valor derivara de uma decisão essencialmente emocional por parte do Congresso.

Para propor uma série de medidas visando reduzir a poluição do ar no país, a Agência Ambiental dos Estados Unidos estabeleceu o valor de US$ 9,1 milhão para cada vida. Já a Food and Drug Administration, agência americana com funções similares às da Anvisa, calculou esse valor em US$ 7,9 milhões para emplacar a obrigatoriedade de avisos antifumo em maços de cigarros. O Ministério dos Transportes, por sua vez, fixou em US$ 6,1 milhões o preço de uma vida ao apresentar a exigência de tetos de resistência dupla para automóveis.

No fundo trata-se apenas de uma equação matemática a mais para governos decidirem quanto querem gastar em programas destinados a diminuir perdas desnecessárias de vidas. Nada a ver, portanto, com a endêmica desigualdade das sociedades humanas, ilustrada de forma acachapante por estudo divulgado semana passada. Segundo dados da Oxfam, as fortunas dos 80 bilionários mais ricos do mundo equivalem ao que possuem os 3,5 bilhões de bípedes mais pobres do planeta. Quatro anos atrás, ainda era preciso somar a riqueza de 388 bilionários para o resultado ser o mesmo de hoje.

De uns tempos para cá, o valor do ser humano tem tido sua cotação inflacionada por um agente novo, o Estado Islâmico. O aquecimento do mercado de sequestros é estrondoso.

Embora pedidos de resgate sejam tão velhos quanto bandidagem, sequestros e dinheiro, o caso dos dois cidadãos japoneses capturados na Síria não tem precedente. Através de um vídeo postado na terça-feira, o Estado Islâmico ameaçou decapitar Kenji Goto e Haruna Yukawa se o Japão não pagasse 200 milhões de dólares em 72 horas.

Goto, jornalista freelancer de 45 anos, fora capturado em outubro, dois meses depois de o segurança privado Yukawa cair em mãos dos jihadistas. Ambos foram exibidos ao mundo em coreografia idêntica à que antecedeu às decapitações de quatro reféns ocidentais no ano passado.

A novidade está no valor pedido e na natureza pública da exigência. Se uma década atrás os pedidos de resgate giravam em torno de US$ 200 mil, numa segunda fase o negócio pulara para outro patamar — entre US$ 2 milhões e US$ 4 milhões por uma vida humana. Nada, portanto, que se compare aos US$ 200 milhões agora exigidos em troca dos japoneses. Já no caso do jornalista americano James Foley, primeiro decapitado pelo Estado Islâmico, os jihadistas haviam negociado um valor de US$ 135 milhões com a família do refém. Porém em surdina.

Embora governos evitem admitir que negociam com sequestradores, uma investigação do “New York Times" publicada em julho apontou a França como sendo o país que mais desembolsa para ter seus cidadãos libertados: US$ 54 milhões desde 2008. No mesmo período, a Suíça teria pago US$ 12 milhões, a Espanha um pouco menos, a Áustria, US$ 3 milhões. Seriam, em média 12 transações por ano com a al-Qaeda e suas afiliadas.

Uma das negociações mais assombrosas ocorreu em 2003, quando um agente alemão desembarcou de um avião militar quase vazio na capital do Mali. Trazia 5 milhões de euros divididos em três malas e encontrou-se secretamente com o presidente africano.

Listado como ajuda humanitária, o dinheiro se destinava a libertar 32 reféns europeus capturados por um grupo jihadista afiliado à al-Qaeda. As malas atravessaram meio país a bordo de uma caminhonete. Ao receberem o butim, os terroristas conferiram os bilhetes em cima de um cobertor estendido na areia.

O espetaculoso valor do atual resgate-ostentação, no entanto, visa sinalizar ao mundo que o Estado Islâmico tem agenda própria e deve ser temido. O Japão talvez sequer precise pagar essa montanha de dinheiro. Pouco antes de o vídeo terrorista ser exibido, o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe prometera uma ajuda não militar de US$ 200 milhões para o combate aos jihadistas. Talvez baste que ele desista desse aporte (*).

A demonstração de quem venceu terá sido feita.

Vale lembrar o teor de um comunicado dos países do G-8, assinado também pelo Japão dois anos atrás: “Rejeitamos, inequivocamente, pagar resgate a terroristas e apelamos a todas as nações e empresas do mundo para que sigam nossa diretriz de erradicar essa prática”.

Em tempo: O menino Asafe Costa de Ibrahim, de 9 anos, e a carioquinha Larissa de Carvalho, de 4, são as duas vítimas fatais de uma semana de balas perdidas no Rio. Não cresceram o bastante para se perguntar sobre o sentido das coisas. Mas viveram o suficiente para retratar o quão pouco vale a vida humana quando a violência faz parte da rotina da sociedade.

Dorrit Harazim é jornalista

(*) Este artigo foi escrito antes que o Japão ou os terroristas anunciassem o desfecho do caso

sábado, 24 de janeiro de 2015

A POLÊMICA EXECUÇÃO SUMÁRIA

REVISTA ISTO -E N° Edição: 2356 | 23.Jan.15 - 20:00


A chocante morte do brasileiro Marco Archer e o iminente fuzilamento do paranaense Rodrigo Gularte na Indonésia, onde os índices de criminalidade continuam altos apesar da severidade das penas, reacendem o debate sobre a eficácia desse método punitivo

Fabíola Perez e Helena Borges





Um campo aberto e uma cruz de madeira na ilha de Nusakambangan. Essa foi a última paisagem contemplada por Marco Archer Cardoso Moreira, que morreu aos 53 anos, fuzilado na Indonésia por tráfico de drogas no sábado 10. Assim como os outros quatro condenados à morte, Marco vestia uma camisa branca com uma marca preta na altura do coração, para facilitar a mira dos atiradores. O brasileiro decidiu morrer vendado e em pé – poderia ter ficado sentado ou de joelhos. E em pé ouviu o comandante do pelotão soprar o apito que anunciava a execução. A espada erguida sinalizava para os atiradores mirarem o peito dos condenados. Segundos depois, o disparo. Marco foi executado com um único tiro, a uma distância entre cinco e dez metros. Confirmada a morte, foi vestido em um terno preto, providenciado pelo governo local, e levado por uma ambulância. A cremação ocorreu em uma cidade vizinha, sobre uma folha de bananeira. Antes mesmo de o corpo ser calcinado, um homem quebrou manualmente os ossos, que foram entregues à tia do brasileiro, Maria de Lourdes Archer Pinto, único parente presente no país, em uma urna. Ainda sob o torpor da medieval execução do carioca, o País agora assiste à via-crúcis de outro brasileiro, Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42 anos, também condenado por tráfico de entorpecentes e um dos 130 prisioneiros que podem ser executados nos próximos meses. Enquanto a polêmica da pena capital voltava ao debate, motivada pelas execuções na Indonésia, na terça-feira 20 mais um caso chocou a nação. O surfista Ricardo dos Santos morreu aos 24 anos após ser baleado por um policial à paisana na porta de sua casa, em Santa Catarina (leia mais na pág. 61) e a agonia do jovem esportista, causada por um profissional que deveria zelar por sua segurança, inflamou ainda mais a parcela da população que defende a morte como método punitivo.


