SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

TRABALHADORES, OCIOSOS E LADRÕES



CORREIO DO POVO redacao em 29 de abril de 2015



OSCAR BESSI


Quando criança, eu não entendia o motivo de não se trabalhar justamente no Dia do Trabalho. É feriado, me explicavam. Eu continuava sem entender. Tá, então no Dia do Ócio, a gente trabalha dobrado? Pergunta cretina. Toda criança tem. O tempo ensina que há mais coisas entre o céu e algumas contas bancárias que ninguém precisa entender. E descobri, não tinha o dia da ociosidade, nem dia da preguiça, ou dia internacional da sanguessuga. Pelo menos não assim, especificamente. E que trabalho é uma palavra pode ser verbo, substantivo ou até adjetivo de enfeite. Depende do sujeito.

Lembro de um ano onde o feriado caiu justamente num domingo, para protesto geral. Que feriado em domingo não é feriado. É domingo. E também era tempo de Gre-nal, como agora, que para as graças de uns e indiferença de outros (como os trabalhadores rurais, da segurança e da saúde, que não podem parar), é feriadão. Falando em futebol, os jogadores desses clubes grandes podem ser chamados de trabalhador? Se me disserem que sim, qual sua jornada semanal? Eles têm salário mínimo? Ou máximo? Ou é o máximo do máximo, e é só por isso que uns e outros se acham o máximo, mesmo fazendo o mínimo? Outra pergunta: vale a pena nós, pobres trabalhadores, brigarmos tanto por causa deles?

Dia desses, falei sobre o trabalho das domésticas. Reconhecido, que elas merecem. O de escritor ainda não é, algo que até as prostituas já conseguiram, mas chegaremos lá. Mas ainda encasqueto por terem oficializado o trabalho do ladrão. Nosso Congresso, talvez por afinidade com esta categoria profissional, tornou o furto – surrupiar, meter a mão no alheio, pegar o que não é seu na maior cara-de-pau – e o roubo – meter uma arma na nossa cara e levar o que suamos para conseguir – em profissão. Pois, pela legislação atual, caso o valor do objeto do crime não chegue a dois salários mínimos, é para deixar assim. É. Deixa levar. Exemplo? A gente ganha tipo professor, economiza meses, abre crédito cheio de burocracia na loja, compra uma TV de mil reais pros nossos filhos assistirem desenho animado, aí vem o sujeito, invade a tua casa e leva. Normal. Recomenda-se não reagir, dar tchauzinho e desejar bom divertimento.

Incompetente para motivar a juventude a não ingressar no mundo da violência, os poderes públicos brasileiro têm uma mania de jogar contra o seu povo e dele se distanciar. Não faz e ainda desfaz. E, por absoluta descrença na justiça, no sistema e na pura perda de tempo que é fazer um registro policial neste mar de impunidades, a verdade vive oculta e é tenebrosa. O próximo passo do Congresso, creio, é terminar com as profissões de policial e professor. Pra quê polícia? Pra quê escola? Tá. Não percam as esperanças. Liechtenstein tem a menor dívida externa do mundo e as coisas andam mais normais do que aqui. Ainda dá tempo de se mudar. Mas corram, que ele é um país bem pequenininho.

RECUO DOS LADRÕES


ZERO HORA 29 de abril de 2015 | N° 18147


SUA SEGURANÇA


Humberto Trezzi




Os números do primeiro trimestre no campo da segurança pública até seriam dignos de celebração, mas é necessário cautela. Houve um ligeiro recuo nos homicídios (queda de 5% no Interior e 1% na Capital) e uma expressiva redução nos latrocínios (46%) em todo o Estado, bem como dos furtos (9%).

Há que se analisar com calma. Estamos ainda no primeiro trimestre e, muito provavelmente, os números ainda não refletem a diminuição do patrulhamento policial, ocorrida após o corte de diárias e combustível de viaturas. A tendência geral no Rio Grande do Sul é de aumento no número de assassinatos, até porque existe um acirramento da guerra de quadrilhas em Porto Alegre, com sangue vertendo aos borbotões pelas ruas. Esse tipo de crime cresceu 68% em uma década – fica cedo para comemorar esse tímido recuo trimestral. E não há perspectiva de mais investimentos no aparato da segurança pública. Pelo contrário.

Já a redução dos latrocínios é impressionante. Das duas, uma: ou os bandidos estão com o gatilho mais contido em suas abordagens aos cidadãos ou a investigação e repressão a esse tipo de crime teve um bom período. Esforço não falta aos policiais: esse é o tipo de crime prioridade nº1 nas delegacias, porque “latrô” não se trata de mera morte por briga entre criminosos. São cidadãos inocentes que perdem a vida durante um assalto. Natural que o esforço investigativo seja grande.

Oxalá a explicação seja essa, mas pode ser coincidência. Afinal, o número de roubos de carros continua aumentando – e são eles a matriz da maioria dos latrocínios. Ruim dizer isso, mas o provável é que seja apenas um período de calmaria, num oceano de incertezas que marca o setor da segurança pública. E que motivam movimentos grevistas como o registrado ontem na Polícia Civi.

TRÁFICO ESPALHA VIOLÊNCIA



ZERO HORA 29 de abril de 2015 | N° 18147


CARLOS ISMAEL MOREIRA


GUERRA NA CAPITAL. CONFLITOS EM TODAS AS REGIÕES expõem população à rotina de crimes com mortes, criando situação que lembra o Rio de Janeiro



Não há dia, hora e muito menos local. Rajadas de tiros em ruas movimentadas e à luz do dia, balas que zunem em todas as direções e atentados que ignoram a presença de inocentes expõem a população de Porto Alegre à guerra entre traficantes que se espalha pela cidade. A situação leva especialistas e autoridades a compararem a realidade da Capital com a do Rio de Janeiro

Na segunda-feira, dois homens foram executados com mais de 60 tiros ao meio-dia, entre as avenidas Sertório e Assis Brasil, na Zona Norte. Há pouco mais de uma semana, um trio de criminosos incendiou um ônibus na entrada do Beco dos Cafunchos, na Zona Leste. Três dias antes, em pleno Centro, um homem foi morto com mais de 20 disparos em um ônibus.

80% DOS HOMICÍDIOS LIGADOS ÀS DROGAS

De acordo com o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Paulo Grillo, cerca de 80% dos homicídios na Capital têm alguma relação com o tráfico de drogas, motivados por vingança, acertos de contas e disputas por território:

– É quase uma guerra, com conflitos bastante pulverizados e pontos conflagrados por toda a cidade.

Ontem, a Secretaria de Segurança Pública divulgou índices de criminalidade do primeiro trimestre que mostram estabilidade no número de assassinatos na Capital – foram 157 neste ano e 159 no mesmo período de 2014. Na avaliação de Grillo, é a ousadia dos crimes que deixa a população perplexa.

Segundo o delegado Filipe Bringhenti, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, a execução na Avenida Farrapos é um exemplo da determinação dos traficantes em alcançar seus alvos, independentemente do contexto.

– A vítima foi seguida desde o Passo das Pedras. Em um Palio branco, os suspeitos esperavam que o homem desembarcasse mas, como o ônibus já estava no Centro e ele não havia descido, decidiram entrar no veículo e o mataram lá dentro mesmo – relata Bringhenti, acrescentando que a região tende a ser ponto de convergência desse tipo de conflito.

O incêndio do ônibus seria mais uma retaliação ao assassinato do traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, 35 anos, morto em janeiro em ataque do qual Cristiano Souza da Fonseca, o Tereu, 32 anos, é investigado como possível mandante. Tereu é apontado pela polícia como líder do tráfico no Beco do Cafunchos, que desde a semana passada foi ocupado pela BM. A suspeita é de que o atentado ao coletivo pretendesse justamente provocar a tomada da região pela polícia para estrangular a atividade criminosa do rival.

– O RS está evoluindo para situações semelhantes à s do Rio de Janeiro. Em alguns casos, os criminosos enfrentam o Estado em condições até mesmo desiguais – diz o delegado Paulo Perez, de Tramandaí, que apura a morte de Xandi.

O sociólogo Juan Mario Fandino, do Núcleo de Estudos sobre Violência da UFRGS, faz análise semelhante:

– Porto Alegre está alcançando o ponto em que o Rio chegou muito tempo atrás. O perigo do conflito bélico entre os criminosos extrapola os limites de suas bases.

Apesar da violência pulverizada, o tenente-coronel Mário Ikeda, à frente do Comando de Policiamento da Capital, não vê termos para comparação:

– Hoje não há nenhum ponto em Porto Alegre onde viaturas da Brigada não entrem.

Para o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, as regiões que mais preocupam são Restinga e Lomba do Pinheiro.


Reforço no policiamento


Desde o incêndio ao ônibus da linha 376-Herdeiros, dia 19, na entrada do Beco dos Cafunchos, na Zona Leste, a Brigada Militar (BM) ocupou a região. Além do efetivo regular e da Patrulha de Operações Especiais do 19º Batalhão de Polícia Militar (19º BPM), responsável pela área, um pelotão de pronto emprego do Batalhão de Operações Especiais (BOE) dá apoio – cerca de 40 homens patrulham a vila por turno.

– Intensificamos o policiamento a pé e com motos. Também aumentamos as abordagens em todos os períodos do dia – afirma o tenente-coronel Carlos Souto, garantido que o reforço permanecerá na vila até a retomada da tranquilidade.

Segundo o chefe de investigação da 21ª Delegacia de Polícia da Capital, comissário Luís Oscar Fioravanti Fernandes, há suspeita de que o incêndio do ônibus teria sido executado por aliados de Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, morto em janeiro em ataque do qual o homem apontado como líder do tráfico nos Cafunchos é suspeito de ser o mandante.

– O objetivo deles era estrangular a boca rival por meios oficiais. Quem é que vai comprar droga em uma região cheia de policiais? – questiona Fernandes.

