SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

ALTERAR COMPORTAMENTOS E PREVENIR SITUAÇÕES DE RISCO


ZERO HORA 22 de junho de 2016 | N° 18562
 
CADU CALDAS

REPORTAGEM ESPECIAL



Alterar comportamentos e prevenir situações de risco


Não é apenas a procura por blindagem de carros que tem crescido com aumento da violência. A busca por aulas de tiro em escolas especializadas também tem avançado.

O uso de equipamentos não deve gerar uma sensação de “supersegurança”, alerta o consultor da área Dempsey Magaldi, que tem mais de 30 anos de experiência no setor:

– Um carro blindado é como qualquer outro quando o motorista está do lado de fora. Não adianta proteger o carro com os melhores materiais e dirigir o veículo com fones de ouvido ou concentrado na tela do celular. É preciso adotar mudanças de comportamento e prevenir situações de risco – alerta.

Magaldi, que também ministra aulas de tiro, conta que muitos alunos chegam à escola acreditando que a arma é a única alternativa para garantir a própria segurança, e que o desafio é mostrar que o equipamento por si só não garante que a pessoa esteja livre de perigo. O mesmo acontece, segundo o consultor, com motoristas de blindados:

– A maioria das abordagens de criminosos pode ser evitada a partir de atitudes adequadas. É importante que o condutor do carro esteja atento a isso e os familiares também. Saber reconhecer ameaças é importante.

OPTE PELA SEGURANÇA MÁXIMA
 
Para o custo da blindagem pesar menos no bolso, vale investir mais na hora de escolher o nível de proteção do carro. Apesar de mais caro, o III-A, o mais potente em veículos civis, valoriza o automóvel. Carros com blindagem I e II costumam perder valor devido à baixa procura de compradores.
 
A blindagem nível III-A de um Corolla 2015, por exemplo, custa, em média, R$ 55 mil. A básica (nível I), R$ 35 mil. Para revender, o primeiro valoriza cerca de R$ 15 mil acima da tabela Fipe, chegando a R$ 76,5 mil. Já a proteção menor deprecia até 20% em relação à tabela, para cerca de R$ 50 mil.
 
 
BLINDAGEM DE VEÍCULOS AVANÇA COM A INSEGURANÇA
 
 
ANTES RESTRITA A EXECUTIVOS, procura cresce também na classe média. Pelo menos 30 novos carros com proteção extra entraram em circulação a cada mês deste ano na Capital. É o dobro do registrado em igual período de 2014

Alimentada pelo aumento da violência urbana e pela procura cada vez maior da classe média, a quantidade de veículos blindados vem crescendo no Estado. Em meio a maior recessão econômica do país nos últimos 25 anos, o setor mostra ser também à prova de crise.

Segundo fabricantes e empresas especializadas que atuam no Rio Grande do Sul, pelo menos 30 novos carros blindados por mês neste ano entraram em circulação nas ruas da Capital. É o dobro do que se via em 2014. Apesar do valor ainda salgado (em média R$ 55 mil por veículo), clientes gaúchos passaram a adotar estratégia já percebida em outras praças, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o serviço é mais difundido: no momento de comprar um automóvel, já assimilam os gastos com blindagem no custo de aquisição. Estão preferindo comprar modelos mais baratos e mandar blindar em vez de adquirir modelos ponta de linha ou trocar de carro.

– Nosso recorde de ligações em único dia ocorreu quando foi anunciado, em agosto passado, que os servidores da Segurança Pública paralisariam as atividades devido ao parcelamento dos salários. Desde então, a média mensal de atendimentos pulou de 12 para 15 – conta Victor Genz, sócio da Piquet Blindagens, maior empresa do ramo no Estado, com cerca de 1,2 mil veículos já blindados em seu pátio.

Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que o roubo de veículos em 2015 disparou 31,8% no Estado em relação ao ano anterior – os 18.142 carros levados somam o recorde histórico desde que a contagem começou a ser feita, em 2002, quando o número foi 8.380. Na Capital, onde ocorrem mais da metade dos crimes, o avanço foi de 36,6%. Ainda não estão disponíveis números referentes aos primeiros meses de 2016.

A Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), que reúne empresas do segmento, não tem dados consolidados por regiões, mas Rogério Garrubo, presidente da entidade, afirma que a capital gaúcha é “tranquilamente” a campeã na procura por blindagem automotiva na Região Sul.

– São Paulo continua sendo o principal polo, mas outras cidades vêm apresentando crescimento surpreendente. Porto Alegre é uma. O aumento de roubos, muitas vezes com o proprietário ferido, tem colocado a blindagem como artigo de necessidade. Para o setor de segurança, não tem crise – afirma Garrubo.