FIM
Terreno descampado em Nusakambangan, Indonésia,
local onde cinco prisioneiros foram executados. Marco Archer
(no detalhe) morreu na segunda cruz da esquerda para a direita

Após fracassar nas sucessivas tentativas de salvar Marco Archer – a presidente Dilma chegou a emitir um apelo humanitário pessoal ao atual presidente, Joko Widodo, para que concedesse clemência ao condenado –, o governo brasileiro batalha pela vida do paranaense Gularte, preso no Aeroporto Internacional de Jacarta em 2004 ao tentar entrar no país com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. O Itamaraty não entrou em detalhes sobre a estratégia a ser adotada junto ao governo da Indonésia, mas parentes de Gularte buscaram a ajuda do papa Francisco para interceder no caso. A postura de negociação tem sido, desde o início, optar por um trabalho discreto, sem constrangimento por parte do governo indonésio. Segundo especialistas em relações internacionais, esse tipo de ação é adotada para não provocar um efeito contrário ao desejado – o de esquentar ainda mais os ânimos e piorar o quadro dos condenados. Fontes próximas à família confirmam a existência de um laudo médico atestando que Rodrigo desenvolveu sintomas de esquizofrenia na prisão e apresenta sinais de perda da consciência.



A Justiça indonésia permite que, em casos de demência, o condenado seja transferido para um hospital. “Reconheço que o Rodrigo cometeu um erro, mas não se justifica a pena de morte. Não foi um crime tão grave. Ele está preso há mais de dez anos e acredito que já pagou o suficiente”, disse a mãe, Clarisse Gularte. Na terça-feira 20, o Ministério das Relações Exteriores informou que o pedido de clemência foi rejeitado. Na quarta-feira 21, o embaixador brasileiro na Indonésia, Paulo Alberto Soares, chamado ao País pela presidente após a execução de Archer, se reuniu em Brasília com Dilma e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.



Resposta à insegurança

Enquanto governo e família se unem em defesa da vida de Gularte, a população do País se divide. Parte dos brasileiros se chocou com a execução de Archer, mas outra parcela não escondeu manifestações de apoio ao governo indonésio. E mesmo em países como o Brasil, em que o direito à vida é garantido pela Constituição, a pena capital tem simpatizantes. Uma pesquisa realizada em setembro do ano passado pelo Datafolha mostrou que 43% dos brasileiros apoiam a pena de morte. O coordenador do Programa de Justiça da ONG Conectas, Rafael Custódio, diz que a pena capital carrega em si a ideia de castigo que encontra aceitação popular. “Há um conceito vulgarizado de que, quanto mais dura for a resposta da Justiça, mais segura será a sociedade e com isso a população passa a enxergar na execução uma medida necessária.” Assim, a pena de morte se torna uma resposta imediata ao medo em regiões assoladas pela violência, que não conseguiram desenvolver políticas de segurança bem estruturadas. Caso do Brasil.




Atualmente, a Anistia Internacional estima que 23 mil pessoas esperam no corredor da morte em todo o mundo. Os últimos números divulgados por esse órgão mostram que houve um aumento global no número de execuções. Em 2013, pelo menos 778 pessoas foram executadas em 22 países; em 2012, foram 682 mortes em 21 países. O aumento se deu principalmente por conta das execuções ocorridas na China, no Irã e no Iraque. “As condenações na China são consideradas segredos de Estado e no Irã houve uma forte tentativa de repressão de ativistas políticos”, diz Maurício, diretor-executivo da Anistia Internacional. Levantamentos de organismos internacionais dão conta de que países que adotam a pena de morte não têm necessariamente índices menores de criminalidade. “Uma maior população carcerária não implica mais segurança”, afirma Nivio Nascimento, coordenador da unidade de Estado de Direito do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime da Organização das Nações Unidas (ONU). Países europeus como Suécia, Dinamarca, França e Inglaterra possuem baixas taxas de homicídio e não adotam a pena capital.




REVOLTA
Autor de um crime que horrorizou o País em 2003, Champinha
incendiou à época a parcela da população favorável à pena capital

Dramas familiares

Nos últimos dias, a ONU apelou ao governo da Indonésia para que restabeleça uma moratória suspendendo a execução dos condenados à pena de morte e faça uma revisão de todos os pedidos de clemência. É muito comum na sociedade a ideia de que familiares de pessoas que já foram vítimas de violência serem favoráveis à pena capital. “É natural e legítimo à condição das vítimas a vontade de querer extravasar o sentimento”, diz Janaína Paschoal, advogada e professora de direito penal da Universidade de São Paulo (USP). “Não podemos exigir dos parentes esse desprendimento: alguns têm um comportamento punitivo, outros não desejam a morte do agressor.” Entretanto, nos Estados Unidos, por exemplo, há organizações como o grupo “Famílias das Vítimas de Assassinatos para os Direitos Humanos” liderando movimentos para abolir a pena de morte. No Brasil, o mesmo ocorre com familiares de vítimas de crimes brutais. Como o de Liana Friedembach, mantida em cárcere privado, sequencialmente estuprada e depois assassinada com golpes de facão aos 16 anos, em 2003, pelo menor Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, e seus comparsas. “Sou completamente contrário à pena de morte. Primeiro por uma questão religiosa, segundo porque não confio 100% no nosso Judiciário”, afirma o vereador por São Paulo Ari Friedembach (PROS), pai de Liana. “Acredito que precisamos de penas mais duras, longas e efetivamente cumpridas”, diz. Para ele, crimes como estupro, latrocínio e assassinato deveriam compreender um tempo de detenção de modo que a pessoa não voltasse ao convívio social. Champinha está internado há sete anos em uma Unidade Experimental de Saúde (UES), da Secretaria Estadual de Saúde, destinada à recuperação de jovens infratores com distúrbios mentais graves, em São Paulo.



