SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

NEM O BATMAN

 CORREIO DO POVO,  23/02/2016 




OSCAR BESSI FILHO


O Batman não aguentava mais aquele povo chamando por ele, côsa e tal. Decidiu pedir ajuda. Convocou o pessoal da Liga da Justiça para uma reunião. Que reunião é bom porque reúne. Estavam lá o Superman, Aquaman, Mulher Maravilha, Ciborgue, Flash, a cambada toda. Menos o Robin, que não conseguiu remarcar a manicure.

– O Robin foi fazer as unhas, é? Humm. – Aquaman gostava de botar uma água na fervura.

– O que é que tem, Aqua?

– Nada, nada.

– Preconceito numa hora dessas? Não somos mais quadrinhos dos anos 50.

– Ih. Entendeu errado. Só quero que tome cuidado, Batman.

– Por quê?

– Olha a Fabíola…

O homem morcego ficou pensativo. Mas não estava ali para discutir relação.

– Ouçam isto. – ele falou, e acionou o celular. Fez-se silêncio na sala de justiça para ouvir a gravação. O Flash pensou que era mais uma delação premiada qualquer, mas não. Eram tiros. Tiros e mais tiros.

– O que é isso? Mercenários 4?

– Good morning Vietnã?

– Tá gravando filme no cinema, Batman? É crime!

– Porto Alegre.

– Hein?

– E não é filme. É vida real.

Desconforto. Ouviram os relatos de Batman sobre a capital gaúcha e seus homicídios, guerra do tráfico, roubo de carros, etc. E nada de chamarem mais policiais pra enfrentar os bandidos. E nada de ensinar as crianças que o crime não compensa. “Não dá pra deixar essa pros Vingadores?”, murmurou a Mulher Maravilha.

– Não dá. Os porto-alegrenses me chamam toda hora. Dizem que sou o único “capa-preta” em que eles levam fé.

– Ah.

– Mas não dá, tá demais, preciso da ajuda de vocês.

Depois de muito resmungo e muxoxo, concordaram. Não seria fácil. Porto Alegre não é Gotham City, Batman. Sabe o que é isso?

– Sei. Por isso, agora vou ligar o nosso super mega ultra hiper master detector de criminosos.

– Quê?

– Comprei no Mercado Livre. Liga aqui, ó, e aparece a lista com a foto e o endereço dos caras que mais cometem crimes contra seu povo. Com o covil dos principais malfeitores nas mãos, prendemos os caras antes mesmo que eles saibam o que está acontecendo. E salvaremos a cidade.

– Boa!

– Boa! Boa!

Batman apertou o botão “power” do aparelho. Que em seguida começou a projetar na parede fotografias e endereços.

– Mas Batman, esses aí…

– Esses lugares…

– Essa…

– Ihh…

– Psst! – fez Batman. E pegou o celular, apressado.

– O que vai fazer?

– Ligar pro 190. – ele suspirou. – É só o que dá pra fazer.
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