A estratégia se mostrou eficaz. Uma clareira cercada por mato no meio da vila – que havia recebido até pontos de iluminação clandestina entre as árvores –, onde o comércio de drogas funcionava 24 horas, agora não há movimento. A presença maciça dos brigadianos é mais um golpe nos traficantes da região, que já haviam sido abalados pela prisão de seu líder. No dia 13, Cristiano Souza da Fonseca, o Tereu, 32 anos, foi detido quando saía de uma boate na Avenida Oscar Pereira em um carro blindado, com um carregador de pistola 9mm. Ele teve prisão preventiva decretada e está na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.

ESTRATÉGIA DA BM É CRIAR LAÇOS COM OS MORADORES

Com a operação de presença da BM, aos poucos os moradores dos Cafunchos voltam a sair às ruas. Ainda assim, os olhares desconfiados dirigidos às viaturas e aos brigadianos na área se mantêm. Para superar essa barreira, o comandante do 19º BPM aposta na aproximação com a comunidade, e ressalta a qualificação dos policiais para aperfeiçoar as técnicas de abordagem.

– O objetivo é ganhar a confiança dos moradores. Basta uma ação desmedida para jogar todo esse trabalho por água abaixo – diz Souto.

Denarc tenta desfalcar quadrilhas

Os conflitos entre traficantes na Capital refletem a atual organização dos grupos, avalia o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). Alianças entre facções se formam de acordo com interesses pontuais. Mas a fragilidade desses acordos deixa margem para que parceiros virem rivais da noite para o dia.

– As alianças não se desfazem necessariamente por questão financeira ou domínio de território. Às vezes, são disputas por liderança, um membro que tenta crescer dentro da quadrilha ou tomar para si uma região na qual era responsável como subordinado e até mesmo desavenças pessoais – explica o diretor de investigações do Denarc, delegado Leonel Carivali.

DIFICULDADE PARA VINCULAR LÍDERES

Na Restinga e Lomba do Pinheiro foram realizadas oito ações que resultaram em mais de 10 prisões neste ano. No mesmo período, em toda a Capital, foram deflagradas mais de 50 operações, com cerca de 200 presos. O desfalque no patrimônio das quadrilhas – apreensões de drogas, armas, dinheiro e veículos – já supera R$ 2 milhões.

Segundo o diretor do departamento, delegado Emerson Wendt, o desafio é conseguir comprovar a relação entre a droga recolhida e os suspeitos capturados com os líderes dos bandos. Apesar das ofensivas, o risco de os conflitos extrapolarem as áreas de atuação dos traficantes não é descartado.

– É muito mais fácil para um grupo que busca um alvo rival atacá-lo fora do seu território. É aí que se desenha o risco de ações em outras partes da cidade – avalia Wendt.

Para o tenente-coronel Mário Ikeda, comandante do Comando de Policiamento da Capital, os casos de vítimas sem relação com o tráfico nesses confrontos são situações isoladas.



PRINCIPAIS ÁREAS CONFLAGRADAS
-No Morro da Conceição, Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão da Conceição, dominava um império de tráfico até 2010. Após a prisão de Paulão, houve um racha na quadrilha. Integrantes do bando contrários ao antigo líder buscaram apoio de criminosos da Vila Cruzeiro (gangue V7) e da Restinga (gangue dos Primeira) para assumir o domínio do morro. Como consequência da disputa, já foram registrados tiroteios na região da Pedreira, na Vila Cruzeiro, e na área conhecida como Baixada, na Vila Maria da Conceição.
-Na Restinga, além do bando dos Primeira, que tem apoiado criminosos da Vila Cruzeiro na tentativa de tomada do Morro da Conceição, a polícia já identificou pelo menos 18 gangues de tráfico que travam disputas internas por território no extremo sul da Capital.
-No bairro Vila Nova, o loteamento Campos do Cristal recentemente foi palco de um violento confronto armado entre traficantes, que resultou na morte de uma menina de sete anos, atingida na cabeça por uma bala perdida de fuzil enquanto dormia. Há pelo menos dois anos, três grupos de vilas vizinhas ao redor da Estrada Cristiano Kraemer se enfrentam.
-Assolado por uma sequência de homicídios e tiroteios, o bairro Mario Quintana, na Zona Norte, segue conflagrado, embora os episódios tenham diminuído. Há pelo menos quatro grupos em guerra na área. Criminosos da gangue dos Minhocas, que dominam o território também no bairro Jardim Protásio Alves, disputam com um bando do loteamento Timbaúva. No Jardim Planalto, o bando dos Bugmaer trava conflito com traficantes da Vila Jardim.

VIOLÊNCIA PADRÃO RIO SE ESPALHA EM PORTO ALEGRE

ZERO HORA 29/04/2015 | 04h03

por Carlos Ismael Moreira


Conflitos em todas as regiões expõem população à rotina de crimes com mortes, criando situação que lembra a capital fluminense



Dois homens foram assassinados por volta do meio-dia de segunda-feira na Zona Norte de Porto Alegre com mais de 60 tiros Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS


Não há dia, hora e muito menos local. Rajadas de tiros em ruas movimentadas e à luz do dia, balas que zunem em todas as direções e atentados que ignoram a presença de inocentes expõem a população de Porto Alegre à guerra entre traficantes que se espalha pela cidade. A situação leva especialistas e autoridades a compararem a realidade da Capital com a do Rio de Janeiro.

Na segunda-feira, dois homens foram executados com mais de 60 tiros ao meio-dia, entre as avenidas Sertório e Assis Brasil, na Zona Norte. Há pouco mais de uma semana, um trio de criminosos incendiou um ônibus na entrada do Beco dos Cafunchos, na Zona Leste. Três dias antes, em pleno Centro, um homem foi morto com mais de 20 disparos em um ônibus.


De acordo com o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Paulo Grillo, cerca de 80% dos homicídios na Capital têm alguma relação com o tráfico de drogas, motivados por vingança, acertos de contas e disputas por território:

— É quase uma guerra, com conflitos bastante pulverizados e pontos conflagrados por toda a cidade.

Nesta terça-feira, a Secretaria de Segurança Pública divulgou índices de criminalidade do primeiro trimestre que mostram estabilidade no número de assassinatos na Capital — foram 157 neste ano e 159 no mesmo período de 2014. Na avaliação de Grillo, é a ousadia dos crimes que deixa a população perplexa.

Segundo o delegado Filipe Bringhenti, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, a execução na Avenida Farrapos é um exemplo da determinação dos traficantes em alcançar seus alvos, independentemente do contexto.


— A vítima foi seguida desde o Passo das Pedras. Em um Palio branco, os suspeitos esperavam que o homem desembarcasse mas, como o ônibus já estava no Centro e ele não havia descido, decidiram entrar no veículo e o mataram lá dentro mesmo — relata Bringhenti, acrescentando que a região tende a ser ponto de convergência desse tipo de conflito.

O incêndio do ônibus seria mais uma retaliação ao assassinato do traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, 35 anos, morto em janeiro em ataque do qual Cristiano Souza da Fonseca, o Tereu, 32 anos, é investigado como possível mandante.

Tereu é apontado pela polícia como líder do tráfico no Beco do Cafunchos, que desde a semana passada foi ocupado pela BM. A suspeita é de que o atentado ao coletivo pretendesse justamente provocar a tomada da região pela polícia para estrangular a atividade criminosa do rival.

— O RS está evoluindo para situações semelhantes às do Rio de Janeiro. Em alguns casos, os criminosos enfrentam o Estado em condições até mesmo desiguais — diz o delegado Paulo Perez, de Tramandaí, que apura a morte de Xandi.

O sociólogo Juan Mario Fandino, do Núcleo de Estudos sobre Violência da UFRGS, faz análise semelhante:

— Porto Alegre está alcançando o ponto em que o Rio chegou muito tempo atrás. O perigo do conflito bélico entre os criminosos extrapola os limites de suas bases.

Apesar da violência pulverizada, o tenente-coronel Mário Ikeda, à frente do Comando de Policiamento da Capital, não vê termos para comparação:

— Hoje não há nenhum ponto em Porto Alegre onde viaturas da Brigada não entrem.

Para o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico, as regiões que mais preocupam são Restinga e Lomba do Pinheiro.

Principais áreas conflagradas

No Morro da Conceição, Paulo Ricardo Santos da Silva, o Paulão da Conceição, dominava um império de tráfico até 2010. Após a prisão de Paulão, houve um racha na quadrilha. Integrantes do bando contrários ao antigo líder buscaram apoio de criminosos da Vila Cruzeiro (gangue V7) e da Restinga (gangue dos Primeira) para assumir o domínio do morro. Como consequência da disputa, já foram registrados tiroteios na região da Pedreira, na Vila Cruzeiro, e na área conhecida como Baixada, na Vila Maria da Conceição.

Na Restinga, além do bando dos Primeira, que tem apoiado criminosos da Vila Cruzeiro na tentativa de tomada do Morro da Conceição, a polícia já identificou pelo menos 18 gangues de tráfico que travam disputas internas por território no extremo sul da Capital.

No bairro Vila Nova, o loteamento Campos do Cristal recentemente foi palco de um violento confronto armado entre traficantes, que resultou na morte de uma menina de sete anos, atingida na cabeça por uma bala perdida de fuzil enquanto dormia. Há pelo menos dois anos, três grupos de vilas vizinhas ao redor da Estrada Cristiano Kraemer se enfrentam.

Assolado por uma sequência de homicídios e tiroteios, o bairro Mario Quintana, na Zona Norte, segue conflagrado, embora os episódios tenham diminuído. Há pelo menos quatro grupos em guerra na área. Criminosos da gangue dos Minhocas, que dominam o território também no bairro Jardim Protásio Alves, disputam com um bando do loteamento Timbaúva. No Jardim Planalto, o bando dos Bugmaer trava conflito com traficantes da Vila Jardim.