Cada país possui soberania para adotar ou não a pena de morte. O Brasil não pratica o método de execução porque entende punição como privação de liberdade, que funcionaria como um mecanismo de ressocialização. As execuções interrompem esse processo. “É um modelo cômodo, porque a sociedade descarta o criminoso sem a contrapartida de recuperá-lo”, disse à ISTOÉ o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto. “A pena de morte é um resquício da barbárie que se mostrou conhecida com a lei do olho por olho, dente por dente.” O direito de não ser condenado à morte é considerado uma cláusula pétrea da Constituição, que não pode ser modificada nem mesmo por meio de uma emenda à Carta Magna. Apesar disso, o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) acredita que a pena capital é a melhor saída para crimes que envolvam mortes ou abusos sexuais de crianças. “Se fosse com um filho meu, só teria um pouco de tranquilidade depois que esse homem fosse morto.” Bolsonaro declarou apoio à pena adotada na Indonésia. “O ser humano só respeita o que ele teme”, diz.

No país do Sudeste Asiático, as condenações não conseguiram diminuir o tráfico de drogas. Em Bali, um dos arquipélagos mais famosos do mundo, há uma grande demanda pelas substâncias ilícitas. “O tráfico está ligado ao circuito internacional de drogas e as pessoas chegam à ilha acostumadas com uma política mais liberal”, diz Santoro, da Anistia Internacional. O perfil social dos traficantes de Bali é diferente do encontrado em outros países. Na ilha, quem vive do tráfico são, em geral, surfistas de classe média e com escolaridade. Ao longo dos anos, a Indonésia se tornou um centro de distribuição de drogas para os países asiáticos e para a Austrália. “A pena de morte não vai trazer qualquer impacto positivo”, disse à ISTOÉ Haris Azhar, diretor da ONG Kontras, que atua na Indonésia na defesa dos direitos humanos. “Até o momento o governo mostrou incapacidade de lidar com a guerra contra as drogas e com a rede de traficantes que circulam livremente dentro e fora do país.” Outro fato recente que expôs a incoerência da Justiça indonésia foi o pedido de clemência à Arábia Saudita para evitar a morte de Satinah Binti Jumadi Ahmad, uma cidadã daquele país condenada por assassinar e roubar sua empregadora. O governo indonésio fez um apelo formal pedindo a suspensão da execução. “Esse é o problema de adotar dois pesos e duas medidas”, diz Azhar.



A adoção da execução implica diversos riscos à sociedade. Em países com grande desigualdade, ela costuma recair sobre pessoas de classes sociais mais baixas. E como se trata de uma pena irreversível, há o temor de se condenar inocentes. Um estudo da Universidade de Michigan indica que um em cada 25 condenados nos Estados Unidos é inocente. É o caso do operário Manuel Vélez que, depois de passar nove anos detido, foi libertado em outubro do ano passado. Preso no Estado do Texas, em 2005, pela morte de um bebê, Vélez foi condenado à morte em 2008. Advogados contratados pelo Estado comprovaram que havia sinais de ferimento no bebê muito antes de ele ter tido contato com o operário. À época, o diretor do Death Penalty Information Center, Richard Dieter, afirmou que a libertação do operário demonstrava os diversos problemas da pena capital. “Muitos outros homens presos na câmara da execução nunca tiveram um bom advogado trabalhando em seus casos. A execução de Marcos Archer e o possível fuzilamento de Rodrigo Gularte, que colocaram o Brasil na rota das execuções, convidam à reflexão: o Estado tem direito de tirar a vida de um cidadão? Para a diretora da Human Rights Watch Brazil, Maria Laura Canineu, trata-se de um método cruel e degradante. “O individuo é torturado psicologicamente enquanto aguarda a decisão final”, diz ela. “Todos têm o direito de reinserção em um sistema que deveria ser restaurativo e não punitivo.”

O último condenado à morte no Brasil



A última sentença de morte oficial do Brasil foi dada ao fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, em 1855. Ele foi enforcado em Macaé, no Rio de Janeiro, acusado de assassinar uma família de oito colonos que trabalhava em sua propriedade, em Macabu (RJ) – por isso ficou conhecido como “a fera de Macabu”. Assim como na Indonésia atual, pelas leis do Brasil imperial só era possível escapar da execução pela clemência do governante. Entretanto, dom Pedro II não concedeu a graça e Manoel se tornou o primeiro homem rico e de alto escalão social a ser enforcado no País. Anos depois, com a comprovação da inocência do fazendeiro, o imperador parou de aplicar a penalidade máxima. Com a Constituição da República, em 1891, execuções foram legalizadas apenas em situações de guerra, mas voltaram à legislação com a instituição do AI-5, em 1969. As vidas ceifadas durante a ditadura, no entanto, não foram registradas como execuções oficiais. A Constituição de 1988 retorna a considerar a pena capital apenas em casos de guerra.

Fotos: Shutterstock; Reuters; Divulgação; Mast Irham/efe; Renan Antunes de Oliveira

BANDIDOS DE 17 ANOS CONFESSARAM SEQUESTRO E EXECUÇÃO A TIROS DE FISIOTERAPEUTA



ZERO HORA  24/01/2015 | 08h48


Fisioterapeuta é morto após sequestro no centro de Porto Alegre. Dois suspeitos de 17 anos foram presos em Alvorada e teriam confessado o crime

por Adriana Irion



O fisioterapeuta Rodrigo Schmidt da Rosa, 32 anos, foi encontrado morto na madrugada de sábado, nas margens da RS-118, em Viamão. A principal suspeita é de que tenha sido vítima de sequestro-relâmpago, que teve início na manhã de sexta-feira, nas proximidades da Estação Rodoviária, no centro de Porto Alegre.

Dois suspeitos de 17 anos foram presos em Alvorada, na Região Metropolitana, e teriam confessado o crime. Morador da Capital, Rodrigo havia levado a esposa até a rodoviária. Dirigindo um Ford Focus, teria sido abordado por dois suspeitos.

Durante toda a sexta-feira eles teriam obrigado a vítima a fazer saques no total de R$ 1,5 mil. Uma paciente, que seria atendida por Rodrigo na manhã de sexta-feira, alertou a família sobre a ausência do fisioterapeuta. Ocorrência foi registrada por familiares na 15ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre, e as buscas iniciaram.

