SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

DICAS PARA SE PROTEGER DA VIOLÊNCIA URBANA

DIÁRIO GAÚCHO 20/01/2016 | 07h56




Leandro Rodrigues


Manual de Sobrevivência. Confira dicas para se proteger da violência urbana. O Diário Gaúcho foi às ruas com o BOE para elencar informações que ajudem a população a driblar o crime


Em locais como o Centro da Capital, criminosos procuram as vítimas mais distraídas Foto: André Ávila / Agência RBS




A criminalidade, em níveis sufocantes, não escolhe hora ou lugar. Assaltos, furtos e tiroteios entraram na rotina de quase todos os bairros da Capital e da Região Metropolitana. No sentido contrário, o efetivo da Brigada Militar atinge recorde negativo. No segundo semestre de 2015, o contingente chegou ao menor número desde 1982, conforme a própria corporação.


Para ajudar o cidadão a se proteger em algumas das situações mais comuns do dia a dia, o Diário Gaúcho foi às ruas da Capital. Com o capitão Gustavo Fávero Prietto dos Santos, do BOE (Batalhão de Operações Especiais), foram elencadas dicas para que o cidadão se torne menos “atraente” aos criminosos em qualquer local com características semelhantes.

Comportamentos que precisam ser pensados e debatidos em família. Até mesmo para que o instinto de reação ou fuga, por exemplo, possa ser controlado e substituído por uma atitude que minimize a chance de ser ferido em um roubo.

— A pessoa precisa saber que, ao ser abordada por um assaltante, a única surpresa é a dela. O criminoso já a observou, a avaliou, a seguiu e escolheu o ponto de ataque. É uma vantagem muito grande. Por isso, nesse momento, o melhor é deixar o bem ser levado e se preocupar em acionar o 190 assim que possível — ensina o capitão Prietto.

O cuidado começa antes de sair de casa, colocando a chance de ser assaltado como uma das variáveis a serem consideradas em todos os deslocamentos necessários durante o dia. O “direito” à distração não existe mais.

— A distração atrai o crime. É preciso atenção em todos os momentos, sempre fazendo uma leitura do ambiente ao redor — orienta o major Mário Augusto Ferreira, que responde interinamente como subcomandante do BOE.

A seguir, confira as dicas:


Na parada de ônibus

Aguardar um ônibus à noite, em qualquer ponto da Região Metropolitana, é tarefa para corajosos. Mas a coragem acaba sendo obrigação para quem não tem opção ao transporte coletivo. E não precisa ser uma parada escura em uma rua deserta.

Um dos casos mais graves de ataque em parada, no dia 22 de dezembro passado, foi em frente a um shopping, na Zona Sul da Capital.

A professora Carla Tentardini Alonso, 37 anos, e a filha de 15 anos esperavam um ônibus depois das compras de Natal. Com sacolas nas mãos, foram abordadas por bandidos pouco antes das 22h. Mesmo sem reagir ao assalto, Carla foi baleada no peito. Levada ao hospital em estado grave, submetida a uma cirurgia, sobreviveu e se recupera.

— Eu estou sempre agarrada na bolsa e olhando de longe quem chega perto. A onda de assalto está muito grande — diz a cuidadora Fátima Silveira Lopes, 46 anos, que esperava ônibus no mesmo local, semana passada.

- Procure um ponto iluminado, mesmo que a alguns metros.

- Segure pertences à frente do corpo, nunca ficando totalmente de costas para uma área aberta. A dica é ficar encostado em uma grade ou muro. Não fique no meio da rua, isso o deixa mais à vista de um assaltante.

- Dentro do ônibus, procure ficar no meio do veículo, longe das portas, onde acontecem os assaltos rápidos.

- Se abordado, entregue o que o criminoso pede. Sem gestos bruscos, diga em voz alta o que está fazendo: “Vou tirar a minha bolsa” ou “Estou tirando a carteira do bolso”.



No meio da multidão

Um local de intensa movimentação de pessoas pode ser uma armadilha. Justamente por essa característica, é atrativo para os chamados crimes patrimoniais: furtos e roubos de bolsas, carteiras e celulares, sem contar as tentativas de golpes.

Um exemplo é o Centro. Um local em que o pedestre precisa ser discreto. Tudo o que chama atenção das pessoas chamará ainda mais do ladrão.

— O ideal é evitar roupas ou adereços, como joias ou tênis com uma cor muito chamativa — observa o capitão Prietto.

- Defina a rota que fará. Desorientação pode levar a um caminho perigoso e atrair criminosos.

- Evite falar com estranhos que pedem informações. É uma das abordagens usadas para assalto. A tendência é que ele desista.

