SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 31 de março de 2015

A VIOLÊNCIA ESTÁ TAMBÉM EM NÓS!



ZERO HORA 31 de março de 2015 | N° 18118


ANTONIO MARCELO PACHECO*



Vivemos na constante iminência da presença das violências, assim mesmo no plural. São violências simbólicas e violências físicas que assaltam sujeitos de grupos e espaços sociais distintos: são professores que apanham de pais e alunos, são adolescentes que matam por motivo fútil, são índices semanais de mortes no trânsito, são as ofensas, as injúrias que violentam a honra, a imagem e o nome de indivíduos e de grupos sociais.

É fácil responsabilizar o Estado como fonte primária dessa produção de violências que homeopaticamente vêm nos tornando imunes, passivos e domesticados ao reagir à violência. Sujeitos das violências que nos amedrontam, nos tornamos reféns desta mesma violência, (re)produzindo-a em tentativas desesperadas no nosso sobreviver.

Contudo, isto é impossível. As violências, precisamos reconhecer com certa dose de coragem, estão na sociedade, nos sujeitos e não somente nos representantes do Estado. Policiar a polícia que mata é uma obrigação cidadã, mas quem tem a coragem para policiar a sociedade sem precisar da farda para construir uma existência razoavelmente segura para a própria sociedade?

Quando pais partem para a agressão contra professores na frente de seus filhos adolescentes, quando jovens saindo de inferninhos que, fechados pela ação do Estado, são reabertos por este mesmo Estado, matam, quando agentes de trânsito são humilhados pela cor de sua pele a partir de preconceitos que estão em todos os grupos sociais, quando observamos que o Brasil tem um índice de homicídios que supera países que estão em plena guerra civil, é obrigatório reconhecer o que queremos desconhecer: temos participação nesse processo na medida de nossa irresponsabilidade.

As violências precisam reencontrar sua matriz básica que está no abandono da ideia de solidariedade, da condição de compromisso e da necessária percepção da empatia que nos torna igualmente sujeitos. Não iguais, mas todos humanos. As violências são sociais, muito mais do que institucionais e é preciso vencer o medo e protagonizar a resistência às violências mesmo que de forma anônima e mundana, mas sempre humana.

*Sociólogo e membro do Grupo Violência e Cidadania da UFRGS

O GOVERNO ME APONTOU UMA ARMA



ZERO HORA 31 de março de 2015 | N° 18118

PEDRO MOREIRA*


Cheguei a uma conclusão: o assalto que sofri há algumas semanas faz parte de um plano de desenvolvimento tramado pelos governos. Como se trata de um planejamento intrincado das autoridades, vou explicar a ideia desde a raiz até o fato em si. É (bem) possível que a minha história seja parecida com a sua.

Vivo na zona sul de Porto Alegre. A bolha imobiliária, criada a partir do crédito facilitado e da ganância do mercado, fez com que minha família desistisse da possibilidade de comprar uma casa na área central da cidade. Não moro no extremo Sul, mas é longe, e as opções de ônibus e lotação que me levam até lá (táxi é impensável) só passam a várias quadras de onde trabalho. Ou seja, além de depender de dois modelos de transporte que não cumprem horários e têm boa parte da frota defasada, preciso caminhar, frequentemente à noite, por um trecho relativamente longo. E o caminho que tenho de vencer para pegar o transporte público é mal iluminado e sem qualquer resquício de policiamento. Em dois anos e meio que caminho à noite pela Avenida Ipiranga, da esquina com a Erico Verissimo até a Borges de Medeiros, vi duas ou três viaturas da Brigada Militar fazendo ronda.

Me parece óbvio, então, que o plano do Estado é me convencer a comprar mais um carro. Não basta o “carro da família”, partilhado. Preciso ter um só para mim, para garantir que eu não tenha de caminhar um quilômetro no escuro e sem policiamento. Com isso, serei um bom cidadão e ajudarei a girar a roda da economia do país: gastarei com o novo veículo boa parte do meu salário e economias, pagarei juros às financeiras nas parcelas do que não conseguir arcar à vista, gastarei com seguro, gasolina, IPVA, revisão. Gerarei empregos nas montadoras, nas companhias de seguros, nas financeiras, nos postos de gasolina, na Petrobras. Ajudarei os cofres públicos com o valor dos impostos sobre todos esses novos gastos.

No instante em que fui abordado, por volta das 22h30min de uma quarta-feira do início de fevereiro, muita coisa passou pela minha cabeça. No momento seguinte, quando o bandido tirou a arma da cintura e a apontou para mim, só me restou torcer para que o pior não ocorresse. Pensando, depois, percebi que o ladrão – alguém que provavelmente não teve grandes oportunidades na vida e viveu ao lado da criminalidade desde criança – faz parte dessa engrenagem idealizada em gabinetes. Preciso acreditar que é tudo planejado, só pode ser isso. Porque, se não for, é muita incompetência.

*Editor de Zero Hora

INSEGURANÇA VERDE

ZERO HORA 31/03/2015 | 04h05


Escuridão, drogas, sexo e crime na orla do Guaíba. Prefeitura investe em programa de iluminação para melhorar a segurança de parques e praças

por André Mags




Passeio às escuras à beira das águas Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Orla do Guaíba, 23h30min de 10 de março. Nada mau para um morador ou turista dar uma chegada à beira das águas nesse horário. Desde que seja perto da Usina do Gasômetro, o ambiente poderá ser até familiar. Um casal se divertia com sua filha pequena perto das barracas de cor laranja. Um grupo de jovens fazia fotos, havia um skatista e alguns comerciantes em suas barracas, fechando o caixa do dia.


Mais adiante, a luz escasseia um pouco, e quase some onde a água do Guaíba beija a terra. O cheiro de rato morto domina o olfato. Além dos pássaros que catavam algum alimento ali, um casal fazia sexo em cima do capô de um carro. Outro carro parou por perto, mas eles pareceram não se importar. Um pouco acima, junto à calçada, dois traficantes guardavam posto sob uma árvore.

O Anfiteatro Pôr do Sol era palco para trocas de casais em 2011, quando Zero Hora publicou um levantamento sobre a insegurança nas áreas verdes da cidade. Agora, com o fechamento das cancelas à noite, se tornou mais difícil a entrada dos carros que levavam os casais para os encontros sexuais. Na região, se formavam grupos que postavam fotos das transas na internet. Agora, eles procuram outros recantos, inclusive no Parque Harmonia. Foi na região do anfiteatro que um ex-estudante da UFRGS foi morto, em janeiro.

Programa de iluminação avançará em praças periféricas

Em visita a áreas verdes de regiões centrais de Porto Alegre nas últimas semanas, ZH não encontrou muitos lugares mal iluminados em bairros como Cidade Baixa, Azenha e Menino Deus. Já em bairros mais afastados, como Chácara das Pedras, Três Figueiras, Mario Quintana, Farrapos e Jardim Itu-Sabará, muitas praças ainda aguardam iluminação.

— Essa praça aqui nunca teve iluminação. As pessoas poderiam estar usando o lugar de noite, mas fica assim, vazio — comentou o vigilante das quadras em torno da Praça Dr. Luis Francisco Guerra Blessmann, entre a Chácara das Pedras e o Três Figueiras.

Parte dessas praças será contemplada este ano, dentro do programa de iluminação pública que recentemente já beneficiou a Praça da Encol. Na lista dessas 29 áreas verdes, somente três ficam em pontos mais centrais (duas na Praia de Belas e uma na Cidade Baixa). Há cerca de 600 praças e parques na Capital — 107 receberam nova iluminação em 2013.

O Parcão, outro dos mais convidativos parques da Capital, recebeu no dia 10 o evento de lançamento do seu programa de iluminação. As obras começaram ainda em fevereiro, e deverão ser finalizadas daqui a dois meses.

Escuridão aumenta a criminalidade


A falta de iluminação é um grande incentivo à criminalidade. Um exemplo histórico ocorreu na Inglaterra durante a Crise do Petróleo, em 1974. Ao passo em que a iluminação pública teve de ser reduzida em 50% em algumas áreas da cidade, houve aumento de 100% nos furtos e de 50% na média dos índices de criminalidade.

— Quando as praças e parques se tornam espaços escuros, acabam sendo tomados pela violência, viram refúgios, esconderijos — observa o secretário municipal de Obras e Viação, Mauro Zacher.

INSEGURANÇA E RISCOS NAS ÁREAS VERDES DE POA












ZERO HORA 31/03/2015 | 04h07

Risco nas áreas verdes. Insegurança marca o início de 2015 em parques de Porto Alegre. Falta de iluminação e estado de abandono colaboram com a disseminação da criminalidade

por André Mags



Parque da Redenção está dividido em dois: um lado sem luz, o outro com pouca luz Foto: Camila Hermes / Especial

Frequentar os parques de Porto Alegre tem sido uma missão recheada de receio, seja de dia ou de noite. A sensação de insegurança é acompanhada por falta de iluminação, parquinhos infantis sujos, vegetação malcuidada e vestígios noturnos, como preservativos usados. Esse é o cenário, por exemplo, no Parque Farroupilha (Redenção).

— A prefeitura sequer troca a areia dos parquinhos, animais urinam ali, podem transmitir toxoplasmose às crianças. Olhe o estado dos vegetais, eles precisam ser renovados. A ideia de cercar a Redenção demonstra o caos em que estamos. Estamos perdidos. Não se vê guarda. Alguém tem de cuidar da população — aponta o integrante do Conselho de Usuários da Redenção Roberto Jakubaszko.

A moda mais recente é roubar telefone celular de quem corre no entorno da Redenção, principalmente às margens da Avenida João Pessoa, a qualquer hora do dia. Desde muito tempo se fala sobre o cercamento com grades por causa da criminalidade, medida defendida por grande parte dos policiais que trabalham na região. A maioria dos integrantes do conselho de usuários, entretanto, é contrária ao cercamento físico, afirma Jakubaszko.

O cercamento físico do parque está praticamente descartado no governo municipal. Segundo o vice-prefeito Sebastião Melo, a decisão depende de aprovação popular.

— A prefeitura não tem intenção de chamar um plebiscito — salientou Melo.



Aposta em câmeras de segurança

A Redenção começou 2015 sendo palco do estupro de uma jovem à luz do dia, em 10 de março, do assassinato de um homem, encontrado enforcado em fevereiro, de depredações e de incêndios inexplicáveis de palmeiras e de quiosques de alimentação.

A principal aposta da prefeitura para aumentar a segurança é o cercamento eletrônico com 21 câmeras — além das seis existentes —, prometido para 2012 e agora previsto para sair do papel até o final deste ano. O projeto (ao custo de R$ 1,5 milhão) inclui os equipamentos da Redenção e outras nove câmeras para o Parque Marinha do Brasil, conforme o secretário-adjunto da Segurança municipal, João Helbio. Devido à escuridão, o Marinha também se tornou esconderijo de assaltantes, como os que mataram um trabalhador que saía do Shopping Praia de Belas, no início de março.

