SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

domingo, 30 de agosto de 2015

OS INGREDIENTES DO CAOS



ZERO HORA 30 de agosto de 2015 | N° 18279



INFORME ESPECIAL | Tulio Milman




Garis jogam carro no Arroio Dilúvio após colegas serem atropelados. Manchete de Zero Hora na última semana.

Assaltante foi preso e solto 21 vezes. Manchete do Jornal do Almoço durante a mesma semana. Temo pelo que possa acontecer com esse bandido se, um dia, ele for pego pela população e não pela Brigada Militar.

Nada justifica fazer justiça com as próprias mãos. Nada. Mas existem circunstâncias que têm efeito de gasolina no incêndio. A impunidade é uma delas. A principal.

A ação do Estado funciona como freio à barbárie. A pena imposta por um juiz – e cumprida devidamente – é um poderoso exemplo coletivo, não apenas uma punição ao infrator. Quando isso falha, a civilização colapsa. O verniz que nos envolve começa a se romper.

Hoje, não há presídios, não há polícia, não há salários em dia.

Sem uma Justiça eficiente, a raiva cresce. E essa raiva, quando incitada, mesmo com uma única fagulha, pode explodir.

Esse motorista que atropelou os garis. Triste. Lamentável. Que seja processado, julgado e punido, se assim a Justiça entender. Os primeiros relatos apontavam sinais de embriaguez. Os testes mostraram que não.

O mal súbito que levou à morte de dois seres humanos indefesos e inocentes pode ter sido causado por remédios que, numa primeira análise, deveriam impedir o motorista de dirigir. Mas ele não estava bêbado.

Mesmo assim, quase foi linchado. Só não aconteceu porque, nesse caso, a Brigada agiu rapidamente. Mas a raiva explodiu.

E ficou maior porque, no Brasil, é praticamente impossível alguém ir para a cadeia por crime de trânsito. O juiz põe a culpa na lei, a lei ninguém lembra quem fez, o cidadão quer polícia, a polícia está sucateada, o presídio é desumano e sem vagas.

Eu tenho medo desse clima que está se formando entre nós. Nada funciona, nada serve, não há Justiça nem perspectiva. Nessas horas, sempre aparece alguém com soluções mágicas de força.

A gente precisa de segurança. Se o Estado não dá, alguém promete. E muita gente acaba acreditando nesses falsos messias. Sejam eles traficantes ou ditadores.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CRISE VAI IMPACTAR NA PROTEÇÃO À SOCIEDADE




ZERO HORA 28 de agosto de 2015 | N° 18277


JOSÉ LUÍS COSTA


SEGURANÇA PÚBLICA. SECRETÁRIO WANTUIR JACINI explica que parcelamento de salários no Estado traz intranquilidade aos servidores e reflete na relação de trabalho


O caos nas finanças que provoca atrasos nos salários do funcionalismo estadual poderá acirrar a criminalidade, admitiu ontem o secretário da Segurança Pública, Wantuir Jacini. Ele saudou o resultado da estatística do primeiro semestre, apontando redução de nove entre 11 crimes divulgados pela SSP, mais apreensões de armas e de drogas. No entanto, mostrou-se preocupado com a tendência de “números diferentes” nos próximos meses.

– No momento em que o parcelamento traz intranquilidade aos servidores, que não podem honrar seus compromissos particulares, naturalmente, isso vai impactar na sua relação de trabalho e na proteção à sociedade – disse Jacini em reunião da Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia.

O cenário é de tempos difíceis. Entre paralisações e promessas de novos protestos por causa dos fracionamentos dos vencimentos, já ocorreram neste segundo semestre surtos de homicídios e latrocínios. Os roubos seguem em alta, o número de prisões vem caindo e policiais militares estão indo em massa para a reserva por receio da aprovação de leis que determinem perdas de benefícios.

Em meio à apresentação do planejamento estratégico da SSP para deputados e líderes sindicais das categorias da segurança, Jacini intercalou ações positivas de sua pasta, mas chamou mais atenção ao pintar um quadro de penúria. Lamentou a crise financeira, a que chamou de herança econômica de décadas que prejudica investimentos e a contratação de servidores, também pediu apoio dos parlamentares para que seja incluída no orçamento federal verba específica para a segurança (assim como tem para saúde e educação), e endurecimento da legislação penal para quem porta armas de fogo e enfrenta o prende e solta de criminosos.

DELEGACIAS NÃO TÊM EFETIVOS

Jacini disse que delegacias não têm efetivos para enfrentar roubos de veículos e crimes conexos e entregou uma minuta de projeto de lei que regulamenta o combate ao comércio ilegal de peças.

– Existem 1,5 mil desmanches no Estado, mais de mil na Região Metropolitana. Em apenas uma avenida (Sertório), em Porto Alegre, são 39 – afirmou.

Jacini enfatizou a prioridade de combater a violência nas 19 cidades que concentram 85% da criminalidade, mas que também precisa dar atenção a outras regiões, como as de fronteiras, onde 197 cidades são castigadas pelo abigeato.

– Somos o quarto PIB do país, e as áreas rurais não têm policiamento preventivo, só reativo.

Ao final de 40 minutos de exposição, a explanação de Jacini se transformou em uma sessão de duas horas de críticas à secretaria e ao governo do Estado, rebatidas apenas por deputados da base aliada ao Piratini.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

NO RS, CINCO BANCOS ATACADOS NO FIM DE SEMANA



ZERO HORA 24 de agosto de 2015 | N° 18272


ONDA DE INVESTIDAS. Pelo menos cinco bancos são atacados no fim de semana



OS CASOS REGISTRADOS foram de arrombamentos, com utilização de maçaricos, mas não houve tomada de reféns. Os furtos ocorreram nas regiões Metropolitana e Central e no norte do EstadoDesde junho não aconteciam tantos ataques a banco num fim de semana. Entre sábado e domingo, pelo menos cinco agências e postos foram alvo de criminosos no Rio Grande do Sul. Duas agências foram furtadas na Região Central, duas na região metropolitana de Porto Alegre e uma no norte do Estado.

Todos os ataques foram arrombamentos – nenhum deles ocorreu mediante uso de armas ou tomada de reféns, embora num dos casos, em Barra Funda, os bandidos em fuga tenham trocado tiros com a Brigada Militar (BM).

Quatro dos cinco ataques foram no domingo. Em Santa Maria, o banco Santander da Avenida Medianeira teve um caixa eletrônico depredado com o uso de maçarico. A Brigada não informou o número de criminosos e a quantia de dinheiro levada. No sábado, a cidade de Mata, vizinha de Santa Maria, já tinha contabilizado dois caixas eletrônicos do Banrisul arrombados. Os criminosos – que podem ser os mesmos do ataque santa-mariense – usaram maçarico e fugiram com dinheiro.

Em Esteio, ladrões também utilizaram maçarico para arrombar caixas eletrônicos do Banco do Brasil. O furto aconteceu na esquina da Rua Padre Felipe com a Avenida Getúlio Vargas. Os criminosos fugiram num Gol vermelho, levando quantia em dinheiro não divulgada. Foi o quarto ataque nesta agência, em um ano. A ação do maçarico gerou tanta fumaça que bombeiros foram chamados para atender a ocorrência, mas a agência não sofreu maiores danos.

Em Porto Alegre, os criminosos levaram câmeras de uma agência do Bradesco na Avenida Protásio Alves, próxima ao Hospital de Clínicas. A Brigada foi chamada e constatou dano em um dos caixas eletrônicos. Não foi informado se os ladrões tiveram êxito em levar dinheiro.

No Norte, a agência do Banrisul de Barra Funda (próxima a Sarandi) foi arrombada na madrugada por três homens, que abriram um caixa eletrônico com um maçarico e fugiram. A informação é que conseguiram levar o dinheiro.

sábado, 22 de agosto de 2015

MATANÇA VIA WHATSAPP

REVISTA ISTO É N° Edição: 2386 | 21.Ago.15 - 20:00 |


Investigações das últimas chacinas que chocaram o País indicam que grupos de bandidos e policiais estão usando o aplicativo de mensagens para se organizar de forma rápida e letal

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)



Há poucos dias São Paulo viveu a noite mais violenta do ano, com 18 mortos em menos de três horas. Há um mês, Manaus ficou aterrorizada com uma onda de 35 homicídios no intervalo de três dias. No início do ano, os moradores de Cabula, em Salvador, Bahia, se chocaram com a morte trágica de 12 pessoas em confronto com a polícia. Em novembro de 2014, uma chacina deixou dez mortos num único dia em Belém, no Pará. Quatro crimes que, além dos requintes de crueldade, têm em comum o uso de redes sociais e aplicativos de celular, em especial o Whatsapp, como principal instrumento para orquestrar ações, divulgar imagens e vídeos de vítimas baleadas, propagar ameaças e disseminar o medo. Na Grande São Paulo, uma força-tarefa da polícia tem como principal linha de investigação a troca de mensagens por policiais militares dos batalhões de Osasco e Barueri, na matança do dia 14. Nelas, os PMs teriam prometido exterminar os assassinos do cabo Admilson Pereira de Oliveira, de 42 anos, assassinado dias antes. “É uma novidade para todo mundo, sabemos que a polícia vem se dedicando a alguns softwares que auxiliam a monitorar redes de criminosos, mas não é possível rastrear o aplicativo de mensagens e os setores de inteligência das corporações estão preocupados com isso”, diz o coronel José Vicente da Silva Filho, professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da Polícia Militar de São Paulo.


Barbárie
Os policiais usam as redes sociais para arquitetar crimes ou exibir
imagens de vítimas. No detalhe, troca de mensagens da PM
de Manaus, onde 35 pessoas morreram em três dias



Em Manaus, onde a Delegacia Especializada em Homicídios e Seqüestros ainda investiga a série de mortes, foram divulgadas mensagens supostamente escritas por policiais em grupos de Whatsapp alertando que haveria ações em represália ao assassinato de um sargento da Polícia Militar. Em um dos diálogos, policiais diziam que haveria “caça à vagabundagem” e “os caveiras iriam trazer a senhora morte”. Outra mensagem alertava que iniciaria “a Justiça pelo povo, por Deus e pela morte do sargento”. Especialistas afirmam que há basicamente duas vertentes para o uso de aplicativos de mensagens instantâneas por membros da corporação: vingar de forma rápida a morte de algum colega e compartilhar imagens de vítimas em caráter punitivo. “É uma ferramenta rápida, sigilosa e que consegue atingir várias pessoas ao mesmo tempo, por isso pode se prestar aos objetivos de grupos de extermínio”, afirma Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “As autoridades precisam investir na polícia técnico-científica, que está muito defasada, para que se tenha acesso às mensagens apagadas.”

Outro caso semelhante ocorreu em Belém, em novembro do ano passado, quando a morte do policial Antonio Marcos da Silva Figueiredo desencadeou uma série de mensagens via Whatsapp. Os textos e áudios pediam para os moradores evitarem determinadas regiões e anunciavam a chacina. “Mataram um policial nosso e vai ter uma limpeza na área”, alardeavam. Dez pessoas foram baleadas por motociclistas que rondavam os bairros. “A morte de um membro da corporação sempre causa um trauma e pode levar à caça dos matadores”, diz o coronel Silva Filho. Outro problema que colabora para a formação de grupos de extermínio dentro das corporações é a alta rotatividade dos chefes de batalhões. O pouco convívio com o efetivo favorece o surgimento de comandos paralelos.