Denarc tenta desfalcar quadrilhas

Os conflitos entre traficantes na Capital refletem a atual organização dos grupos, avalia o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). Alianças entre facções se formam de acordo com interesses pontuais. Mas a fragilidade desses acordos deixa margem para que parceiros virem rivais da noite para o dia.

— As alianças não se desfazem necessariamente por questão financeira ou domínio de território. Às vezes, são disputas por liderança, um membro que tenta crescer dentro da quadrilha ou tomar para si uma região na qual era responsável como subordinado e até mesmo desavenças pessoais — explica o diretor de investigações do Denarc, delegado Leonel Carivali.

Na Restinga e Lomba do Pinheiro foram realizadas oito ações que resultaram em mais de 10 prisões neste ano. No mesmo período, em toda a Capital, foram deflagradas mais de 50 operações, com cerca de 200 presos. O desfalque no patrimônio das quadrilhas — apreensões de drogas, armas, dinheiro e veículos — já supera R$ 2 milhões.

Segundo o diretor do departamento, delegado Emerson Wendt, o desafio é conseguir comprovar a relação entre a droga recolhida e os suspeitos capturados com os líderes dos bandos. Apesar das ofensivas, o risco de os conflitos extrapolarem as áreas de atuação dos traficantes não é descartado.

— É muito mais fácil para um grupo que busca um alvo rival atacá-lo fora do seu território. É aí que se desenha o risco de ações em outras partes da cidade — avalia Wendt.

Para o tenente-coronel Mário Ikeda, comandante do Comando de Policiamento da Capital, os casos de vítimas sem relação com o tráfico nesses confrontos são situações isoladas.

terça-feira, 28 de abril de 2015

DECAPITOU A NAMORADA E ENTREGOU A CABEÇA NA POLÍCIA



CORREIO DO POVO 28/04/2015

Homem que decapitou namorada é denunciado por feminicídio. Homem que decapitou namorada é denunciado por feminicídio








O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou por feminicídio o ajudante-geral José Ramos dos Santos, de 23 anos, que matou, decapitou e apresentou a cabeça da namorada de 16 anos em uma delegacia no centro da capital. A acusação formal foi oferecida à 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital nessa sexta-feira.

Para o promotor Fábio Ramazzini Bechara, que fez a denúncia, "o crime foi cometido por razões do sexo feminino, tendo em vista o menosprezo revelado pelo denunciado em relação à vítima, relegando a sua condição de mulher, e tratando-a como se fosse um objeto pessoal dele".

Caso a denúncia seja aceita, Santos será julgado por homicídio duplamente qualificado (por ter impedido a defesa da vítima e por razão de gênero), além de destruição e ocultação de cadáver, com agravante de a vítima, a adolescente Shirley Souza, estar grávida de seis meses.

Shirley foi morta há cerca de um mês, no dia 26 de março, após confessar para o namorado que teve relação sexual com outro homem. Primeiro, Santos teria aplicado uma gravata contra a vítima, que desmaiou. Aos policiais, o ajudante contou ter achado que ela estava morta. Ele, então, foi até a cozinha, pegou uma faca e arrancou a cabeça da vítima.

Santos guardou a cabeça em um saco plástico, enquanto o corpo foi embrulhado em um edredom, com os pés e mãos amarrados. Quase 24 horas depois, o mau cheiro fez o ajudante jogar o corpo de Shirley na Rua Manoel Rodrigues Mexelhão, conhecida como viela tico-tico.

Ao perceber que os vizinhos haviam encontrado o cadáver, Santos resolveu se entregar. Pôs a cabeça da vítima em sua mochila e foi até o 1º Distrito Policial (Sé), mas como era fim de semana e não havia delegado plantonista para cuidar do caso, o ajudante foi levado até o 8º DP (Brás).

Santos atravessou 30 quilômetros da cidade com a cabeça da vítima em sua mochila. Ele saiu da Pedreira, no extremo sul, e tomou duas linhas de ônibus, por quase 30 quilômetros, até achegar à delegacia da Rua da Glória, na Liberdade, região central.

NOS EUA, A REALIDADE SUPERA A IDEOLOGIA



ZERO HORA 28 de abril de 2015 | N° 18146


MAURICIO TONETTO*



Recentemente, tive a chance de vivenciar o cotidiano dos Estados Unidos. Em Los Angeles, segunda cidade mais importante do país, vi coisas que me dão esperança de um mundo melhor, por um lado, e me desanimam como brasileiro, por outro. A primeira é a segurança. Com 12 milhões de habitantes, a região metropolitana de L.A. é uma imensa área de casas e jardins, sem grades. A certeza do americano de que ninguém invadirá sua residência é tão real, que ele não se preocupa em viver isolado numa fortaleza. Nas ruas, pouco importa se você dirige uma Ferrari ou um Fusca, os índices de assalto à mão armada são ínfimos. Além disso, a guerra no trânsito lá é fria – existem 35 milhões de veículos na Califórnia e as regras são respeitadas.

Em termos de eficiência dos serviços públicos, o abismo é ainda maior. Apesar de reclamarem dos impostos, os americanos têm um retorno incomparável em qualidade de vida. Avançando na análise empírica, chego à educação. Com alto nível de exigência, o ensino é rigoroso e direcionado, e quem prefere empreender tem chances reais de sucesso, pois o meio favorece, e não prejudica, o trabalho e a inovação. Na retaguarda de tudo, a lei funciona, independentemente da classe social. Por fim, um tema polêmico: a tolerância às diferenças. A despeito das ideias toscas dos republicanos, cada vez menos influentes entre os jovens, o que existe em grande parte do país é a boa convivência com as culturas que o construíram. Antes que você classifique este texto como apologia ou me julgue americanizado, deixo uma ideia para reflexão.

É óbvio que os EUA não são perfeitos e é lógico que há exceções para o que relatei, mas é inegável que a maior economia mundial é também um país avançado para quem almeja viver com segurança e tranquilidade. Então, por que não aprender com ele? Por que não nos aliarmos profundamente? Batemos no peito para defender o Brasil e gostamos de ridicularizar os EUA, mas, afinal, estamos realmente certos ao sustentar políticos extremamente corruptos, encarar a violência como algo natural, esperar um governo idealizado para nos salvar e engolir mentiras há 500 anos? Estamos realmente certos ao servir de massa de manobra de uma ideologia que vive apartada da realidade?

*Repórter de ZH

EXECUÇÃO AO MEIA-DIA NUM MOVIMENTADO CRUZAMENTO DE POA




ZERO HORA 28 de abril de 2015 | N° 18146

EDUARDO TORRES

Execução ao meio-dia no Sarandi


DOIS HOMENS que estavam em um caminhão-guincho foram mortos com dezenas de tiros nas esquinas das avenidas Sertório e Assis Brasil


Por volta do meio-dia de ontem, em um dos cruzamentos mais movimentados de Porto Alegre, entre as avenidas Sertório e Assis Brasil, no bairro Sarandi, dois criminosos ignoraram o tráfego intenso e executaram dois homens diante de restaurante onde dezenas de pessoas almoçavam. Eles desceram de uma caminhonete Duster branca, interceptaram o caminhão-guincho onde estavam as vítimas e começaram a atirar.

– Só consegui me jogar no chão, e aquelas rajadas de tiros não paravam mais. Os caras atiravam, corriam de volta para o carro e parece que, quando viam que eles ainda se mexiam, voltavam e davam mais tiros – diz uma moradora, que saía do mercado no momento.

Segundo testemunhas, por três minutos, houve ao menos quatro rajadas de tiros. Os peritos recolheram cerca de 60 cápsulas de pistola 9mm. A suspeita da polícia é de que o alvo era Ricardo Rosário da Rosa, o Sarará, 34 anos. Ele foi morto com pelo menos 10 tiros no carona do caminhão-guincho. Aos seus pés, estava um revólver calibre 38 que não chegou a ser usado. O motorista do caminhão, identificado como Rodimar Goulart, 45 anos, tentou escapar. Mas quando abriu a porta, acabou derrubado e baleado na cabeça.

– O caminhão, provavelmente, vinha sendo seguido. Quando parou na sinaleira, foi interceptado. O cenário é típico de execução, com muitos tiros e alvo determinado – aponta o delegado João Paulo de Abreu.

Com antecedentes por roubo de veículo, tráfico de drogas e investigado por homicídios, Sarará estava em prisão domiciliar. Estaria envolvido em conflitos do tráfico na região do bairro Passo das Pedras. Em 2013, foi investigado como um dos envolvidos na execução do traficante Diego Alaor da Silva, o Marujo, 31 anos, na emergência do Hospital Conceição.

– É cedo para relacionarmos os crimes, mas levaremos em conta o histórico da vítima – diz Abreu.

Segundo a polícia, Sarará trabalhava com recuperação de veículos e contratou o serviço do guincho para carregar dois carros.

PIRATINI QUER ADIAR REAJUSTE DOS SERVIDORES POLICIAIS E PRISIONAIS



ZERO HORA 28 de abril de 2015 | N° 18146

CARLOS ROLLSING


PIRATINI NEGOCIA PARA ADIAR REAJUSTE


AUMENTO PARA SERVIDORES DA SEGURANÇA que começa a ser pago em maio pode ficar para adiante. Para isso, governo precisa aprovar projeto na Assembleia. Ação judicial é avaliada


Das dezenas de projetos de lei que o Palácio Piratini estuda enviar à Assembleia para ampliar receitas e enxugar despesas, o mais urgente é o que deverá propor a prorrogação da vigência do calendário de reajuste salarial dos servidores da segurança pública.

Enquanto amadurece a decisão política, o governo inicia negociações com a base aliada para tentar obter apoio à polêmica proposta. Um plano B também está em curso: se os deputados recuarem, a alternativa poderá ser a judicialização dos aumentos concedidos ainda no governo Tarso Genro.