ZH visitou a Redenção em diferentes dias, durante o dia e à noite, nas últimas semanas. Leia abaixo o relato.

Criminalidade à luz do dia

Às 14h30min da última quarta-feira, três jovens de mãos cruzadas atrás da cabeça eram revistados por policiais da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) perto dos tapumes da obra no espelho d'água. Os PMs procuravam drogas na abordagem de rotina. Todos os dias eles encontram entorpecentes e facas, que são utilizadas em assaltos.

— Com a obra está mais fácil para eles se esconderem — observou o soldado Ricardo Simas, do 9º Batalhão de Polícia Militar.

Menos de uma hora depois, dois jovens foram algemados e deitados no chão próximo à Avenida José Bonifácio. Policiais da Rocam os haviam abordado e, ao revistá-los, encontraram um revólver calibre 32. Um deles tinha tatuagens de lágrimas no rosto, o que significa que integra a facção dos Bala na Cara.

Um homem que passava pelo local disse ter testemunhado um dos suspeitos perseguindo mulheres. A dupla foi encaminhada ao Palácio da Polícia.

A situação da Redenção levou o delegado que cuida da região a um desabafo. Há 35 anos na função, o titular da 10ª Delegacia da Polícia Civil (DP), Abílio Pereira, diz estar muito "pessimista" diante do prende e solta de bandidos:

— A Redenção é onde tem mais assaltante e vagabundo por quilômetro quadrado em todo o Estado brasileiro. Está fora do controle. Nunca me senti tão impotente em toda a minha vida.

A 10ª DP registra cerca de cem ocorrências todo mês na Redenção — são mais de três por dia. No entanto, há quem sequer registre os incidentes. Por isso, o número deve ser pelo menos 50% maior, calcula o delegado.

Diretor do Departamento de Polícia Metropolitano (DPM), o delegado Marcelo Moreira da Silva cita as leis brandas como incentivo ao crime. Mas, para ele, "a falência da família é o início de tudo":

— As pessoas não têm família, a escola não exerce um papel, e aí sobra para a polícia. Hoje, quando perguntamos a um delinquente qual a profissão dele, grande parte já diz: ladrão. Ladrão virou profissão.

O Lado Escuro da Redenção
Os tapumes que cercam o espelho d'água e o chafariz criaram uma divisão no Parque Farroupilha. De um lado fica o setor mal iluminado. De outro, o sem luz.

O breu se criou, ironicamente, devido a obras que prometem dar mais luz ao parque. Até o final de abril, a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) pretende inaugurar o novo sistema de iluminação.

A reportagem de ZH adentrou a escuridão às 22h30min de 10 de março. No lado escuro, é impossível enxergar sem uma lanterna ou na ausência dos reflexos rápidos dos faróis dos carros que passam pela Avenida Setembrina. O som de passos e de roçadas nos vegetais indica que, sim, há gente circulando. São exceções que não temem o escuro.

— Tem outras coisas para se ter medo aqui — afirmou um homem que acabara de sair do interior obscurecido do parque.

Uma semana depois da primeira incursão, ZH adentrou os pontos mais obscuros da Redenção na companhia de guardas municipais que há anos circulam pela área e conhecem seus recantos e frequentadores. Alguns homens que protagonizam programas sexuais há décadas no local viram a segurança se deteriorar na região ao longo do tempo.

— Antes, não havia ataques homofóbicos. Olha o meu braço — disse Giovani Alves, 47 anos (há 28 faz programas no parque), apontando para um longo corte feito por faca.

À beira da Avenida José Bonifácio, os bancos recebem usuários e traficantes de drogas. É comum ver jovens acendendo cachimbos improvisados para fumar crack. Naquela noite, perto dos taquarais, pessoas realizavam ou negociavam programas. Adiante, uma travesti conversava, praticamente nua, com um morador de rua. Os guardas municipais pediram que ela se vestisse, e houve uma pequena discussão.

Do outro lado da Redenção, junto ao laguinho, um homem que se prostitui há mais de 10 anos no parque contou que leva suas coisas em um saco plástico e o deixa escondido. Traja o mínimo: uma bermuda e camiseta justas. Calça chinelos. Tudo para evitar assaltos: há poucos anos, fraturou o braço ao fugir de criminosos.

— Sempre teve violência, só que agora o mundo está pior — avaliou.





segunda-feira, 30 de março de 2015

CASO BERNARDO, CARTA DE SUICIDIO DA MÃE FOI FORJADA

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 29/03/2015


Laudo aponta que carta de suicídio da mãe de Bernardo foi forjada. Peritos analisaram a carta. Laudo, encomendado pela avó do menino, levanta suspeitas que podem reabrir as investigações da morte de Odilaine.





Exclusivo: Peritos analisaram a carta de suicídio da mãe de Bernardo, morta em 2010, no Rio Grande do Sul, e concluíram que ela foi forjada. O laudo, encomendado pela avó do menino, levanta suspeitas que podem reabrir as investigações da morte de Odilaine Uglione.

"Ele pediu a separação. Perdi meu chão". Essas frases estão numa em uma assinada supostamente pela enfermeira Odilaine Uglione. Também há um recado para o médico Leandro Boldrini, marido dela e pai de Bernardo, o único filho do casal: "Leandro, tu destruiu a minha família, meus sonhos, minha vida. Prefiro partir do que ver meu filho nas mãos de outras mulheres, meu amor em outros braços".

A carta teria sido escrita em 9 de fevereiro de 2010.

“Aquela carta nunca me confortou. Eu ainda disse: mas essa carta, essa letra não é da Odilaine”, destaca Jussara Uglione, mãe de Odilaine.

Só que na época, nem os parentes nem os amigos de Odilaine levaram a dúvida adiante. No dia 10 de fevereiro, ela foi encontrada morta dentro da clínica do marido, em Três Passos, Rio Grande do Sul. Segundo a secretária do consultório, Odilaine estava com o marido na sala dele.

“A porta se abriu e ele saiu correndo, chamando: ‘socorro, homicídio, suicídio. Chama a polícia’. Mas isso questão de segundos. E ai, tum. Deu o estouro lá dentro. Eu fui a primeira que corri lá dentro. Vi ela deitada no chão”, conta Andressa Wagner, secretária.

Com base no depoimento de testemunhas e nos laudos da perícia oficial, a polícia chegou à conclusão de que se tratava de suicídio.

“A questão do suicídio ficou bem comprovada, que ela se deu um tiro”, diz Caroline Bamberg , delegada.

Depois da morte violenta de Bernardo, há um ano, a mãe de Odilaine começou a investigar o alegado suicídio da filha e contratou peritos particulares. Nesta semana, um laudo ficou pronto e pode mudar os rumos desse caso, como mostra o repórter Valmir Salaro.

Ricardo Caires dos Santos é perito judicial em São Paulo há 8 anos. Ele fez um "exame grafotécnico": ou seja, analisou toda a suposta carta de suicídio e comparou com a letra e com a assinatura que são comprovadamente de Odilaine Uglione. A conclusão, segundo o perito: a carta foi forjada, não foi escrita pela mãe de Bernardo.

“São dois punhos totalmente diferentes. Pessoas diferentes que assinaram”, destaca Ricardo Caires dos Santos, perito judicial.

O perito mostrou a diferença entre as letras. Por exemplo: na carta, tem as palavras "sexta-feira" e "exclusivamente".

Perito: Observa a barra que faz aqui a letra "x", o corte que ela faz.
Fantástico: A pessoa que escreveu a carta faz uma cruz. Seria isso?
Perito: Isso. Correto.

Depois, ele comparou com o "x" escrito por Odilaine em uma receita de doce.

Perito: Ela pega aqui, faz aqui, sobe e desce.
Fantástico: É um "x" continuo?
Perito: Exatamente. Um "x" desenhado.

O perito contratado pela mãe de Odilaine citou outros exemplos.

“A estrutura do "t", totalmente diverso do que é apresentado na carta. As letras "h" são de punhos diferentes. A letra “h” encontrada na carta do suposto suicídio é uma letra totalmente lenta, trêmula. Não foi a Dona Odilaine que escreveu. Você vê que é um lançamento rápido e contínuo”, destaca o perito judicial.

Esta é a assinatura que aparece na carta de suicídio. Já estas são as assinaturas autênticas de Odilaine em um contrato de locação, no diploma de auxiliar de enfermagem e em um contrato de prestação de serviços. Primeiro, o perito fala da diferença entre as letras "o".

Perito: Começou daqui e fez o arremate aqui. Já essa letra "o", ela começou daqui e terminou aqui.
Fantástico: Ao contrário. Então?
Perito: Ao contrário.

Segundo ele, mesmo que a mãe de Bernardo estivesse numa situação máxima de estresse, a assinatura dela não mudaria desse jeito.

“Olha o espaçamento que tem da letra "i" para a letra "n”. O formato da letra "e". Olha o formato aqui”, mostra o perito.

O perito concluiu também que a pessoa que teria elaborado a carta de suicídio tentou imitar a forma de escrever de Odilaine.

“A pessoa que escreveu a carta tinha conhecimento de documentos dela. É uma pessoa que já conhecia a escrita dela, uma pessoa muito próxima a ela’, destaca o perito.

E agora? O que pode acontecer daqui para frente?

Para a família de Odilaine, não houve suicídio e a morte da mãe de Bernardo tem que ser investigada de novo. O Ministério Público já pediu à polícia novas informações sobre a investigação feita na época, e nos próximos dias deve dizer se vai pedir a reabertura do caso ou não.

“Odilaine foi morta. Ela não cometeu suicídio. Ela ia se separar. Receber R$ 1,5 milhão. Uma pomposa pensão alimentícia para ela e para o filho”, diz Marlon Taborda, advogado de Dona Jussara.

“Sempre tive dúvidas e agora mais do que nunca. Eu quero que reabra pra isso ficar esclarecido”, diz Jussara, mãe de Odilaine.

A delegada do caso Bernardo também foi a responsável pela investigação da morte da mãe do menino. Ela diz que não há nenhum indício de que Leandro Boldrini tenha envolvimento no suicídio de Odilaine.

“Não houve erro na investigação. O que não pode é querer forçar uma situação que não existiu, que não ficou provado. Eu não levo muita fé em pericia particular. Eu não posso me basear nisso. Eu tenho que me basear no quê? Em fatos”, diz a delegada Caroline Bamberg.

Dois meses depois da morte de Odilaine, Leandro passou a morar com Graciela Ugulini.

