SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

VIVEMOS A ULTRAVIOLÊNCIA



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ZERO HORA ATL PAPER. 08/01/2016
ATL.TXT PRETINHO BÁSICO



CRIS LISBOA

Nunca senti medo de gente. Até hoje. Fui a uma papelaria no Centro de Porto Alegre e, ao sair, dei de cara com uma aglomeração na porta. Uma roda de homens e mulheres com os braços pra cima, gritando palavras soltas. Comecei a pedir licença, ainda sem entender, ainda com o fone ligado. Tocava Emicida. “Cidades são aldeias mortas, desafio nonsense.”

Então, em um movimento muito, muito rápido – sete, oito, no ballet, jamais vou me esquecer disso – tudo era empurrão e ódio. Um rapaz havia roubado o celular de uma senhora e estava sendo chutado, cuspido, esmurrado por todas aquelas pessoas. Quando percebi, já tava no meio, berrando por calma. Não por bondade, por desespero absoluto.

Comigo, um senhor de óculos, muito alto, muito calmo. As pessoas queriam seguir batendo, o rapaz estava sangrando, a gente pedia para que chamassem a polícia, por favor. Repetíamos que ele estava errado, que precisava de punição, que justiça não era feita assim. Comecei a ligar para o 190, uma, duas, cinco vezes.

Uma mulher puxou meus cabelos com muita força enquanto me chamava de filha da puta, idiota, irresponsável. Alguém jogou um saco com água, mijo, não sei, de cima do prédio, aquilo explodiu do nosso lado, as pessoas bateram palmas, seguiram dando socos, chutes, xingando. Foram os minutos mais longos, mais aterrorizantes e mais surreais de toda minha vida. Minha vontade era sair correndo. Fiquei. Mais por medo do que por coragem.

Quando a polícia chegou e algemou o rapaz, aquela gente toda se virou para o senhor e eu. Diziam coisas como: “Parabéns! Tomara que vocês sejam mortos por um bandidinho.” Fomos caminhando devagar e juntos até a outra esquina. Chorei. Muito. Ele botou a mão no meu ombro e disse: ” Tomara que este rapaz não volte a roubar “, e foi embora.


“Então, em um movimento muito, muito rápido – sete, oito, no ballet, jamais vou me esquecer disso – tudo era empurrão e ódio.”

Chorei durante todo o caminho de volta pra casa. Colocando na ponta do lápis, tudo aconteceu em 10 minutos. Se tanto. Mesmo assim, ainda consigo escutar aquela gente gritando, ainda não consigo parar de chorar. E sinto muito. Por eles, pela polícia, pelo rapaz, por mim, por todos nós. Que não sabemos mais como é ser humano. Que estamos cansados de violência, injustiça e medo. E reagimos causando medo, sendo violentos e injustos.

Não fiquei perto daquele rapaz por concordar com ele. Não sei o que fazer para acabar com a violência. Só sei que olho por olho, dente por dente. Este mundo pode acabar cego e banguela.

Obs: Estou escrevendo aqui porque escrever é a única coisa que consigo. Além disso, o que eu posso fazer? Quero descobrir.
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