Com a crise financeira, o calendário de reajustes da área da segurança é visto com preocupação – custarão cerca de R$ 4 bilhões no período do governo Sartori. Somente em maio, quando passa a vigorar uma parcela, o impacto será de R$ 250 milhões. E isso ocorrerá apenas um mês depois de o Piratini ter atrasado o pagamento da dívida com a União para conseguir quitar em dia a folha do funcionalismo. A alegação é de que não há dinheiro para tudo.

A negociação do Piratini com a base aliada começa a partir de hoje, quando o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, receberá os líderes de bancadas para um café da manhã, como acontece às terças-feiras. Embora o prazo esteja se esgotando, o governo já fez as contas e sabe que ainda é possível aprovar a prorrogação do calendário de reajustes antes do final de maio. Os servidores da segurança receberão o salário reajustado no dia 28 do próximo mês. A folha precisa ser gerada até 48 horas antes. Isso indica que, até o dia 25 de maio, o projeto tem de estar aprovado na Assembleia. Mas, para isso, a base aliada será fundamental.

Se enviar a proposta em regime de urgência, a tramitação ocorrerá em 30 dias e poderá ultrapassar o limite de 25 de maio. A saída é o acordo de líderes, feito nas reuniões da Mesa Diretora. Se um deputado propuser, e a maioria concordar, um projeto de lei pode ser votado a qualquer momento. Obter o acordo ficou mais fácil com a modificação do regimento da Assembleia. Antes, qualquer bancada de um deputado tinha poder para impedir uma votação. Agora o acerto se dá em caso de obtenção de maioria dos votos. A antecipação da análise da proposta em plenário só é vetada se três bancadas forem contra. Se a base aliada de Sartori abraçar a proposta, a aprovação poderá ser alcançada, já que os governistas são 35 dos 55 parlamentares.

DÚVIDA SOBRE APOIO DOS DEPUTADOS

Em reuniões na Casa Civil, deputados manifestaram a opinião de que não haverá clima favorável à intenção de atrasar a concessão do reajuste aos servidores da segurança. A partir desse indicativo, ganhou força a judicialização, iniciativa que está em estudo. A tese é de que o calendário de aumentos dos servidores da segurança, aprovado no governo Tarso, mas avançando por quatro anos da gestão de Sartori, fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. A legislação do reajuste foi criada, sustentam pessoas ligadas ao Piratini, sem a previsão de receitas para cobrir as despesas.

– A judicialização cresceu depois que deputados revelaram indisposição com a ideia. Mas também é complicado, pois seria o Executivo ingressando com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra o Executivo. O ideal é que uma terceira parte fizesse isso – diz um deputado com trânsito no governo.


Sindicalistas dizem que não vão aceitar “pagar a conta” sozinhos

Foi para um público bastante cético que o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, apresentou ontem um panorama das finanças públicas do Estado no Galpão Crioulo do Palácio Piratini. A plateia formada por representantes de 35 sindicatos do funcionalismo ouviu com desconforto a projeção de déficit para este ano e já espera medidas mais duras do governo. Após realizar a abertura, em que ressaltou a importância do diálogo, o governador José Ivo Sartori se retirou, deixando a exposição dos números a cargo de Feltes. Permaneceram presentes o vice José Paulo Cairoli e os secretários Márcio Biolchi, Carlos Búrigo e Cleber Benvegnú.

A apresentação foi a mesma realizada na chamada Caravana da Transparência, no interior do Estado. Em pelo menos cinco ocasiões, Feltes falou sobre a necessidade de um “novo contrato social” em que “todos saem perdendo”, como saída para a crise. Para os sindicalistas, o recado é de que haverá congelamento de salários e a possibilidade de adiamento dos reajustes já aprovados. Nenhuma medida, no entanto, foi confirmada pelo secretário.

– Não é chororô, falta dinheiro mesmo – disse Feltes.

Apesar do clima ameno durante a exposição, entre os sindicalistas a reação foi de desconfiança com o discurso do governo. Para o presidente do Sindicaixa, Érico Corrêa, Feltes justificou excessos e imoralidades de gastos alegando que são leis e que precisam ser cumpridas, mas titubeia em cumprir a lei quando o assunto é reajuste dos servidores.

– O governador escolhe as leis que quer cumprir – disse Corrêa.


POLÍCIA CIVIL FAZ PARALISAÇÃO HOJE

Ubirajara Ramos, coordenador- geral da Associação dos Bombeiros, afirmou que entende a situação das contas, mas que não pode abrir mão de direitos da categoria:

– A sensação que dá é que as medidas serão aplicadas apenas a servidores do Executivo.

Presidente do Cpers, Helenir Schürer salientou a falta de propostas do governo:

– O discurso já é conhecido, mas até agora ninguém deu uma posição concreta. Não vamos aceitar que a conta caia no colo dos servidores. Vamos aumentar a pressão e, se não houver negociação, faremos paralisação a partir do próximo dia 8 – avisa.

Entidades que representam os servidores da segurança pública temem que o governo do Estado suspenda o reajuste para a categoria concedido na gestão de Tarso Genro. Está prevista para hoje mobilização de escrivães, inspetores e investigadores, que devem paralisar todas as atividades nas delegacias entre 8h e 18h. Somente ocorrências consideradas graves serão atendidas. O agentes de Porto Alegre irão se concentrar em frente ao Palácio da Polícia. No Interior, ficarão junto às delegacias de pronto atendimento.

– O governo apresentou uma série de argumentos de que o Estado está quebrado, que não tem dinheiro. E ele foca muito no reajuste da segurança pública dizendo que, com isso, o Estado vai gastar quase R$ 3,9 bilhões. Para nós, isso causa um pouco de indignação – disse o presidente da Ugeirm Sindicato, Isaac Ortiz.

CADU CALDAS



POLÍTICA+ | Rosane de Oliveira

DECISÃO DIFÍCIL E IMPOPULAR





Mais difícil do que negar um aumento salarial a qualquer categoria de servidores públicos é adiar ou suspender um reajuste que já está aprovado e prestes a entrar em vigor. É por isso que o governador José Ivo Sartori e seus secretários não confirmam a negociação com a base aliada para adiar o pagamento do reajuste parcelado dos servidores da área de segurança pública. O repórter Carlos Rollsing apurou que a negociação deve começar hoje em um café da manhã na Casa Civil e que o governo trabalha com um plano B, se não conseguir aprovar o adiamento na Assembleia: um recurso à Justiça.

Aprovados na gestão de Tarso Genro, os reajustes parcelados para os servidores da segurança se estenderão até 2018, com duas correções anuais – em maio e em novembro. Só em 2015, o impacto desses reajustes é de R$ 400 milhões.

A situação dos aliados de Sartori é delicada. Afinal, os deputados de oposição à época da aprovação do projeto votaram a favor do reajuste, como fizeram em outras propostas que hoje desafiam a coerência dos governistas, como o fim do imposto de fronteira. Nesse grupo, estão os hoje secretários Giovani Feltes, Márcio Biolchi e Maria Helena Sartori.

O grande problema do governo é que a área da segurança é uma das mais sensíveis em matéria de serviço público. Os policiais já estão descontentes com o corte de horas extras, que, em muitos casos, funcionavam como complemento de salário. Na Polícia Civil, cobram o pagamento de promoções atrasadas. Uma eventual suspensão do reajuste afetará os que perderam vantagens com o primeiro decreto e os que não recebem horas extras e estão na expectativa de um contracheque maior em maio.

É exatamente a falta de dinheiro para pagar os salários e demais compromissos de maio que leva o Piratini a cogitar a suspensão do reajuste. Em abril, o governo atrasou o pagamento da parcela da dívida com a União. Em maio, essa hipótese está descartada, segundo o governador. Sartori espera receber recursos da União, mas, se esse dinheiro não vier, volta o risco de atraso nos salários, no pagamento de fornecedores e no repasse para os municípios.

Ao abrir os números das finanças para os sindicalistas, como fez ontem, o governo tenta convencê-los de que o cofre está, de fato, vazio. E vai preparando o terreno para propor medidas mais duras, como o aumento de ICMS.

domingo, 26 de abril de 2015

TAXISTA ACABA REFÉM E TORTURADO


 
ZERO HORA 26/04/2015 | 13h27


Taxista sai para fazer corrida e acaba refém de bandidos em Porto Alegre

Motorista desapareceu na tarde de sábado. Após trabalho da Brigada Militar, local onde era mantido em cativeiro foi encontrado na madrugada deste domingo. Taxista foi torturado, segundo os PMs.




Após desaparecer, por volta das 17h de sábado, depois de fazer uma corrida, um taxista de Porto Alegre foi encontrado em um cativeiro pela Brigada Militar, na madrugada deste domingo. Ele estava sendo mantido refém na Zona Sul havia cerca de dez horas e foi torturado, de acordo com policiais militares.

O motorista, de 22 anos, saiu de um ponto junto ao shopping Praia de Belas para fazer uma corrida no táxi Voyage com duas mulheres até a Vila dos Sargentos. Lá, um grupo de bandidos o rendeu para assaltá-lo e o manteve refém.

O veículo teria sido usado pelos assaltantes na tentativa de cometer mais um crime. Em seguida, os bandidos acabaram abandonando o Voyage no Beco do Guará. O carro foi localizado ainda na noite passada.

Policiais do 1º BPM iniciaram buscas na região até abordar outro táxi, um Siena, com três homens e uma mulher. Um dos passageiros estava com a chave do Voyage roubado e confessou aos PMs que o taxista estava sendo mantido refém. Os PMs conseguiram chegar ao cativeiro e libertar a vítima às 3h de hoje, segundo eles, com sinais de tortura: o motorista teria sido queimado com isqueiro, espancado e estrangulado com uma corda. Ele foi levado para atendimento médico.

Há suspeita de envolvimento de integrantes da gangue Bala na Cara no crime, conforme a Brigada Militar.