“O pai e a madrasta não aceitavam o Bernardo. Consideravam ele como um ser que atrapalhava a nova unidade familiar que eles formaram: casal com a nova filha", diz Silvia Jappe, promotora de Justiça.

No próximo sábado, a morte do menino Bernardo completa um ano.

Leandro Boldrini, a mulher dele Graciele, Edelvânia Wirganovicz e o irmão dela Evandro ainda não prestaram depoimento para o juiz do caso e os quatro continuam presos. A expectativa do Ministério Público é de que o julgamento aconteça ainda este ano.

Para a promotoria, as conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça logo depois da morte do menino são provas importantes contra os acusados. Em um dos telefonemas, Clarissa Oliveira, a madrinha de Bernardo, fala para Leandro que desconfia de Graciele, que também é chamada de Kelli.

Clarissa: Não tem como não passar pela minha cabeça que essa guria, num momento de fúria, de raiva E fez alguma coisa.
Leandro: Mas a Kelli não tem esse perfil. Ó, o guri provocava ela de uma maneira assim. Ela deveria ter dado uma porrada nele, se fosse o caso.

O marido de Clarissa chegou a pressionar Leandro e Graciele, a Kelli, para que confessassem a participação no crime.

Marido: Vocês não tão armando, cara? Leandro, eu estou falando sério.
Leandro: Você quer falar com ela aqui?
Marido: Quero. Tu deu vassourada no guri na sexta-feira, Kelli.
Graciele: O quê?

Leandro: Por que você está transtornado desse jeito, cara?

Marido: Uma semana teu piá tá sumido, rapaz. Tu tem culpa no cartório.
Leandro: Que culpa no cartório?

“Fica uma saudade, fica um sentimento de não ter feito mais porque na verdade eu queria, eu sempre quis que o Bernardo ficasse comigo. Quando a Odi morreu, eu tinha certeza que o Bernardo vinha morar comigo porque o Leandro sempre foi ausente. Na verdade ele nunca foi um pai presente”, diz a madrinha de Bernardo, Clarissa Oliveira.

Leandro Boldrini e Evandro Wirganovicz negam envolvimento na morte do menino. Já Graciele e a amiga dela, Edelvânia, falam em acidente. A madrasta diz que deu calmantes demais para o enteado.

“Que foi uma superdosagem e ele teria tomado a medicação e vindo a óbito, por circunstâncias alheias à vontade delas. E acabaram fazendo essa bobagem que foi a ocultação de cadáver”, diz Demetryus Grapiglia, advogado de Edelvânia.

“Não vai me devolver eles. É uma dor que não tem fim, mas eu preciso saber a verdade”, diz a avó do menino.

sexta-feira, 27 de março de 2015

QUADRILHA INVADE RESIDÊNCIA DE MÉDICO, FAZEM REFÉM E TROCAM TIROS COM A POLÍCIA



RADIO UIRAPURU 26/03/2015 , por Jornalismo Rádio Uirapuru

Quadrilha armada invade residência de médico e mantém adolescente refém durante tiroteio em Passo Fundo. A adolescente de 17 anos não foi agredida pelos marginais durante o sequestro



Créditos: Lucas Cidade - Rádio Uirapuru

Na noite dessa quarta-feira (25), mais um assalto à residência foi registrado em Passo Fundo. Desta vez, o fato aconteceu na casa de um médico cardiologista, localizada na Rua General Netto, na Vila Fátima.

A esposa e os dois filhos do médico estavam em casa quando foram surpreendidos por três indivíduos fortemente armados e encapuzados que anunciaram o assalto. As vítimas foram feitas reféns e os marginais exigiam o dinheiro que estaria no cofre.

No momento em que os bandidos acessaram a casa, o filho do médico mandou uma mensagem de socorro pela internet para o namorado de sua irmã, afirmando que estavam sendo assaltados.

Com isso, o jovem ligou diversas vezes para a Sala de Operações da Brigada Militar e até ser atendido ficou com o seu irmão passando de carro em frente a residência.

Durante o assalto, o cardiologista chegou na residência e foi rendido pelos bandidos no interior da garagem. A vítima foi obrigada a entregar joias e uma quantia de dinheiro, não contabilizada.

Em determinado momento, os policiais do 2º Esquadrão da Brigada Militar chegaram à residência, e os bandidos avistaram a viatura, decidindo colocar a filha do médico no interior de uma caminhonete Audi Q7 que estava na garagem e saíram de ré, estourando os portões que ainda estavam fechados.

Ao realizar esta manobra, os bandidos efetuaram intensa troca de tiros com os policiais do 2º Esquadrão e com o Sargento Almeida, que estava como telefonista no 3º Batalhão de Operações Especiais (BOE) e compareceu ao local quando atendeu o chamado feito por um familiar das vítimas que foi até o quartel para pedir ajuda.

Os marginais fugiram em alta velocidade com a caminhonete em direção à BR 285.

Um forte aparato policial foi montado e iniciaram as buscas, quando minutos depois receberam uma ligação de que a menina havia sido deixada nas margens da ERS 324, próximo a localidade de Lagoa Bonita, entre Passo Fundo/Pontão.

Os policiais foram ao local e resgataram a adolescente de 17 anos, que não foi agredida pelos marginais durante o sequestro.

Logo após, a caminhonete foi encontrada abandonada próximo ao município de Pontão.

Guarnições realizaram buscas, porém os assaltantes não foram localizados.

Informações de populares é que uma Fiat Palio Weekend, de cor cinza, estaria dando apoio para os assaltantes e já havia sido vista em atitude suspeita nos últimos dias na região da Vila Fátima.

Peritos do IGP e agentes da Delegacia de Pronto Atendimento da Polícia Civil, comandados pela Delegada Carolina Goulart, estiveram na residência do médico realizando o atendimento da ocorrência.

O caso vai ser investigado pelos policiais da DEFREC de Passo Fundo.

TRAFICANTES USAVAM CÃMARAS PARA MONITORAR CHEGADA DA POLÍCIA

DIÁRIO DA MANHÃ Passo Fundo, 26/03/2015

Autor: Sirlei Pazinato



Foto: Sirlei Pazinato / DM Passo Fundo




Operação da 1ª DP contou com o apoio da Defrec e do BOE e resultu em duas prisões na Vila Santa Maria

Após investigações, no início da tarde de ontem (26), policiais da 1ª Delegacia de Polícia Civil, sob o comando do delegado Diogo Ferreira, com o apoio da Defrec e do 3º BOE da Brigada Militar, desencadearam uma operação de combate ao tráfico de drogas na Vila Santa Maria. Com mandado de busca e apreensão, os policiais chegaram a uma casa, localizada na Rua Xingu, conhecida por ser ponto de venda de drogas. Ao perceber a chegada dos policiais, dois indivíduos empreenderam fuga. Um deles, um rapaz de 20 anos, foi preso em seguida. Com ele foi apreendido um revólver de calibre 32 municiado. O segundo homem conseguiu fugir.

Em revista, na casa os policiais encontraram mais um revólver, de calibre 38, dois tabletes pequenos de maconha, um rádio comunicador, além de aparelhoes eletrônicos sem procedência e um notebook furtado do Ciep há alguns anos. Porém, o que mais chama a atenção é que o local contava com um sofisticado sistema de monitoramente, com quatro câmeras. Conforme o delegado, as câmeras, que foram apreendidas, eram provavelmente usadas para monitorar possíveis abordagens da polícia. Um segundo indivíduo de uma casa próxima também foi preso por posse ilegal de uma espingarda de calibre 32 adulterada.

Após serem ouvidos na 1ª DP, os presos, foi recolhidos ao Presídio Regional de Passo Fundo. As investigações sobre o caso prosseguem.

ASSALTANTES INVADEM CASA, FAZEM REFÉNS E TROCAM TIROS COM A POLÍCIA

DIÁRIO DA MANHA, Passo Fundo, 25/03/2015


Assaltantes fazem refém e trocam tiros com a polícia


Autor: Sirlei Pazinato



Foto Sirlei Pazinato. Fato ocorreu na Vila Annes e adolescente foi libertada próximo ao município de Pontão

Uma família passou por momentos de terror durante um assalto na Vila Annes, em Passo Fundo, nesta quarta-feira (25). Durante a tarde, marido, mulher e um casal de filhos adolescentes estavam na residência, próximo a esquina das Ruas Tupinambás e Gal. Netto, quando quatro homens armados entraram na casa, provavelmente pulando um muro.

Os assaltantes, armados e encapuzados, renderam as vítimas e começaram a exigir dinheiro. No momento do assalto, o adolescente jogava pelo computador com um amigo. Este amigo estranhou quando o menino parou de jogar e de responder mensagens. Depois de passar pelo local e ouvir barulhos vindos da casa, o rapaz chamou a Brigada Militar. Uma guarnição com dois policiais foi até o local. Ao ouvir barulhos vindos do interior da casa, os policiais tentaram contato pelo interfone. Neste momento, os bandidos fizeram ameaças e, em seguida, deixaram o casal e o adolescente amarrados, colocaram a filha do casal, de 17 anos, no carro da família, um Audi/Q7, e iniciaram a fuga derrubando os portões da garagem e do pátio da residência e depois de fazer uma manobra na rua, fugiram em direção a Pontão.

Neste mesmo momento, indivíduos em outro veículo que, conforme uma testemunha, seria uma VW/Parati de cor escura, que davam apoio aos assaltantes, passaram em frente a casa efetuando uma grande quantia de disparos de arma de fogo, possivelmente pistola, em direção aos policiais, que revidaram. Porém, com o cuidado de atirar apenas na parte inferior do carro em que havia a refém, pois o pai dela saiu da casa gritando para que não atirassem em sua filha.

Os policiais solicitaram apoio e teve início uma perseguição que terminou já durante a noite quando a adolescente telefonou informando que havia sido deixada às margens da ERS 324, já nas proximidades da cidade de Pontão. Policiais foram até o local e resgataram a jovem que chegou em casa sob uma salva de palmas e abraços dos familiares emocionados.

Os assaltantes também deixaram o carro da família no local. De acordo com informações preliminares, eles conseguiram roubar dinheiro e joias da residência, porém as quantias não foram informadas. A Rua foi isolada e peritos do Instituto Geral de Perícias estiveram colhendo informações, sendo que diversas marcas de tiros e capsulas deflagradas foram encontradas na casa e na Rua. Inclusive, veículos que estavam estacionados foram atingidos por disparos. A Polícia Civil também compareceu e agora investiga o caso. Buscas aos assaltantes seguem ocorrendo na região.

quinta-feira, 26 de março de 2015

PORTO ALEGRE ME DÓI



ZERO HORA 26 de março de 2015 | N° 18113


FELIPE DAROIT*



Porto Alegre completa 243 anos e está mal. Quem aqui já foi assaltado levante a mão. Se você ainda não foi, boa sorte. Em breve, possivelmente, conforme estatísticas, você vai estar com as mãos pro alto pedindo que não o matem.

