SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

sábado, 15 de outubro de 2016

SEGURANÇA PRIVADA NA ESCOLA TEM ALTO CUSTO


Escola investe em segurança, mas custo pesa no bolso dos pais. Levantamento de sindicato com 84 instituições de ensino privado aponta que 67,9% aumentaram investimentos em segurança em relação a 2015

Por: Caio Cigana

ZERO HORA 15/10/2016 - 02h02min 



Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS







Pressionadas a buscar soluções próprias para a crise na segurança, colégios privados aumentam investimentos em prevenção, o que também se reflete nas mensalidades. Ainda antes do episódio da tentativa de assalto que resultou na morte da mãe de um aluno que esperava o filho sair da aula, em 25 de agosto deste ano, em frente à Escola Dom Bosco, na zona norte da Capital, o Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS) havia lançado pesquisa para saber o grau de preocupação das associadas com com o tema. O resultado de 84 respostas apontou que 67,9% aumentaram investimentos em segurança em relação a 2015.


— Isso passa a ser um custo a mais que tem de ser considerado quando é fixado o valor da mensalidade. Ou, então, a escola deixa de fazer algo. Corta na aprendizagem. Deixa de investir em tecnologia, inovação, equipamentos para laboratórios, computadores — observa o presidente do Sinepe, Bruno Eizerik.


O Colégio Santa Inês, no bairro Petrópolis, na Capital, é exemplo da situação. Nos últimos dois anos, investiu R$ 250 mil em sistemas de segurança. O gasto mensal com o custeio na área pulou de R$ 16 mil para R$ 23 mil. Para tentar aplacar a preocupação da comunidade escolar, o Santa Inês mais do que dobrou o número de câmeras, monitorando principalmente as cercanias do colégio, que também ganharam mais iluminação. Contratou vigilantes próprios, treinados para abordagem adequada a pais, alunos e professores. Instalou controle de acesso nas entradas. Criou portaria que dá acesso mais rápido do estacionamento. Negociou com o estacionamento terceirizado isenção de meia-hora para familiares que vão deixar os filhos na escola, ao custo de R$ 7 mil por mês.


— Tivemos de nos reorganizar em função da pressão da comunidade, que queria respostas. Assumimos uma responsabilidade que não seria nossa, mas do poder público — observa a diretora da escola, irmã Celassi Dalpiaz.


O desembolso cobra o seu preço. Os recursos gastos se traduzem em menores investimentos no ensino, a atividade fim da escola. E também doem no bolso dos pais. A escola teve este ano reajuste de 14,8% na mensalidade. Um ponto percentual foi resultado do aumento dos gastos com segurança.


Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A fatura da violência


Com dois filhos nos Colégio Santa Inês, o músico Maurício, 38 anos, e a médica Carolina, 39 anos, resignam-se com a situação. Em nome da tranquilidade, aceitam acréscimo na fatura da escola, resultado dos investimentos em segurança realizados nos últimos anos e do aumento do custo para manter o sistema de vigilância.


— É claro que isso impacta na mensalidade, mas é um valor que preferimos pagar para ter garantia de segurança. A gente sente um pouco, embora diluído, mas está valendo a pena. Infelizmente, ele (o investimento) tem de acontecer. Isso nos tranquiliza — diz Maurício, que vê a crise da segurança como chaga nacional, sem perspectiva de solução no curto prazo.


A conta também aparece em casa. O prédio onde vivem, também no bairro Petrópolis, conta com infraestrutura de câmeras, controle de acesso com códigos e portaria 24 horas, que minimizam a sensação de medo com a violência. A prevenção para evitar ser vítima de assalto inclui a preferência sempre por estacionamentos para evitar parar em via pública e instruções seguidas à risca pelas crianças, inclusive a menina de apenas cinco anos.


Foto: Camila Domingues / Especial

— Elas (as crianças) já sabem que têm de entrar e sair do carro rápido, sem fazer manha. E isso fica mais difícil quando se usam acessórios, como a cadeirinha, que faz com que se demore bem mais para entrar e sair. Hoje não existe mais lugar ou hora. E nem precisa reagir para acontecer alguma coisa — opina Carolina, que se diz assustada com a brutalidade com que os crimes são cometidos.

Na infância, Maurício e Carolina estudaram no Santa Inês. A diferença entre as épocas é definida por ele como "gritante" em relação à preocupação com segurança.


— Com sete, oito anos, vinha a pé para escola, e colegas da mesma idade pegavam ônibus sozinhos para outros bairros — lembra o músico, lamentando que essa possibilidade hoje é impensável para os seus filhos.

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