O homem que estava com a chave do Voyage e um adolescente que foi flagrado no cativeiro foram detidos. O caso foi registrado na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento e no Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), em Porto Alegre.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

TIROTEIO ASSUSTA MORADORES DE BAIRRO DE POA

ZERO HORA Atualizada em 24/04/2015 | 01h47


Tiroteio assusta moradores do bairro Nonoai, em Porto Alegre. Projéteis foram encontrados na Rua Orfanotrófio



BM suspeita de uma briga entre gangues rivais Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS Um tiroteio no final da noite desta quinta-feira assustou moradores do bairro Nonoai, na zona sul de Porto Alegre.


Uma moradora, que pediu para não ser identificada, relatou em mensagem ao WhatsApp de Zero Hora, que os tiros duraram pelo menos meia hora, deixando os moradores com muito medo. Outra leitora relatou, via mensagem para a página oficial da Zero Hora no Facebook, que os tiros são frequentes há pelo menos um mês no local.


Pelo menos 30 policiais e oito viaturas foram deslocados ao bairro, em busca dos responsáveis pelos disparos. Na Rua Orfanotrófio, os policiais encontraram projéteis. A suspeita é de que os tiros tenham sido feitos por armas de grosso calibre em uma briga entre gangues rivais.

Até a 1h, não havia informações sobre feridos, nem sobre prisões.

Na sexta-feira passada, uma menina de sete anos morreu enquanto dormia atingida por um tiro disparado durante um tiroteio entre gangues também na Zona Sul — desta vez no bairro Vila Nova. A polícia fez operação no local na quarta-feira em busca de arma e dos suspeitos de terem feito os disparos, que também atingiram de raspão o irmão da menina.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

POLICIAIS AINDA NÃO SE RENDERAM

 
 
Correio do Povo 23.04.15


Paulo Roberto Mendes Rodrigues
 

Milhares de vítimas que são diariamente subjugadas por bandidos. No entanto, nem todos são submetidos a essa situação. Nos últimos dias, ocorreu uma reviravolta. Três policiais reagiram a assaltos e “resolveram a questão”. Mataram para não morrer, esta é a verdade.

Enquanto isso, autoridades continuam a recomendar para as “vítimas” que não reajam aos “assaltos” que ocorrem no cotidiano, favorecendo assim a ação da bandidagem. Sim, talvez estejam certas, pois o tal estatuto do desarmamento retirou do cidadão comum a possibilidade de defesa. É importante destacar que 85% da população disse não ao plebiscito. Para as autoridades, a sociedade estava errada, os crimes violentos iriam diminuir...
 
Mas, e daí? Lei é lei. Ainda bem que, por ora, não conseguiram desarmar os policiais, que, mesmo de folga, estão enfrentando e vencendo os bandidos.
 
Mas, continuando, também é verdade que após o estatuto os crimes violentos aumentaram. “Ah! Mas isto deve ser por problemas sociais, por estarem no local e horário errado, por culpa da vítima” e blá-blá-blá. Perguntem para a população! Recomenda-se às autoridades que se dirijam aos cemitérios e compareçam aos velórios.
 
Os bandidos estão soltos. Uns no tal regime semiaberto; outros com tornozeleiras, discretamente colocadas por baixo da calça, e, ainda, alguns em suas residências, certamente por falta de “vagas”.
 
Ah! Também não podemos esquecer que os recursos disponibilizados aos policiais que atuam nas ruas só diminuem, e para esse fato – da mesma forma que para outros tantos –, há explicações objetivas. O fato é que também se descobriu uma nova forma de melhor combater o crime com eficiência: a modalidade “invisibilidade”.
 
Enfim, o que interessa é que o Estado fracassou e continua fracassando no combate ao crime. Os bandidos venceram e de goleada!! Resta-nos apenas assinar o termo de rendição.
 
Enquanto isso, continua-se, cada vez mais, discutindo e discutindo a construção de presídios, a lei do desarmamento, a progressão do regime, a redução da maioridade penal... Balela!



Cel. – Ex-comandante da Brigada Militar

UM NOVO MODELO DE GESTÃO



ZERO HORA 23 de abril de 2015 | N° 18141


WANTUIR JACINI



Ao contrário dos 30% noticiados, o contingenciamento real da Segurança Pública do RS é de 7% com relação ao que foi gasto em 2014. Nesse contexto, adotamos uma série de medidas. Ampliamos o uso da tecnologia, otimizando o emprego dos efetivos. Limitamos a cedência de servidores. Revimos as despesas de custeio, cortando gastos excessivos. Readequamos as horas extras exclusivamente para as atividades-fim. Reduzimos ao máximo os CCs, tendo as chefias como exemplo – hoje, todos os diretores da SSP são servidores do quadro, o que representa economia de cerca de 50% por cargo.

Em 2014, ano de Copa do Mundo e que contou com reforço significativo no policiamento em Porto Alegre, houve recrudescimento da criminalidade. Os principais indicadores cresceram em comparação a 2013: homicídios dolosos aumentaram 22,2%, latrocínios 9,3%, roubos 17,2% e extorsão mediante sequestro 105,6%. Prova de que investimentos maiores não necessariamente representam melhores serviços. É preciso gestão eficiente e controle sobre as despesas.

Comparando os dados do primeiro trimestre de 2014 com o mesmo período de 2015, é possível observar redução nos crimes contra a vida e o patrimônio. O latrocínio obteve queda de 46,3%, a extorsão mediante sequestro, 62,5%, o estelionato, 23,2%, os homicídios dolosos, 5,2%, e os furtos 9,1%.

Conseguimos essa redução agindo com foco nas 19 cidades que concentram 85% dos crimes no RS, a partir da prevenção e da repressão à violência criminal. Sempre com base na inteligência artificial – aquela produzida pelas instituições e que está nos bancos de dados –, orientadora das atividades policiais, norteando a alocação dos recursos pessoais e materiais, conforme a evolução da criminalidade; bairro a bairro, cidade a cidade, aferindo periodicamente o desempenho e as estatísticas da criminalidade.

*Secretário da Segurança Pública

A CULPA NÃO É DAS MÃES



ZERO HORA 23 de abril de 2015 | N° 18141


ADRIANA IRION



Eu sou mãe. E trabalho fora, senhor secretário da Segurança. Tenho condições de manter meus filhos em boas escolas, em atividades esportivas e em um bom ambiente de lazer na região em que moro. Isso, no entanto, não me livra da inquietação pelas milhares de mães que não podem fazer o mesmo.

Nas andanças como repórter, vi e vejo crianças nas ruas, sozinhas, sem pais, sem educadores, sem brincadores. Vagam ali no que deveria ser quase a extensão do pátio de suas casas, como o velho bairro de antigamente, onde podíamos explorar as cercanias com a bicicleta nova, com o carrinho de lomba.

Os tempos mudaram. É verdade. Mas as responsabilidades e os direitos, não. A família faz falta, sim, quando não pode estar presente. E o Estado, o que me diz?

Ainda tento entender como um condomínio como o Princesa Isabel, situado a duas quadras do Palácio da Polícia e quase no coração de Porto Alegre, é dominado há anos pelo tráfico, até janeiro comandado pelo famoso Xandi – aliás, apontado pela polícia como um dos principais traficantes da Capital, mas sem nenhuma condenação por tráfico de drogas até o dia em que foi executado em Tramandaí. Tento compreender como podem se manter tão ostensivos os jovens (quase crianças!) vendedores de drogas nas esquinas de conhecidos pontos de venda de entorpecentes. Como? É uma afronta, senhor secretário.

Vale lembrar que, no Estado, 196,5 mil crianças de zero a cinco anos não têm vaga na educação infantil. Enquanto a família trabalha, as crianças estão na rua ou com cuidadores duvidosos, que podem abusar ou negligenciar em seus casebres sem que mães desconfiem.

Sou vizinha da Restinga. E quero falar de quem tem escola, mas com limitações: o território está demarcado por criminosos. Quem mora de um lado, não pode ir para a escola do outro, e vice-versa. Mães trabalhadoras são chamadas às pressas para buscar filhos em escolas sob a ameaça de tiroteios e invasões. Então, não se pode estar livre na rua, ou não se tem vaga nas escolas, ou se está no banco escolar sob ameaças ou se morre dormindo, como a menina Laura, atingida com um tiro de fuzil no rosto. Qual é o problema, afinal, senhor secretário? É das mães que trabalham fora ou o fato de os criminosos estarem muito à vontade?

*Repórter de ZH

quarta-feira, 22 de abril de 2015

OLHO VIVO CONTRA O CRIME



JORNAL DO COMÉRCIO 22/04/2015


Josué Longo



Apontada como a maior preocupação dos gaúchos em pesquisa recente, a segurança pública não tira o sono apenas dos moradores dos grandes centros urbanos. Municípios como Marau, com cerca de 40 mil habitantes, também são assombrados pela violência. Foi-se o tempo em que o Interior era sinônimo de vida mansa. Mas não basta combater violência com violência. Isso, muitas vezes, gera efeito contrário, contribuindo para que a sensação de insegurança aumente ainda mais. É varrer a sujeira para debaixo do tapete. O corpo policial deve estar preparado para o confronto direto, mas é fundamental que soluções duradouras de combate à criminalidade sejam estudadas e implementadas.

Embora não seja atribuição direta dos municípios, a segurança pública tornou-se uma responsabilidade coletiva. Em Marau, a sociedade e o poder público se uniram em torno de um projeto. De um lado, investimos em habitação e assistência social para inserir famílias de baixa renda em programas de capacitação profissional gratuitos, como o Pronatec. De outro, elaboramos um Plano de Segurança Municipal. Os frutos desse esforço conjunto começam a ser colhidos. Marau conta agora com 44 câmeras de segurança, dispostas em locais mapeados como os de maior incidência de crimes na cidade. A sala de monitoramento fica junto à sede da Brigada Militar, e policiais treinados se revezam para vigiar as atividades das ruas em seis monitores de alta definição, 24 horas por dia. Todas as imagens são espelhadas no Departamento da Polícia Civil.