O que esperar de uma cidade que é banhada por um rio, característica geográfica abençoada, e vira as costas para ele. Quilômetros que poderiam ser explorados das mais diferentes formas, mas estão decorados por mato, escuridão e sujeira. Reflexos de históricas décadas de falta de planejamento. Talvez seja bom só para tirar fotos do pôr do sol, se você não tiver o equipamento roubado por alguém que vai vender ele por R$ 5 e fumar uma pedra. Mais sorte ainda é não ser arrastado para o meio do mato por algum maníaco sexual.

Andamos em ônibus que parecem estar transportando porcos e que são administrados por empresas familiares que nunca participaram de uma licitação. Nos horários de pico, então, parecemos frangos indo para o abate. Não há espaço nem para mexer os braços e atender ao telefone. Se bem que o telefone não irá tocar, pois o sinal da operadora mal funciona no “paralelo 30”.

As nossas calçadas não têm padrão algum. Cada proprietário tem liberdade para fazer do seu jeito. Para cadeirantes, deve ser semelhante ao Rali Paris-Dakar.

Tente fotografar algum lugar bonito da cidade sem marcas de pichação. Tente também olhar para o céu sem enxergar alguma gambiarra de fios em postes de madeira podre. Tomara que nenhum caia em você. E tomara que você não receba nenhum choque elétrico em alguma parada de ônibus.

Gostaria de saber o que a Isabela Fogaça tinha na cabeça quando cantou Porto Alegre é Demais. E duvido que Kleiton e Kledir ainda venham para Porto Alegre quando se sentem “assim meio down”. Se eles estiverem por aqui, devem estar à base de rivotril.



*REPÓRTER DA RÁDIO GAÚCHA FELIPE.DAROIT@RDGAUCHA.COM.BR

PARA CORRIGIR FALHAS, SSP RS EMITE NORMAS DE ATENDIMENTO A MULHERES

ZERO HORA 26/03/2015 | 01h11

Secretaria de segurança do RS emite normas para atendimento a mulheres. Miriam Roselen Gabe, 34 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro depois de ter ido à polícia



Foto: Divulgação / MPRS


A Secretaria de Segurança Pública emitiu, na terça-feira, normas que devem ser adotadas no atendimento de violência contra mulheres, em razão da morte de uma mulher no domingo, em Venâncio Aires. Entre elas, estão o acompanhamento da vítima a hospital, posto médico ou departamento médico legal para resguardar a integridade física.

Miriam Roselen Gabe, 34 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro no hospital de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, depois de ter ido à polícia fazer queixa de ter sido agredida e ser orientada a fazer antes o exame de corpo de delito.

O ofício assinado pelo secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini, também detalha que os policiais devem tomar medidas de proteção, como transporte da vítima, quando solicitado, e encaminhamento do registro de ocorrência, com inclusão do depoimento pessoal da vítima. O documento ressalta que a proteção policial deve ser garantida “enquanto não cessada a iminência de violação da integridade física”.


O Ministério Público levantou dúvidas sobre a atuação do policial civil de plantão naquele dia. Conforme o promotor Pedro Rui Porto, se o agente tivesse ouvido a vítima e registrado a queixa antes de encaminhá-la ao Hospital São Sebastião Mártir, talvez tivesse notado a necessidade de escoltá-la, e o crime poderia ter sido evitado:

– O policial não deveria mandá-la para o hospital, a menos que estivesse muito ferida. Se ele estivesse sozinho no plantão, poderia ainda ter pedido o apoio da BM.

A morte ocorreu à 0h30min de domingo. Miriam esteve na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento para registrar uma briga com o ex-companheiro Júlio César Kunz, 35 anos. Ao lado do atual namorado, ela contou que Kunz jogou o carro sobre o deles e os teria agredido em via pública.


O policial orientou o casal a ir ao hospital para receber atendimento e fazer exame de corpo de delito antes da ocorrência, pois teria visto ferimentos na mulher. Sozinhos, Miriam e o namorado foram ao hospital. Kunz entrou no local e executou Miriam com três tiros, entregou-se à polícia na segunda-feira e foi levado ao Presídio Regional de Santa Cruz do Sul.

O delegado Vinícius Lourenço de Assunção diz que o servidor, cujo nome não foi divulgado, não poderia escoltar o casal por estar sozinho no plantão. Ele afirma que não foi pedido apoio da Brigada Militar porque a vítima não teria mencionado estar sob perigo. O chefe regional da Polícia Civil no Vale do Rio Pardo, Julci Severo, afirmou que “não dá pra trabalhar com excelência com só um policial de plantão na segunda cidade mais violenta da região”.


Veja o que diz o documento:
Porto Alegre, 24 de março de 2015.

Medidas Administrativas Protetivas (MAP)

Em face de recente fato ocorrido na madrugada do dia 22/03//2015, na cidade de Venâncio Aires, na qual restou brutalmente vitimada pessoa em situação vulnerável, DETERMINO aos órgãos do sistema de segurança pública do Estado, como forma de orientação técnico-administrativa e visando à prevenção de situações semelhantes, o que segue:

O agente de segurança pública que tomar conhecimento de qualquer ocorrência envolvendo risco à integridade física de pessoa adotará, imediatamente, todas as medidas protetivas cabíveis, dentre as quais, exemplificativamente, as que seguem:

a) Acompanhar a vítima ao hospital, posto médico ou Departamento Médico Legal, como forma de resguardar a sua integridade física.

b) Encaminhar o competente registro da ocorrência, no qual deverá ser colhido o depoimento pessoal da vítima.

c) Transportar a vítima, quando solicitado, a local seguro.

d) Garantir a proteção policial enquanto não cessada a iminência de violação da integridade física

e) Informar à vítima todos os seus direitos e garantias assegurados na Constituição e na Lei

As medidas acima não elidem os procedimentos ordinários previstos em lei.

Wantuir Franciso Brasil Jacini

Secretário de Segurança Pública / RS


NOTÍCIA RELACIONADA

ZERO HORA 25/03/2015 | 17h11

Morte de mulher em Venâncio Aires levanta dúvidas sobre atuação de policial. Miriam Gabe foi baleada em frente ao hospital do município, momentos após ter ido à delegacia para prestar queixa de agressão e ameaças

por Bruna Scirea



A morte de Miriam Roselene Gabe, 34 anos — baleada pelo ex-companheiro na madrugada do último domingo, no hospital de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo —, levanta dúvidas sobre a atuação do policial civil de plantão naquele dia.

De acordo com o promotor Pedro Rui Porto, se o agente tivesse ouvido o depoimento da vítima e registrado a queixa antes de encaminhá-la para o Hospital São Sebastião Mártir, talvez a necessidade de protegê-la com escolta tivesse ficado mais evidente, e o homicídio poderia ter sido evitado.

— A ocorrência já começou quando ela chegou à delegacia e relatou que havia sido agredida. O policial não deveria tê-la mandado para o hospital, a menos que estivesse muito ferida. Se tivesse feito o registro, ele a teria indagado sobre as medidas protetivas que ela gostaria de ter. E se ela mencionasse que estava com medo, e ele estivesse sozinho no plantão, poderia ainda ter pedido o apoio da BM — afirma Porto.

A morte ocorreu à 0h30min de domingo, mas as agressões começaram ainda na noite de sábado. Antes de ser atingida por três tiros, Miriam esteve na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) para registrar a briga com o ex-companheiro Júlio César Kunz, 35 anos. Ao lado do atual namorado, ela contou que Kunz jogou o carro sobre o deles e, em uma discussão, teria agredido os dois em via pública.


Ao ver os ferimentos na mulher, que apresentava até perda de cabelos, o policial solicitou que o casal se dirigisse até o hospital para receber atendimento e realizar exames de corpo de delito antes de registrar a ocorrência. Sozinhos, então, Miriam e o namorado foram para o São Sebastião Mártir de carro. Logo depois, o ex-companheiro viu o automóvel do casal no estacionamento, entrou na instituição, arrastou a mulher e a executou na porta de entrada.


O delegado Vinícius Lourenço de Assunção diz que o servidor, cujo nome não foi divulgado, não poderia acompanhar o casal por estar sozinho no plantão. Ele afirma que o plantonista não pediu para a Brigada fazer a segurança da vítima nos exames por duas razões. Primeiro, porque, segundo ele, "provavelmente" a BM local não teria efetivo. Depois, porque a vítima não teria mencionado que estava sob perigo. O Ministério Público questiona o argumento.

— A polícia diz que ela não mencionou que estaria correndo risco. Mas onde consta isso, se não puderam fazer um registro de ocorrência? Se o plantonista a tivesse ouvido antes, poderia agora argumentar que, tendo exaurido sua função completamente, não havia sentido necessidade de ir junto ao hospital — afirma Porto.

De acordo com o promotor, o plantonista pode ser indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) por não ter evitado o assassinato. O delegado defende o colega.

— É um profissional de grande comprometimento, como os outros, que continuam engajados, ainda que haja cortes na remuneração e aumento nas demandas — alega o titular da DP.

As suspeitas do promotor se reforçam porque este não foi o primeiro relato de suposta negligência com casos relacionados à Lei Maria da Penha envolvendo policiais civis de Venâncio Aires. Há um ano, a Justiça e o MP chegaram a encaminhar um ofício à Delegacia Regional de Polícia Civil, pedindo maior atenção no atendimento às vítimas.

Para Assunção, a apuração sobre a conduta do plantonista é uma tentativa de encobrir um problema intensificado pelo corte nos pagamentos de horas extras da polícia:

— (A apuração sobre a conduta do plantonista) me parece uma verdadeira tentativa de deslocar a responsabilidade de um grande problema, que é o da carência de efetivo na Polícia Civil, para um único servidor.


O argumento é o mesmo defendido pelo chefe regional da Polícia Civil no Vale do Rio Pardo, Julci Severo.

— Não dá pra trabalhar com excelência com só um policial de plantão na segunda cidade mais violenta da região. Então, a gente corre este risco — disse o policial em entrevista a RBS TV.

O ex-companheiro de Miriam se entregou à polícia na segunda-feira. Ele estava com a prisão preventiva decretada e foi encaminhado ao Presídio Regional de Santa Cruz do Sul. Nesta quarta, a promotoria ouviu o atual namorado de Miriam, que pode revelar detalhes para o inquérito.

O corpo de Miriam foi sepultado no domingo à tarde, em Monte Alverne. Luís Carlos Guilante, segurança que também foi baleado por Kunz no hospital, foi submetido a cirurgia e se recupera bem.


quarta-feira, 25 de março de 2015

É BONITO ISSO?

O SUL. Porto Alegre, Quarta-feira, 25 de Março de 2015.