Insegurança
A maior chacina de São Paulo deixou 18 mortos (na foto, um dos
sepultamentos). Autoridades investigam mensagens entre policiais

Nas redes sociais e páginas da internet, grupos de policiais defendem o uso da força e truculência. Em fevereiro, uma troca de tiros entre oficiais da Rondesp (Rondas Especiais da Polícia Militar da Bahia) e jovens no bairro de Cabula deixou 12 mortos. Horas depois do confronto, fotos e vídeos dos mortos e das armas começaram a circular pelo Whatsapp e serem compartilhadas em blogs na internet. “Policiais filmaram os corpos das vítimas e os divulgaram, numa espécie de sadismo. Comportamentos como esses compõem a ideia de justiciamento”, afirma Alexandre Ciconello, assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional. Em setembro de 2014, quatro garotos baleados por PMs tiveram seus corpos fotografados na cena do crime e as imagens divulgadas via aplicativo de mensagens. “Esse tipo de violência corporativa é um prêmio para os agentes de segurança que estão envolvidos”, diz Bruna Angotti, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (Ibccrim). Para ela, o que faz a truculência policial se perpetuar é a impunidades dos agentes. “Temos uma estrutura que permite a leniência e a não investigação.”

Enquanto as autoridades de segurança pública não conseguem desenvolver tecnologias para rastrear aplicativos de mensagens instantâneas, as corregedorias de polícia poderiam começar a se debruçar sobre os indícios de chacinas anunciadas ou celebradas em redes sociais. “É preciso investigar quem são os grupos de policiais que estão propagando a violência, mas as corregedorias costumam focar apenas em crimes relacionados a desvios e corrupção”, diz o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Orlando Zaccone. Do contrário, a capacidade de articulação do Whatsapp, utilizada em muitos casos para auxiliar em investigações, ficará a serviço de grupos de extermínio, aumentando o estado de insegurança da população.



FOTOS: Mario Angelo/Sigmapress; Marlene Bergamo/Folhapress

O ÊXODO DOS BRASILEIROS

REVISTA ISTO É N° Edição: 2386 | 21.Ago.15


Quem são os jovens, casais e famílias que estão abandonando o País e se mudando para o Exterior, acuados pela recessão econômica e a violência e revoltados com a corrupção

Fabíola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)




A família do publicitário Dijan de Barros Rosa, de 38 anos, não via a hora de embarcar para Vancouver, no Canadá, em janeiro deste ano. Mas, ao contrário da maioria dos brasileiros que viajam para esse país de férias, a aventura de Dijan, sua mulher Ana, 36, e as filhas Eduarda, 12 e Helena, 10, tinha data para começar, mas não para acabar. De mala nas mãos, eles abandonaram a cidade em que viviam, São Paulo, tudo o que haviam construído e partiram para uma nova vida. O fator que impulsionou a emigração foi um estado de insatisfação geral. “Viemos por conta da situação atual do País. Eu não tinha segurança de sair de casa sem saber se seríamos assaltados”, diz o publicitário. Gerente de vendas de uma indústria de tintas nos últimos cinco anos, ele pediu demissão, mesmo recebendo um bom salário, e arriscou tudo para dar um futuro melhor para as filhas. “Decidi investir na qualidade de vida da minha família.” Assim como Rosa, muitos brasileiros estão deixando sua terra natal em busca de um cenário mais promissor. São jovens profissionais, casais e famílias acuados diante da recessão econômica, dos índices de criminalidade elevados e do alto custo de vida e desiludidos com os infindáveis escândalos de corrupção.



Segundo dados da Receita Federal, entre 2011 e 2015 houve um aumento de 67% no total de Declarações de Saída Definitiva do País, o documento apresentado ao Fisco por quem emigra. Em 2011, a Receita recebeu 7.956 declarações. No ano passado, foram 13.288, o que representou um crescimento de 14,7% de 2013 a 2014. Apesar de expressivo, esse número é apenas uma amostra da emigração real de brasileiros. “Para cada um que sai legalmente, há outro que não prestou contas para a Receita”, diz Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec do Rio de Janeiro. O índice reflete, no entanto, a saída de uma elite financeira e cultural, pessoas com bom nível econômico e profissional, que não precisam emigrar ilegalmente. “Está crescendo o contingente de gente qualificada que sai do País. Isso é uma perda inestimável para o Brasil, pois estamos deixando sair profissionais que estudaram e se formaram aqui”, diz Braga. “E estamos doando essa qualificação para nações estrangeiras.”



De olho nesse movimento, vários países têm investido em programas que estimulam a emigração de profissionais brasileiros. Em março, representantes do governo de Quebec, no Canadá, passaram por sete cidades do Brasil para divulgar oportunidades de emprego a candidatos da área de tecnologia da informação e com francês fluente. O país, aliás, tem sido um dos mais buscados por brasileiros que querem emigrar, segundo especialistas. “A procura por imigração para o Canadá cresceu muito. Em 2014, ajudamos 12 famílias a se mudarem para lá. Neste ano já foram 23 só até julho”, diz Ana Laura Mesquita, proprietária da agência “Canadá Intercâmbio” em São Paulo e Campinas. “O Canadá é um país velho, que precisa de mão de obra jovem, por isso as famílias têm uma boa receptividade.” Ao se inscrever em um dos programas de imigração do governo canadense, no entanto, o candidato será avaliado em uma série de quesitos, como idade, formação acadêmica, experiência profissional e fluência em inglês ou francês. “Profissionais de administração, marketing, engenharia de alimentos, engenharia ambiental e TI têm mais chances de serem chamados”, diz a especialista.

Outro local que também precisa de mão de obra qualificada e estimula a entrada de estrangeiros é a Austrália. De acordo com Vinicius Barreto, diretor da agência Australian Centre, a procura por vistos de imigração para o país aumentou no último ano. “Há mais pessoas interessadas e o perfil de candidatos é bem variado”, diz Barreto. O especialista ressalta, contudo, que, assim como no Canadá, são mais bem sucedidos aqueles que trabalham nas áreas de engenharia ou TI. “A Austrália tem carência de profissionais desses segmentos.” Já os Estados Unidos, país desejo de muitos brasileiros, apresentam algumas restrições para imigração. Mesmo assim, o número de pessoas do País que decidem investir por lá está crescendo. “O visto mais utilizado pelos estrangeiros que querem emigrar é o de investidor. Para obtê-lo, é preciso fazer um investimento de, no mínimo, US$ 500 mil, e a compra de imóveis não vale, pois não é uma atividade que gera empregos”, afirma Daniel Rosenthal, diretor da feira de negócios Investir USA Expo. Entre os perfis de brasileiros que desejam emigrar para lá, ele ressalta os casais jovens, com ou sem filhos. “São pessoas que estão numa condição profissional boa e querem um futuro melhor para os filhos porque desacreditaram do Brasil.”



A falta de perspectivas é o grande motivador desses novos emigrantes. “Recentemente, fatores ruins ganharam força. Vemos o fechamento de atividades econômicas, a desilusão em relação ao País e um pessimismo generalizado”, diz Braga. “As pessoas têm a sensação de que o Brasil não tem jeito e de que as coisas não se ajustarão.” O cenário de desemprego crescente, os escândalos de corrupção, o mau desempenho econômico, a inflação ascendente e as altas de impostos e no preço de serviços básicos estão sufocando os brasileiros. Frente a isso, empresários e profissionais estabelecidos no País procuram alternativas melhores no exterior. “Pessoas que já acumularam riqueza na vida útil estão saindo do País por se sentirem indignadas com os rumos da política e da economia”, diz Otto Nogami, economista do Insper, instituto de ensino e pesquisa, em São Paulo. “Elas se sentem ultrajadas pelo fato de o governo recolher impostos altos e não reverter em benefícios”, completa. “Há um momento de ressaca física que leva à decisão de sair do País”, diz Braga.



Nesse cenário, empreender parece ainda mais difícil. “Há uma dificuldade de abrir o próprio negócio no País. A legislação é complexa e a estrutura tributária mais ainda, o que acaba desestimulando a iniciativa privada”, diz Braga. É por esse motivo que os recém-casados Alexandre Gala, 25 anos, e Fernanda Gala, 23, planejam sair do Brasil. Em setembro eles embarcam para Miami, nos EUA, onde pretendem abrir um negócio na área de alimentação. “Por mais que eu tenha uma situação favorável no Brasil, tenho uma insatisfação”, diz Alexandre. “Fiz um comparativo e vi que nos EUA eles incentivam mais o empreendedor. No Brasil seria muito diferente, tem muita burocracia.” Para ele, além dos obstáculos para empreender, pesaram na balança também os índices ruins da economia. “As pessoas aqui estão endividadas. Se eu tivesse casado há dois anos, talvez estivesse nessa situação também.”

Em época de mau desempenho econômico e contenção de despesas, as empresas evitam fazer novas contratações, o que afeta especialmente os jovens profissionais. “A falta de oportunidade de emprego é um fator determinante para a mudança de país, sobretudo para os mais novos. As vagas aqui estão muito disputadas e a remuneração média lá fora é superior”, diz Braga. A busca por melhores chances de estudo e trabalho foi o que motivou o paulistano Vinicius Ponce de França Gomes, de 21 anos, a se mudar para Paris em 2014. “Antes de vir para a França eu era estagiário em São Paulo, mas não fui efetivado. Cheguei a trabalhar em um cartório, fazia hora extra, mas no fim do mês sobrava muito pouco”, diz Gomes. Sem dinheiro para bancar uma universidade particular ou um cursinho preparatório, ele decidiu deixar o País. “Eu tenho uma tia na França e cidadania portuguesa, o que ajudou no processo de mudança”, diz. No ano passado, Gomes frequentou aulas de francês bancadas pelo governo de lá. Agora está fazendo um estágio e em breve será contratado por uma multinacional que promete financiar parte de seus estudos. “No Brasil, eu não estava motivado a continuar estudando. Aqui, consegui dar sequência à minha educação e tenho a oportunidade de construir uma carreira”, afirma. “Tive que começar do zero, deixar muitas coisas de lado, porém não me arrependo de nada. Fora do Brasil você consegue viver e não apenas sobreviver.”



A taxa de saídas definitivas do País pode aumentar ainda mais por causa do cenário de demissões recentes e das dificuldades para conseguir uma recolocação profissional. Os últimos números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 7,5% em julho. Apenas na Grande São Paulo, 13,2% das pessoas em idade economicamente ativa está sem trabalho. Trata-se do maior índice para o mês de junho desde 2009, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese. O engenheiro civil Rodrigo Farah, 35, foi um dos prejudicados pelos cortes na iniciativa privada. Em setembro de 2014 ele foi desligado da companhia onde trabalhava e não conseguiu se recolocar. Por conta do desemprego e do descontentamento geral com o País, ele decidiu se mudar para Melbourne, na Austrália, com a mulher Raquel, 32, e os filhos Gael, 4, e Pedro, 1. “A mudança está prevista para novembro”, afirma Raquel. Situação parecida com a vivida pela agente de viagens Bruna Hipolide, 25. Apesar de ter sete anos de experiência na área de turismo, ela foi demitida de uma agência no início do mês de julho. “Eu já imaginava que isso pudesse acontecer. As vendas caíram muito e a empresa começou a cortar funcionários”, diz Bruna. Assim que se viu sem emprego, a jovem pensou em tirar do papel o antigo sonho de morar fora do País. “Aproveitei a demissão para planejar uma mudança de vida”, diz. No dia 15 de agosto, Bruna partiu rumo à Madri, na Espanha, onde pretende estudar espanhol e morar por um tempo. “Sei que a situação na Espanha também não está muito boa, mas acredito que conseguirei um trabalho”, diz.

Para os brasileiros que já gozam de estabilidade profissional e financeira, a sensação de insegurança é um fator determinante na decisão de deixar o País. Segundo uma recente pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao instituto Datafolha, oito em cada dez brasileiros com mais de 16 anos têm medo de morrer assassinados. O estudo ainda apontou que 91% dos entrevistados temem serem vítimas de violência orquestrada por criminosos e 52% têm um parente ou conhecido que foi vítima de homicídio. A necessidade de fugir da violência, aliada à preocupação com a economia, foram determinantes para que a empresária Julia Cencini Glerean, 45 anos, deixasse o Brasil. Há quatro meses, ela se mudou para Lisboa, Portugal, com a mãe, Suely, e os dois filhos, Nycolas, 21 anos, e Luka, 17. Aqui no Brasil, a família era dona de cinco lojas de roupas. “Nos últimos três anos os negócios não estavam indo muito bem”, diz. “Mas a principal razão que me motivou a sair do Brasil foi a violência. Eu, meu marido e meu filho já fomos assaltados e sequestrados”, afirma. Agora, ela garante ter muito mais liberdade e segurança e, por conta disso, a família não pretende voltar tão cedo. “Meu marido está vendendo nossas lojas e nosso apartamento e deve vir para cá em breve.”