Na madrugada de sábado, um dos suspeitos foi abordado em uma barreira da Brigada Militar em Alvorada, dirigindo um carro roubado. O outro foi preso em casa por policiais civis. No local estava o veículo da vítima e um revólver calibre 38, que teria sido usado no crime. Na manhã de sábado, os dois jovens estavam sendo ouvidos na Delegacia de Pronto-Atendimento de Alvorada. Um deles tem antecedentes por receptação.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A POLÍTICA DE ESTADO NA SEGURANÇA PÚBLICA




O SUL Porto Alegre, Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015.



WANDERLEY SOARES


Em um jantar dos delegados ninguém falou sobre momentos vividos no Brique da Redenção


Nos bastidores da Polícia Civil repercutem, com força, nos debates políticos e administrativos da instituição, as faíscas do jantar da Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS) oferecido, terça-feira última, ao titular da pasta da Segurança Pública, Wantuir Jacini, delegado da Polícia Federal aposentado, gaúcho recém-chegado do Mato Grosso do Sul e que esteve ausente dos pampas por cerca de 30 anos. A força da entidade e a liderança real de seu presidente, Wilson Muller Rodrigues, ficaram plasmadas com a presença de 180 delegados, entre eles os ex-chefes da Polícia Civil Antonio Soares de Moura, João Paulo Martins, Newton Muller Rodrigues e Pedro Rodrigues (ordem alfabética). De mesa em mesa, Jacini cumprimentou cada delegado e não conteve a sua surpresa com a presença em massa das charmosas mulheres delegadas que se preparam para ser maioria na polícia do Rio Grande do Sul. Sobre o épico momento, sigam-me


Permanência


Independente do que possa acontecer no andar da carreta, a permanência do delegado Guilherme Yates Wondracek na chefia da Polícia Civil, ele que serviu ao governo do PT, foi apontada pelo presidente da Asdep, delegado Muller, como um sintoma agudo de que Jacini busca seguir, sob a ideologia do governador José Ivo Sartori (PMDB), uma linha de Estado e não de governo em sua estratégia na pasta da Segurança. A idéia central é a de que a escolha de Wondracek tratou não de um continuísmo político-partidário, mas puramente de manter uma rota profissional nas colunas da polícia judiciária


Adegas


Aqui da minha torre, como um humilde marquês, tenho acompanhado a todos estes discursos e aparado as faíscas que deles escapam. E, sem dúvida, a proposta inicial de uma política de segurança pública de Estado e não de governo - na Brigada Militar a cúpula é, praticamente, a mesma montada por Tarso Genro (PT) -, parece estar sendo, surpreendentemente, assimilada até mesmo pelos parlamentares do PMDB na Assembleia gaúcha. Nas bases, no entanto, policiais que, no período eleitoral, bandeiraram no Brique da Redenção por Sartori estão inconformados com os litros de espumantes que adquiriram e foram levados a conservar em suas adegas "ex nunc"


Execução


Um amigo do soldado da Brigada Militar Anderson Valdir Gomes foi morto a tiros, na madrugada de ontem, em Alvorada. O crime aconteceu em frente à residência do policial, na rua Santo Onofre, bairro Americana. Quatro homens praticaram o atentado. Vanderlon Trettin da Gama, 32 anos, o amigo, foi atingido por, pelo menos, 20 tiros, mas os bandidos queriam mesmo era a execução do soldado. Ninguém foi preso


Mulher


Quatro pessoas foram presas na manhã de ontem nos bairros Primavera e Hípica, em Esteio, na Região Metropolitana. Na fala da delegada Carolina Funchal Terres, o grupo ameaçava parentes e moradores que eram contrários as ações criminosas e chegou a expulsar algumas pessoas de casa. Entre os presos está uma mulher identificada como Luana Souza Barbosa, que é acusada de liderar a quadrilha.

CHAMA A POLÍCIA...QUAL?

Jornal Boa Vista
JORNAL BOA VISTA 22/01/2015 - 14:23:13



Por Carlos Alberto Portolan





Se detenham meus amigos, na década de 80 a tropa da Brigada Militar era composta de 22 mil homens. O mesmo numero hoje 2014. Que defasagem.

Agora pensem, estes 22 mil assim estão divididos: Poder Judiciário, Ministério Público, Assembleia Legislativa, Presídios do RS, Força Nacional, Gabinetes de Deputados, Secretaria de Segurança, dentro do quartel administrativamente, tudo isto divido em quatro (04) turnos. Outros de licença-médica. O que sobra na rua?

Vejam bem, o Rio Grande do Sul tem 11,1 milhão de habitantes. Isto é temos um policial para cada 470 habitantes. Diante deste contexto nada pode ser feito. O policial recebe um salário de fome. Se forem tiradas as horas extras teremos uma redução drástica do policiamento. Hoje 80% da tropa faz hora extra (Dados da Abamf) e já se acostumou atrelar esta somas em seus contracheques.

Com a retirada destas horas extras muitos policiais serão estimulados a fazer bicos fora da corporação, pois precisam viver.

Meu medo é que o Governador também pense em retirar o Abono Permanência dos Policiais, eis que hoje mais de 30% recebem para continuar trabalhando. Se tirarem 30% irão para casa. E aí meus amigos como fica a segurança pública? Sem policiais e concursos a vista.

Palavras do Governador: É a hora de poupar e reduzir gastos. Temos que enxugar. Pois o Estado está à deriva. Temos que poupar na segurança, saúde e educação. Sem qualquer tipo de aumento de salários. Opa, está esquecendo somente deles.

Eles tiveram um aumento de 45,97%. Alguém irá dizer o Governador e o Vice abriram mão. Porque abriu mão agora? Porque não vetou? A fórmula do governo foi esta: Sancionar' + 'renunciar' = Demagogia.

E a criminalidade crescendo vertiginosamente em nosso Estado. Pois a nossa segurança é um braço de um corpo morto. E este corpo é o Estado que jaz em cova profunda. A criminalidade continuará a crescer inversamente. Segurança Pública sucateada e sem efetivos. E agora com o policiamento reduzido. Será que os Brigadianos gostariam de fazerem TRABALHO VOLUNTÁRIO em prol do Estado? Acho que teremos que chamar a Guarda Municipal e a Segurança Privada.


*Especialista em Segurança Pública

O QUE VEM POR AÍ NA SEGURANÇA PÚBLICA



ZERO HORA 3 de janeiro de 2015 | N° 18051



POLÍTICA + | Rosane de Oliveira




Três semanas depois de assumir o cargo de secretário da Segurança Pública, o delegado Wantuir Jacini acaba de completar a equipe e começa a implantar o plano de ação para combater a criminalidade no Estado. A palavra de ordem é inteligência para compensar a falta de recursos.