WANDERLEY SOARES


Um fenômeno que se consagrou como uma rotina, não obstante ser uma situação esdrúxula.


Nas principais capitais do País, isto no que se refere à criminalidade, onde Porto Alegre e Região Metropolitana se inserem, há um fenômeno que se consagrou como uma rotina, não obstante ser uma situação esdrúxula. Bandidos profissionais exigem das organizações policiais e do Ministério Público investigações que se prolongam por vários meses até que, alguns deles, mais por uma questão de reincidência específica, são colocados em casas prisionais tidas como de alta segurança. Nestas grades, sigam-me


Inteligência


Formatada esta moldura, prosseguem as diligências para cercar os malfeitores que permanecem em liberdade, mas, ao mesmo tempo, são montadas forças-tarefas para investigar as atividades que criminosos desenvolvem em suas celas, onde têm asseessorias, telefones celulares com baterias a pleno, códigos próprios, ou melhor, serviços próprios de inteligência. Passaram até a existir, por parte das autoridades, grupos especializados em investigar quem está em atividade em celas de alta segurança. Isto, tristemente, me faz recordar, aqui da minha assediada torre, o tempo em que a televisão produzia excelentes programas humorísticos em que um personagem tinha como bordão esta frase: "É bonito isso?"


Bin Laden



Um homem foi executado a tiros, na noite de segunda-feira, na rua Tancredo Neves, Vila Farrapos, Zona Norte de Porto Alegre. A vítima era conhecida na comunidade como Bin Laden


Grávida


Em Novo Hamburgo, bairro Roselândia, três pessoas estavam em um Gol que foi atingido por diversos tiros e duas morreram. Uma das vítimas, Tarciana Tavares da Rosa, 39 anos, estava grávida. Juliano da Rosa Gonçalves, 31 anos, também foi morto. A suspeita da Polícia Civil é de acerto de contas pelo tráfico de drogas. As vítimas possuíam antecedentes criminais


Bandido da Redenção


Agentes da Brigada Militar prenderam ontem um homem acusado de ter estuprado uma estudante universitária no parque da Redenção dia 9 deste mês. Ele foi abordado na rua Garibaldi, perto do local do crime, e encaminhado para a Delegacia da Mulher no Palácio da Polícia. A jovem que sofreu o ataque reconheceu o bandido, que tem extensa ficha criminal e cuja prisão preventiva já foi decretada pela Justiça


Banco

Foi assaltada ontem pela manhã a agência do banco Itaú na avenida Protásio Alves, na Vila Jardim, Zona Norte de Porto Alegre


Política prisional



No Presídio Central há permanente efervescência na massa carcerária como na direção. Agora, está sendo aventado o provável retorno como subdiretor daquela casa prisional do major Guatemi Echart, o que, evidentemente, provocaria dança de cadeiras com risco para o próprio diretor atual, tenente-coronel Marcelo Gayer Barboza, que recém-assumiu o posto.

ARROMBAMENTOS DE CAIXAS ELETRÔNICOS TRIPLICAM

ZERO HORA 25/03/2015 | 04h02

por José Luís Costa*


Arrombamentos de caixas eletrônicos no RS triplicam em cinco anos. Explosões e uso de maçaricos para roubar dinheiro de terminais de autoatendimento tiveram alta de 231,2% desde 2010. Conforme a polícia, aumento é resultado da migração de quadrilhas que assaltavam agências para ação menos arriscada



No primeiro dia do ano, polícia flagrou duas mulheres que guardavam 15 quilos de explosivos de uma quadrilha Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


O caixa eletrônico se consolida como um dos alvos preferidos da bandidagem. Nos últimos cinco anos, arrombamentos de terminais, incluindo uso de maçarico e explosivos, cresceram 231,2% no Estado. O aumento mais significativo ocorreu no ano passado, com 65,6% a mais de registros em relação a 2013. A estatística é da Polícia Civil e leva em conta crimes consumados e tentativas. Em números absolutos, foram 53 ataques em 2014 no RS, média de um por semana. Em 2015, até 10 de março, a polícia contabiliza 14 casos – dois a menos do que em todo ano de 2010.

Dos 53 casos do ano passado, 10 ocorreram em Porto Alegre. Na Capital e em municípios de médio porte, os ataques, em geral, ocorrem com uso de maçarico. A maior incidência de explosão de terminais está em cidades do Interior, com policiamento reduzido.


A multiplicação de casos também se justifica porque os ladrões "descobriram" que correm menor risco na calada da noite do que em ações à luz do dia. Haveria migração de quadrilhas que antes praticavam assaltos, com bancários e clientes sob mira de armas – este modo de agir retrocedeu 6,5% em 2014 no RS.

Os ataques também avançam conforme o serviço bancário se populariza. Entre 2004 e 2011, o número de terminais no país subiu de 32 mil para 182 mil – alta de 468%, com equipamentos em postos de combustíveis, shoppings e outros estabelecimentos.

A punição para roubo varia de quatro a 15 anos de prisão. E os ataques a caixas eletrônicos são enquadrados como furto qualificado (chamado de arrombamento), porque não há ameaças a pessoas. Nesses casos, a pena vai de um a oito anos de cadeia. Se vier a ser condenado, o criminoso ingressa no regime semiaberto. Como não há unidades com vagas, os apenados acabam voltando para casa, com tornozeleiras eletrônicas ou em prisão domiciliar, o que, na prática, pouco difere da liberdade absoluta.

– Assumimos em abril de 2013. Desde então, prendemos 200 pessoas. Acredito que grande parte esteja nas ruas – lamenta o delegado Joel Wagner, da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

A situação é tão preocupante que policiais civis e militares de todo o Brasil, além de integrantes do Exército, vêm discutindo medidas de repressão desde o ano passado, em reuniões periódicas, em Brasília.

Uma das propostas é alterar o Código Penal, equiparando a pena de furto com uso de explosivos à punição por roubo. Outra sugestão prevê criação de lei específica para esse tipo de crime e regras mais rígidas para quem armazena e trabalha com explosivos. Hoje, segundo o delegado Wagner, quem é preso com dinamite responde por porte ilegal de arma de uso restrito, com penas entre três e seis anos de prisão.

Casos seguem em alta em 2015

Os ataques a caixas eletrônicos entraram 2015 em ritmo alucinante. Até 10 de março, a polícia contabiliza 14 crimes, média de um caso a cada cinco dias.

Somente no feriadão de Carnaval (entre 14 e 17 de fevereiro), ocorreram sete casos em seis cidades. Foram arrombamentos na Capital, em Novo Hamburgo, um furto com maçarico em Taquara e tentativas em Parobé e em Cachoeirinha. Em Vale Verde, no Vale do Rio Pardo, uma quadrilha explodiu a agência do Banrisul e tentou dinamitar a do Sicredi.

Em 1º de março, ocorreram explosões em agências do Banco do Brasil e do Banrisul de Barão, no Vale do Caí. Entre os dias 6 e 8, quadrilhas arrombaram com maçaricos bancos em Planalto, Jaguarão, Ivoti e Santo Antônio da Patrulha. No último sábado, também ocorreu o mesmo tipo de ataque em Barão do Triunfo e, no domingo, em Esteio.

– Desde o primeiro dia de 2015, estamos em ação. Naquela manhã, prendemos parte do bando que horas antes explodiu o Banco do Brasil em General Câmara – enfatiza o delegado Joel Wagner, da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões do Deic.

Duas mulheres foram flagradas em Canoas com material de uma quadrilha que fez sete ataques em 2014. A polícia apreendeu dois fuzis, espingarda, munição, 15 quilos de explosivos, cordel detonante, coletes à prova de balas, miguelitos e dois carros. Integrantes do bando estão com prisão preventiva decretada pela Justiça.

Bancos investem, mas bancários cobram mais

Os bancos garantem investir em tecnologia para dificultar a ação dos ladrões. Prejuízos com arrombamento causam "extrema preocupação", afirmou em nota a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Os bancários cobram medidas mais efetivas.

Segundo informa a Febraban, "os bancos investem constantemente em tecnologia e outras formas para aperfeiçoar seus mecanismos de segurança". Dispositivos que mancham de tinta notas de dinheiro e soltam fumaça em caso de os caixas serem danificados ou explodidos são exemplos.

A federação afirma que investe cerca de R$ 20 bilhões por ano em tecnologia de proteção.

– Há necessidade dos bancos investirem muito mais, de aumentar a fiscalização do Exército com empresas que usam explosivos e maior ação policial de monitoramento de quadrilhas – afirma Lúcio Paz, diretor jurídico do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, integrante do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.

A Associação dos Bancos no RS (Asbancos) afirma que tem estudado alternativas junto à Secretaria de Segurança Pública e acompanha as diretrizes da Febraban.

*Colaborou Carlos Ismael Moreira

terça-feira, 24 de março de 2015

ELES SÃO MAIS PERIGOSOS DO QUE PITBULLS



ZERO HORA 24 de março de 2015 | N° 18111


DAVID COIMBRA




Os donos de pitbull são brabos. Escrevi um texto mínimo no meu blog sobre o caso daquela senhora morta por seu próprio pitbull, em Canoas, e eles, os donos de pitbull, me atacaram como se eu fosse alguma coisa terrível e indesculpável, como... sei lá... um governista.

Foi horrível.

Sempre tive medo dos pitbulls, e agora também tenho medo de seus donos. Se me virem na rua, tenho certeza de que pularão no meu pescoço e tentarão me dilacerar a dentadas – os donos, digo, que dos pitbulls tenho dúvida.

Os donos juram que seus pitbulls são mansos e inofensivos, a despeito das centenas de crianças e velhos mutilados e mortos em ataques aparentemente sem motivo desse tipo de cão. Alguns disseram que a tal moradora de Canoas foi culpada por sua própria morte, porque ela teria maltratado o cachorro. E garantem que um pitbull bem adestrado é dócil como um diretor da Petrobras fazendo delação premiada.

Isso é reconfortante. A respeito dos bichos, pelo menos. Mas quem irá adestrar os donos? Eles andam soltos por aí, sem focinheira, prontos a morder, como um deputado do governo morde empreiteiros.

Sim, tenho medo.

Defendo a extinção gradual dos pitbulls. Eles seriam esterilizados pelo Estado e, assim, a raça se esvaneceria da face da Terra sem dramas ou dores. Um perigo a menos para os seres humanos, que, convenhamos, já têm o Estado Islâmico e os ex-presidentes do Conselho da Petrobras com que se preocupar.

Os donos de pitbull não aprovaram a minha ideia. Alegaram que muito mais perigosa é a raça humana, com seus partidos políticos de honestidade maleável.