O momento de crise também estimula famílias com um alto nível econômico a abandonarem a terra natal. A paulistana Daniele Souza, 38 anos, decidiu morar fora do Brasil por conta da insatisfação com o rumo que o País estava tomando. “Estávamos desacreditados com a política brasileira, por isso decidimos mudar para os Estados Unidos”, afirma. Em outubro de 2014, ela e o marido Edney Souza, 38 anos, engenheiro que tinha um trabalho estável aqui, se mudaram com os filhos Mateus, 16, e Mariana, 8, para Orlando, na Flórida. “Queríamos dar mais segurança para nossos filhos. Aqui, eles estudam em escola pública, algo que seria impensável no Brasil” diz. A adaptação não foi fácil, especialmente pela barreira da língua, mas hoje a família se diz determinada a ficar. “Temos uma reserva de dinheiro e queremos abrir um negócio. Não pensamos em voltar”, afirma Daniele. “Acompanhamos as notícias de corrupção no Brasil e temos a certeza de que saímos na hora certa.”

Se para as famílias e jovens que vão embora do País o futuro se desenha promissor, para quem fica o rumo da nação parece incerto. Enquanto houver crise, mais e mais profissionais e jovens talentos brasileiros tentarão buscar mais qualidade de vida e oportunidades lá fora. Para Braga, do Ibmec, uma possível solução para esse êxodo seria o governo brasileiro criar um órgão que monitorasse e regulasse a emigração de brasileiros. “Hoje essa é uma questão subestimada. Nenhuma dessas pessoas estaria indo embora se tivessem condições de se desenvolver aqui”, diz. “É preciso criar mecanismos de atração para a volta e saber para onde elas estão indo e o que estão fazendo, para que seja possível o regresso.” Por enquanto, para esses milhares de brasileiros, o futuro não é aqui.



Fotos: João Castellano/Ag. Istoé

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

JOVEM MORTO APÓS ARRASTÃO!





Paulo Roberto Mendes Rodrigues



Segunda-feira passada, nos limites de Porto Alegre/Viamão, no interior de um ônibus, ocorreu a execução de um jovem, quase menino, portador de deficiência auditiva, que foi vítima de “assalto” quando se deslocava da escola para sua residência. Aliás, o Jornal Correio do Povo registrou a notícia: tratava-se de um arrastão em todos os passageiros.

Os bandidos... fugiram! Pois bem, no dia seguinte o corpo foi velado e enterrado no cemitério de Viamão. Lá estavam seus irmãos, parentes, amigos e o padre. O pai, de natureza humilde e pobre, estava desolado. Não conseguia entender o motivo de tamanha violência, até porque, havia dois meses, perdera um irmão, por sinal policial militar, que também foi alvo de latrocínio.

Certo é que a violência que nos assola dia-a-dia está fora de controle! Aliás, pela generalização, se diz que todos nós temos um número e estamos numa fila de espera, que se desloca rapidamente para o “abatedouro”. Estamos predestinados a este infortúnio!? Os números de roubos, homicídios e latrocínios extrapolam qualquer princípio de razoabilidade, parecem responder: sim, sim.

Outro dia, em conversa com colega, me foi dito: “Está tudo dominado”. Indaguei-lhe: “Por quem”? Parece-nos que a bandidagem tomou conta e realmente está tudo dominado. Que tristeza!

Registre-se que estamos vivendo momentos de muita dificuldade. Não existe local nem horário de risco. Aquele chavão, agora antigo, muitas vezes utilizado, que diz que “a vítima estava no lugar e no horário errado”, já não existe! Todos os locais e horários são alvo da bandidagem. É um salve-se quem puder.

Refiro também que na solenidade fúnebre estava tão somente o padre, desenvolvendo seu oficio, com voz embargada pela tragédia, confortando a família e os amigos do jovem morto.

O Brasil, urgentemente, precisa encontrar uma solução para a questão da segurança da população. Não podemos permitir que as famílias sejam dizimadas pela bandidagem. Enquanto isto, ....oremos.



Paulo Roberto Mendes Rodrigues
Cel - ex-Cmt BM


LOJA É ABANDONADA POR MEDO DE VINGANÇA



ZERO HORA 21 de agosto de 2015 | N° 18269


PORTO ALEGRE


EMPRESÁRIO REAGIU A ASSALTO, matou bandido que ameaçava sua mulher e não abriu mais seu estabelecimento por temer represália. A Attractive Veículos, revenda localizada na Avenida Cavalhada, na Capital, amanheceu deserta ontem. Nenhum carro no pátio, portões fechados. O proprietário, após ter matado um assaltante na noite de terça-feira, abandonou o local. Conforme a polícia, está com medo de que voltem para vingar o bandido.

Cinco criminosos participaram do ataque, segundo informações da 13ª Delegacia da Polícia Civil. Dois deles chegaram de moto à revenda. Os outros usaram um Chevette e, provavelmente, davam cobertura para o assalto. A dupla que abordou o empresário na loja levava uma submetralhadora. Dois clientes também foram rendidos.

– O que sabemos é que a mulher do dono, que também estava lá, começou a ser muito ameaçada. O que segurava a metralhadora empurrava o cano contra a barriga da mulher e dizia que a mataria. O proprietário relata que se desesperou e partiu para cima – afirma o titular da 13ª DP, delegado Luciano Coelho.

DELEGADO ACREDITA QUE BANDO ATUA NA REGIÃO


O homem avançou contra o assaltante armado. A metralhadora, descarregada, acabou usada pela vítima para agredir o criminoso na cabeça. Na confusão, os clientes fugiram. O segundo assaltante também foi embora, de moto. Enquanto isso, os três que estavam no Chevette tentaram entrar no local. Quando saíam do carro, foram surpreendidos pela chegada de uma viatura da Brigada Militar, que percebera o tumulto. Um deles foi preso. Os outros dois fugiram a pé, abandonando o veículo.

O assaltante golpeado na cabeça morreu no local. Até ontem, ele ainda não havia sido identificado.

Como agiu em legítima defesa, o comerciante foi liberado logo depois de prestar depoimento.

– Há outros relatos de assaltos com submetralhadora na região, por isso achamos que esse grupo era atuante – acredita o delegado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

NÃO REAGIU E FOI MORTO A TIROS



ZERO HORA 19 de agosto de 2015 | N° 18266


EDUARDO TORRES


VIOLÊNCIA NA REGIÃO METROPOLITANA

ESTUDANTE FAZIA o trajeto Porto Alegre-Viamão em ônibus. Jonas tinha deficiência auditiva e pode não ter percebido que estava sendo assaltado


O ônibus da linha Fiúza seguia cheio em direção a Viamão, pela zona leste de Porto Alegre, por volta das 22h de segunda-feira, quando quatro homens – pelo menos um deles armado – anunciaram o assalto. O estudante Jonas Schmitt de Labernarde, 21 anos, era um dos passageiros. Estava com o seu notebook, que usava para seguir estudando no caminho entre o curso Técnico de Informática e a casa, na Vila Esmeralda, em Viamão, todas as noites. Jonas tinha apenas 40% da audição e provavelmente não percebeu o que acontecia ao seu redor até ser alvejado por dois tiros fatais.

– O meu filho nunca reagiria a um assalto, principalmente se soubesse que eram quatro assaltantes. Acho que ele se assustou quando tentaram puxar as coisas dele. Só pode ter sido isso – acredita o pai, Jairo Antônio de Labernarde, 41 anos.

Pelo menos uma testemunha confirma que o estudante não reagiu. Ao ser abordado, teria levantado e segurado o objeto – provavelmente um celular – que um dos bandidos tentava lhe arrancar. Foi quando um dos criminosos teria dito ao comparsa: “Queima esse!”.

Os bandidos embarcaram no coletivo no bairro Partenon e, mais tarde, anunciaram o assalto. Fizeram a limpa nas carteiras e celulares dos passageiros antes de desembarcarem na Vila Tamanca. Ali, um Uno os esperava. O motorista ainda seguiu até o batalhão da Brigada Militar em Viamão com Jonas já sem vida. Foi dessa forma que o pedreiro Jairo de Labernarde viu pela última vez o filho.

– Não consigo entender como foram capazes de fazer isso. Era um guri que só fazia o bem, vivia da casa para os estudos e para o trabalho. Sempre nos ajudou e nunca fez mal a ninguém – desabafa.

Mais velho de dois filhos, Jonas havia iniciado a faculdade de Administração e atualmente fazia um curso Técnico de Informática. Trabalhava em uma empresa de recuperação de crédito no centro da Capital. Seu maior sonho era conseguir fazer concurso público.

– Ele ganhava pouco e o que ganhava, ajudava a família. Nossa família está despedaçada – disse o pai.

O caso é apurado pela 15ª DP, que irá analisar as imagens da câmera de segurança do ônibus para tentar identificar os criminosos.


Família tentava novo aparelho auditivo


Entre lágrimas, o pedreiro Jairo de Labernarde ainda carregava na manhã de ontem a papelada do que poderia melhorar a audição do filho. Eles batalhavam por um novo equipamento auditivo pelo SUS.

– Ele tinha aquele aparelho desde os 16 anos e já não estava funcionando direito. Ele me pedia para falar olhando para ele, que ele conseguia ler os meus lábios – conta o pai.

A dificuldade auditiva foi percebida quando Jonas tinha seis anos, com a constatação de que tinha 40% da audição. E nada disso foi obstáculo ao menino.

– Isso prejudicava o ensino dele, mas era um guri persistente. Ele nunca parou de estudar por isso. Se esforçava ainda mais e tenho certeza que conseguiria tudo o que sonhava – afirma Jairo.

Jonas chegou a ser cobrador da empresa Viamão, profissão que abandonou quando ingressou na faculdade. Um dos motivos: o medo dos assaltos. Ele havia sofrido três roubos.

– Todos nós tínhamos medo do que ele nos contava. Quando precisou de tempo para fazer a faculdade, deixou de ser cobrador e foi um alívio para nós. E agora isso foi acontecer justamente em um ônibus – lamenta o pai.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

JOVENS CONFESSAM ASSALTO E ASSASSINATO DE ESTUDANTE



ZERO HORA 18 de agosto de 2015 | N° 18265


EDUARDO TORRES


POLÍCIA VIOLÊNCIA NA CAPITAL. Jovens confessam latrocínio


DUPLA, DE 19 E 21 ANOS, é presa e admite autoria de roubo com morte que vitimou o estudante de enfermagem Alencar Júnior, 23 anos, no começo do mês, no Parque Germânia, na Zona Norte


O choro da mãe na entrada da delegacia era um misto de surpresa e decepção. Em depoimento, momentos depois, ela garantiu aos investigadores da 14ª DP que não imaginava o que o filho, Mateus Henrique Soares Caldas, 19 anos, fez. Mas era tarde demais. No começo da manhã de ontem, os agentes cumpriram mandado de prisão contra Caldas no apartamento da família, no bairro Jardim Itu Sabará. E, no quarto do rapaz, encontrou o que ele não apresentava à família.

O jovem dormia com uma pistola 7.65 debaixo do travesseiro. Em outro cumprimento de mandado na mesma região, os policiais prenderam Jonatan Farias dos Santos, 21 anos. O jovem tinha outra pistola, uma .380 e um revólver calibre 38. Os dois confessaram à polícia a autoria do latrocínio (roubo com morte) que vitimou o estudante de enfermagem Alencar da Costa Júnior, 23 anos, na madrugada de 2 de agosto, quando ele caminhava com a namorada pela Avenida Túlio de Rose, próximo ao Parque Germânia, na zona norte da Capital.

