SEGURANÇA PÚBLICA - CONCEITO E OBJETIVO

No Sistema de Justiça Criminal, cada poder tem funções que interagem, complementam e dão continuidade ao esforço do outro na preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. A eficácia do sistema depende da harmonia e comprometimento dos Poderes de Estado em garantir a paz social. O Sistema de Justiça Criminal envolve leis claras e objetivas, prevenção de delitos, contenção, investigação, perícia, denuncia, defesa, processo legal, julgamento, sentença e a execução penal com objetivos e prioridades de reeducação, reintegração social e ressocialização do autor de ilicitudes. A finalidade do Sistema é garantir o direito da população à Justiça e à Segurança Pública, a celeridade dos processos e a supremacia do interesse público em que a justiça, a vida, a saúde, o patrimônio e o bem-estar das pessoas e comunidades são prioridades.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

SEM POLÍCIA, VITÓRIA TEM RUAS VAZIAS E MEDO GENERALIZADO


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ESTADO DE SÍTIO


Com caos na segurança, Vitória tem ruas vazias e medo generalizado. Sem policiais militares nas ruas desde o sábado, moradores da capital capixaba vivem retiro forçado enquanto aguardam reforço na segurança

Por: Guilherme Mazui / Direto de Vitória
ZERO HORA 08/02/2017 - 21h49min | Atualizada em 08/02/2017 - 21h53min



Às 18h40min, em um horário no qual o centro de Vitória seria um formigueiro, com pessoas apressadas à espera de ônibus e motoristas impacientes no trânsito arrastado, as ruas estão quase desertas. Lojas e bares ficaram de grades cerradas, os ambulantes sumiram. Vez ou outra cruza um veículo do Exército, com militares armados. É o retrato de uma capital que se tornou refém de uma onda de violência, com saques e dezenas de assassinatos, gerada a partir de uma greve da Polícia Militar que já dura cinco dias.


— É como se fosse um estado de sítio, jamais imaginei viver isso. Só sai de casa quem realmente precisa — descreve o taxista Daniel Menezes, 33 anos.


Sem policiais militares nas ruas desde o sábado, impedidos pelas famílias de deixarem os batalhões em uma ação que visa reajuste salarial, a insegurança tomou conta da Grande Vitória. Nada de ônibus, escolas sem aulas, comércio parado. Em pleno verão, as praias capixabas ficaram vazias. Poucos carros circulam pelas largas avenidas da orla. Um trecho de oito quilômetros, entre a praia de Camburi e o centro de Vitória, que consumiria 40 minutos em um dia normal, é cumprido em 10 minutos. No caminho, um posto de combustível fechado é guarnecido por militares.



— Parece cenas de The Walking Dead, uma cidade fantasma — diz Paulo Cesar Antunes, 48 anos, em referência ao seriado americano que retrata um apocalipse zumbi.


A sensação de que a violência saiu do controle se consolidou na segunda-feira. Gerente de um supermercado em Vila Velha, Antunes tocava o dia na loja quando chegou a informação de que a circulação de ônibus seria interrompida às 16h. A rede para a qual trabalha teve de liberar 700 funcionários, sendo 50 da unidade dele.


— As pessoas não teriam como voltar para casa — explica.


Desde então, os moradores da Região Metropolitana vivem uma espécie de confinamento forçado, no qual o medo é parceiro inseparável. A empresária Natyelly Gonzalez, 31 anos, não deixa o edifício onde mora com o marido Laerte de Vargas e os dois filhos em Vila Velha. Tomou a decisão quando recebeu o vídeo de um amigo, que teve a janela do quarto quebrada por uma bala perdida.


— Nem na varanda ou na área de lazer do prédio a gente tem ido por medo — relata.


Seu marido, Laerte, tentou trabalhar na segunda-feira pela manhã. Foi até a cidade vizinha de Cariacica, sede da empresa da família, que presta serviço na área naval. Nos 12 quilômetros de percurso, observou dois corpos jogados na calçada. Chegou a iniciar o expediente, mas um alerta o fez rever os planos. Pela janela, observou bandidos em motos, com armas apontadas para o alto. Tratava-se de um toque de recolher.


"É um cenário de guerra", descreve morador


De volta ao lar, Laerte passa o dia ao lado da família. O condomínio em que vivem, com duas torres e um total de 192 apartamentos, contratou escolta armada para a noite, já que havia apenas um porteiro. Em um grupo de WhatsApp, os moradores trocam informações e favores. Uma vizinha mais corajosa aceitou ir a padaria e efetuou compras coletivas. Já uma loja de bolos aceitou fazer uma entrega para dezenas de moradores.


Reclusa, Natyelly ficou os últimos dias com a TV e rádios ligados mirando pelo celular o Facebook e grupos de mensagens. Esperava notícias positivas sobre o fim da greve e da violência, mas recebeu apenas uma saraivada de relatos de saques a lojas de departamentos, assaltos e tiroteios, além de mercados superlotados. Uma amiga contou o drama vivido pelo tio. "Ele estava indo para o sítio quando o carro dele foi atingido por tiros algumas vezes", narrou.
— Sem polícia na rua, a bandidagem partiu para os acertos de contas. O desejo deles por salário é legítimo, mas não poderiam ter feito isso. É um cenário de guerra — acredita.
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