Nossa expectativa é de que, além de prevenir atos de violência, o Projeto Olho Vivo colabore com a agilidade na investigação dos crimes. Não é a solução, mas é uma arma poderosa - e não letal - para inibir ações criminosas. Graças ao esforço de todos, nossa população poderá dormir um pouco mais tranquila.

Prefeito de Marau

BANDIDOS PORTUGUESES SÃO PREFERÊNCIA AO BRASIL

ZERO HORA em 22/04/2015 | 04h11


por José Luís Costa


Mais da metade dos foragidos internacionais com cidadania lusa é suspeita por delitos cometidos no país



Ex-vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre Adelino D'Assunção Nobre de Melo Vera Cruz Pinto teria desviado R$ 2,5 milhões da Arquidiocese de Porto Alegre Foto: José Luis Costa / Agencia RBS


Das 24 pessoas com cidadania portuguesa com ordem de prisão mundo afora, 15 são acusadas de crime no Brasil, conforme o site da Polícia Internacional (Interpol). Os números ganharam destaque em Portugal por causa da situação de dois foragidos que vivem tranquilamente em Lisboa.

O mais notório deles é o ex-vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre Adelino D'Assunção Nobre de Melo Vera Cruz Pinto, 52 anos, acusado de desviar R$ 2,5 milhões da Arquidiocese da Igreja Católica em Porto Alegre, em 2011. Adelino é o primeiro da lista da Interpol.



Onde os 24 portugueses procurados pela Interpol teriam cometido crimes
Brasil: 15
EUA: 3
Macau: 2
Luxemburgo, Suíça, Portugal e Venezuela: 1

Outro caso refere-se ao ex-deputado em Portugal Domingos Duarte Lima, 59 anos. Advogado, Lima é suspeito de matar a tiros uma cliente, a também portuguesa Rosalina da Silva Cardoso Ribeiro, 74 anos, em dezembro de 2009, em Saquarema (RJ).

Rosalina tinha sido companheira do falecido milionário português Lúcio Feteira, de quem teria desviado dinheiro, depositando valores em contas do advogado na Suíça.

Adelino e Lima sempre negaram os crimes. Como Portugal não extradita seus cidadãos, dificilmente os dois serão presos e transferidos para responder a processos no Brasil.

Além do ex-vice-cônsul, há um segundo caso no Rio Grande do Sul envolvendo o português Fernando Guilherme de Oliveira Silva, 50 anos. Conforme a Polícia Federal (PF), ele integrava uma quadrilha de 11 pessoas, entre portugueses, espanhóis e um colombiano, que traficava cocaína para Europa. O grupo, desarticulado em 2013, montou uma empresa de exportação de pescados, em Rio Grande, e enviava droga dentro de peixes congelados. Em novembro de 2012, a PF apreendeu 72 quilos de cocaína no aeroporto Salgado Filho, na Capital, escondidos em sacos de gelos. A encomenda de peixes era para a Espanha.

Maioria dos delitos é por tráfico de drogas

Sete dos 15 portugueses foragidos das autoridades brasileiras são acusados por tráfico de drogas.

Para o delegado da PF no Salgado Filho, José Antônio Dornelles, o alto percentual se deve ao fato de que o pais é corredor de tráfico, e Lisboa, uma das principais portas de entrada de cocaína na Europa:

— Quase todas as capitais têm voos diretos para Portugal. E isso tem incentivado os traficantes a tentar enviar cada vez mais drogas.

Cinco dos suspeitos se estabeleceram em Goiás e enviavam cocaína para Lisboa, sob a fachada de uma empresa de exportação de carne de gado. Cerca de 1,6 tonelada da droga foi apreendida em 2005, em um frigorífico no Rio, camuflada dentro de buchos de bois.

Os demais foragidos respondem por crimes relacionados ao tráfico de brasileiras para prostituição em Portugal e assassinatos.

terça-feira, 21 de abril de 2015

BRASIL UM PAÍS EM DESORDEM

PORTAL PARA LER E PENSAR


Por: ANTONIO PAIVA RODRIGUES



“Há, pois, um sistema de convivência pública, caracterizável nas agregações humanas, seja qual for o seu próprio propósito, deliberadas ou fortuitas, permanentes ou ocasionais. Ora, para que todos possam exercer tranquilamente a sua respectiva liberdade individual, em tais circunstâncias, é necessário que, nesta convivência, se estabeleça uma nova organização mínima em se observa, obrigatoriamente uma ordem ética mínima. Chegamos, assim, à conclusão de que o sistema de convivência pública pressupõe também a sua ordem – a ordem pública.” (Moreira Netto, 1990).

Segundo nos repassa Jorge Bengochea, a depreciação da Instituição Militar Estadual existe e os governos estaduais são responsáveis. Vai mais além quando afirma que, sempre que há crise na segurança pública vem à tona a discussão do papel das Instituições Militares Estaduais e, a existência destas como organização militar exercendo uma atividade policial. Nesses debates, os valores, as qualidades e as virtudes destas organizações centenárias são desprezadas e depreciadas, e a importância delas na história dos seus Estados parecem esquecidas, assim como suas ações em prol da sociedade e da ordem pública.

Vale ressaltar que essas organizações são integradas por seres humanos e por sua imperfeição existem deslizes, como existem em qualquer profissão. A humanidade hoje é extremamente egoísta e não aceita erros, mesmo sabendo-se que a sociedade erra e às vezes o erro é tão grave que causa medo, pânico, ansiedade e depressão como um todo. O problema maior é que esses erros estão se banalizando levando a sociedade para uma rua sem saída. O crime se banalizando e a violência desenfreada seguindo os nossos passos. Será possível que numa sociedade considerada violenta, possa existir uma segurança cidadã?

E no lugar de armas e outros apetrechos, os policiais possam retribuir as agressões com buques de flores? Infelizmente, existem membros da corporação, felizmente uma minoria, que criticam a farda, peça obrigatória para uma polícia ostensiva e os princípios militares cultuados nas Policiais Militares, mesmo sabendo que, para ser policial militar, devem, voluntariamente, passar por exame de recrutamento e seleção, submeter-se às leis militares com seus respectivos códigos, passar numa seleção difícil onde exames médicos, físicos, psicológicos são exigidos, e por um curso técnico não menos extenuante.
Será que nossos governantes estão executando os princípios de uma doutrinação ou formação com todos esses detalhes, e se o pessoal recrutado têm vocação para exercer a função de policial militar? Muitos estão nos quadros da briosa como última opção de emprego. Esse detalhe negativo prejudica demais a formação de um bom policial que além de não ser bem remunerado e extenuado até a última gota de sangue, pois nenhum estado brasileiro cumpre o que determina a ONU (Organização das Nações Unidas), que determina 1 policial para cada 250 habitantes, em consequências as escalas de serviço são dolorosas e exploradoras.

Enquanto outros países valorizam a sua segurança, aqui no Brasil ela é relegada a um terceiro plano. Que diga o governador das mudanças, o ex-governador Tasso Ribeiro Jereissati. Só após trilhar este caminho é que o individuo passa a pertencer a uma categoria especial de funcionário público com direitos e deveres além daqueles a que são submetidos os funcionários públicos civis. Em todo o mundo, as polícias possuem uma estrutura a semelhança das Forças Armadas e em alguns países da Europa, as |polícias são mais importantes do que as próprias Forças armadas. O brasileiro é um eterno inconformado. Suas críticas se fossem abalizadas com certeza atingiriam o alvo com mais precisão.

Estamos vivendo momentos difíceis, e a justiça não consegue controlar os atos de vandalismo e de terrorista que a banda podre da população proporciona para os cidadãos de bem. Assaltos crimes, saques, sequestros, saidinhas bancárias, roubos, drogadização, corrupção, prostituição, meninos de rua e a banalização da morte, mostram a psicosfera de miséria e de tristeza por qual passa a sociedade brasileira.

A polícia faz o que pode e ainda aparece gente para condenar afirmando que é arbitrária. Quem mata esfola e tira a vida de um ser humano por qualquer tostão, um par de chinelos, uma dose de cachaça e ainda fica ameaçando os familiares da vítima é o quê? Condenar a polícia vai piorar a situação, pois a segurança é composta por membros de uma sociedade sofrida e corrompida. Do jeito que está é melhor tirar a polícia da rua, pois matam policiais todos os dias e os “Direitos Humanos" só procuram defender o outro lado. Até os silvícolas não suportam mais tanto sofrimento e já estão em Brasília reclamando. Parece que alguns querem ver a baderna generalizada, o circo pegando fogo e a população se escondendo dentro de casa com medo de ser assassinada. A justiça tem os braços pequenos ou curtos para atingir os corruptos, traficantes e "poderosos".

Estamos numa guerra e salve-se quem puder. Qual o líder político que você confia atualmente? Quem você elegeria para comandar essa nação tão conturbada e violenta?A mídia entrou no jogo e por audiência faz de tudo para aparecer. Tem emissora de TV, de rádio que faz pesadas críticas, no entanto, estão com rabo preso e atoladas em corrupção, pois sonegam impostos, alugam e vendem horários e os profissionais da comunicação ficam a ver navios.

O cenário brasileiro é horrendo e triste e não vemos melhora em curto prazo. Trocaram toda a cúpula da segurança e a violência aumentou, pois todos nós sabemos que o problema no Brasil é social, aliado a impunidade, a imunidade e ao fórum privilegiado. O baderneiro quebra tudo que vê pela frente e no outro dia está solto, rindo das "autoridades", e ninguém arca com os prejuízos da destruição feita pela molecagem. Quem defende moleques é mais moleque ainda.