- Só use o celular em local seguro. Além de deixar o aparelho visível, se perde a atenção sobre o entorno.

- Carregue o menor volume possível. Segure firme em frente ao corpo, isso desestimula o ataque.

- Se for puxado, não faça cabo de guerra. O criminoso já o escolheu e pode ter comparsas.



Para se proteger em um tiroteio
O ano passado terminou com um número alarmante na Região Metropolitana. Levantamento do Diário Gaúcho revelou que 13 pessoas foram mortas por balas perdidas: sete crianças e adolescentes. Em 2014, sete pessoas haviam morrido dessa forma, nenhuma delas era menor de 18 anos.

A Vila Cruzeiro é um dos pontos mais conflagrados da Capital, com constantes disputas entre facções criminosas. No ano passado, uma dessas disputas terminou em tumulto dentro do Postão, quando um dos supostos líderes do tráfico na área foi executado. No meio disso, a comunidade foi pega de surpresa.

— A curiosidade, muitas vezes, é uma inimiga. O instinto é ver o que está acontecendo. Isso não pode acontecer — alerta o capitão Prietto.

- Não corra durante um tiroteio. Você pode acabar indo rumo aos disparos. Deite no chão com as mãos sobre a cabeça.

- Se estiver dentro de casa, jamais vá para a janela ou pátio. Procure a parte mais central da casa, com mais paredes entre você e a rua e fique deitado até o fim dos disparos.

- Depois, olhe em volta e procure abrigo, sempre abaixado. Poste, árvore ou o motor de um carro são boas proteções.

- Tire crianças da cama e as leve para esse ponto também. Elas devem ser protegidas junto ao seu corpo, também no chão.



Em roubo de veículos

Levantamento do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em outubro passado, apresenta Porto Alegre como a capital líder no ranking do roubo de veículos no país. Em 2014, foram 6.938 roubos, índice de 833,8 casos para cada 100 mil carros, quase o dobro da média nacional de 476,4.

A conclusão é de que a cada 2min30s, um carro foi roubado ou furtado nas 27 capitais brasileiras em 2014. Ataques que também terminam em morte. Na semana passada, no Bairro Jardim Ypu, Zona Leste de Porto Alegre, Isabel Cristina Grandini Dias, de 47 anos, foi assassinada com um único disparo, que a atingiu na testa. Tentativa de roubo a veículo é a principal hipótese para o crime.

Logo após dar partida no carro, foi surpreendida por um Corolla prata. Dois homens desceram com arma apontada para a motorista. A suspeita é que ela não tenha conseguido tirar o cinto de segurança.

- Ao estacionar na rua, projete a hora que vai sair. Uma boa sombra à tarde se torna um ponto escuro à noite. Não deixe pertences visíveis.

- Não pare junto à garagem sem antes olhar em volta. Se tiver algum desconhecido, dê uma volta na quadra. Caso o estranho permaneça no portão, ligue para o 190.

- Se o assaltante o abordar não há mais o que fazer. Já saia de casa preparado para conter o instinto de fuga que faz o criminoso atirar.

- Não faça gestos bruscos, tire as mãos da direção e diga em voz alta o que vai fazer: “Estou tirando o cinto”, “Vou abrir a porta e descer” e “Vou pegar a criança no banco de trás.”



Em parques e praças

Parques, praças e áreas verdes representam perigo por oferecerem esconderijos, principalmente à noite. Mesmo bem iluminados, como o Parque Farroupilha (Redenção) e o Parque Marinha do Brasil, por exemplo, persistem pontos de sombra, sobretudo sob as árvores. Nesses locais, o atrativo é consumir drogas e poder realizar, ali perto, roubos que sustentem o vício.

— O foco desse criminosos são os objetos de uso pessoal, nada de grande valor. Para ele, o relógio, o tênis já serve — explica o capitão Gustavo Fávero Prietto dos Santos.

Em áreas assim é preciso se movimentar olhando para todos os lados. Essa postura atenta, diz o capitão, manda um recado para quem estiver observando: essa vítima é difícil de ser surpreendida.

- Olhe para trás mais de uma vez até completar o percurso. Isso mostra atenção e desestimula o criminoso.

- Não use fones de ouvido até cruzar toda a área de risco. Sons de vozes ou de passos ajudam a avaliar os riscos.

- Se for à noite, faça o contorno pela calçada.

- Se desconfiar de alguém no sentido contrário, desvie a rota e procure um ponto movimentado.

- Se tiver que passar, procure a rota mais usada, a trilha de outros pedestres ou a iluminada, que permita observar à longa distância.
Postar um comentário