Para driblar a falta de recursos, que impede a nomeação de mais policiais, Jacini está disposto a comprar a briga iniciada por seu antecessor e rever a utilização da Brigada Militar na segurança de eventos privados, o que inclui os jogos de futebol. Se depender do secretário, a Brigada se encarregará do entorno, mas dentro do campo – assim como em shows e outros eventos – a segurança será privada, como foi na Copa do Mundo:

– Na Europa e nos Estados Unidos, a força pública não faz policiamento em estádios.

A situação dos presídios, que hoje formam criminosos em vez de ressocializá-los, está no topo das preocupações do secretário. Para evitar a reincidência, a receita é a mesma que aplicou com sucesso em Mato Grosso do Sul: trabalho e educação. Além do investimento em presídios que ofereçam condições para o preso trabalhar ou estudar, o secretário terá de fazer um esforço de convencimento dos empresários de que vale a pena usar a mão de obra dos detentos. Com a transferência de parte dos presos do Central para Canoas, esse projeto começa a ser posto em prática.

Com as limitações orçamentárias para construir novos presídios, o Central deverá ser mesmo mantido como cadeia para os cerca de 2 mil presos provisórios, mas os condenados serão removidos nos próximos meses para prédios recém concluídos. Jacini não vende ilusões: não há como esvaziar o Central e deixar Porto Alegre sem um presídio. Estudos técnicos dirão quais pavilhões podem ser reformados para abrigar os remanescentes em condições mais dignas do que as atuais.

Hoje à noite, Jacini será entrevistado no Conversas Cruzadas, da TVCOM, com os chefes da Brigada Militar, da Polícia Civil, da Susepe e do Instituto-Geral de Perícias.






EXECUTADOS NA MADRUGADA E INÍCIO DA MANHA NA CAPITAL DO RS

ZERO HORA 23/01/2015 | 10h2523/01/2015 | 09h56

Quatro homens são mortos durante a madrugada e início de manhã na Capital. Crimes aconteceram nos bairros Sarandi, Aberta dos Morros, Ipanema e Cristal



No crime do Bairro Sarandi, a polícia encontrou o corpo dentro de um Palio por volta de 0h30min desta sexta Foto: Eduardo Alex Soares / Arquivo pessoal

Quatro homens foram mortos na madrugada e início de manhã desta sexta-feira em Porto Alegre. O primeiro deles foi encontrado com diversos disparos de arma de fogo dentro de um Palio, por volta de 0h30min, na Avenida Francisco Silveira Bitencourt, no Bairro Sarandi. A vítima ainda não foi identificada.

Algumas horas mais tarde, por volta das 4h30min, outro homem foi alvejado e morto a tiros na Estrada Jorge Pereira Nunes, no Bairro Aberta dos Morros, Zona Sul de Porto Alegre. Assim como no primeiro caso, não se tem a identificação do cadáver.


Minutos mais tarde, perto das 5h, também na Zona Sul da Capital, um tiroteio entre gangues rivais deixou um morto na Rua Conselheiro Xavier da Costa, no Bairro Ipanema. A vítima foi identificada como Alex Sandro Lemos, de 40 anos. De acordo com a Brigada Militar, ele seria líder de uma quadrilha de tráfico de drogas que atuava no Bairro Orfanotrófio. A polícia acredita que o tiroteio tenha relação com a disputa pela liderança do tráfico de drogas na região.

O quarto assassinado foi encontrado amarrado, com sinais de espancamento e estrangulamento, por volta das 7h, em um valão na esquina da Avenida Chuí com a Rua da Divisa, no Bairro Cristal, também na Zona Sul de Porto Alegre. O corpo seria de um homem branco, careca, de aproximadamente 30 anos. Ele ainda não foi identificado. Segundo a polícia, testemunhas disseram ter visto seis homens abandonando o cadáver no local.Em nenhuma das três ocorrências houve prisões e sequer a polícia tem suspeitos da autoria dos crimes.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

TRAFICANTES OBRIGAVAM MORADORES A ABANDONAR CASAS E ESTABELECIMENTOS

ZERO HORA 22/01/2015 | 07h58

Presos traficantes que expulsaram moradores de casa em Esteio. Entre os dias 9 e 11 de janeiro, proprietários de pelo menos duas casas e de uma lancheria foram obrigados a abandonar os locais

por Cid Martins



Até o momento, três pessoas foram presas, e um adolescente, apreendido Foto: Polícia Civil / Divulgação


Traficantes que expulsaram de casa famílias em Esteio ou que eram ligados a grupo rival são alvo de operação policial na manhã desta quinta-feira. Estão sendo cumpridos dez mandados de busca, cinco de prisão e quatro de apreensão de adolescentes nos bairros Hípica e Parque Primavera. Até o momento, três pessoas foram presas e um adolescente, apreendido. As informações são do blog Caso de Polícia.

Entre os dias 9 e 11 de janeiro, proprietários de pelo menos duas casas e de uma lancheria foram obrigados a abandonar os locais. Alguns chegaram a ser escoltados pela polícia. O estabelecimento comercial foi, inclusive, destruído após incêndio. A responsável não havia aceitado que o local fosse ponto de venda de drogas.

Outras residências foram alvejadas por tiros para intimidar as famílias. Conforme a investigação policial, esses casos se tratavam de pessoas ligadas a um grupo rival de Sapucaia do Sul que se estabeleceu nos bairros de Esteio em agosto do ano passado, após assassinato de traficante que comandava a venda de drogas na região.


A operação é comandada pela 2ª Delegacia Regional Metropolitana e pela Delegacia da Mulher de Canoas. Segundo o delegado regional Fernando Soares, em parceria com a Brigada Militar, serão intensificados os trabalhos de policiamento ostensivo e de reaproximação com a comunidade.

— É inadmissível que isso ocorra, e vamos estar atentos para evitar que pessoas sejam expulsas das próprias casas por esses criminosos — disse Soares.


Foto: Polícia Civil / Divulgação

* Rádio Gaúcha


VÍDEO: moradores são expulsos e têm casas queimadas por traficantes em Território da Paz
Imagens feitas pela Polícia Civil de Esteio mostram a fúria de criminosos contra pelo menos três famílias

por Mauricio Tonetto



Vidros quebrados, marcas de tiros em uma mesa de sinuca, forro do teto derretido pelas chamas, televisões estouradas e até carnes espalhadas pelo chão. Esse é o resultado da fúria de traficantes na Região Metropolitana, que expulsaram pelo menos três famílias das próprias residências em Esteio, dentro do Território da Paz, porque elas se negaram a oferecer os locais para o comércio de drogas.