Ou tomamos atitudes sem bagunça ou vamos morrer atolados num mar de lamas e num caos social. Já é hora das FFAA tomarem providências, pois não suportamos mais deslizes. Se o meliante, os bandidos tem o direito de matar sua vítima, por que o cidadão não pode se defender ou ser amparado por lei que puna rigorosamente quem tira a vida do seu semelhante? Crime de morte para corruptos, políticos desonestos e para quem pratica crimes hediondos. Essa deveria ser a Ordem do dia no Brasil sem controle, sem comando, e como uma sociedade corrompida, ansiosa, depressiva, que não tem mais forças para agir, pois o pânico tomou conta do nosso querido Brasil. Brasileiro é igual a parafuso, só vai no arrocho.

É claro dizermos que em toda regra existem as exceções. O Estado brasileiro está organizado com base na teoria de Montesquieu, que no seu livro “O Espírito das Leis”, estabelece o Governo Soberano em três poderes autônomos. O Legislativo para fazer as leis, o Executivo para cumprir e fazer cumprir e o Judiciário para interpretar, completar e aplicar estas leis. Será que na atualidade nacional o “Espírito das Leis” funciona? Temos lá nossas dúvidas!

Quem faz o pagamento da máquina do judiciário e do legislativo são os impostos do povo arrecadados pelo Executivo, mediante aprovação do Legislativo. Só que muitos desses impostos são surrupiados dos cofres públicos por políticos desonestos, que se aproveitam da situação e da função que exercem, para subtraí-los na forma de lavagem de dinheiro, licitações viciadas, obras superfaturados e outros “Modus Operandi” que só eles políticos sabem executá-los. A solução para todos os desmandos pode ser simples, basta tão somente seriedade. Esse seriedade se refere à aplicação e execução das leis vigentes para garantir e sedimentar a soberania e a democracia, preservar a liberdade, reduzir a fome e a pobreza e promover o equilíbrio da renda para seu povo.

A informalidade campeia e a maioria dos brasileiros vive abaixo da linha da pobreza e para piorar o quadro inexiste uma boa educação, saúde de qualidade e a segurança está morta e sepultada. “Ordem e Liberdade a Revolução da Cidadania” é um livro de bela feitura que contém verdades transparentes e que o seu escrito Jorge Bengochea de muito conhecimento se inspirou para editá-lo. Leio quase todos os dias e já sabemos quase decorado. A verdade é que o nosso País enfrenta um caos de desordem pública e jurídica, onde os Poderes do Estado não se entendem e são os primeiros a desrespeitar a Carta Magna (Constituição) e as normas estabelecidas, a promover altas constantes nas taxas públicas e impostos, a desenvolver políticas meramente assistencialistas, a minimizar a utilização dos instrumentos de ordem e segurança pública, e serem focos de denúncias de corrupção, improbidade, conflitos internos e baixíssimos níveis de confiança. Pense nisso e meditem mais!

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI- DA ACE- DA UBT- DO PORTAL CEN – DA AOUVIRCE E DA ALOMERCE.


 FONTE:
 http://www.paralerepensar.com.br/paralerepensar/texto_jornal.php?id_publicacao=30817

OS PREJUÍZOS DA INSEGURANÇA



ZERO HORA 21 de abril de 2015 | N° 18139


PAULO KRUSE



Frequentar parques, passear na orla do Guaíba ou sair para fazer compras tem sido, cada vez mais, uma tarefa difícil para os portoalegrenses. Com a notícia de reprogramação orçamentária do atual governo para a área de segurança, passando dos R$ 470,5 milhões, valor efetivamente executado na segurança em 2014, para a estimativa de R$ 434,5 milhões para 2015, a situação se agrava e acende um sinal de alerta.

Outro dado alarmante é o índice dos homicídios em Porto Alegre. Só em 2014, segundo dados da Polícia Civil, a Capital teve um total de 517 homicídios. Mais de 60% de aumento em 10 anos. A falta de segurança no entorno de shopping centers e em áreas de grande concentração comercial traz ainda uma preocupação a mais para quem depende desse negócio para viver. Além das ameaças à própria vida, estamos colocando em risco o emprego de centenas de pessoas e a sobrevivência de milhares de empresas.

Na semana passada, um levantamento realizado pelo Sindilojas Porto Alegre revelou que 33% das lojas da Capital já foram assaltadas em 2015 em horário comercial. Além disso, 50% dos empresários entrevistados relatam que seus funcionários já foram assaltados no deslocamento de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Mais uma vez, constatamos que Porto Alegre está desamparada pelos órgãos competentes.

Neste mês de abril, a entidade reuniu o Comando de Policiamento da Capital e o Sindec para buscar encontrar soluções para coibir a violência no setor. Além disso, estamos presentes no 31º Congresso Nacional de Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, em Maceió (AL). O encontro tem como ponto alto a passeata Empresários pela Paz, que reunirá nas ruas de Maceió empresários do comércio de todo o país, tendo como pauta das reivindicações a segurança pública. Estamos vulneráveis em nossa cidade. Com cada vez menos policiais nas ruas, valorização e renovação das equipes de segurança. Diante desse cenário, é nosso dever pedir e cobrar ações do setor público. Convidamos a classe lojista a unir-se nesse sentido. Só unidos e combativos poderemos atenuar esse quadro.

Presidente Sindilojas Porto Alegre

COM UM PÉ NO SÉCULO PASSADO




ZERO HORA 21 de abril de 2015 | N° 18139


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira


Uma frase infeliz do secretário da Segurança, Wantuir Jacini, sobre as causas do aumento da criminalidade deu a entender que a entrada da mulher no mercado de trabalho é responsável pela violência nas periferias. Disse Jacini:

– Quando me referi à família, eu vou ser mais explícito. Antigamente, o pai era apenas o provedor do lar. A mãe ficava fazendo a educação. Hoje, a mãe sai para prover o lar também. E as crianças ficam sozinhas. Elas ficam nas ruas, elas ficam à mercê de todos esses criminosos, principalmente na periferia e nas comunidades.

Diante da repercussão negativa, o secretário esclareceu que estava se referindo a um “modelo familiar existente até 20 anos atrás”. Repetiu que a violência social deve ser combatida por outros órgãos públicos e não pela área de segurança pública, que deve se limitar à “violência criminal”:

– A mãe tem todo o direito de sair para trabalhar. Só que a educação dos filhos tem que ficar com pessoas responsáveis.

A frase do secretário tem o tom saudosista dos que vivem com um pé no século passado. O problema não é a mulher da periferia sair de casa para trabalhar, seja porque precisa aumentar a renda, seja por um desejo de independência financeira ou realização profissional. O problema é o vazio deixado pelo Estado, que deveria oferecer creches e escolas de tempo integral para que as mães possam trabalhar sabendo que seus filhos não estão na rua “à mercê dos criminosos”.

É fato que a violência social deve ser combatida pelas secretarias da Educação, da Saúde e da Justiça, mas o secretário da Segurança não pode se omitir da parte que cabe às polícias. A insegurança que assusta os gaúchos se materializa na troca de tiros entre traficantes, que matou a menina Laura Machado, na execução de um homem dentro de um ônibus, no furto de veículos, no assalto à mão armada. Faltam policiais, faltam vagas nos presídios, falta cumprir a promessa de compensar a falta de efetivo com inteligência.


ALIÁS

O secretário da Segurança, Wantuir Jacini, tem razão quando diz que um dos maiores problemas no combate à violência é a lei, que dá aos criminosos a certeza de que não ficarão presos por muito tempo.


VIOLÊNCIA ASSUSTA E DESAFIA PORTO ALEGRE

ZERO HORA 20/04/2015 | 22h39
por José Luís Costa


Violência assusta e desafia Porto Alegre. Balas perdidas, execuções e assaltos chegam a regiões antes tidas como mais protegidas



No domingo, ônibus foi incendiado no Beco dos Cafundoes, no bairro Agronomia, na zona leste Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS


Episódios envolvendo tiroteios, execuções, morte de criança por bala perdida, ônibus incendiado, sequestro e desaparecimento nos últimos 25 dias realçam o crescimento de um fenômeno cada vez mais em evidência em Porto Alegre. A exemplo do que ocorre há décadas no Rio de Janeiro, onde o tráfico desce o morro para acertar as contas no asfalto, a capital gaúcha padece com o avanço de quadrilhas pela cidade, fruto de guerras pelo controle de pontos de tráfico e o descontrole sobre a criminalidade.

- A insegurança é enorme. Não é só traficante matando rival. Está atingindo a todos nós. Não tem dia, hora ou lugar. Estamos expostos a esses desatinos - lamenta a promotora Lúcia Helena Callegari, que atua junto à 1ª Vara do Júri de Porto Alegre.


A promotora diz faltar organização na segurança pública e critica a escassez de vagas em cadeias, que tem gerado a soltura de presos para cumprir pena em casa, alguns sob monitoramento de tornozeleiras eletrônicas.

- Há uma liberalidade para concessão desses benefícios aos criminosos e isso tem reflexo forte nas ruas - assegura.

O recrudescimento da violência coincide com a falta de dinheiro do Estado para investimentos. Em janeiro, o governador José Ivo Sartori restringiu contratações por 180 dias e determinou cortes no pagamento de horas extras.

Na Polícia Civil, a investigação de homicídios na Capital, por exemplo, está comprometida porque policiais que trabalhavam até 40 horas a mais por mês, agora não passam de oito horas adicionais. De acordo com Wilson Müller, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil, o principal problema da corporação é "absoluta falta de pessoal".

- A defasagem é imensa. O policial escolhe o crime que vai investigar, sempre os mais graves e os mais recentes - observa Müller.

A Ugeirm-Sindicato, que representa escrivães, inspetores e investigadores, marcou paralisação para 28 de abril.

Na Brigada Militar (BM), o corte nas horas extras se soma à diminuição natural na tropa por conta de aposentadorias e a um antigo déficit de policiais militares (PMs), que beira 40%. O resultado é um enxugamento no patrulhamento. Nos cálculos da Associação Beneficente Antônio Mendes Filhos (Abamf), entidade que representa cabos e soldados da BM, o efetivo nas ruas emagreceu em 20%.