BANDIDOS ESTÃO TOMANDO CONTA

Empresário da área de internet, que prefere ter o nome não divulgado, decidiu blindar o carro em abril. Depois da tentativa de assalto sofrido por um primo no bairro Moinhos de Vento, passou a procurar medidas extras de proteção para a mulher e o filho de seis meses. O carro, um Corolla 2015, foi blindado com nível de proteção III-A por R$ 52 mil.

– Espero não ter de usar, mas acredito que foi um valor bem gasto. Tudo que a gente pode fazer para proteger a família acaba saindo barato. Ainda mais em Porto Alegre onde os bandidos estão tomando conta – diz.

Há mais de 13 anos no ramo de blindagem automotiva, com experiência em São Paulo e Porto Alegre, o consultor em segurança Bernardo Fallavena confirma que a procura pelo serviço tem ficado menos elitizada nos últimos tempos. A chegada de novas empresas no mercado – na região metropolitana da capital gaúcha já são três, em São Paulo, mais de cem – e o uso de novos materiais na blindagem do carro deixam o preço pouco mais acessível.

– Antes eram só grandes empresários que buscavam este tipo de proteção. Agora não, tem muito profissional liberal que mostra interesse em blindar o carro ou comprar um seminovo blindado – explica Fallavena.

A proteção do automóvel pode desvalorizá-lo, alerta o consultor. O peso extra que o veículo recebe – em média 160 quilos – exige manutenção mais constante e troca de peças. Até a escolha do nível de segurança influencia na hora da revenda, explica.


COMO É FEITO

Existem diferentes camadas de blindagem

Nível I - Resiste a tiros de calibre .38 e tem custo mais baixo
Nível II - Resiste a tiros de Magnum 357
Nível III-A - Resiste a disparos até de Magnum 44
Nível III - Resiste a disparos de fuzil AK47

As etapas

Diferentemente de veículos militares e de transporte de valores, que normalmente são concebidos blindados, a proteção em automóveis de passeio é incorporada em algumas partes e substituída em outras.   A primeira etapa é a desmontagem de algumas partes do automóvel para a instalação dos materiais balísticos. Com exceção do motor, tudo é retirado do lugar, inclusive os pneus. As peças são armazenadas em local adequado. Em seguida, os materiais de blindagem são preparados – cortados segundo as dimensões necessárias para adaptação no veículo. Começa a montagem. Na lataria e partes internas, é feita a blindagem opaca – com aço ou aramida. Nos vidros, é realizada a blindagem transparente. Algumas áreas precisam receber atenção especial, como a junção das portas com as bordas dos vidros, onde deve ser previsto o recobrimento de aço. Uma vez concluída a instalação, o revestimento interior é recolocado no veículo para que o acabamento mantenha a aparência original. Daí, são realizados os testes práticos. Para que o veículo possa circular, é preciso solicitar nova documentação ao serviço público indicando que o carro é blindado.

Materiais usados

A escolha dos itens e da espessura da blindagem é feita de acordo com o nível de proteção escolhido pelo cliente

Vidros -
Para a blindagem da área transparente, utilizam-se vidros especiais. Esses “vidros”, na verdade, são compostos por diversas lâminas de vidros e materiais polímeros. Esse “sanduíche” é chamado de pacote. O número de camadas varia de acordo com o nível de proteção.

Lataria - Existem empresas que usam mais aço na parte opaca e outras utilizam predominantemente a aramida em quase todas as áreas. A diferença entre um e outro é o peso que será acrescentado ao veículo e o custo da blindagem. Um carro blindado com aço é até oito vezes mais pesado do que o blindado com aramida (fibra usada nos coletes à prova de bala). Mas, o preço tende a ser menor.

Acessórios - A blindagem costuma proteger somente a cabine do carro. Há empresas que oferecem proteções opcionais. As mais pedidas são as blindagens do tanque de combustível e dos pneus.

Pneus - Num carro blindado, não são à prova de balas por que seriam muito pesados para veículos civis. Em geral, os pneus recebem reforços para rodar alguns quilômetros antes de murchar.

Fiscalização - Os materiais balísticos e os produtos que os utilizam, como os carros blindados, são controlados e fiscalizados pelo Exército. Mesmo sendo registrada, a empresa blindadora precisa de autorização específica para cada veículo que for blindar.

Fonte: Abrablin e consultores independentes

O tempo para fazer a blindagem de um veículo é, em média, de 30 dias e o desembolso para execução do trabalho, também em média, é de R$ 55 mil
 
 
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