Inconformadas com os ataques, as vítimas procuraram a Polícia Civil e denunciaram a quadrilha, como noticiou o Diário Gaúcho na última terça-feira. As imagens da destruição (acima) foram feitas no dia 12 de janeiro pela equipe de investigação da DP de Esteio.

Os criminosos queriam usar um bar na Vila Hípica, bairro Primavera, como base para o tráfico, mas a proprietária não aceitou. A represália veio contra ela, sua cunhada e um homem. Na manhã desta quinta, os policiais fazem uma operação na cidade para recolher os suspeitos. Serão cumpridos nove mandados de prisão.



– Eles invadiram e quebraram tudo. Teve fogo, pedra, tiro. Saí com a mochila e minha filha de cinco anos, mais nada. Agora, só Deus sabe para onde eu vou – relatou uma das vítimas.

– Deram tiro e tocaram fogo na minha casa também, só porque minha cunhada se negou a deixar vender drogas dentro do bar – disse a outra mulher.

– Vieram falar comigo e pediram para eu guardar armas e drogas para eles na minha casa. Não topei, e então colocaram um revólver na minha cara e disseram que iam me matar se eu não saísse. Estou refugiado na casa de parentes, mal deu tempo de pegar as minhas coisas – contou o homem.

Armas e drogas pelo Whatsapp

Os moradores ficaram com medo de retornar à Vila Hípica e contrataram um caminhão para fazer uma mudança improvisada. Escoltados pela Polícia Civil, levaram o pouco que restou das casas. O temor foi reforçado por imagens recebidas por eles pelo Whatsapp (veja abaixo), em que os suspeitos aparecem com fuzis, pistolas e ostentam uma quantidade considerável de droga.


Crédito: Divulgação / Polícia Civil


Crédito: Divulgação / Polícia Civil

A gangue teria cerca de 15 integrantes (entre eles, pelo menos duas mulheres), alguns com antecedentes criminais. O grupo começou a aparecer fortemente armado na região após a morte de um líder do tráfico no começo deste ano e deram prazo para que todos deixassem suas residências, pois as mesmas seriam transformadas em pontos venda de entorpecentes.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

FUGITIVO DE PRISÃO DOMICILIAR ASSALTA NUM CEMITÉRIO E É PRESO NUM VELÓRIO





DIÁRIO GAÚCHO 20/01/2015 | 18h51


Homem assalta um cemitério e acaba preso em outro, durante velório de familiar. José Augusto Barbosa Lara, 32 anos, é suspeito de uma tentativa de latrocínio em um cemitério de Gravataí, em dezembro do ano passado

Cristiane Bazilio




Tão inusitado quanto o cenário escolhido por dois criminosos para um assalto praticado no dia 5 de dezembro de 2014 foi o desfecho do caso, na tarde desta terça-feira. Um dos homens que haviam praticado uma tentativa de latrocínio (roubo com morte) dentro de um cemitério particular de Gravataí acabou preso pela polícia em outro cemitério, na cidade de Cachoeirinha - desta vez, onde participava de um velório.

José Augusto Barbosa Lara, 32 anos, é considerado pela polícia o mentor do ataque que deixou o proprietário do estabelecimento de Gravataí sem um dos olhos, depois de ser atingido por um tiro na cabeça, além de dois no abdômen. O comparsa dele, Maicon de Lima Pereira, 29 anos, já havia sido preso no dia 23 de dezembro. Ambos foram conduzidos ao Presídio Central.


Segundo o titular da 1ª DP de Gravataí, Eibert Moreira, que conduziu as investigações, a dupla atacou o cemitério no dia em que o dono faria o pagamento dos funcionários, em espécie. Renderam o proprietário em seu escritório, já dentro do cemitério, e levaram R$ 15 mil. Na fuga, dispararam contra o empresário e contra a secretária dele, ferida sem gravidade. Na época, o homem, de 50 anos, chegou a correr risco de vida, mas sobreviveu. No entanto, ficou com as balas alojadas na cabeça e no abdômen e perdeu um dos olhos.

– Identificamos os suspeitos e fizemos o reconhecimento por fotografias com testemunhas e vítimas. Pedimos as prisões temporárias e chegamos, primeiro, ao Maicon. Mas nosso foco era o José Augusto, que foi quem arquitetou o crime. Também partiu dele o tiro que acertou a cabeça do empresário e o fez perder um olho – explicou o delegado.

Bandido velava parente na hora da prisão

Na tarde desta terça, uma denúncia anônima informou à polícia que o criminoso estava em um cemitério de Cachoeirinha velando um parente próximo. À paisana e em viaturas discretas, os policias fizeram campana e pediram reforço de uma viatura ostensiva da Brigada Militar, já que havia mais de 100 pessoas no velório, o que poderia gerar reação e tumulto.

– Ele estava com a mulher e uma criança recém-nascida no momento em que efetuamos a prisão e não resistiu. Já fizemos os reconhecimentos pessoais e todas as vítimas o identificaram – disse o delegado.

Ainda conforme Eibert, José Augusto era foragido do sistema prisional desde maio de 2014, quando rompeu a tornozeleira eletrônica que usava no regime domiciliar. Ele cumpria pena há 14 anos e tinha antecedentes por homicídio, roubo qualificado e porte ilegal de arma, entre outros.

POR QUE A EXECUÇÃO NA INDONÉSIA GANHA MAIS ATENÇÃO DO QUE 56 MIL MORTES NO BRASIL

ZERO HORA 21/01/2015 | 06h38


Pena aplicada a Marco Archer na Indonésia mobilizou país onde uma pessoa é assassinada a cada hora


por Marcelo Gonzatto




O traficante foi executado por tentar entrar com cocaína na Indonésia Foto: Bay Ismoyo / AFP


A execução de um brasileiro condenado por tráfico de drogas na Indonésia mobilizou o Brasil na semana passada. Motivou debates acalorados nas redes sociais, extensa cobertura da imprensa e até telefonemas da presidente Dilma Rousseff ao país asiático, em busca de clemência para o compatriota.