– Eles têm emprego e estavam traficando naquela noite quando decidiram cometer um assalto. O rapaz reagiu e acabaram atirando – conta o delegado Cléber dos Santos Lima.

Caldas era vendedor em uma loja de um shopping, e Santos, garçom. Nenhum tinha antecedentes criminais.

De acordo com o chefe de investigação, Eduardo Cabral, testemunhas já haviam reconhecido Santos pelo crime e ele teve a prisão preventiva decretada. Caldas, que teria sido o autor do disparo fatal no peito da vítima, está com prisão temporária decretada. Agora, foi solicitada a preventiva. Ambos foram também autuados em flagrante por porte ilegal de arma e tráfico de drogas.




ESTUDANTE FOI MORTO AO REAGIR


Com a dupla, foram apreendidos diversos tijolos de maconha prontos para a venda, ecstasy, quetamina e cocaína.

Conforme a investigação, os dois chegaram às proximidades do Parque Germânia e depararam com o casal de vítimas. Enquanto Santos abordou a namorada de Alencar para lhe arrancar a bolsa, Caldas partiu para cima do estudante com a arma apontada contra ele.

Uma câmera de monitoramento mostra o momento em que Alencar resiste ao assalto e entra em luta com um dos bandidos. O assaltante atira e o estudante ainda consegue andar por cerca de dois metros antes de cair ferido e esperar por atendimento. A polícia acredita que a arma usada no crime foi a pistola 7.65 apreendida ontem. A arma será periciada.

sábado, 15 de agosto de 2015

VIOLÊNCIA DEMAIS!



ZERO HORA 15 de agosto de 2015 | N° 18262


EDITORIAL


A sociedade não tem mais como aceitar alegações de falta de recursos para a inação do poder público diante da perda de tantas vidas para a criminalidade.


A série de ataques a tiros em cidades da Grande São Paulo, que deixou cerca de duas dezenas de pessoas mortas e várias outras feridas na noite da última quinta-feira, no intervalo de apenas duas horas e meia, retrata de forma dramática o clima de violência descontrolada no país. A criminalidade é tão rotineira, que já se incorporou ao cotidiano das pessoas. Não passa dia sem que dezenas de brasileiros sejam assaltados, tenham veículos roubados ou se tornem números da trágica estatística de homicídios. Os governos e as forças de segurança são inoperantes para conter o banditismo, ainda que os presídios estejam superlotados. Por que o Brasil não consegue viver com um mínimo de paz social, como outros países?

O que preocupa e leva cada vez mais brasileiros a se trancarem em casa e a redobrarem as precauções quando precisam sair às ruas é o descaso do poder público em relação ao problema. Além de figurar entre os rankings globais em números absolutos de homicídios, o país não conta com planos de âmbito nacional, em conjunto com os Estados, para enfrentar as causas da criminalidade. Os raros acenos de combate ao crime organizado feitos até hoje ocorreram sempre como tentativa de resposta a fatos de maior repercussão, caindo logo em seguida no esquecimento. E todos os recursos despendidos até então ficam sem sentido.

Quando há o agravamento de crises econômicas, como ocorre hoje em âmbito nacional e na maioria dos Estados, os danos da criminalidade se agravam ainda mais. Servidores da área de segurança pública se sentem mais desmotivados, as medidas de prevenção, as investigações e o policiamento ostensivo se desaceleram e a situação dos presídios fica ainda mais explosiva. Em consequência, a lei do mais forte passa a imperar nas ruas, onde a vida de um ser humano nada vale na ambição por aparelhos celulares, por carros, por dinheiro – desde o carregado no bolso até o de carros-fortes e caixas eletrônicos. Os frequentes linchamentos e a suspeita de que até mesmo policiais estariam partindo para fazer justiça com as próprias mãos, como a levantada agora na chacina de São Paulo, tornam a situação ainda mais atemorizante.

A sociedade não tem mais como aceitar alegações de falta de recursos para a inação do poder público diante da perda de tantas vidas para a criminalidade. Essa é uma questão que não pode ser vista apenas pelas estatísticas e enfrentada de forma burocrática. Cada um na sua área de competência do poder público, no Estado e na União, precisa agir logo para dar um basta a esses massacres diuturnos, que fazem do Brasil um país com número de mortos superior ao de muitas regiões em conflito.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -  O editorial acerta ao intimar a sociedade a não mais "aceitar alegações de falta de recursos para a inação do poder público diante da perda de tantas vidas para a criminalidade", mas esquece de também intimar os legisladores e magistrados no exercício normativo e judicial que o Estado Democrático de Direito exige na garantia da segurança pública, um direito que precisa da proteção das leis e da justiça, não só da polícia.

Outros países que passaram por uma época de violência semelhante a que estamos passando no Brasil só conseguiram reverter quando a sociedade organizada se levantou, mobilizando as massas para escolher políticos duros contra TODOS os crimes; requerer leis claras, objetivas e severas; justiça ágil e coativa; execução penal rigorosa e penas longas; e forças policiais independentes, autônomas, valorizadas, integradas num sistema de justiça criminal e capazes de enfrentar o crime sem se deixar corromper ou desviar de finalidade.

Infelizmente no Brasil, a segurança pública não é tratada como um direito, mas como instrumento empregando forças policiais e prisionais sob forte influência e gestão politico-partidária, como se o país ainda estivesse sob regime ditatorial. A justiça é corporativa, assistemática, leniente, morosa, burocrata, inoperante, insuficiente, distante e descompromissada com a segurança pública e com a própria justiça. Não existe sistema e as leis são permissivas, criadas para ocultar a negligência dos poderes.

A GUERRA AOS FUZIS DO TRÁFICO


REVISTA ÉPOCA 14/08/2015 - 21h05

 
Os bandidos voltaram a tocar o terror. Prisões espetaculares não podem ser conquista passageira


RUTH DE AQUINO




A cidade olímpica, o Rio de Janeiro, não conseguirá despoluir a Baía de Guanabara tão cedo (vexame!), mas tem condições de reduzir os tiroteios de fuzis, os roubos espetaculares de carga, as explosões de caixas de banco e as invasões de conjuntos do Minha Casa Minha Vida por quadrilhas de traficantes de drogas. Esses bandidos voltaram a tocar o terror numa ousadia sem limites, expondo-se em redes sociais, em praças, piscinas e em vídeos de seus crimes.

O Rio só conseguirá um ambiente de relativa paz urbana se garantir, primeiro a curto prazo, algumas condições. Uma delas é a integração real e eficiente das três polícias, Federal, Civil e Militar. Também precisa ser punida duramente – e não só com a expulsão da corporação ou o afastamento para funções administrativas – a promiscuidade entre policiais e bandidos, acabando com o “arrego”, a propina paga por traficantes a policiais corruptos. E as leis e a Justiça precisam ser muito mais rigorosas com o crime organizado. Nossas leis hoje protegem bandidos – sem e com farda. Nossa Justiça os solta, muito antes de eles prestarem contas à sociedade por seus crimes.

Dois dos seis chefões do tráfico presos pelo Bope na semana passada, o Claudinho e o Fu da Mineira, numa operação exemplar sem um tiro disparado, já tinham sido presos antes. Estavam em Porto Velho, Rondônia, pela alta periculosidade. Fu tinha sido condenado a 90 anos de prisão, mas, após cinco meses atrás das grades, ganhou sete dias de liberdade para “visitar a família”. Nunca voltou. Por bom comportamento, os traficantes desfrutam de regime semiaberto e aproveitam para se tornar foragidos. Voltam a ser caçados. A polícia volta a oferecer recompensas de até R$ 50 mil, como era o caso de Playboy, morto em ação coordenada pela Polícia Federal no sábado. Isso não dá, não faz sentido! Em todo o país, vemos quadrilhas de assaltantes presos na televisão, vários deles usando tornozeleiras eletrônicas! É uma desmoralização total.

Outra medida urgente é endurecer o Estatuto do Desarmamento, que muitos querem “flexibilizar”, como se distribuir armas fosse garantia de menos homicídios. Uma inversão total de valores. O Estatuto tem de ser muito mais rígido quando alguém portar arma de uso restrito das Forças Armadas. Fuzis que podem derrubar helicópteros e causar estrago a uma distância de 4 ou 5 quilômetros estão espalhados e escondidos em arsenais nas favelas do Rio. Pela primeira vez, além dos carregadores e das 800 munições, foi apreendido em território brasileiro um fuzil calibre .50, do Exército americano.

Não estamos nem falando aqui de tráfico de drogas – mas de assaltos à mão armada, homicídios, balas perdidas, explosões e incêndios. Numa palavra, terror. Como não víamos no Rio havia muito tempo prisões e mortes de bandidos com essa reputação e poder de comando, perguntei ao secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, se algo mudou na orientação de combate ao tráfico. A semana terminou com a morte de Jean Piloto, um dos prováveis sucessores de Playboy, com um tiro de fuzil disparado pela polícia.

“Poderíamos ter pegado todos antes”, diz Beltrame. “Mas não se pode prender uma quadrilha fortemente armada numa rua movimentada, sexta-feira à noite. O que determinou a caçada a esses bandidos foi saber que estavam criando um novo Complexo do Alemão em outra área, o Chapadão. Iam invadir a Maré. Tinham trazido de Minas Gerais dinamite para estourar caixas eletrônicos. Não me importam os nomes dos bandidos. Pode ser Bem-Te-Vi ou Periquito, Beira-Mar ou Beira-Rio, Playboy ou sei lá o quê. Tem mais uma penca deles para prender e surgirão outros. O que me importa é diminuir índices de criminalidade, de roubo, de homicídios, melhorar a sensação de segurança da população”, diz Beltrame ao telefone a ÉPOCA.

Sobre o assédio dos traficantes a moradores do Minha Casa Minha Vida, Beltrame afirma: “Os projetos são feitos, mas não somos consultados. Se os empreendimentos fossem combinados com a Secretaria de Segurança, eu mudaria os planos de ocupação policial. Há mais de 100 empreendimentos em discussão, que eu saiba, mas precisamos de união para escolher os lugares certos”.

Segurança funciona assim, diz Beltrame e assino embaixo. Primeiro, a fronteira. Segundo, as políticas sociais para a juventude, a família, a mãe. Depois, o legislador e a polícia. O Ministério Público. A Justiça. O sistema penitenciário. O Estado. A falta de integração, de compromisso e de um pacto federal contra a violência é nosso inimigo público número um. E faz das prisões espetaculares uma conquista passageira e ilusória.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

MATA-SE MAIS EM POA DO QUE RIO E SP


Taxa de homicídios em Porto Alegre é superior às de Rio e São Paulo. Proporcionalmente à população, mata-se quatro vezes mais na capital gaúcha do que em São Paulo e o dobro do Rio

Por: José Luís Costa

ZERO HORA 13/08/2015 - 19h41min


Três mulheres e um menino foram executados a Restinga no sábado passado Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Porto Alegre já foi apontada como a capital dos roubos de carros em comparação com as duas maiores metrópoles do país. Agora, também tem o desonroso título de ter, proporcionalmente à população, índice de homicídios superior aos registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Dados oficiais do primeiro semestre mostram que se mata quatro vezes mais em Porto Alegre do que na capital paulista e o dobro do registrado no município do Rio de Janeiro.

De janeiro a junho foram contabilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) 290 homicídios em Porto Alegre, o que equivale a uma taxa de 19,7 casos por 100 mil habitantes. No mesmo período, a taxa no Rio de Janeiro foi de 9,7 e na capital paulista de 4,4. Em uma década, os homicídios subiram 67% entre os porto-alegrenses, e a população aumentou apenas 3%.