Quero dizer que concordo com eles. Também sou a favor da extinção sem dramas ou dores do Homo sapiens. Porque, precisamos admitir: não deu certo. Tudo ia razoavelmente bem enquanto éramos nômades. Durante 190 mil anos, vivemos em harmonia, caçando e coletando, rabiscando nas paredes das cavernas, abatendo mamutes e arrastando as mulheres pelos cabelos. Aí, nos últimos 10 ou 12 mil anos, decidimos nos fixar na terra, inventamos a agricultura e, com ela, a civilização. E no que terminou a civilização? Em Brasília, uma cidade sem esquinas ou escrúpulos, com um estádio vazio que custou US$ 1 bilhão e um monte de petistas se repimpando nos cargos públicos.

Não, não deu certo.

Schopenhauer já dizia que devíamos parar de nos reproduzir a fim de alcançar a plenitude do nada, a satisfação absoluta do Nirvana, o não existir doce e indolor. É o que defendo. Vamos encerrar essa história desagradável. Mas sem sofrimento. Sem gente morrendo estraçalhada pelos cães. Portanto, comecemos eliminando os pitbulls. E torcendo para que seus donos não fiquem muito nervosos.

sábado, 21 de março de 2015

O NOVO OLIMPO

ZERO HORA 21/03/2015 | 07h06



por Cláudia Laitano


Cenas da vida contemporânea:



1) Em uma escola particular de classe média alta em São Paulo, o vazamento de um relatório com avaliações pessoais dos alunos colocou pais, professores e adolescentes em pé de guerra. Meninos são comparados a Forrest Gump, pela inteligência limitada. Meninas são julgadas conforme o tamanho do decote. Há até alertas do tipo: “Ela é falsa. Olho vivo com essa garota”. O aluno que postou um vídeo ensinando os colegas a acessarem o relatório foi suspenso da escola.

2) Uma moça é agredida sexualmente na Redenção. No dia seguinte, vai à Delegacia da Mulher prestar queixa. A primeira informação que recebe ali é que a queixa não vai dar em nada. Tratada com indiferença e desrespeito na delegacia, a jovem decide desabafar em uma rede social. Em poucas horas, a Delegacia da Mulher é obrigada a manifestar-se e forma-se uma rede de solidariedade entre vítimas de agressões parecidas – tanto de criminosos quanto de autoridades.

3) Dois motoristas se estranham em uma rua de Porto Alegre. Um deles fica muito alterado. O outro, com o filho pequeno no carro, tenta acalmar os ânimos, sem muito sucesso. O motorista mais agressivo sai do carro e, em vez de uma arma (ufa!), saca um celular e começa a fotografar o outro carro, em tom de ameaça. Como reação, o motorista mais calmo responde fotografando de volta. Os dois motoristas relatam o episódio para os amigos na rede social.


As três histórias aparentemente não têm nada em comum, afora o fato de terem, em um momento ou outro, cruzado a fronteira do mundo real para o virtual – como praticamente tudo o que fazemos nos dias de hoje. Na tragédia grega, o herói que viola as regras da ordem estabelecida – levado pela hybris, a desmedida – cedo ou tarde será punido pelos deuses. Para quem assistia às tragédias, a hybris do herói e seu castigo serviam de lição e de alerta: na dúvida, não ultrapasse. Na falta de deuses (ou de instituições confiáveis), nossa instância superior tem sido o círculo de pessoas que conseguimos atingir através das redes sociais. Quando nada mais nos vale, o compartilhamento de nossas dores, misérias, injustiças e descontentamentos é a instância suprema a que recorremos em busca de algum tipo de reparo ou, no mínimo, de solidariedade. Professores mal-educados, autoridades despreparadas, motoristas agressivos, ninguém está livre do tribunal virtual – nem mesmo os inocentes. Reparos e grandes injustiças são cometidos ali. Como os deuses gregos, as redes são demasiadamente humanas.

Ainda estamos na infância – talvez na adolescência – dessa nova ordem. É cedo para sabermos até que ponto o medo da exposição pública e de danos à reputação (que já se equivale ao medo que antes se tinha do inferno e dos deuses vingativos) pode realmente mudar comportamentos, fazendo o serviço que a lei e as regras de bom senso, sozinhos, não conseguem. O certo é que Zeus, o Oráculo de Delfos e toda a bancada olímpica são bolinho perto de uma rede social.

sexta-feira, 20 de março de 2015

VIOLADA AO MEIO-DIA

ZERO HORA 19/03/2015 | 20h37



por David Coimbra



Um cara deixou uma pá vermelha na minha rua. Foi no domingo retrasado, isso. Suponho que estivesse tirando neve da frente de casa e, depois de limpar o caminho, pensou: "Como amanhã terei de remover mais neve, vou deixar a pá aí".

E lá a pá ficou. É uma pá bonita, tanto quanto pode ser bonita uma pá. É bem novinha, deve ter sido comprada dias atrás.

Quando passo pela rua, vejo aquela pá. Isso está me irritando. Por que ninguém rouba a pá? Esse dono da pá, qual é a intenção dele ao abandoná-la ao alcance da mão do transeunte? Quer se exibir? "Vou deixar a pá aqui para mostrar que não será roubada." Será essa a ideia? Se for, vou lá e vou pegar aquela pá. Por Deus que vou.

Aqui, nesta vírgula dos Estados Unidos, as pessoas fazem assim com suas coisas. As crianças são chamadas pelas mães para o jantar, largam suas bicicletas e vão correndo para dentro de casa. As bicicletas ficam lá, deitadas de lado onde caíram, e ninguém nem olha para elas. Em duas noites de temperatura amena, vi duas bolsas de mulher penduradas em carrinhos de bebê sobre a grama de jardins sem cerca, não havendo o menor sinal das donas pela vizinhança. Aliás, nenhuma casa é cercada e em nenhum lugar existe vigilante ou porteiro, os bancos não têm guardas e os moradores dos edifícios mantêm seus carros na rua. Tempos atrás, comprei uma TV pela internet e ela ficou uma tarde inteira no saguão do meu edifício, junto com outras compras, de outros moradores.

Mas como pode isso?

Já em Porto Alegre, soube que, dias atrás, ao meio-dia de uma segunda-feira, uma moça foi arrastada por dois homens para dentro da Redenção, onde a agrediram sexualmente sem que ninguém interferisse. Depois, ao registrar a queixa, a policial a aconselhou a comprar spray de pimenta e esquecer o caso. Imagine a humilhação, a revolta e o desamparo que essa menina está sentindo. Um caso de violência sexual, não um roubo de bicicleta, e é assim que a sociedade o encara.

Será que os americanos são mais honestos do que os brasileiros?

Não pode. Até porque, onde moro, há gente do mundo inteiro. Na sala de aula do meu filho, estudam 14 crianças de sete nacionalidades diferentes. Só no meu bairro são faladas 50 línguas! Muitos, como eu, chegaram adultos aos Estados Unidos.

Então, não é a educação formal do país a razão dessa honestidade toda. Nem algum traço cultural dos americanos, porque brasileiros, hondurenhos, chineses, japoneses, espanhóis, coreanos, todos se comportam da mesma forma por aqui.

O que pode ser?

Direi: é a punição. A certeza de que qualquer ilícito cometido será punido dura e rapidamente.

Há quase 2,5 milhões de pessoas presas nos Estados Unidos, cinco vezes mais do que no Brasil. Nos Estados Unidos, quem não segue as regras é punido. Ponto. Essa é a lógica de qualquer país em que a democracia funciona: o acordo social tem de ser cumprido.

Já disse e repito: no Brasil de hoje, é mais importante construir presídios do que universidades. Em primeiro lugar, porque os presidiários não podem ser tratados como animais, como ocorre neste Brasil de masmorras infectas e superlotadas. Em segundo lugar, para dar espaço a mais pessoas que deveriam estar lá. Punição não é vingança. Punição é didática. A punição educa.

quinta-feira, 19 de março de 2015

VIATURAS OUTONAIS



O SUL Porto Alegre, Quinta-feira, 19 de Março de 2015.


WANDERLEY SOARES


Imotos durante três semanas, 30 carros serão distribuídos na região de Pelotas ao final do verão



Vozes semitonadas do Piratini garantiram, ontem, que as 30 viaturas zero quilômetro que permanecem imotas há três semanas no pátio do 4 Batalhão de Polícia Militar, sediado em Pelotas, que são destinadas não só a Pelotas, mas, entre outros municípios, a Rio Grande e Jaguarão, serão distribuídas, até o fim deste verão, sem a presença do governador José Ivo Sartori, cuja agenda está sem espaço para isso. Ora, se o Piratini anunciou que Sartori não presidirá a entrega dos carros, é porque a sua presença no evento estava prevista, fato que destaquei, ontem, neste espaço, dominado pela minha torre, diante da absurda imobilidade dos veículos, o que não chega a ser nenhuma inovação na área da segurança pública. Sob a véspera de mais um outono, que é a minha estação, sigam-me


Canibalismo


Alguns dos municípios por onde estarão rodando novas viaturas no outono que chega não contarão, exatamente, com o reforço de sua frota e, sim, com reposição. Tais municípios, como de resto todos os do RS, inclusive Porto Alegre e Região Metropolitana, não conhecem o que se chama "manutenção". Na medida em que as viaturas se desgastam, é feita a "operação canibalismo". Peças boas de carros sucateados são colocadas naqueles que ainda resistem à fatiga dos metais. E por aí a coisa vai sendo levada. As viaturas da polícia só aumentam seu tempo de vida útil com a colaboração de empresários e das prefeituras. Trata-se de uma espécie de mendicidade oficiosa


Residências


Um prédio residencial foi invadido por bandidos, na noite de terça-feira, em Cachoeirinha, na Grande Porto Alegre. Um caminhão estacionou em frente ao prédio localizado na rua Edgar Bins, na Vila Regina. Os criminosos arrombaram todos os apartamentos. Foram levados mais de 8 mil reais em dinheiro, televisores, eletrodomésticos e roupas entre vários objetos. Em Rio Pardo, no distrito de Albardão, uma família foi amarrada por criminosos dentro de casa na noite de terça-feira. Três homens armados e encapuzados invadiram a residência e agrediram dois casais. Eles roubaram uma arma e outros objetos da casa e deixaram os casais amarrados. Fugiram em uma Ecosport de propriedade das vítimas


Aplicações


O Denarc (Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico) desarticulou um esquema de tele-entrega de drogas feita por motoboys em Camaquã, no Sul do Estado. Cinco traficantes foram presos. Uma mulher que se dizia enfermeira aplicava entorpecentes anabolizantes nos usuários nos pontos de venda


Nervosismo


Ao que parece, há muito nervosismo na pasta da Segurança Pública. Ontem, o presidente da Comissão de Segurança da Câmara de Vereadores de Canoas, Juares Hoy (PDT), relatou ter sido desrespeitado por um capitão da Brigada Militar, que não se identificou mas se disse chefe de gabinete do secretário Wantuir Jacini. A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança informou que o vereador se ofendeu porque o secretário não pôde recebê-lo em função de problemas na agenda.