O fuzilamento de Marco Archer, aos 53 anos, legou ainda um tema para debate: por que tantas outras mortes, ocorridas em solo brasileiro, não despertam interesse social ou político equivalente? A cada hora, seis brasileiros são assassinados. Isso totalizou, segundo a publicação oficial Mapa da Violência, 56,3 mil vítimas em 2012, período mais recente com dados disponíveis. É como se a população de um município do porte de Taquara, no Vale do Paranhana, fosse dizimada a cada ano. Exceto casos esporádicos, que chamaram a atenção por algum detalhe de crueldade, essa multidão foi enterrada sem grande alarde.


O perfil da maioria das vítimas cotidianas pode explicar em parte o silêncio seletivo: 53% dos crimes tiveram como alvo jovens negros, de 15 a 29 anos, geralmente moradores de periferias distantes.

— É um número altíssimo, que tem começado a chamar mais a atenção. Parte da justificativa para ter sido tratado como uma questão secundária são a nossa desigualdade social e a percepção de que há indivíduos que são considerados subcidadãos, sem nem mesmo direito à vida. Quando a polícia é cobrada, a justificativa é de que são bandidos matando bandidos ou mortes ligadas ao tráfico — avalia o professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Criminais da PUCRS Rodrigo de Azevedo.

O fato de os assassinatos serem frequentes, segundo o psicanalista Robson de Freitas Pereira, dilui seu impacto no imaginário e confirma a frase atribuída ao ditador Josef Stalin de que "a morte de uma pessoa é uma tragédia. A de milhões, uma estatística."

Já o caso de Marco Archer, segundo Azevedo, tornou-se ainda mais notório por ter sido a primeira vez em que um brasileiro foi morto a mando do Estado em tempo de paz e pelo fato de a punição ter como alvo um homem de classe média.


— O debate ganhou força também porque o brasileiro foi punido com a morte pelo crime de tráfico, que é um tema sempre polêmico e envolve a discussão sobre a descriminalização das drogas — complementa.

Nas redes sociais, as opiniões se dividiram em relação à justiça da pena de morte — tema, por si só, polêmico. Alguns aproveitaram a oportunidade para condenar no Twitter esse tipo de punição. Um internauta escreveu: "Morte com dia e hora marcados. Até que ponto a humanidade chegou. Perdoa, Pai". Outros apoiaram o castigo: "Me desculpem os defensores dos direitos humanos de plantão, mas eu não estou com pena do Marco Archer", registrou uma mulher.

A tentativa da presidente Dilma de reverter o fuzilamento também virou motivo de discussões. A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cristina Pecequilo sustenta que esse tipo de procedimento é normal quando um país onde não existe a pena capital tem um cidadão à espera da morte em outra nação.

— A maioria dos países no Ocidente é signatária de convenções que proíbem a pena de morte, e se manifestam quando um cidadão seu é condenado — diz.

A defesa dos direitos humanos, assim como a preocupação com as questões ambientais, é um dos temas que pautam os posicionamentos internacionais do Brasil. Mas os números mostram que há um duro dever de casa a ser cumprido dentro do próprio país.

A VIOLÊNCIA COTIDIANA

Homicídios no Brasil
A cada hora, pelo menos seis brasileiros são assassinados


2002 49.695
2003 51.043
2004 48.374
2005 47.578
2006 49.145
2007 47.707
2008 50.113
2009 51.434
2010 52.260
2011 52.198
2012 56.337

Ranking internacional
O Brasil é o sétimo país mais violento do mundo


País Taxa de homicídios (por cem mil hab.)
1 El Salvador 62,4
2 Guatemala 46,4
3 Trinidad e Tobago 46,1
4 Colômbia 45
5 Venezuela 36,9
6 Guadalupe (ilha no Caribe) 29,3
7 BRASIL 27,4
8 Belize 27,3
9 Porto Rico 25,7
10 Bahamas 24,9

Fonte: Mapa da Violência 2014



"As mortes estão diluídas no nosso cotidiano", diz psicanalista

Para Robson de Freitas Pereira, banalização da morte no Brasil ajuda a explicar por que se dá mais atenção a execução de brasileiro no Exterior



Marco Archer foi condenado por tentar entrar com cocaína na Indonésia Foto: Ver Descrição / Ver Descrição


Para o psicanalista Robson de Freitas Pereira, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa), a execução do traficante Marco Archer ganhou destaque por envolver um brasileiro em país estrangeiro, além de ter sua imagem e sua história divulgadas — diferentemente da maioria das vítimas anônimas da violência. Confira, abaixo, trechos da entrevista concedida a ZH.

Por que o caso envolvendo a execução de Marco Archer chamou tanta atenção?

Há dois aspectos importantes. Um deles é uma identificação nacional frente ao estrangeiro. E não estou qualificando essa identificação: tanto tem gente que condenou a atitude do governo indonésio, quanto gente que defendeu a pena de morte. Mas o fato de ser um brasileiro no Exterior recorta, individualiza a situação e permite uma identificação maior. Não só a psicanálise, mas a sociologia, a política reconhecem isso. O segundo aspecto diz respeito à relação entre o Estado e o indivíduo. Quando pensamos em todas as mortes que ocorrem diariamente no Brasil, não temos o Estado sancionando isso. A omissão do Estado pode até permitir que o crime se organize, mas na Indonésia temos um Estado que promoveu a morte.



Parte da dimensão do episódio se deve justamente por envolver o tema da pena de morte, recorrente no Brasil?

Sim. Outro motivo, que eu diria que está subjacente a essa discussão entre Estado versus indivíduo, é essa condição de que nós vivemos, na nossa cultura, o valor individual como valor de referência. Isso determina inclusive se obedeço a lei ou não, mesmo sabendo que terei uma sanção.

Por que tantas mortes por homicídio e acidentes no trânsito não nos chocam como deveriam?

Por que ocorrem cotidianamente, estão diluídas no nosso cotidiano. E porque as ações que, de alguma maneira, combatem essa situação ainda são pontuais. Ou seja, cada campanha de conscientização no trânsito ou cada tentativa de diminuir a violência urbana não tem o volume que se espera para ter uma presença massiva. Não é que não existam trabalhos nesse sentido, mas não têm uma dimensão hegemônica. É preciso haver um avanço na nossa relação com a lei, com a ordem simbólica, no sentido de que exista uma maior responsabilidade de cada cidadão e, ao mesmo tempo, isso esteja articulado com uma política de Estado, de governo.


O fato de quase a totalidade dessas vítimas permanecer anônima faz diferença?