Autoridades são unânimes em afirmar que a escalada se deve ao descontrole sobre o comércio de entorpecentes. Oito em cada 10 mortes têm envolvimento com tráfico de drogas, seja por disputa de bocas de fumo, seja por dívidas, sendo que 70% das vítimas têm antecedentes criminais. Rio de Janeiro e São Paulo, que já tiveram taxas bem superiores às atuais, conseguiram estancar as mortes em mais de 60% a partir dos anos 2000 com ações de peso.

UPPs no RJ, presídios em SP

Entre os cariocas, uma medida decisiva foi a presença policial em áreas conflagradas (38 unidades de polícia pacificadoras). E, em São Paulo, foi a construção de presídios (41 no Estado), além da criação de delegacias especializadas.

Em Porto Alegre, medidas de impacto começaram a ser adotadas em 2011, com a criação de territórios da paz, em quatro das regiões mais violentas da cidade, mas a iniciativa não surtiu o efeito esperado – parte disso em razão do corte de verbas por parte do governo federal. Em 2013, diante do crescimento desenfreado das mortes, a Polícia Civil abriu 14 delegacias especializadas para repressão de homicídios nas cidades mais violentas.


Em âmbito estadual, os assassinatos reduziram 2,2% no primeiro semestre de 2015 em comparação ao mesmo período de 2014. E, na Capital, o número se manteve estável (290 casos), com média de 48 mortes por mês. Entretanto, a tendência é de os homicídios voltarem a crescer. Em apenas nove dias de agosto, foram 33 casos.

O promotor de Justiça Eugênio Amorim lembra que a polícia melhorou a investigação e que o índice de condenação subiu – na 1ª Vara do Júri da Capital é mais de 90% –, mas lamenta que, depois de condenado, o réu logo é solto rápido para cumprir pena usando tornozeleira eletrônica por falta de vagas.

– Precisa aperfeiçoar a política de repressão ao tráfico de drogas, evitar a concessão de liberdade a condenados e construir presídios. É muito difícil evitar um homicídio. Por isso tem de punir para dar exemplo e tirar de circulação. O resto é romantismo – afirma Amorim.


O diretor de gestão estratégica operacional da Secretaria de Segurança Pública, tenente-coronel Luiz Porto, afirma que não é possível comparar as três metrópoles:

– São Paulo não contabiliza homicídios cometidos por policiais. No Rio, nem todas as delegacias têm sistemas online que atualizam os dados. E, no Brasil, o Rio Grande do Sul é o terceiro menor em índice por habitante. Além disso, aumentamos em 30% as apreensões de drogas, e 60% dos homicídios estão ligados ao tráfico. Os homicídios estão altos, claro. Sempre queremos melhorar. Mas não é à toa que conseguimos frear cinco anos de homicídios – argumenta.


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CRESCEM ASSALTOS E ROUBOS DE CARROS



ZERO HORA 13 de agosto de 2015 | N° 18259

ADRIANA IRION E JOSÉ LUIS COSTA


SEGURANÇA PÚBLICA. EM MÉDIA, 44 VEÍCULOS são levados por ladrões todos os dias no Rio Grande do Sul


A mais recente estatística sobre a violência no Rio Grande do Sul indica que a repressão a roubos de veículos e assaltos é principal desafio para as autoridades policiais. Conforme dados divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), os roubos de carros cresceram 17% no primeiro semestre de 2015 em relação ao mesmo período de 2014. E os assaltos em geral subiram 21,7%.

Março bateu recorde de ataques a motoristas. Foram 1.478 casos, o mais alto número deste tipo de crime dentro de um mês desde 2002, quando a SSP começou a divulgar a série histórica dos principais delitos.

Em média, 44 automóveis são roubados por dia no Estado em 2015. Há cinco anos, a média era de 29 casos. Enquanto isso, o furto de veículo (levado sem o dono perceber) teve um aumento de apenas 3%. Isso ocorre porque cada vez mais carros são dotados com dispositivos de segurança, tornando quase impossível ligar o motor de um carro com chave falsa. Assim, os bandidos preferem abordar as vítimas, em geral, armados, quando elas estão ao volante.

Os criminosos estão mais violentos também na comparação de assaltos em geral (a pedestres e a estabelecimentos comerciais, por exemplo). Enquanto os furtos tiveram queda de 5,7%, os roubos estão em alta. Março e junho foram os meses com os números mais elevados nos últimos 13 anos. São 203 casos por dia. Há cinco anos, a média era de 145 roubos.

Um dos motivos para o aumento de roubos pode ser a crise nos albergues onde devem ser recolhidos condenados por em regime semiaberto. Como não há espaço, a Justiça tem concedido aos criminosos prisão domiciliar, monitoramento eletrônico ou, simplesmente, os deixando em casa esperando a abertura de vagas. Atualmente, são 4,8 mil bandidos nesta condição no Estado, destes, 2,3 mil na Região Metropolitana.

Para o delegado Luciano Dias Peringer, titular da Delegacia de Repressão ao Roubos de Veículos, um dos problemas que envolve este delito é o comércio clandestino de peças e clonagem. O policial acredita que a regulamentação da lei que normatiza a venda de peças usadas dará meios para coibir a destinação de carros furtados e roubados para ferros-velhos ilegais.

CRIMES CONTRA A VIDA DIMINUÍRAM


Segundo a SSP, está sendo encaminhada à Casa Civil uma “minuta de projeto de lei que permitirá ao Estado regulamentar a atividade de desmanche e comercialização de peças, com mecanismos eficientes de fiscalização e inibição de ilícitos”. De acordo com a SSP, o índice de recuperação de veículos é de 60%.

Em relação a crimes de sangue, o Rio Grande do Sul experimenta uma diminuição em 2015. O primeiro semestre registrou uma leve queda de 2,2% nos casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar). No mesmo período, os latrocínios (roubo com morte) tiveram diminuição bem maior: 22,9%.

No caso dos homicídios, a criação de delegacias especializadas pode influenciar na queda dos índices por aumentar em até 80% a taxa de esclarecimento das mortes, com indiciamento e prisão de homicidas. Desde 2013, a Polícia Civil conta com 14 novas unidades nas cidades mais violentas – em Porto Alegre, saltou de duas para seis delegacias.


Em seis meses, 4.106 veículos foram roubados na Capital


O roubo de carros, um dos crimes que mais preocupam a população pela violência envolvida no momento do ataque, cresceu 26% em Porto Alegre se comparados os primeiros semestres de 2014 e 2015. Os dados mostram que, em seis meses do ano passado, foram 3.260 veículos levados, enquanto neste ano foram 4.106.

O crescimento dos índices tem colocado em alerta autoridades e empresas de seguros de veículos. O sindicato das seguradoras do Estado (Sindseg/RS) aponta números ainda maiores: o aumento de roubos e furtos na Capital e na Região Metropolitana seria de 50% comparando os dois semestres e levando em conta a frota segurada. E o aumento estaria se agravando em agosto, para quando está sendo esperado pelo sindicato um número total de mil ocorrências, contra a média mensal que fica entre 600 e 700.

– A primeira semana de agosto foi pesada e assusta porque são métodos violentos. São jovens drogados portando armas para roubar carros. Não se tornar vítima de latrocínio depende também de sorte – diz Julio Cesar Rosa, presidente do Sindseg/RS.

O sindicato esclarece que sua base de dados, para calcular o aumento de furtos e roubos, é a de ocorrências envolvendo a frota com seguro, que representa 35% da frota circulante no Estado. Essas ocorrências, segundo o sindicato, estão relacionadas em maioria (70%) a veículos populares, com idade de três a cinco anos. Sobre os motivos para este cenário, um dos destaques é a presença do policiamento.

– Toda e qualquer fragilidade na área da segurança traz mais facilidades à indústria do crime. Se temos menos PMs nas ruas, mais facilidade há – diz Rosa ao comentar a operação-padrão feita por policiais por conta do parcelamento de salários.

EM SETE DIAS, AUMENTO DE 12 PARA 46 ASSALTOS
Em 3 de agosto, dia marcado para protestos dos servidores públicos, 46 carros foram roubados na Capital. Em 27 de julho, apenas 12 veículos foram tomados por ladrões. Comparando dados de dias úteis da semana em que houve redução no ritmo de trabalho das polícias com registros da semana anterior, ocorreu um aumento de 30% só na Capital.

DICAS DE PREVENÇÃO
-70% dos casos (dados sobre carros com seguro) ocorrem depois das 18h, ao anoitecer. Fique mais atento nesse período.
-Sempre tenha cuidado ao entrar ou sair de casa.
-Nunca fique dentro do carro esperando pessoas ou telefonando. Desça e se afaste.
-Não carregue objetos de valor sobre os bancos, especialmente, no do carona, como bolsas, pacotes de lojas, celulares, tablets. Criminosos costumam usar motos para avaliar o que há dentro do carro e preparar o ataque para quando o motorista parar.
-Não se engane: não há mais local para roubo. Os casos estão disseminados na cidade.
-O “puxador” de carro, o ladrão, normalmente é jovem e está sob efeito do uso de substâncias químicas, nervoso, e pode atirar por qualquer coisa. Nunca reaja. Não faça movimentos bruscos.
Fonte: Sindseg/RS

terça-feira, 11 de agosto de 2015

TRÊS EXPLICAÇÕES PARA A INSEGURANÇA NO RS



ZERO HORA 11 de agosto de 2015 | N° 18256


DÉBORA ELY* | * Colaborou Eduardo Torres


VIOLÊNCIA NO RS


Pelo menos 55 homicídios, ocorridos nos últimos 10 dias, fazem deste começo de agosto o mais violento desde 2011, quando o jornal Diário Gaúcho começou a fazer o acompanhamento dos assassinatos na Região Metropolitana. No mesmo período do ano passado, foram 42 mortes violentas.


Conforme levantamento da Agência RBS no Estado, pelo menos 32 assassinatos em 72 horas em foram registrados entre a tarde de sexta-feira e a manhã de ontem. Se o dado chama atenção, a violência dos crimes salta aos olhos: foram três chacinas, todas elas em Porto Alegre, e quatro duplos homicídios no período.

Em um ambiente contaminado por fatores como a incerteza de policiamento e as saídas provisórias de apenados para o Dia dos Pais, encontrar as razões para a sensação de escalada na criminalidade não é uma tarefa simples – multifatores podem ter contribuído para a onda de homicídios, alertam especialistas.

– Há uma situação grave na segurança pública no Estado, mas seria precipitado afirmar que há descontrole total a partir de um fim de semana ou de um caso pontual. Às vezes, o que está por trás disso é a desestabilização do mercado da droga, quando lideranças são presas ou mortas e há disputa de territórios. Em São Paulo, por exemplo, boa parte da queda de homicídios se deu pelo monopólio do PCC (Primeiro Comando da Capital), e não pelas políticas de segurança pública – diz o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUCRS Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo.

Para o chefe da Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek, ainda é cedo para avaliar o que determinou tantas mortes:

– Se foi a liberação de presos em razão dos Dia dos Pais, se é a sensação deles de que, em protesto, a polícia não está trabalhando, ou se é efeito de disputas da criminalidade, ainda não sabemos. É uma análise que precisa ser feita depois de conseguirmos solucionar todos os crimes. Então, saberemos autorias e motivações. O trabalho não parou o fim de semana inteiro. Vamos dar uma resposta positiva à sociedade – afirma.

Confira os principais fatores apontados por especialistas para explicar a mais recente onda de homicídios no Estado e o que o poder público diz a respeito.




Incerteza no policiamento


O histórico déficit na Brigada Militar e na Polícia Civil teria se agravado com o corte de horas extras imposto pelo governo Sartori em janeiro. Na prática, há menos homens nas ruas, afirmam servidores – oficialmente, as corporações negam. A sensação de insegurança se agravou na semana passada, após o fatiamento dos salários do funcionalismo. Em protesto, delegados e oficiais da BM anunciaram uma operação-padrão que inclui a suspensão de operações especiais. Como consequência, criou-se a incerteza no policiamento efetivo.