SE ESSA RUA FOSSE NOSSA


Universitária faz desabafo sobre estupro à luz do dia na Redenção.Em publicação anônima no Facebook, jovem conta detalhes do que aconteceu, e faz críticas ao descaso de moradores e da polícia

por Vanessa Kannenberg ZERO HORA 18/03/2015 | 22h02



Vítima do estupro mostra boletim de ocorrência registrado na delegacia no dia seguinte ao ocorrido Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Uma universitária contou ter sido atacada na Avenida João Pessoa e arrastada para o Parque da Redenção, na Capital, onde foi estuprada ao meio-dia em 9 de março, um dia depois do Dia Internacional da Mulher. O que aconteceu naquele dia foi relatado pela jovem de 21 anos em um texto publicado de forma anônima nesta quarta-feira na página Se essa rua fosse nossa, espaço dedicado a mulheres no Facebook.

Às 20h, seis horas após a publicação ir ao ar, o post tinha mais de 3,5 mil curtidas e 1.290 compartilhamentos.

"Pelas minhas costas, dois homens me agarraram e me arrastaram pra dentro do Parque da Redenção. Eles me taparam a boca e meus gritos eram abafados pelos dedos dos meus agressores e o tráfego de carros da rua. (…) A esta hora, eu já gritava muito e meus gritos se ouviam de longe, porém todos que passavam, e também outros que estavam ali, pareciam ver uma cena cotidiana. Ninguém se solidarizou ou nem sequer parecia ver aquilo com espanto", conta ela em um dos trechos.


A universitária falou com a reportagem de Zero Hora na noite desta quarta-feira, que optou por não revelar o nome da jovem, para preservá-la. No início da conversa, ela mesma pediu isso:

— Primeiro porque tenho medo de represália e, segundo, que temo pelo julgamento das pessoas.

Questionada sobre o por que de tornar público o ocorrido, a estudante disse que queria dividir com as pessoas tanto o fato da insegurança, que, segundo ela, é “ainda mais forte no trajeto universitário”, quanto como é feito o atendimento à mulher vítima de violência na Polícia Civil e no Departamento Médico Legal (DML), responsável pelos exames de corpo de delito.

— Eu faço parte de grupos feministas e sou engajada na causa. Mas um dia antes disso acontecer comigo, no Dia da Mulher, eu mesma não sabia que havia tanto descaso justamente onde deveríamos nos sentir mais protegidas. Fiquei chocada — resumiu ela, que detalha, no texto compartilhado, ter sido desestimulada a registrar a ocorrência dentro da delegacia, entre outras críticas ao atendimento policial.

Ainda segundo a jovem, não houve penetração, e, ao final, a dupla de agressores revirou sua bolsa e levou o celular. "Atiraram minha bolsa em cima de mim e saíram correndo. Meu valor estava ali taxado: o preço de um smartphone popular", narrou ela no Facebook.

Conforme o Código Penal Brasileiro (artigo 213), qualquer gesto que cause constrangimento, como carícias forçadas, pode ser enquadrado como estupro. Em caso de condenação pela Justiça, o agressor pode ser punido com uma pena que varia de seis a 10 anos de reclusão.

Procurada, a coordenadora das Delegacias de Polícia Especializadas no Atendimento à Mulher (Deam), delegada Rosane de Oliveira Oliveira, disse que soube do caso, mas que só conseguiria obter detalhes e fornecer informações na quinta-feira.


 
Aconteceu com uma de nós. E dói em todas nós.

"Foi há uma semana mas ainda me desce seco pela garganta.

Era segunda-feira, meio-dia. Um dia depois do dia da mulher. Parecia mentira que um dia antes eu estava no mesmo lugar, conversando com minhas irmãs sobre respeito e liberdade, com alguma esperança preenchendo meu coração.

Voltando da aula, desci do ônibus na Av. João Pessoa, última parada, próxima a Rua da República. Meu trajeto seria o mesmo de sempre: atravessar a rua e caminhar pela Rua José Bonifácio até o Bom Fim. Esse trajeto era o melhor possível, por mais que atravessar o Parque da Redenção a pé fosse muito mais próximo. Já resignada com o fato de que minha rotina seja pautada pela insegurança, desci e fui.

Eu caminhava rapidamente - acompanhada pelo medo de tudo-de-ruim que poderia me acontecer. Acho que toda mulher sente isso ao passar por esse tipo de local. Mas nesse dia, meus medos não ficaram só na minha mente.

Pelas minhas costas, dois homens me agarraram e me arrastaram pra dentro do Parque da Redenção. Eles me taparam a boca e meus gritos eram abafados pelos dedos dos meus agressores e o tráfico de carros da rua. Não lembro muito bem como eles eram - sem camisa, calção preto amarrado por um cordão de tênis, um deles tinha cabelo raspado descolorido - mas lembro e muito de cada minuto da agressão que eles me causaram.

Um deles estava por trás de mim e outro pela frente. As mãos rápidas e vorazes passeavam por todo meu corpo. E pra quem ficou com dúvidas, todo mesmo: bunda, peitos, vagina. Há essa hora eu já gritava muito e meus gritos se ouviam de longe, porém todos que passavam, e também outros que estavam ali, pareciam ver uma cena cotidiana. Ninguém se solidarizou ou sequer parecia ver aquilo com espanto. E eles continuavam: sentia as quatro mãos como lâminas no meu corpo. Não sei ao certo se pelo medo de alguém ouvir meus gritos ensurdecedores ou pelo esgotamento de interesse em mim, em um certo ponto eles pararam. Reviraram minha bolsa e só pegaram meu celular. Atiraram minha bolsa em cima de mim e saíram correndo. Meu valor estava ali taxado: o preço de um smartphone popular.

Eu fiquei ali, violada, no chão junto com minhas coisas. Enquanto me levantava tremendo, um homem muito bem vestido com roupas de academia passou correndo por mim. Ele diminuiu a velocidade ao me ver no estado que estava. Por alguns instantes cheguei até pensar que ele falaria comigo, porém ele passou batido. Ao perceber que ali não encontraria ajuda, ou pior, poderia "acabar" de ser abusada, saí correndo até minha casa.

Não tenho palavras pra descrever a dor e o pânico que senti, ou que vi nos olhos dos meus. A ira e o ódio também eram sentimentos presentes, assim como o medo, a insegurança e a profunda descrença na existência do bem nesse mundo.

Como seria de se esperar, fui a polícia procurar ajuda e relatar o que me aconteceu. Por mais que sentisse extrema resistência, afinal tenho tanto medo da polícia como tenho dos meus agressores.

Chegando na Delegacia da Mulher (no Palácio da Polícia, perto da João Pessoa), imediatamente fui atendida por um policial homem (acho que não preciso explicar aqui os motivos do porquê isso me agride). Após relatar brevemente meu caso, fui orientada a preencher uma ficha de cadastro e aguardar o atendimento. Logo após, uma policial chamou-me ao balcão. Ali, na recepção da delegacia, na frente de todos, tive que relatar sem pudores o que me aconteceu e recebi uma resposta direta e objetiva: "Tu sabe que vai fazer a ocorrência porque tu quer, né? Não podemos fazer nada pra te ajudar". E me vi ali, tendo que convencê-la da importância do meu relato, nem que seja pra "virar estatística".

Fomos até o gabinete pra de fato fazer o B.O. De portas abertas para a recepção, assim como o gabinete ao lado, no qual outra mulher aos prantos relatava um caso pesado de violência doméstica.

Contei minuciosamente cada detalhe do que aconteceu. Durante meu relato, várias vezes tive que escutar frases como "mas tu não foi de fato estuprada, não é?", "como assim tu não foi conversar com as testemunhas oculares que estavam no local?", "fica difícil te ajudar se tu não me disser mais detalhes sobre eles", "a polícia não tem culpa, o Estado cortou a hora extra e por isso não tem policiamento na rua". Ao fim da ocorrência, a policial me pergunta se pode me dar um conselho "fora do registro" e dispara: "Sinceramente, acho que vale mais a pena tu comprar um spray de pimenta e ir pra Zero Hora. Teu caso não vai dar em nada". Ou seja, de acordo com a Polícia Civil, eu mesma sou responsável pela minha própria segurança. Não posso contar com sua proteção.

Depois de tanto banho de água fria, de uma instituição que - em um mundo perfeito muito longe daqui - deveria me fazer sentir segura, o absurdo ainda não havia acabado. Feita a ocorrência, fui orientada a me dirigir ao Departamento Médico Legal para fazer o exame de corpo de delito. Dei a volta na quadra (o DML também fica no Palácio da Polícia) e entrei no prédio escuro e fétido. O homem na recepção, que me olhava dos pés a cabeça, mal perguntou meu nome e me disse pra subir as escadas e "não reparar porque o prédio estava sem luz".

No andar superior, pra minha surpresa, na mesma sala que eu estavam mais ou menos 15 presos, todos homens, algemados, com 5 oficiais do BOE armados com escopetas. Todos eles me olhavam fixamente e eu também olhava pra eles: incrédula. Qualquer um deles poderia ser um dos meus agressores. Notado o meu desconforto, um dos oficiais me informou da existência de uma sala de espera exclusiva para mulheres e lá aguardei o atendimento. Uma mulher veio falar comigo, perguntou o que aconteceu e eu relatei. Apesar do mesmo discurso ouvido na delegacia, com frases do tipo "mas se ele não teve relações sexuais contigo nem sei porque tu tá aqui", eu insisti fazer o exame. Mas desisti logo que fui informada que ele seria feito por um perito (que nem médico é) homem. Uma vítima de estupro - sim, por lei meu relato já se enquadra como estupro - tendo que ficar nua, num prédio sem luz, sem a acompanhamento de um familiar, com um homem.

Voltei pra casa desolada com tanto absurdo. Eu, uma menina branca, social e economicamente privilegiada, passei por esse atendimento terrível e opressor, exatamente do órgão que deveria me amparar numa situação como essa. Imagine mulheres em estado de vulnerabilidade social o que passam? Falta de tato, humanidade, respeito, cuidado. Em momento nenhum me foi oferecido sequer apoio psicológico, o que é evidente que eu precisaria numa situação dessas.

Esse relato foi a única forma que encontrei de gritar por ajuda. Não podemos contar com a boa fé das pessoas, não podemos contar com a polícia, não podemos contar com o estado. Estamos à mercê de uma sociedade violenta e escatológica. O medo faz parte de nossas rotinas e infelizmente ele é a única coisa que nos protege, quando ele ainda nos impede de circularmos livremente por nossa cidade e vivermos nossas vidas. A vida não tem valor. O corpo não tem valor. A liberdade não existe.