- Falta planejamento para segurança - reclama Leonel Lucas, presidente da Abamf.

Oficialmente, os gaúchos desconhecem os resultados do trabalho das polícias em 2015. Na semana passada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) se limitou a divulgar percentuais de redução e elevação de alguns crimes, sem revelar detalhes. Segundo o coronel Paulo Moacyr Stocker, subcomandante-geral da BM, a criminalidade de um modo geral está em baixa no Estado. Ele também garante que a redução das horas extras atingiu apenas 2% dos PMs nas ruas:

- Não falta policiamento. Poderia ser melhor? Sim. Há desafasagem histórica. Mas, hoje, os resultados provam que as ações melhoram em relação a anos anteriores.

Para Stocker, não existe uma onda de violência. Na opinião de Cléber Ferreira, delegado regional da Polícia Civil em Porto Alegre, a sequência de crimes é anormal e tende a reduzir.




Especialistas discordam de secretário

FERNANDA DA COSTA


As declarações do secretário estadual de Segurança, Wantuir Jacini, não encontraram eco na análise de especialistas da área. Pesquisadores não veem qualquer relação de causa entre a saída das mulheres para o mercado de trabalho, deixando filhos em casa, e o aumento da violência.

Para o sociólogo Alex Niche Teixeira, vice-coordenador do grupo de pesquisa Violência e Cidadania da UFRGS, partir do argumento de família nuclear como “bastião da ordem” é uma falácia:

– É um olhar enviesado da conexão entre o social e a ocorrência criminal. Também é largamente machista, por partir do princípio de que o homem é o “provedor” do lar. E o papel do homem na educação dos filhos? – questiona.

– A perspectiva que o secretário aponta é inadequada e machista. Essa mudança social aconteceu há no mínimo 20 anos. A falha não é da mulher que sai de casa para trabalhar, mas do Estado que não oferece acesso à educação para as crianças – reforça o professor Rodrigo de Azevedo, do programa de pós-graduação em Ciências Criminais da PUCRS.

Focar esforços no combate à “violência criminal” e deixar a “violência social” com outras secretarias, como indicou Jacini, também é visto como uma ação equivocada por Azevedo.

– Países com baixa criminalidade têm políticas de segurança aliadas com outras áreas. Essas políticas só dão resultado se foram integradas – explicou o professor.

– Para dar certo, a ação de segurança tem de ser articulada com assistência social, saúde e educação – completa Teixeira.



ENTREVISTA. “A mãe sai para prover o lar e as crianças ficam sozinhas”



WANTUIR JACINI / Secretário de Segurança Pública do EstadoO secretário estadual de Segurança Pública, Wantuir Jacini, lançou ontem uma provocação aos gaúchos. Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, sobre recentes atos de violência que castigam Porto Alegre, inclusive a morte de uma menina de sete anos atingida por tiro de fuzil enquanto dormia, Jacini afirmou que as famílias também são responsáveis pela criminalidade. Leia os principais trechos.

Qual é a sua política de segurança pública?


Estamos separando violência social e violência criminal. A criminal é atribuição das polícias, e a social, de outros órgãos. Nosso planejamento é combater os crimes contra a vida, o patrimônio, e o tráfico de drogas – 85% desses crimes acontecem em 19 cidades. Este é o foco do trabalho.

Qual a resposta para comunidade que vive amedrontada onde uma menina foi morta com tiro de fuzil enquanto dormia?


Quando falha a família que não educa, quando falha a educação que não ensina e quando falha as outras instituições que têm atribuição de agir na atividade social, rebenta no desempenho das polícias. Em relação à briga de quadrilhas na Zona Sul, a polícia militar já fez 18 prisões em menos de um mês e faz ações preventivas, e a Polícia Civil está fazendo operações e prendendo. Mais de 70% das vítimas têm antecedentes.

Ouvintes estão indignados com sua afirmação sobre a falha na família...

Me referi à família no sentido macro. Neste caso específico, não. A menina é uma vítima inocente de um caso que chocou o Rio Grande. Foi uma afronta à cidadania, e estou tão indignado quanto qualquer outra pessoa.

A família da menina teve de deixar Porto Alegre...


Lastimável que isso tenha acontecido. Lamento muito. Mas isso são os criminosos que são presos e soltos todos os dias. Quando me referi à família, vou ser mais explícito. Antigamente, o pai era apenas o provedor do lar. A mãe ficava fazendo a educação. Hoje, a mãe sai para prover o lar também, e as crianças ficam sozinhas, ficam na rua, à mercê de todos os criminosos, principalmente na periferia.

Mas o problema não é a mãe sair para trabalhar, e sim o vazio do Estado que não oferece segurança...

É um dos problemas. A mãe tem todo direito de sair para trabalhar. Mas a educação dos filhos tem de ficar com pessoas responsáveis.

Se o Estado ou o município oferecessem educação infantil, essas crianças, cujas mães têm de sair para trabalhar, não ficariam à mercê...


O papel da segurança pública é cuidar da violência criminal. A violência social é falha ou falta de outros setores, mas sempre cobram das polícias.


Escalada de crimes

Dentro de um ônibus no Centro da cidade, um homem é morto com mais de 20 tiros. Na Zona Sul, uma bala perdida de fuzil invade uma casa e mata uma menina de sete anos enquanto dormia. Na Zona Leste, criminosos ateiam fogo em um ônibus. Confira ao lado a cronologia de alguns casos que têm assustado a população em diversas regiões de Porto Alegre nos últimos 25 dias.

27 de março
Homens encapuzados, armados e se dizendo policiais invadem a casa do líder comunitário Jorge Leandro da Silva, 43 anos, e levam a vítima, durante a madrugada, no Beco dos Cafunchos, bairro Agronomia. Silva segue desaparecido.

13 de abril
No início da noite, um policial civil reage a tentativa de assalto e mata um dos ladrões na Avenida Bastian, no bairro Menino Deus.

13 de abril
À tarde, o taxista Luciano Juceli da Silva Jaime, 42 anos, desaparece após uma corrida até o Beco dos Cafunchos, no bairro Agronomia. Táxis estariam proibidos de entrar no local por traficantes. Jaime ainda não foi encontrado.

15 de abril
O assalto a uma madeireira no Morro da Cruz, na zona leste de Porto Alegre, acabou com um policial civil e um assaltante baleados. O grupo de três criminosos trocou tiros com agentes da 19ª Delegacia da Polícia da Capital quando foram flagrados roubando o estabelecimento na Rua Primeiro de Setembro.


16 de abril
Em um provável acerto de contas, Gerson Fagundes, 38 anos, é executado com mais de 20 tiros de pistola dentro de ônibus da linha Passo das Pedras, em plena tarde, no cruzamento da Avenida Farrapos com a Rua Ramiro Barcelos, no Centro. A vítima tinha antecedentes criminais e estava armada.

17 de abril
Um tiro de fuzil disparado durante a madrugada mata a menina Laura Machado Machado, sete anos, enquanto ela dormia na casa que vivia com os pais e quatro irmãos no Loteamento Campos do Cristal, no bairro Vila Nova. Um dos irmãos, de 11 anos, também foi atingido de raspão. O disparo partiu de quadrilheiros em guerra por pontos de tráfico. A família abandonou a cidade.

18 de abril
Um policial civil reage a assalto a uma padaria na Rua Camaquã, na Zona Sul. Na troca de tiros, dois criminosos são baleados e uma pedestre que passava pelo local também é atingida de raspão.

19 de abril
Por volta da 20h, três homens mandam cerca de 30 passageiros descer e ateiam fogo em um ônibus da linha 376-Herdeiros, no Beco dos Cafunchos, bairro Agronomia. A ação seria represália pela prisão de um traficante. O trio fugiu em um Celta vermelho.

19 de abril
Por volta de 22h, um brigadiano reagiu a tentativa de roubo do próprio carro e matou a tiros o criminoso, que também estava armado, na Avenida Independência, junto à Praça Dom Sebastião.

20 de abril
Por volta das 3h30min, uma quadrilha invade o centro médico Mãe de Deus Center, na Avenida Soledade, bairro Petrópolis, tranca três vigilantes em uma sala, e arromba com maçarico dois caixas eletrônicos do Banrisul.

Colaborou Carlos Rollsing

segunda-feira, 20 de abril de 2015

NÃO É CULPA DAS MULHERES, SECRETÁRIO!



ZERO HORA 20/04/2015 | 11h07


Rosane de Oliveira

Estarrecida, ouvi o secretário da Segurança Pública, Wantuir Jacini, dizer no Gaúcha Atualidade que parte da culpa pelo aumento da criminalidade é das mulheres que deixam os filhos em casa e saem para trabalhar.

Ele não usou a palavra “culpa”, mas disse que a violência aumentou porque antes o pai saía para trabalhar e a mãe ficava em casa, cuidando da educação dos filhos. Fui obrigada a contestar o secretário Jacini: não se pode tirar das mulheres o direito de trabalhar e de ter uma profissão gratificante.

É claro muitas mulheres gostariam de ficar em casa cuidando dos filhos, mas são obrigadas a trabalhar para aumentar a renda familiar. Ou porque são pais e mães e têm de sustentar a prole. Mas é aí que entra o poder público — o município, o Estado, a União — que não cumprem as leis. O poder público tem de oferecer creche e escola de educação infantil para que as crianças fiquem em segurança enquanto a mãe e o pai trabalham.

A família da menina Laura Machado, que morreu dormindo em sua casa na Zona Sul, atingida por uma bala perdida, não tem culpa alguma. Ninguém pode ser culpado de morar numa área de risco e ficar na linha de tiro dos traficantes. Aliás, quais áreas não são de risco, hoje? Em umas, o risco é da bala perdida. Em outras, do assalto à mão armada.