– Essa situação pode favorecer acertos de contas porque grupos em conflitos procuram atuar sabendo que a chance de impunidade é maior. Pelo que se pode perceber dos casos do último fim de semana, boa parte deles possivelmente tenha sido de ações planejadas – avalia Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, do programa de Ciências Sociais da PUCRS.

Chefe do policiamento da Capital, o tenente-coronel Mário Ikeda discorda:

– Não atribuo o aumento de homicídios neste fim de semana a questões salariais dos servidores porque o número de policiais militares não reduziu e eles não deixaram de trabalhar nas ruas.



 
Saídas temporárias


Detentos dos regimes semiaberto e aberto têm direito a 35 dias de saídas temporárias distribuídas ao longo do ano, conforme a Lei de Execuções Penais. Em função do Dia dos Pais, 1,2 mil apenados teriam deixado as prisões no fim de semana – segundo a promotora de Justiça da 1ª Vara do Júri da Capital, Lúcia Helena Callegari. A Superintendência dos Serviços Penitenciários não confirma o dado. Apenas informou que, em sete institutos penais da Região Metropolitana, 166 presos receberam o direito.

– Entendo que a grande questão desse final de semana tenha sido o “indulto” de Dia dos Pais, com um grande número de saídas temporárias. Mas estamos em uma escalada do crime que, ou se toma conta, ou a criminalidade vai tomar conta – disse a promotora em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade.

No fim de semana do Dia das Mães, porém, 1.261 detentos foram autorizados, judicialmente, à saída temporária – e, no período, o Estado registrou seis homicídios. A Susepe não informou quantos apenados foram liberados no período de Dia dos Pais de 2014, quando o Rio Grande do Sul contabilizou 17 assassinatos.



Guerra do tráfico


Entre os mais de 30 homicídios ocorridos no fim de semana no Estado, mais da metade apresenta características de execução. Por isso, autoridades avaliam que desavenças motivadas pelo tráfico de drogas possam ter influenciado a disparada nas mortes.

– Fora a ocorrência atípica na Restinga (três mulheres e uma criança foram mortas com cortes no pescoço, na madrugada de sábado), observamos a mesma forma de atuação: brigas, principalmente, por disputa do tráfico de drogas, até porque temos uma grande incidência de vítimas com antecedentes criminais – acredita o chefe do policiamento na Capital.

Diretor do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados da UFRGS, o sociólogo José Vicente Tavares aponta para uma crise institucional na segurança pública que prejudica o controle da criminalidade e a consequente redução de homicídios:

– Há falta de integração das polícias, falha na investigação criminal, ausência de efetivos adequados e, por outro lado, a comum oferta de armas. Isso tudo produz um contexto no qual a violência reaparece como uma forma de resolver conflitos.

CONTRAPONTO
O QUE DIZ A SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
“É importante salientar que o número de ocorrências neste final de semana no Estado foi atípico e não reflete uma possível escalada na criminalidade, como vem sendo divulgado. Principalmente com relação ao número de homicídios, pois muitas das ocorrências fogem à rotina da criminalidade.
Tivemos ocorrências de grande repercussão no final de semana, com elevado número de mortes, todas relacionadas com o tráfico de drogas, cujas vítimas possuíam vários antecedentes criminais. Nossa produtividade em relação à apreensão de drogas aumentou neste semestre (30%). Isso gera tensão entre os traficantes na disputa pelo produto, o que acarreta em uma série de ações violentas entre os grupos criminosos.
De maneira ininterrupta cresce o roubo de veículos. Os dados apontam para um aumento de 8,5% no roubo de veículos em relação ao primeiro semestre de 2014. Apontam, também, para um aumento de 13% na recuperação dos veículos. A SSP entende que o grande problema está na receptação e no comércio ilegal das peças.”



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Enquanto não houver harmonia, integração e disposição dos poderes para coibir o corporativismo, sanar as mazelas de cada poder e fazer uma profunda reflexão da função precípua de cada um e da sua importância na finalidade pública e na observação do interesse público no trato das questões de justiça e de segurança pública, o Brasil continuará sem sistema, órfão de leis e de justiça, e sob domínio intenso do crime.

AUMENTO DA CRIMINALIDADE NO RS RELACIONADO A ATRASO DE SALÁRIOS E CORTE DE VERBAS


Aumento da criminalidade está relacionado a atraso de salários e corte de verbas, dizem entidades. Com viaturas sem rodar por falta de combustível, os policiais desanimam e o bandido "cresce o olho"

Por: Humberto Trezzi
ZERO HORA 10/08/2015 - 22h52min | Atualizada em 10/08/2015 - 22h52min



A ação mais ousada dos criminosos coincide com o parcelamento do salário dos policiais e expõe deficiências no patrulhamento Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS


A situação na segurança pública do Rio Grande do Sul desandou, e os primeiros a admitir isso são policiais — alguns, sob o manto do anonimato, para evitar represálias, outros, às claras, como os representantes das entidades sindicais do setor. O Estado vive há mais de uma semana uma onda de criminalidade sem precedentes neste ano e até em épocas recentes. Um exemplo: em dois dias da semana passada, 84 veículos foram roubados na Capital (a mão armada, com ameaça ao motorista). A média diária é de 25.


Crimes de sangue também proliferaram. Entre segunda, 3 de agosto, e sexta, 7, foram 13 homicídios em Porto Alegre, contra seis na semana anterior. Houve também latrocínios (roubo com morte), cujas vítimas incluem policiais de folga. A escalada de mortes teve três chacinas no fim de semana, na Capital.


No interior, o impacto em uma cidade dominada por bandidos. Uma quadrilha assaltou dois bancos ao mesmo tempo em Imigrante, impediu a ação policial e fez mais de uma dezena de reféns. Foi o terceiro episódio do gênero em poucos dias. Em Canguçu, os dois únicos PMs de serviço na cidade viram cinco homens assaltarem um banco, sexta-feira. No mesmo dia, o mais acintoso crime desse tipo: dois homens assaltaram um posto do Banrisul situado dentro do perímetro da sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP) em Porto Alegre. Na noite desta segunda-feira, roubaram um carro-forte em Nova Petrópolis. Cinco veículos foram incendiados e a rodovia ficou interrompida.


Até rebelião em presídio, algo raro nas últimas décadas, ocorreu. Um grupo de 340 presidiários encarcerados na Penitenciária Estadual de Charqueadas fez os próprios familiares de reféns no domingo. Os apenados desistiram do protesto após receberem promessa de análise de seus benefícios por parte da Justiça.


A ação mais ousada dos criminosos coincide com o parcelamento do salário dos policiais e expõe deficiências no patrulhamento. A escalada de violência é apenas casual ou tem relação com as carências antigas e novas do policiamento? Para as entidades da categoria dos policiais, não é apenas coincidência.

— Os criminosos têm ouvidos, olhos, bocas e mais dinheiro que os policiais. Eles sentiram terreno fértil em um momento em que os agentes estão sem receber, e as viaturas, paradas por falta de combustível — afirma Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm-Sindicato, entidade de classe dos agentes da Polícia Civil.

Ortiz destaca que a criminalidade no Rio Grande do Sul tem dado saltos de brutalidade. Mortes de crianças são frequentes, as de mulheres viraram rotina — algo impensável no código do submundo, anos atrás. Com viaturas sem rodar por falta de combustível ou de dinheiro para conserto, os policiais desanimam e o bandido "cresce o olho". O policial civil repara que o ritmo das operações para prisão de criminosos diminuiu, até pelo contingenciamento de recursos. Com menos homicidas e ladrões presos, aumentam os assassinatos e roubos.

— Para piorar a situação, o policial também está sem receber. Com isso, cresce o bico (segurança privada) e o risco de o agente morrer, porque trabalha sem equipamento e ajuda de colegas — relata Ortiz.

Na Brigada Militar, além de falta de combustível, várias viaturas ficaram paradas porque estavam com documentação vencida — e, em nítida operação-padrão, os PMs se recusaram a movimentá-las (como manda a lei, aliás). Leonel Lucas, presidente da Abamf (entidade de classe dos soldados da BM), ressalta que houve também corte em horas extras e diárias dos policiais. Desde março, foram três reduções em combustível.

— Uma viatura que rodava cem quilômetros por dia faz, hoje, 40. Só sai quando o rádio avisa sobre algum crime grave. Antes, havia patrulhamento preventivo, agora, só quando o delito ocorre — reclama Lucas.

O dirigente da Abamf diz ainda que existem apenas 19 mil PMs na ativa no Estado, quando o número deveria ser de 35 mil, se levado em conta o crescimento populacional. Uma carência em torno de 50%, estima Lucas. Algumas cidades, como Imigrante — onde ocorreu o assalto duplo a bancos (leia ao lado) —, tem um só policial militar atuando. Mesmo com carências, as polícias agiram e prenderam cinco assaltantes, na sequência.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A criminalidade realmente desandou neste dias no RS por causa do corte de salários e de verbas, mas ela vem crescendo em todos os Estados brasileiros incentivada pela leniência judicial, gestão partidária da segurança e execução penal falha, insegura, desumana, sem objetivos e sem apuração de responsabilidade por parte dos poderes e órgãos competentes, decorrendo um apadrinhamento entre poderes dando origem às leis permissivas e medidas alternativas para reduzir a pena e soltar a bandidagem, estimulando a certeza da impunidade, sem se importar com a garantia dos direitos do cidadão e da população à justiça e segurança. Além disto, não existe policiamento permanente nas fronteiras por onde passam armas de guerra, drogas e outros tipos de tráfico.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ESCALADA ENORME DA CRIMINALIDADE


"Estamos em uma escalada enorme da criminalidade", diz promotora de Justiça. Lúcia Helena Callegari aponta, entre fatores que podem explicar alto número de mortes no fim de semana, saídas temporárias de presos e sensação de que policiais não estão atuando

ZERO HORA 10/08/2015 - 09h44min | Atualizada em 10/08/2015 - 10h56min



Lúcia Helena Callegari analisou a escalada de homicídios ocorrida neste fim de semana Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Autoridades da área de segurança pública começam a segunda-feira em busca das causas para o avanço de homicídios ocorrido no final de semana: foram pelo menos 29 no Estado — 17 deles, em Porto Alegre.

A resposta pode estar, para a promotora de Justiça da 1ª Vara do Júri da Capital, Lúcia Helena Callegari, em quatro fatores: no indulto de Dia dos Pais, nas saídas temporárias de apenados, na sensação de falta de policiamento motivada pelo parcelamento de salários e, principalmente, na escalada da criminalidade.


— Entendo que a grande questão desse final de semana tenha sido o indulto de Dia dos Pais, comungado à questão que estamos em um final de semana com um grande número de saídas temporárias e à sensação da população de que os policiais não estão agindo tanto. Mas nós estamos em uma escalada do crime que, ou se toma conta, ou a criminalidade vai tomar conta — disse a promotora em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, na manhã desta segunda-feira.

Segundo Lúcia Helena, 1,2 mil presos dos regimes aberto e semiaberto foram liberados das penitenciárias gaúchas para o Dia dos Pais. A Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), porém, não confirma o dado. Ela ainda afirmou que Porto Alegre vive uma da violência superior a cidades como São Paulo e Rio de Janeiro: enquanto a capital paulista tem uma média de nove assassinatos para cada 100 mil habitantes, a capital gaúcha registra 32.

Na análise da promotora, um número maior de apenados nas ruas e a notícia de que policiais militares e civis adotaram uma espécie de operação-padrão até o pagamento integral dos salários pelo governo do Estado passa a criminosos a sensação de que "nesse final de semana, se podia matar".