O que mais me choca é que, enquanto escrevo, muitas mulheres passam pelo mesmo. E muitas, mas muitas pessoas, nem sequer sabem da existência desse problema social. Espero que as palavras que escrevo com dor sirvam pra reflexão de tantos que menosprezam a importância da luta das mulheres por uma sociedade mais segura, justa e solidária."


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -  NO BRASIL DA IMPUNIDADE, AS LEIS MORREM DIANTE DO DESCASO, DA LENIÊNCIA E DA PERMISSIVIDADE DE GOVERNANTES, PARLAMENTARES E MAGISTRADOS QUE PERSISTEM EM SEUS DEVANEIOS CORPORATIVOS E BENEVOLENTES, SEM SISTEMATIZAR E FORTALECER A JUSTIÇA. Lamentável. No Brasil da impunidade, as leis por mais louvável que sejam as intenções e objetivos não passam de leis mortas, inúteis e desmoralizadas pela inexistência de um sistema de justiça sério, ágil, integrado, coativo e comprometido para dar um estrutura de prevenção, execução e aplicação. Assim, crimes hediondos, cruéis e capitais são tratados com tanto descaso, leniência e permissividade que abandonam a população e as vítimas, banalizam os crimes, e colocam a vida, a saúde e o patrimônio das pessoas como coisa comum e sem valor.

terça-feira, 17 de março de 2015

COLETIVO URBANO É INCENDIADO POR BANDIDOS ENCAPUZADOS

ZERO HORA 16/03/2015 | 23h19


Ônibus da Visate é incendiado por criminosos em Caxias do Sul. Quatro homens encapuzados mandaram passageiros descer, despejaram gasolina no veículo e queimaram o carro



Ônibus é queimado em Caxias do Sul na noite desta segunda-feira Foto: CRPO/Serra / Divulgação


Criminosos praticaram um atentado e incendiaram um ônibus de transporte coletivo da Visate, na noite desta segunda-feira, em Caxias do Sul. Conforme o Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) da Serra, por volta das 21h30min, duas mulheres que estavam na parada de ônibus, se fingindo de passageiras, pediram para o motorista do carro prefixo 472 parar. O veículo fazia a linha do bairro Vila Amélia, pela Rua Jose Perini.




Quando o motorista estacionou, quatro homens encapuzados surgiram do mato e mandaram cerca de 10 passageiros, o motorista e o cobrador que estavam no coletivo desembarcar. Os criminosos cercaram o veículo, dois na parte da frente do veículo e dois atrás, despejaram gasolina dentro do veículo e atearam fogo.

O motorista ficou encharcado de gasolina, mas também foi liberado e não sofreu ferimentos nem chegou a se queimar.

O ônibus ficou completamente destruído. O motivo e autoria do crime serão investigados pela polícia.

domingo, 15 de março de 2015

RS REGISTRA 17 MORTES VIOLENTAS, HOMICÍDIOS E TRÂNSITO

Diário Gaúcho 14/03/2015 | 13h30


RS registra 17 mortes violentas desde a tarde de sexta. Foram oito homicídios e nove vítimas no trânsito


Um acidente entre um táxi e um caminhão causou a morte de uma mulher na madrugada de sábado na BR-116, em Guaíba Foto: Tiago Bitencourt / Agência RBS

O Rio Grande do Sul registrou 17 mortes violentas, sendo oito homicídios e nove vítimas do trânsito entre a tarde de sexta-feira (13) e a manhã de sábado (14).

Vítimas do trânsito

Campo Bom: Colisão entre moto e carro na RS-239 acabou com duas mortes na manhã deste sábado.

Passo Fundo: Um homem morreu após acidente de trânsito na madrugada de sábado em Passo Fundo, no norte do Estado. Nicolau Casemiro Rodrigues dos Santos, 54 anos, conduzia um Escort com placas de Rodeio Bonito. Ele colidiu contra um caminhão que estava estacionado em local permitido na Rua Ângelo Preto, em frente à Estação Rodoviária.

Palmares do Sul: Um jovem de 19 anos morreu em um acidente de trânsito na madrugada de sábado na RS-101, em Palmares do Sul. A colisão frontal entre uma caminhonete e um caminhão aconteceu no quilômetro 42 por volta das 5h30. A vítima, que não foi identificada, era condutor da caminhonete, com placas de Palmares do Sul. O motorista do caminhão, com placas de Viamão, fugiu do local.

Pelotas: Acidente de trânsito com morte em Pelotas aconteceu na esquina das ruas Pinto Martins e General Osório, no Centro da cidade. A colisão envolveu um carro e uma moto. Uma das ocupantes da moto morreu no local. A outra foi socorrida ao hospital em estado grave.

Guaíba: Um acidente entre um táxi e um caminhão causou a morte de uma mulher na madrugada de sábado na BR-116, em Guaíba. Claci Seleprim, 40 anos, era passageira do táxi. A colisão aconteceu no quilômetro 296, no sentido Guaíba - Porto Alegre, por volta das 4h. O acidente foi no trevo de acesso ao bairro Cohab-Santa Rita.

Agudo: Uma colisão frontal entre um Uno e uma moto causou a morte do motociclista no quilômetro 64, da RS-348, em Agudo. Segundo o Comando Rodoviário, o veículo trafegava no sentido da RS-287 para a cidade de Agudo. A moto atingiu o carro próximo a uma curva, no sentido contrário. O motociclista, identificado como Lauro Roberto Bock, 58 anos, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

São Vendelino: Um motorista perdeu o controle do veículo na RS-446 e foi esmagado por um caminhão. O acidente aconteceu por volta das 20h.

Viamão: Uma idosa de 70 anos morreu em um acidente envolvendo dois carros na RS-040 na região de Águas Claras, em Viamão. A vítima foi identificada com Gisela Ebert da Silva. Outras quatro pessoas ficaram feridas no acidente, que aconteceu por volta das 19h.


Homicídios


Roca Sales:
Um menino de 10 anos matou a irmã de 13 anos nesta manhã. A morte teria sido acidental. Eles estavam na casa do tio, em Linha Brasil, no interior do municipio. A arma pertence ao tio das crianças. O menino está internado em estado de choque no hospital de Lajeado.

Santa Maria: Um homem de 34 anos morreu após ser esfaqueado durante uma briga na manhã deste sábado em Santa Maria. O nome da vítima é Éderson Righi Machado. De acordo com a Brigada Militar, o assassino, 25 anos, foi preso em flagrante na Travessa Gramado, na Vila Lorenzi, Região Sul do município. O crime teria ocorrido por volta das 7h30. O suspeito é preso do regime semiaberto e usava tornozeleira eletrônica.

Porto Alegre: Um homem foi morto com um tiro na cabeça na madrugada desse sábado (14), na Zona Leste de Porto Alegre. O crime ocorreu na Estrada Afonso Lourenço Mariante, na Lomba do Pinheiro, por volta das 4h30. A vítima foi identificada como Giovane Soares de Cristo. Ninguém foi preso.

Santo Angelo:
Uma briga generalizada terminou em morte na madrugada desse sábado no Centro de Santo Ângelo. A confusão ocorreu por volta de 1h30 e envolveu um grupo de 15 a 20 pessoas na Praça da Catedral. Dois jovens foram esfaqueados. Um deles, de 15 anos, morreu. O nome não foi confirmado. O outro jovem esfaqueado segue hospitalizado.

Porto Alegre:
Por volta da meia-noite, na rua Cascaes, bairro Rubem Berta, um homem foi encontrado já sem vida com marcas de facadas. Ele foi identificado como Rodrigo Silva, de 34 anos. O local é proximo ao fim da linha do onibus da Nortran.

Porto Alegre: Uma pessoa morreu e outra ficou ferida após tiroteio na Avenida Protásio Alves, esquina com a Rua Dr. Otávio Santos, no Bairro Jardim Carvalho, zona leste de Porto Alegre nesta sexta-feira (13). Segundo a Brigada Militar, dois homens armados em uma caminhonete roubada efetuaram vários tiros contra um Veloster, que bateu em um poste. A vítima fatal foi identificada como Rafael Nunes de Abreu.

Porto Alegre: Um homem foi morto a tirosna avenida Bernardino Silveira Amorim, bairro Rubem Berta. A vítima seria um vendedor de ferro velho.

Tapes: Uma menina de cinco anos morreu após ser baleada na cabeça, na tarde desta sexta-feira (13), em Tapes. Ela estava com o pai em um bar, no bairro Wolf, quando dois homens efetuaram os disparos em uma moto. Marcus Vinícius Silveira, o pai da criança, também foi atingido pelos disparos. Ele tem antecedentes por roubo e tráfico de drogas. A Polícia Civil investiga o caso.

segunda-feira, 9 de março de 2015

ATAQUES A BANCOS



ZERO HORA 09 de março de 2015 | N° 18096


Seis arrombamentos a agências bancárias em período de 48h



Da madrugada de sexta- feira até ontem, pelo menos seis agências bancárias sofreram tentativa de arrombamento no Estado, segundo informações da Rádio Gaúcha. Dois homens foram presos na manhã de ontem após tentarem arrombar um caixa eletrônico do Banco do Brasil em Ivoti, no Vale do Sinos. Segundo informações da Brigada Militar (BM), a dupla tentava abrir o equipamento com um maçarico e fugiu após perceber que policiais estavam a caminho da agência.

Os suspeitos, que deixaram os materiais no local, foram presos na saída da cidade. Essa foi a segunda prisão após tentativa de arrombamento em banco. Na madrugada, outra dupla foi presa em Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte. O caso ocorreu por volta das 4h.

A BM fazia um patrulhamento de rotina no centro da cidade quando percebeu uma movimentação na agência do Banco do Brasil. Ao chegarem ao local, os dois homens também usavam um maçarico para tentar abrir os caixas eletrônicos. A identidade deles ainda não foi divulgada, mas, segundo a BM, a dupla é natural de Santa Catarina. Há a suspeita de que mais indivíduos estejam envolvidos no ataque. A polícia faz buscas na região.

Também na manhã de ontem, outra agência do Banco do Brasil foi arrombada em Planalto, no norte do Estado. A polícia confirmou que se repetiu o uso de um maçarico para abrir um dos caixas eletrônicos.

SUSTO COM REFÉNS EM RIOZINHO NA SEXTA-FEIRA

Criminosos usaram o mesmo equipamento para abrir caixas eletrônicos do Banco do Brasil em Jaguarão, na fronteira, e Guaíba, na Região Metropolitana, na sexta-feira. Na tarde do mesmo dia, dois homens foram presos após tentar assaltar o Banrisul de Riozinho, no Vale do Paranhana. Eles fizeram 20 pessoas reféns após a chegada da Brigada Militar.