Com certeza. A singularização, a personalização faz com que se reconheça um outro sujeito e que ele saia justamente desse anonimato, deixe de ser estatística. Quando houve toda essa campanha contra e a favor do aborto, quem respondia ser contra, por razões médicas ou religiosas, quando era questionado se se tratasse de familiar seu, admitia pensar duas vezes. Ou seja, quando a coisa se singulariza, se personaliza, permite uma identificação e um reconhecimento do outro como indivíduo, não como estatística.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

QUADRILHA EXPULSOU SEIS FAMÍLIAS DE SUAS CASAS

DIÁRIO GAÚCHO 20/01/2015 | 07h01


Moradores de Esteio denunciam quadrilha que teria expulsado de casa pelo menos seis famílias. Bando ameaça as vítimas enviando fotos pelo celular



Gangue expulsa famílias de suas moradias e envia fotos como esta pelo WhatsApp Foto: arquivo pessoal / diário gaúcho

A Delegacia de Esteio investiga uma quadrilha de traficantes que teria expulsado pelo menos seis famílias do Parque Primavera, numa investida que começou há duas semanas. De acordo com moradores, os criminosos incendiaram duas casas na região e agrediram várias pessoas. Além disso, enviam fotos deles, armados, via WhatsApp, para as vítimas, tentando intimidá-las ainda mais.

– Sabemos que houve confusão e que as casas foram queimadas. Temos as denúncias de vizinhos e estamos investigando – informou o chefe de investigações da DP de Esteio, Ernani Arnold.

A gangue teria cerca de 15 integrantes (entre eles, pelo menos duas mulheres), alguns com antecedentes criminais por tráfico. Conforme a denúncia de moradores, o grupo começou a aparecer fortemente armado na região e dando prazo para que todos deixassem suas residências, pois as mesmas seriam transformadas em pontos de tráfico.

Vítimas denunciaram para o Diário Gaúcho pelo WhatsApp

– Somos gente de bem, nenhuma das famílias expulsas é do mundo das drogas. Até uma mulher grávida eles agrediram e botaram para correr – narrou uma mulher.

– Vieram falar comigo e pediram para eu guardar armas e drogas para eles na minha casa. Não topei, e então colocaram um revólver na minha cara e disseram que iam me matar se eu não saísse. Estou refugiado na casa de parentes, mal deu tempo de pegar as minhas coisas – relata outro homem.

Ambos, temendo represálias, pediram para não serem identificados. Eles asseguram ter documentação das residências que deixaram para trás. A gangue teria, no ano passado, assassinado a tiros um homem apontado como líder do tráfico de uma região próxima dali. E, agora, estariam dispostos a aumentar seus domínios.

A polícia ainda investiga uma tentativa de homicídio, ontem, que teria sido praticada por integrantes da quadrilha. A vítima foi alvo de vários disparos, mas conseguiu escapar, sem ferimentos.


Expulsos pelo tráfico Os confrontos entre traficantes, para o controle de pontos de venda de drogas, é rotina na Região Metropolitana. Além das disputas, é comum que as quadrilhas aterrorizem moradores de loteamentos, invasões, bairros e, até, condomínios para que deixem suas casas. As residências viram bocas de fumo ou depósitos de armas e drogas. Quando alguém resiste, tem seu lar incendiado, ou é morto. O medo e as ameaças já forçaram famílias a abandonar seus lares, por exemplo, no Rincão da Madalena, em Gravataí, na Vila das Laranjeiras, no Loteamento Timbaúva e no Recanto do Sabiá em Porto Alegre.

A SEGURANÇA NA RETAGUARDA

O SUL Porto Alegre, Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015.



WANDERLEY SOARES


Restrição apenas na burocracia é apresentada de forma inconsistente



A cúpula da Brigada Militar, leia-se o comandante-geral, coronel Alfeu Freitas Moreira, e seu primeiro escalão, incluso o Corpo de Bombeiros do Estado, esteve reunida ontem para analisar e discutir a questão das horas extras para a tropa sob a luz da contenção de gastos imposta por decreto do governador José Ivo Sartori (PMDB). Por ora, os efetivos cumprem carga horária mínima, desde o início do ano, ou seja, desde o começo do novo governo. Estão previstos atrasos em tarefas administrativas, como vistorias para concessão de plano de prevenção contra incêndios, de acordo com o comandante-geral dos bombeiros, coronel Eviltom Pereira Dias. O policiamento da Capital também sofrerá contenções e isso indica que a previsão de as restrições atingirem apenas a burocracia da segurança pública é apresentada de forma inconsistente e com fumos de falácia. Sobre tal tema, sigam-me


Vexame


Aqui da minha torre, em um simples olhar relanceante pelos índices da violência e da criminalidade, pelo rarefeito policiamento ostensivo que atinge todo o Estado e não só a Capital e Região Metropolitana, pelas carências absurdas e crônicas do Corpo de Bombeiros e ao saber que o governo leva os organismos da segurança a reuniões para congelar ainda mais a paupérrima distribuição de recursos existente, não tenho dúvida de que isso está a significar uma situação vexaminosa de alto risco para cada cidadão e para cada policial. A criminalidade avança com todas as armas e o governo expõe fragilidade pusilânime na retaguarda


Manifestação


A Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar promoverá hoje, a partir das 10h, uma manifestação em frente ao Palácio Piratini em favor da imediata inclusão dos aprovados em concurso realizado em 2014 para soldado


Jacini na Asdep



Recém-empossado, o Secretário de Segurança Pública do Estado, Wantuir Jacini, em companhia do chefe da Polícia Civil, delegado Guilherme Yates Wondracek, será recebido, hoje, às 19h, na Asdep (Associação dos Delegados de Polícia do RS), que tem na presidência o delegado Wilson Muller Rodrigues


Promoções


O Comando-Geral da Brigada Militar está com o realinhamento das promoções ocorridas de 2012 até 2014 praticamente finalizado, que é o remédio para contornar a decisão do Judiciário que as considerou inconstitucionais. No entanto, algumas idiossincrasias de grupos de amigos do rei estão a entravar a finalização da tarefa programada para evitar o rebaixamento de dezenas de oficiais


Seminário


A Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos iniciou, ontem, o Seminário Arranque do Programa de Oportunidades e Direitos, que prevê investimentos de US 56 milhões em ações de redução dos índices de criminalidade entre jovens de 15 a 24 anos em situação de risco. Os recursos do programa - que abrangerá Porto Alegre, Viamão e Alvorada durante cinco anos - virão do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Estado. Já foi feito o primeiro desembolso, no valor de US 9,4 milhões. Por ora, está anotado.