Para estancar a insegurança, a promotora afirma ser necessário ter decisões mais duras da Justiça, investir no policiamento ostensivo e no trabalho de investigação, controlar as fronteiras para barrar a entrada de armamentos e monitorar as principais quadrilhas.

domingo, 9 de agosto de 2015

POA REGISTRA 10 MORTES VIOLENTAS EM 24 HORAS

ZERO HORA 09/08/2015 - 07h50min

Por: Julia Finamor, Ramon Nunes e Voltaire Santos


Porto Alegre registra 10 mortes violentas nas últimas 24 horas. Os homicídios foram registrados nos bairros Restinga, Partenon, Morro da Embratel e Lomba do Pinheiro




Brigada Militar isola casa onde houve uma chacina no bairro Restinga Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

O final de semana do Dia dos Pais é marcado pela violência em Porto Alegre. Dez homicídios foram registrados entre a manhã de sábado e o final da madrugada deste domingo. Os homicídios ocorreram nos bairros Restinga, Partenon, Morro da Embratel e Lomba do Pinheiro. As informações são da Rádio Gaúcha. No fim de semana passado, haviam sido registrados quatro homicídios na Capital no domingo.

Chacina na Restinga

O caso que mais chocou os gaúchos foi a chacina registrada no bairro Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre. Três mulheres e uma criança foram executadas, todas elas degoladas. A casa foi incendiada após o crime. Todas as vítimas tinham algum grau de parentesco. Foram identificadas como Lauren Roseane Farias Fim, 28 anos, Gregory Farias, seis anos, Sandra Regina Farias Fim, 62 anos, e Regina Fim Rodrigues, 17 anos.  Conforme o pai de uma das vítimas e cunhado da dona da casa, Leandro Moisés Rodrigues, as mulheres e a criança haviam se mudado há cerca de uma semana para a casa, localizada na Rua Alameda. Além de uma faca, cacos de vidro foram usados nas execuções. O caso foi registrado no começo da manhã de sábado.

Triplo homicídio no bairro Partenon

No bairro Partenon, um triplo homicídio foi registrado na noite de sábado. Dois homens e um adolescente foram mortos a tiros. Segundo a polícia, Douglas Roberto de Almeida Ribeiro, 19 anos, Carlos Roberto dos Santos Ribeiro, 50 anos, e o adolescente Richard Miranda Pavan, 15 anos, foram baleados dentro de uma casa na Rua Coronel Rego, próximo ao Presídio Central. Os dois adultos tinham passagem pela polícia.

Duplo homicídio na zona sul da Capital

Um confronto entre traficantes resultou na morte de duas pessoas no Morro da Embratel, na zona sul de Porto Alegre, na noite de sábado. Segundo a Brigada Militar, houve troca de tiros entre traficantes da região na Rua Herval. Uma mulher chegou a ser levada para o hospital Divina Providência, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ela foi identificada como Claudia Farias Miranda. Outro homem, sem identificação, teve a morte confirmada. A terceira vítima foi Dimiclei Silva, que levou um tiro na nuca e foi encaminhado ao HPS da Capital. Ninguém foi preso até o momento.

Morte na Lomba do Pinheiro


Um homem foi morto a tiros na Estrada Afonso Lourenço Mariante, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. Segundo a Brigada Militar, a vítima foi identificada como Rafael Oliveira Pedroso, 27 anos. A polícia faz buscas na região, mas, até o momento, ninguém foi preso.

sábado, 8 de agosto de 2015

(IN)SEGURANÇA PÚBLICA



ZERO HORA 08 de agosto de 2015 | N° 18252


TIAGO BOFF*


É trivial. É chato. É óbvio. E, o pior, vai acontecer com você. Há quem diga que toda unanimidade é burra, mas algumas verdades são absolutas: morador do Rio Grande do Sul vai sofrer na mão da criminalidade.


Na última semana, recebi em minha casa, no bairro Santana, um amigo. Era cedo – 18h para mim é cedo, mas, pelo jeito, não há horário para ser roubado. Uma subida no apartamento da Rua São Manoel e, 20 minutos depois, o resultado: vidro quebrado e um artigo raro, o extintor ABC, passa às mãos do gatuno. Agora, imaginem o constrangimento desta dupla: o proprietário do veículo acionou o seguro há um mês. Motivo? Vidro quebrado na Rua São Manoel, em Porto Alegre. Sim, senhoras e senhores. Ele teve o carro atacado duas vezes, no mesmo lugar, em um perío- do de 30 dias. Ilusoriamente, imaginamos que a presença do porteiro do prédio poderia inibir, que a iluminação deveria proteger. Só que não.

Ao ler os jornais e ouvir as autoridades, imagino que eu esteja mesmo em um inferno astral. Porque não há crise. A Brigada faz operação-padrão, reduz o efetivo nas ruas, evita sair com viaturas com licenciamento atrasado e fardamento não adquirido pelos recursos do Estado. Mas o governador pede que “peguemos leve” e afirma que “as coisas estão caminhando bem”. Ele não deve estacionar na São Manoel. Os salários parcelados dos servidores não mostram isso, senhor José Ivo Sartori. Os saudosos extintores, que antes habitavam o canto inferior direito de nossos carros, não estão mais lá. A violência se espalha de tal forma, que um pai precisa chorar a morte do filho em uma festa que pretendia angariar fundos para uma turma de escola. Morador de Charqueadas, ele disse a Zero Hora que viajava diariamente à Capital porque “tinha medo de morar em uma cidade violenta”. O adolescente, de 17 anos, foi agredido e sangrou até a morte no banco de trás do carro do pobre pai. Ele, que combinava de buscar o garoto, o monitorava por telefone, para protegê-lo, hoje crucifica-se por não ter dado proteção. Mas não é o senhor que deve salvá-lo. Não na rua, não em um passeio público.

O direito à vida, a ter um carro, a celebrar em uma casa noturna nos foi retirado. Enquanto isso, o filho do secretário da segurança é novamente selecionado para um cargo público. Não há o que não haja. Tiririca diria que não adianta chamar o Batman. Nem que nos Robin (sic).



*Produtor executivo da Rádio Gaúcha tiago.boff@rdgaucha.com.br

TRÊS MULHERES E UM MENINO SÃO EXECUTADOS EM BAIRRO DE PORTO ALEGRE


Três mulheres e um menino são assassinados na zona sul de Porto Alegre. As vítimas, ainda não identificadas, foram degoladas e a casa, incendiada

DIÁRIO GAÚCHO 08/08/2015 - 07h14min | Atualizada em 08/08/2015 - 09h20min



PMs cercaram o local do crime à espera de perícia Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS


Três mulheres e um menino foram mortos na madrugada de sábado em uma casa na Rua Alameda, no bairro Restinga, zona sul de Porto Alegre. De acordo com o sargento Luiz Fernando Beltrão, do 21º Batalhão de Polícia Militar, todos estavam com cortes no pescoço.

A tragédia foi descoberta quando bombeiros foram chamados ao local, às 6h10min, para conter um princípio de incêndio. Conforme vizinhos, gritos foram ouvidos na madrugada, por volta das 2h30min, mas a Brigada Militar não foi acionada. As vítimas, ainda não identificadas, foram encontradas em diferentes cômodos da residência.

Uma moradora das proximidades disse que haviam se mudado para o local há dois meses, mas que a mudança só chegou há uma semana. Um homem que conhecia a família e não quis se identificar, contou que duas das mulheres, tia e sobrinha, moravam em outra parte da Restinga e haviam se mudado devido a um conflito familiar.

A avó do menino, e mãe de uma das mulheres, teria sido a última a ir morar na casa. O delegado de Homicídios que esteve no local, Gabriel Bicca, disse que não daria informações por conta de uma determinação da entidade de classe.


ZERO HORA 08/08/2015 - 22h50min

Quem eram os quatro mortos em crime na Restinga. Crimes foram descobertos no começo da manhã após um princípio de incêndio no local

Por: Camila Kosachenco



Sandra (E) era mãe de Lauren (centro) e avó de Vitória (D) Foto: Facebook / Reprodução


O caso das quatro mortes no bairro Restinga, em Porto Alegre, chocou pela violência. Três mulheres e uma criança foram mortas com cortes no pescoço na madrugada deste sábado em uma casa da Rua Alameda.

Os crimes foram descobertos por volta das 6h, quando os bombeiros foram acionados para controlar um princípio de incêndio na casa. As vítimas eram da mesma família e foram identificadas como Sandra Regina Fim, 63 anos, Lauren Fim, 28, Vitória Fim Rodrigues, 17 e Gregory Farias, 6. Sandra era mãe de Lauren e avó de Vitória e Gregory.

Familiares passaram o dia prestando depoimentos na 4ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre.

— A gente não entende o que pode ter acontecido. Eu recém tinha chegado em casa quando recebi a notícia — lamenta o irmão de Sandra e padrinho de Lauren, Luís de Almeida.

Lauren, Vitória e a criança moravam no local há dois meses. Sandra foi morar com eles na última semana. Relatos dos parentes dão conta que mãe e filha eram inseparáveis e sempre moraram juntas. Em 2014, chegaram a morar em uma casa junto à mãe de Sandra, no Morro da Cruz, mas deixaram o local a pedido de Lauren.



O caso está a cargo do delegado Paulo Grilo, que não deu detalhes sobre a linha de investigação, mas garantiu que toda a delegacia está mobilizada para solucionar os crimes.

Sandra Regina Fim, 63 anos

Mãe de cinco filhos, dentre eles, Lauren, dedicava a maior parte do tempo à família. Natural de Porto Alegre, foi enfermeira na Santa Casa e em clínicas particulares e, no momento, estava aposentada. Nas últimas férias de julho, passou cerca de uma semana com o neto Gregory em Bento Gonçalves na casa de um dos filhos, que viajou a Porto Alegre assim que foi informado do crime.


Lauren Fim, 28 anos
Mãe dedicada, fazia tudo para agradar o filho, Gregory, segundo a ex-cunhada Isabel Silva. Trabalhava como atendente em uma loja do aeroporto Salgado Filho. Conforme Isabel, mantinha um bom relacionamento com o pai da criança.

Vitória Fim Rodrigues, 17 anos
A jovem, que faria 18 anos neste domingo, era neta de Sandra. Trabalhava há dois anos em uma lanchonete de um shopping na Zona Sul e havia sido promovida a gerente. Morava com a tia Lauren no local há dois meses e, juntas, compravam itens para mobiliar a casa.


Gregory Fim, 6 anos
Apaixonado por videogame e pelo Homem-Aranha, o menino era filho de Lauren e completaria 7 anos no próximo dia 18. Para comemorar a data, Lauren e Isabel, irmã do pai do menino, planejavam levá-lo ao cinema para assistir Minions e depois cantariam parabéns com um bolo. A avó já havia comprado a roupa para o menino usar no dia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

GOTHAM É AQUI



ZERO HORA 06 de agosto de 2015 | N° 18249


RAMON NUNES*


Pois torço para que Porto Alegre não se aproxime de Gotham City. O problema é que as semelhanças estão ficando evidentes. Cinza até a alma, o Centro Histórico foi renomeado assim há alguns anos para tentar reavivar a região mais antiga do município. No início, deu certo. Depois, desandou.

Da Mauá à Ipiranga, pichações são vistas em praticamente todas as fachadas, em bueiros, em postes e no chão. A sujeira é visivelmente maior na área fervilhante da capital. Parece que não adianta varrer. O alento seria se nas demais áreas a situação fosse bem diferente, mas a melhora não é tão animadora.

Chegar aos bairros, aliás, é um desafio. O trânsito em Porto Alegre é caótico. São buracos demais. Carros demais. Semáforos demais. E planejamento de menos.

Assim como em Gotham, é recomendável não andar no Centro à noite. Isso é uma lição ensinada de pai para filho. O problema é que agora a lição deve ser estendida aos demais bairros. Quem não conhece alguém que já foi assaltado em Porto Alegre?

O lazer aqui também não é mais tão prazeroso. Parques seguros? Estamos pensando nisso. Queremos cercá-los e fechá-los à noite. É mais fácil para manter os bandidos fora.

Há pouco tempo, era curioso dizer que Porto Alegre não tinha comércio que funcionasse 24 horas por dia, a não ser as lojas de conveniência. Pois hoje, até elas estão fechando, e a explicação é a insegurança.

Mas, assim como em Gotham, a população tem esperança.

Em Porto Alegre, de que o atendimento na saúde seja um dia de qualidade. Que a segurança exista. Que a cidade seja mais bonita e melhor para viver. Em Gotham, a esperança é o Batman.

Segundo um integrante da Brigada Militar, devemos chamá-lo também por aqui. Mas se Bruce Wayne estiver tentando comprar um imóvel em solo gaúcho, até ele vai se assustar com o preço.

*Jornalista, produtor da Rádio Gaúcha ramon.nunes@rdgaucha.com.br

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

SEGUNDA DE REVOLTA NO RS






ZERO HORA 03 de agosto de 2015 | N° 18246

CLEIDI PEREIRA
Colaborou Débora Ely

ATRASO SALARIAL NO RS. SEGUNDA-FEIRA DE EXPECTATIVA



ENTIDADES QUE REPRESENTAM servidores públicos prometem parar hoje em rechaço à decisão do Piratini de parcelar salários acima de R$ 2.150. Associações da BM e do Corpo de Bombeiros decidiram pelo aquartelamento, mas comando diz que tudo tem limite. Governo afirma que manifestações são legítimas e pede compreensão


Em protesto contra o parcelamento de salários que atingiu 47,2% do funcionalismo, servidores públicos estaduais prometem cruzar os braços nesta segunda-feira, batizada de Dia da Indignação. Apesar de a mobilização colocar em xeque a prestação de serviços essenciais, o Palácio Piratini não tem uma estratégia definida para enfrentar a paralisação e minimizar os impactos de uma possível greve generalizada. Policiais militares (PM) já deram largada na operação-padrão no final de semana, e há a possibilidade de escolas não abrirem as portas. Bombeiros, policiais civis, agentes penitenciários e funcionários da saúde também estão entre as categorias que devem aderir ao protesto.

O governo do Estado admite que o cenário não será o de serviços “100% dentro da normalidade”. No entanto, segundo o secretário-geral de Governo, Carlos Búrigo, a aposta continuará sendo no diálogo e na compreensão por parte das categorias que ganham acima de R$ 2.150 e tiveram seus vencimentos de julho divididos em três parcelas (veja tabela ao lado). Braço direito do governador José Ivo Sartori, Búrigo disse que as manifestações são legítimas e que o Piratini “respeita a posição e entende a situação difícil que os servidores estão enfrentando”.

– O governo teve de parcelar salários não por sua vontade. Ninguém faz um ato desses porque quer e, sim, por necessidade. Não há recursos, e isso é um fato. Então, temos de somar esforços e dialogar para que possamos, de maneira ordeira, encontrar uma saída. Esperamos que os servidores entendam, pois a paralisação não vai ajudar em nada, só vai dificultar ainda mais a situação – avaliou.

Questionado sobre medidas que podem ser adotadas em caso de agravamento da paralisação, o secretário afirmou que a cúpula do Executivo não trabalha com tal hipótese, mas avisou que, se isso acontecer, serão feitas “avaliações internas” para decidir os próximos passos. Ele não descartou a possibilidade de acionar a Justiça. A prioridade agora, conforme o secretário, é finalizar o pacote de medidas para lidar com a crise financeira do Estado que será enviado para Assembleia até a próxima sexta-feira.

– Entendemos que nenhuma ação radical de qualquer parte – nossa ou dos servidores – vai fazer com que o cenário mude de um dia para o outro. Sabemos que a culpa não é do servidor, porém, nosso maior gasto é com a folha. Infelizmente, não temos como escolher não pagar outra coisa, já não estamos pagando fornecedores. Os servidores também têm que se colocar no nosso lugar.

COMANDANTE-GERAL AFIRMA ESTAR MUITO PREOCUPADO

Entre as áreas afetadas pelo movimento, a mais sensível é a da segurança pública. Servidores da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros decidiram pelo aquartelamento e, em uma nota, chegaram a pedir que a população permaneça em casa no dia de hoje. O comandante-geral da BM, coronel Alfeu Freitas Moreira, que passou o domingo no QG da corporação, admitiu estar “muito preocupado”. No entanto, destacou que, por enquanto, não há nenhum indicativo de que a situação poderá sair do controle.

– Existe uma regra, tudo tem um limite. Aquilo que for ilegal ou irregular, com certeza, será punido. Estamos acompanhando, monitorando, e é prematuro falar em qual vai ser a redução – disse ele, lembrando que os militares são proibidos constitucionalmente de suspenderem suas atividades.

No final de semana, em Porto Alegre, Pelotas e Santana do Livramento, PMs se recusaram a sair com viaturas em situação irregular, como problemas mecânicos ou documentação vencida (leia na página 10). Conforme Freitas, o policiamento não foi prejudicado, pois os agentes utilizaram outros meios.

A direção do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbanos de Passageiros de Porto Alegre se reuniria na madrugada desta segunda para definir se a categoria também paralisaria os serviços. O motivo para os 8,6 mil rodoviários não trabalharem seria a falta de segurança devido ao possível aquartelamento dos PMs. O sindicato informou que, se a ameaça dos policiais se cumprisse, os rodoviários seriam orientados a não deixarem as garagens das empresas de transporte na Capital.






Sem segurança, bancos podem fechar as portas

Uma liminar, deferida ontem pela Justiça do Trabalho, permite que os bancos não abram hoje, caso não haja policiamento nas ruas em função da paralisação dos servidores da segurança pública. A decisão vale para todo o Estado e foi concedida após ação judicial movida pelo SindBancários e pela Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fratrafi-RS).

Segundo as entidades, há preocupação com a segurança dos servidores e clientes devido à promessa de sindicatos de que não haverá policiais nas ruas, em protesto contra o parcelamento de salários. Apesar da liminar, a orientação é que os funcionários compareçam aos bancos para que sejam avaliadas as condições de trabalho e para verificar se há a necessidade de dispensar os trabalhadores.

– Nossa preocupação é com a segurança de colegas e clientes. A decisão judicial reconhece o risco de abrir uma agência bancária sem polícia nas ruas. O Judiciário teve sensibilidade para reconhecer que há muitos riscos envolvidos. Esperamos que os bancos tenham a mesma sensibilidade e dispensem os trabalhadores – disse o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

A entidade informou que alguns diretores estarão circulando pelas ruas de Porto Alegre desde as primeiras horas da manhã para avaliar se haverá segurança para manter as atividades normais nas agências. De acordo com o levantamento do SindBancários, desde o início do ano até o dia 31 de julho, foram 124 ataques a bancos da Capital. São 11 ocorrências a mais do que no mesmo período do ano passado.

– Toda semana há casos de ataques a bancos com todo o tipo de violência. E isso que temos garantia de policiamento ostensivo. Nossa preocupação é que não haja policiamento, e os bancários fiquem ainda mais vulneráveis – acrescenta Gimenis.

CAETANNO FREITAS



Operação-padrão da BM e policiamento restrito


Prevista inicialmente para hoje, a paralisação dos servidores da segurança pública foi antecipada e teve adesões em pelo menos oito municípios no final de semana. Foram registrados protestos devido ao parcelamento dos salários em Candelária, Caxias do Sul, Novo Cabrais, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Santana do Livramento e Santiago.

Na Capital, em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, e em Pelotas, na Zona Sul, policiais militares iniciaram uma operação- padrão e se recusaram a sair com viaturas em situação irregular, como problemas mecânicos ou documentação vencida. Em Livramento, todas as viaturas da cidade estavam com algum problema, e os agentes fazem o policiamento apenas a pé. Houve confusão em Porto Alegre e Livramento, com ameaça de prisão aos policiais que se negaram a sair, mas a situação foi contornada.

– A Constituição diz que a gente não tem direito de fazer greve, então a gente faz tudo dentro da legalidade, e não sair com viatura irregular faz parte disso – afirmou o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pelotas, Neimar Lima.

Em Caxias do Sul, na Serra, familiares de policiais e servidores da Brigada Militar fizeram uma manifestação em frente à sede do 12º Batalhão de Polícia Militar (12ºBPM), no bairro Kayser. Um grupo tentou impedir a saída de policiais para o patrulhamento da cidade. A ausência de policiamento nos arredores do Estádio Alfredo Jaconi provocou uma série de tumultos nas horas que antecederam o jogo entre Juventude e Brasil de Pelotas, no sábado. A delegação do Brasil chegou ao estádio sem qualquer escolta.

Simone Dandolini de Souza, 35 anos, mulher de um policial, foi ao protesto para manifestar seu descontentamento com o parcelamento do salário dos servidores:

– Também gostaríamos de honrar com os nossos compromissos porque as contas chegam. A comunidade toda deveria estar aqui apoiando a Brigada Militar.

Ainda foram registrados protestos em rodovias na região Central. Em Santiago, pneus foram queimados e um boneco vestindo farda da BM foi pendurado às margens da BR-287. Outros dois bonecos também foram avistados na BR-158, em Santa Maria, onde uma faixa dizia “Se não pagar, a BM vai parar. Governo terrorista”. Em Novo Cabrais e Candelária, na RSC-287, houve queima de pneus.



PMs evitaram viaturas com documentação irregular



Uma pilha de escudos transparentes e capacetes laranja ao pé de uma árvore chamou a atenção de quem passou ontem pelo Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre. A cena foi um dos reflexos da paralisação dos servidores da segurança pública em protesto contra o parcelamento de salários – anunciada para hoje, a mobilização já limitava o trabalho da Brigada Militar (BM) um dia antes.

Segundo o presidente da Abamf – associação que representa servidores de nível médio da corporação –, Leonel Lucas, os policiais receberam orientação para não irem à rua com viaturas que não estivessem regulares, tanto por falhas mecânicas quanto por falta de licenciamento. Em razão da medida, a Companhia de Operações Especiais do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Porto Alegre, que faz a segurança no entorno do Beira-Rio em dias de jogo, não teve transporte disponível para o trabalho durante o empate entre Inter e Chapecoense. Os 24 homens percorreram os cerca de dois quilômetros do batalhão, na esquina das avenidas Ipiranga e Praia de Belas, até ao estádio a pé, e tiveram de deixar o equipamento utilizado para contenção de tumultos escorado ao pé da árvore – normalmente, escudos e capacetes ficam guardados nos veículos.

– Infelizmente, elas (as viaturas) estavam circulando com documentação vencida, mas, hoje (ontem) as equipes disseram que não iam mais rodar dessa maneira, não podemos obrigar – afirmou o comandante da Companhia, tenente Admar Rodrigues.

O major Rodrigo Mohr, responsável pelo 1º BPM, disse que a companhia conta com cinco viaturas, um micro-ônibus e 16 motos, mas admite que apenas duas motocicletas estão com licenciamento em dia. Além disso, os mais de cem policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da BM, responsável pela segurança dentro do estádio, foram transportados em veículos emprestados pela Academia de Polícia.

Conforme a Abamf, na Capital, 19º BPM e 20º BPM não tiveram nenhuma viatura em circulação ontem. O 11º BPM e o 21º BPM tiveram apenas um carro na rua, em cada unidade. No Interior, as cidades de Santana do Livramento e Quaraí ficaram sem veículos. Uruguaiana e Bagé mantiveram uma viatura em operação e Santa Maria, três.

Até ontem, a BM não tinha a informação de quantas viaturas estavam com documentação irregular. Em nota, o comandante-geral da BM, coronel Alfeu Freitas Moreira, determinou que toda viatura com problemas não saia para o serviço. “Os policiais militares irão trabalhar utilizando outros meios de transporte”, afirmou o oficial. Ele garantiu também que não serão repelidas manifestações junto aos quartéis.